Poemas neste tema
Desejo
Ronilson Rocha
A metade
Sinto tantos desejos estranhos
quando te vejo tão sensual
olhar no fundo de teus olhos castanhos
e te fazer feliz de modo sem igual....
acariciar-te por inteira
dizer-te bobagens ao ouvido
deitar-te numa esteira
e me sentir totalmente envolvido...
Pois teu cheiro me desperta o olfato...
tua voz me comanda de forma aberta...
quando sinto a tua pele macia, de fato...
é como ter achado a metade que me completa...
quando te vejo tão sensual
olhar no fundo de teus olhos castanhos
e te fazer feliz de modo sem igual....
acariciar-te por inteira
dizer-te bobagens ao ouvido
deitar-te numa esteira
e me sentir totalmente envolvido...
Pois teu cheiro me desperta o olfato...
tua voz me comanda de forma aberta...
quando sinto a tua pele macia, de fato...
é como ter achado a metade que me completa...
877
Paulo Montalverne
Receita
Eu sonhei com tua pele
E ela cheirava:
Almíscar
Canela
Pimenta.
Tempero e mulher.
Verti memórias em desejos
Cozinhando minha angústia
Nos sumos do teu corpo:
Saliva
Sêmem
Suor
Gemidos.
Fome e fantasia.
E ela cheirava:
Almíscar
Canela
Pimenta.
Tempero e mulher.
Verti memórias em desejos
Cozinhando minha angústia
Nos sumos do teu corpo:
Saliva
Sêmem
Suor
Gemidos.
Fome e fantasia.
990
Camila Sintra
Tu e eu
eu entro
entro
entro
entro dentro
dentro
dentro
dentro de ti
de ti
ti ti ti ti ti
tiro
ponho
tiro ponho, ponho, ponho
ponho tudo
tudo, tudo, tudo,
em toda tu,
boca, boceta e cu,
olhos, nariz e alma,
coração, veias e vida
vida, minha vida,
não sei mais quem sou
nem quem és,
pois sou tu e sou eu
eu e tu
tu e eu
entro
entro
entro dentro
dentro
dentro
dentro de ti
de ti
ti ti ti ti ti
tiro
ponho
tiro ponho, ponho, ponho
ponho tudo
tudo, tudo, tudo,
em toda tu,
boca, boceta e cu,
olhos, nariz e alma,
coração, veias e vida
vida, minha vida,
não sei mais quem sou
nem quem és,
pois sou tu e sou eu
eu e tu
tu e eu
1 100
Carlos J. Tavares Gomes
Retrato de mulher
Seu velado sorriso fertiliza
a paisagem estéril ao fundo
e seus olhos insinuantes
agitam meu oceano libídico.
A ausência de rosas, dálias,
papoulas, margaridas...
de flores
não afasta de você
a primavera,
mesmo após várias luas.
O retrato perde-se na moldura,
mas a mulher é o abismo de aromas,
corredor presente de vôos possíveis
onde debilmente macho
tateio meu futuro infantil.
Em suas fontes, matas,
montes e curvas de além-mar,
dedilho, navegante, a música de
toda minha existência.
a paisagem estéril ao fundo
e seus olhos insinuantes
agitam meu oceano libídico.
A ausência de rosas, dálias,
papoulas, margaridas...
de flores
não afasta de você
a primavera,
mesmo após várias luas.
O retrato perde-se na moldura,
mas a mulher é o abismo de aromas,
corredor presente de vôos possíveis
onde debilmente macho
tateio meu futuro infantil.
Em suas fontes, matas,
montes e curvas de além-mar,
dedilho, navegante, a música de
toda minha existência.
873
Ivaldo Gomes
Sexo virtual
Como que se possível fosse...
Como se possível é
Assim te deixar louca
Rouca de desejos
Beijos.
Se a imaginação não existisse..
O coração não sentiria
O pulso não pulsaria
E os dedos, ávidos de desejos
Delineasse as curvas,
Os gestos, no teclado
Noite a dentro.
Vadios de nós...
Nos lençóis virtuais
Amar o não visto
Dos gemidos dados
Ouvidos ao longe
Oceanos a dentro.
E nós, desse jeito...
Sem jeito algum
Procurando um jeito de
Se conquistar
Conquistar-se.
E nós reinventando a roda.....
Nos beijos, desejos,
Vontades sem fim.
Como que se fosse possível
Matar todas as sedes
Desse nosso sentir.
Sexo Virtual?
Onde?
Como se possível é
Assim te deixar louca
Rouca de desejos
Beijos.
Se a imaginação não existisse..
O coração não sentiria
O pulso não pulsaria
E os dedos, ávidos de desejos
Delineasse as curvas,
Os gestos, no teclado
Noite a dentro.
Vadios de nós...
Nos lençóis virtuais
Amar o não visto
Dos gemidos dados
Ouvidos ao longe
Oceanos a dentro.
E nós, desse jeito...
Sem jeito algum
Procurando um jeito de
Se conquistar
Conquistar-se.
E nós reinventando a roda.....
Nos beijos, desejos,
Vontades sem fim.
Como que se fosse possível
Matar todas as sedes
Desse nosso sentir.
Sexo Virtual?
Onde?
1 831
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Ritual
seus olhos
ovulam um verde mediterrâneo
espermatozóides
agitam-se em gôndolas
sua língua
passeia em minha boca
meu pênis
endurece e penetra sua vagina
gozemos
há um ritual de procriação
mergulhado
nesses olhos verdes
: quem sabe
dele nascerá algum poeminha?
ovulam um verde mediterrâneo
espermatozóides
agitam-se em gôndolas
sua língua
passeia em minha boca
meu pênis
endurece e penetra sua vagina
gozemos
há um ritual de procriação
mergulhado
nesses olhos verdes
: quem sabe
dele nascerá algum poeminha?
1 078
Isabel Machado
Sugar
Me dá meu beijo
me suga feito redemoinho
para o centro da luz
que me espera
Sem pressa
e guloso ao mesmo tempo
sem tempo de esperar
como quem vai morrer amanhã
Deixa encravado na pele
o cheiro da manhã
a nos envolver
a enternecer tanta vida
que suspira
que reflete
em cada ato
em cada tato
em cada canto
do meu quarto
me suga feito redemoinho
para o centro da luz
que me espera
Sem pressa
e guloso ao mesmo tempo
sem tempo de esperar
como quem vai morrer amanhã
Deixa encravado na pele
o cheiro da manhã
a nos envolver
a enternecer tanta vida
que suspira
que reflete
em cada ato
em cada tato
em cada canto
do meu quarto
918
Diana Bellessi
Não me mandes para o canto
Quando digo a palavra
nuca
chupo-te suavemente
até afundar
o dente aqui?
Acaso estou te tocando?
Quando digo bico do peito
a mão roça
as dilatadas rosas dos peitos teus?
Toco-te acaso?
Toca, língua, acaso o canto
de meus lábios e aprisiona
na vasta cavidade do corpo
que deseja ser tocado e cingido
por tua língua quando nomeia
por minha boca a palavra língua, acaso?
Não me mandes para o canto
Não faças de mim a testemunha
que se olha te tocando com palavras
É a mão nomeada
não o nome
que deseja aprisionar tuas nádegas
– Fala-me
– Como será?
– O quê?
– Tua voz
Fogo oculto na madeira
do fogo que se expande?
É assim que será?
O corpo de tua voz
no instante em que
não me mandes para o canto
Flui mel das romãs
Não quero
tocar um fantasma
nem quero
a fantasia cortês
do trovador à sua dama
É a você, minha amada
áspero corpo da amiga que desejo
Gesto
de mútua apropriação
instante
onde não se sabe
os limites do tu, do eu
O nome e o nomeado
em tersa conjunção que sabe
não durará
e sabe
é mais eterno
que o gume de um diamante
Alegre
relâmpago de garra
e de mordedura
animal
o mais belo de toodos
o instinto
impera aqui
Sua voz não tem tradução
Verbal moeda de intercâmbio
não
Só o audaz abraço, minha amiga,
responde aqui
nuca
chupo-te suavemente
até afundar
o dente aqui?
Acaso estou te tocando?
Quando digo bico do peito
a mão roça
as dilatadas rosas dos peitos teus?
Toco-te acaso?
Toca, língua, acaso o canto
de meus lábios e aprisiona
na vasta cavidade do corpo
que deseja ser tocado e cingido
por tua língua quando nomeia
por minha boca a palavra língua, acaso?
Não me mandes para o canto
Não faças de mim a testemunha
que se olha te tocando com palavras
É a mão nomeada
não o nome
que deseja aprisionar tuas nádegas
– Fala-me
– Como será?
– O quê?
– Tua voz
Fogo oculto na madeira
do fogo que se expande?
É assim que será?
O corpo de tua voz
no instante em que
não me mandes para o canto
Flui mel das romãs
Não quero
tocar um fantasma
nem quero
a fantasia cortês
do trovador à sua dama
É a você, minha amada
áspero corpo da amiga que desejo
Gesto
de mútua apropriação
instante
onde não se sabe
os limites do tu, do eu
O nome e o nomeado
em tersa conjunção que sabe
não durará
e sabe
é mais eterno
que o gume de um diamante
Alegre
relâmpago de garra
e de mordedura
animal
o mais belo de toodos
o instinto
impera aqui
Sua voz não tem tradução
Verbal moeda de intercâmbio
não
Só o audaz abraço, minha amiga,
responde aqui
870
Ricardo Kelmer
Demais
E nós que acordamos tarde
E rimos das manchetes matinais
O mundo é tão sério
O mundo lá fora tanto faz
E nós que nos gozamos demais
E nós que não cremos na felicidade
Dessas pessoas tão normais
A vizinha todo dia assiste
Nossas cenas principais
Pane no elevador nos satisfaz
E nós que não sabemos
Do preço das salas comerciais
Mas alugamos nossos corpos
Pro amor que a noite traz
E não nos deixamos em paz
E nós que amamos nos telhados
Das crises internacionais
Nossos hálitos na vidraça
Ainda se beijam demais
E nós que nos bastamos demais
E rimos das manchetes matinais
O mundo é tão sério
O mundo lá fora tanto faz
E nós que nos gozamos demais
E nós que não cremos na felicidade
Dessas pessoas tão normais
A vizinha todo dia assiste
Nossas cenas principais
Pane no elevador nos satisfaz
E nós que não sabemos
Do preço das salas comerciais
Mas alugamos nossos corpos
Pro amor que a noite traz
E não nos deixamos em paz
E nós que amamos nos telhados
Das crises internacionais
Nossos hálitos na vidraça
Ainda se beijam demais
E nós que nos bastamos demais
880
Cristiane Neder
Os cogumelos do Paraíso
Minha loucura
não tem complexo
nem de Édipo, nem de Electra,
nem de qualquer puro amor
que saia das artérias.
Vivo no paraíso dos cogumelos
dias tristes, dias alegres,
mas tudo é ilusão passageira,
só não passa nesta vida
a casca estrangeira.
O doce e o amargo
do sabor da tua língua
ficou no Caribe
lá nos Portos cheios de gozo
e de prostituição.
Os cogumelos do paraíso
são adubados com a maresia
e os marujos já não são mais fêmeas,
pois as fêmeas são eternos machos
depois da ceia que consome seus rabos.
Nós não temos nada,
se temos a vida
ela ainda nos deve a morte,
portanto tudo é ilusão
dias de trabalho, outros de ócio
dias de amor, outros de ódio,
e os cogumelos são adubados
para fabricar desejos,
e onde não há alucinação
não germina gente,
nem se fabrica coração.
não tem complexo
nem de Édipo, nem de Electra,
nem de qualquer puro amor
que saia das artérias.
Vivo no paraíso dos cogumelos
dias tristes, dias alegres,
mas tudo é ilusão passageira,
só não passa nesta vida
a casca estrangeira.
O doce e o amargo
do sabor da tua língua
ficou no Caribe
lá nos Portos cheios de gozo
e de prostituição.
Os cogumelos do paraíso
são adubados com a maresia
e os marujos já não são mais fêmeas,
pois as fêmeas são eternos machos
depois da ceia que consome seus rabos.
Nós não temos nada,
se temos a vida
ela ainda nos deve a morte,
portanto tudo é ilusão
dias de trabalho, outros de ócio
dias de amor, outros de ódio,
e os cogumelos são adubados
para fabricar desejos,
e onde não há alucinação
não germina gente,
nem se fabrica coração.
1 880
Miguel Anxo Fernán-Vello
Visión dun corpo na praia
Lábio de luz que treme na nudez
dun astro de brancura.
Movimento delgado
como perfil de auga.
Peixe de lentitude adiviñando o corpo
a sua sílaba húmida,
unha estrela que nace
flor de espuma.
Na ondulación da arxila
corpo solar
que arvorece no espello.
Liña de sede,
semente e sal,
a pel mariña,
e chama do tempo.
Este sopro ou queimazón violácea,
sulco fino da brisa,
a pulsación dos ollos
contra o sol da carne.
Está aqui escrito o exílio do desexo?
A adolescéncia é unha fenda rosada,
suave eclipse,
esbelta auséncia.
Mais agora regresa esa febre
que beixa a lua da boca,
ponto de fuga que arde
no interior dunha máxia
de saliva e de seda.
O salto docísimo dunha lágrima
que avivece insensíbel,
unha rosa de area
que brilla no recordo.
Aparición e signo, corpo
que o instante fai milagre,
espellismo do céu,
revelación dourada
que o mar
estremece no sangue.
dun astro de brancura.
Movimento delgado
como perfil de auga.
Peixe de lentitude adiviñando o corpo
a sua sílaba húmida,
unha estrela que nace
flor de espuma.
Na ondulación da arxila
corpo solar
que arvorece no espello.
Liña de sede,
semente e sal,
a pel mariña,
e chama do tempo.
Este sopro ou queimazón violácea,
sulco fino da brisa,
a pulsación dos ollos
contra o sol da carne.
Está aqui escrito o exílio do desexo?
A adolescéncia é unha fenda rosada,
suave eclipse,
esbelta auséncia.
Mais agora regresa esa febre
que beixa a lua da boca,
ponto de fuga que arde
no interior dunha máxia
de saliva e de seda.
O salto docísimo dunha lágrima
que avivece insensíbel,
unha rosa de area
que brilla no recordo.
Aparición e signo, corpo
que o instante fai milagre,
espellismo do céu,
revelación dourada
que o mar
estremece no sangue.
1 062
Débora Duarte
Um susto de homem me atropelou
Um susto de homem me atropelou.
Que surpresa!
Tinha no peito um ninho
Gosto de canela e vinho
E eu tive até pudor!
Príncipe encantado tarado
Mais calor que um reator.
Profético trepântico,
Libertou minha energia
Foi em cósmica orgia
Que a gente namorou.
Que surpresa!
Tinha no peito um ninho
Gosto de canela e vinho
E eu tive até pudor!
Príncipe encantado tarado
Mais calor que um reator.
Profético trepântico,
Libertou minha energia
Foi em cósmica orgia
Que a gente namorou.
969
Ricardo Kelmer
Poemas de saliva
Deslizo poemas de saliva
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
1 406
C. R. Nazareth
Filhas de Vênus
A orgulhosa Vênus, deusa do prazer sem igual,
empresta a suas filhas sensuais a chama imortal.
Seja no gelado deserto ou no calor tropical,
a todas confere desejo e prazer sem igual.
A todas confere da paixão o calor
e a todas excita, conduzindo ao profundo ardor.
Assim, não importa o lugar do mundo aonde se vá,
a doce explosão da volúpia lá estará.
Cálido arrebatamento através dos corpos balançando,
na ânsia do jorrar, o auge do prazer alcançando.
Em meio aos gemidos, seja morena ou loira, é uma arte,
uma filha de Vênus é imperatriz em toda parte.
empresta a suas filhas sensuais a chama imortal.
Seja no gelado deserto ou no calor tropical,
a todas confere desejo e prazer sem igual.
A todas confere da paixão o calor
e a todas excita, conduzindo ao profundo ardor.
Assim, não importa o lugar do mundo aonde se vá,
a doce explosão da volúpia lá estará.
Cálido arrebatamento através dos corpos balançando,
na ânsia do jorrar, o auge do prazer alcançando.
Em meio aos gemidos, seja morena ou loira, é uma arte,
uma filha de Vênus é imperatriz em toda parte.
2 115
Liz Christine
Juvenal
(Juvenal em minha cama)
Cabelo molhado, meu travesseiro reclama...
Um urso apaixonado em minha cama...
E eu viajo e me acho... Deitada, desejando...
Se você fosse esse ursinho que estou abraçando...
Que estou sentindo... sobre mim, urso da coca-cola
me cobrindo... Minha nudez, e esse calor...
Calor, despenteada pelo ventilador,
deitada, meu cabelo continua molhado...
E esse urso deitado...
Sobre o meu corpo, crescendo o calor, me tirando...
O sono, e ansiando... A sua presença, apareça...
Meu urso da coca-cola precisa dormir...
E eu preciso te sentir... Entrando...
Nesse quarto, nessa sauna, deitando...
Ao meu lado? Não, no chão... E meu cabelo continua molhado... Evaporação, concentração... Preciso diluir essa paixão... Disfarçando com bobeiras o conteúdo, misturando tudo...
Vem me possuir nesse chão... Me tire da cama...
É o meu urso quem te chama...
(Meu ursinho Juvenal)
E Juju me alivia
Meu ursinho confidente
Me abraça, só me faça
Perdidamente
Equilibrada
Aprisionada
Livremente
Estou te usando
Para escrever
Abusando
Pobre Juvenal
Quero te ver
Falando
Ursinho passional
Me domina
Fale, Juvenal
Defina
Esse sentimento
Que ilumina
Que se faz alimento
Que me gera poesia
Me esvazia
Extravazar
Amar
É o mais belo caminho
Para se encontrar
Perdida
Meu ursinho
Sem medo, sem pudor
Envolvida
Escrevo por impulso
Por você, amor
E amo meu urso
E quero ser fudida
Te encontrar, eu perdida
Me fode, me possua
Você sabe que sou sua
(Juvenal II)
Meu melhor amigo
Meu ursinho
É fofo comigo
Mas prefiro
Seu carinho
E respiro
Tristemente
Você ausente
Por impulso
Beijo ardente
Me abraça
Beijei meu urso
Não me faça
Sentir
Falta de calor
Humano e rir
Rir e sentir
Existe amor?
Juvenal
Diz que é real
Sim, existe
E só faz bem
Não resiste
Amor, vem...
Cabelo molhado, meu travesseiro reclama...
Um urso apaixonado em minha cama...
E eu viajo e me acho... Deitada, desejando...
Se você fosse esse ursinho que estou abraçando...
Que estou sentindo... sobre mim, urso da coca-cola
me cobrindo... Minha nudez, e esse calor...
Calor, despenteada pelo ventilador,
deitada, meu cabelo continua molhado...
E esse urso deitado...
Sobre o meu corpo, crescendo o calor, me tirando...
O sono, e ansiando... A sua presença, apareça...
Meu urso da coca-cola precisa dormir...
E eu preciso te sentir... Entrando...
Nesse quarto, nessa sauna, deitando...
Ao meu lado? Não, no chão... E meu cabelo continua molhado... Evaporação, concentração... Preciso diluir essa paixão... Disfarçando com bobeiras o conteúdo, misturando tudo...
Vem me possuir nesse chão... Me tire da cama...
É o meu urso quem te chama...
(Meu ursinho Juvenal)
E Juju me alivia
Meu ursinho confidente
Me abraça, só me faça
Perdidamente
Equilibrada
Aprisionada
Livremente
Estou te usando
Para escrever
Abusando
Pobre Juvenal
Quero te ver
Falando
Ursinho passional
Me domina
Fale, Juvenal
Defina
Esse sentimento
Que ilumina
Que se faz alimento
Que me gera poesia
Me esvazia
Extravazar
Amar
É o mais belo caminho
Para se encontrar
Perdida
Meu ursinho
Sem medo, sem pudor
Envolvida
Escrevo por impulso
Por você, amor
E amo meu urso
E quero ser fudida
Te encontrar, eu perdida
Me fode, me possua
Você sabe que sou sua
(Juvenal II)
Meu melhor amigo
Meu ursinho
É fofo comigo
Mas prefiro
Seu carinho
E respiro
Tristemente
Você ausente
Por impulso
Beijo ardente
Me abraça
Beijei meu urso
Não me faça
Sentir
Falta de calor
Humano e rir
Rir e sentir
Existe amor?
Juvenal
Diz que é real
Sim, existe
E só faz bem
Não resiste
Amor, vem...
1 117
Luiz Alberto Machado
Painel das fêmeas
A mulher jaz do meu lado
e de mãos dadas
somos finalmente felizes
felizes além da vida
a vida pelo amor
a nossa consaguinidade
sob a aureola da paixão
a pérola dela
que mastiga meus pensamentos
e me atrevo chegar ao seu trono
súdito sem cetro do seu querer
inculto fiel da imagem dela
a quem seria dado
a permissão de lhe desposar
que plebeu afortunado
alcançaria sua majestade
e renunciando o reinado
seria apenas seu amante
um rei destronado
entronizado apenas pelo amor
A mulher jaz do meu lado
é quase de manhã
e a nossa distância cislunar
no que pese ser feliz
ainda sinto seu cheiro quente
seu repouso incólume
depois da entrega dos corpos
sem condenação inquisitorial
sem gravidez rejeitada
sem perseguição de sicários
dorme sem saber Heloisa
sem a despedida de Tzvetaeva
pelos vitrais dos sonhos
no prima de turmalina
a deusa mulher
que jaz do meu lado
Seu corpo modelado
sua ferida santa e viva
seu jeito grácil
o milagre da prodigalidade
seu belo rosto
feliz semblante de Thereza
a viúva bela
mais bela sem par
seu nome endereçado
o seu condão
o seu sexo desejado
sua graça e seu feitio
A mulher jaz do meu lado
e insulto primeiro afeto
o seio embaixo da blusa
as mãos ungidas pelo prazer
a boca dos desejos que não se dizem
o corpo de tão puro recheio
– os maus pensamentos de Moliére repousam na minha cabeça
Minhas mãos resvalam e apalpo e enlevo
pelo evasé de sua saia bandô
as coxas grossas, roliças
a anca macia
a vulva
fulvas redondas
remexe o quadril
a minha intemperança
a minha concupiscência
hei de vê-la ferver no molde exato
a dar o que me falta
coisa feita de coisas que não se dizem
seu olhar lânguido na avareza do querer
endemoninhando minha sede
bebo na sua boca a água que me sacia
e me incendeia
testemunho seu poder de seduzir
Deusa Maceió
invado sua maldita reclusa
reclusa que detona o viço
e me engalfinho em seu esconderijo
por suas peças íntimas
e intumescido e cheio me afogo
bebo o seu rio
mordo a sua carne
sou seu canibal, índia pura
seu corpo baila no meu Albertville
achega-me, sua chama me domina
a mira, o alvo, tonta e dança
mais dança meu coraçãoa dança do ventre de Sheyla Matos
quando pudesse estimar o meu extermínio
e ela vem tão indomável quanto santa a se despir
– um pênalti na pequena área do meu coração
e ela vem bulindo, dinamitando meus sonhos
a se dissolver em mim com meu dedo na boca
e despejo a minha vida
e engole o meu sêmen no centro do feitiço
viúva alada, dorso febril
e a febre ae a cintura
roço-lhe o esfíncter até Grafemberg
na sua nudez Carolina Ferraz
na penumbra andente do seu ser
o seu gemido me extasia no movimento sensual
de Margret, de Durga, de Rachel
das tres uma de cabelos lisos
em seu tamanho menor da geografia colada no vestido curto
no Delicate Sounds of Thunder
faz valer minha fantasia e desmaia
oh! coreografia do prazer
bundinha vai-e-vem, viúva bela
minha tenda de Maria Brown
me enlaça e me diz que sou a camisa dez do seu coração
me espera que contarei das aventuras ao me reabilitarem entre os vivos
e reinarei sobre sua volúpia
e derramarei meu esperma
e saltarei fundo na paixão
vou dormir nos seus olhos com toda a minha agonia
de ilha encantada e cantarei a linda canção de J.Alfredo Pruckfork
e será lindo acordar com você do lado
A mulher jaz ao meu lado
depois de um xeque mate no xadrex de Middleton
sua meiguice sem pudor
no dever de sermos o protótipo dos deuses
me acuda, são juras sinceras de um porta vário e um verso lascivo
amar não faz mal a ninguém
e ensaio versos pros seus olhos
faço cantigas pro seu jeito, raínha minha, raínha nua
sequer suspeita que eu já morria enrubescido e despudorado
com a cara e a coragem peculiares aos enamorados
cadê você? Pedi tanto prá São Lunguinho lhe encontrar
logo jamais deixarei partir
amando com voragem até saber o feitiço do cogumelo de Alice
que me rasga e me cura
e com todo ímpeto eu espero sem medo, viúva
espero ver-lhe o talhe, a alma
anestesiado na moita
repousando às suas coxas
na noite roxa, olhos revirando
no gemido de estar gozando o prazer extremo
o átimo, o ápice da minha jugular aberta
minha aorta infecta de ser feliz deste lado
e do seu lado, viúva, para a mulher que jaz agora aqui comigo.
e de mãos dadas
somos finalmente felizes
felizes além da vida
a vida pelo amor
a nossa consaguinidade
sob a aureola da paixão
a pérola dela
que mastiga meus pensamentos
e me atrevo chegar ao seu trono
súdito sem cetro do seu querer
inculto fiel da imagem dela
a quem seria dado
a permissão de lhe desposar
que plebeu afortunado
alcançaria sua majestade
e renunciando o reinado
seria apenas seu amante
um rei destronado
entronizado apenas pelo amor
A mulher jaz do meu lado
é quase de manhã
e a nossa distância cislunar
no que pese ser feliz
ainda sinto seu cheiro quente
seu repouso incólume
depois da entrega dos corpos
sem condenação inquisitorial
sem gravidez rejeitada
sem perseguição de sicários
dorme sem saber Heloisa
sem a despedida de Tzvetaeva
pelos vitrais dos sonhos
no prima de turmalina
a deusa mulher
que jaz do meu lado
Seu corpo modelado
sua ferida santa e viva
seu jeito grácil
o milagre da prodigalidade
seu belo rosto
feliz semblante de Thereza
a viúva bela
mais bela sem par
seu nome endereçado
o seu condão
o seu sexo desejado
sua graça e seu feitio
A mulher jaz do meu lado
e insulto primeiro afeto
o seio embaixo da blusa
as mãos ungidas pelo prazer
a boca dos desejos que não se dizem
o corpo de tão puro recheio
– os maus pensamentos de Moliére repousam na minha cabeça
Minhas mãos resvalam e apalpo e enlevo
pelo evasé de sua saia bandô
as coxas grossas, roliças
a anca macia
a vulva
fulvas redondas
remexe o quadril
a minha intemperança
a minha concupiscência
hei de vê-la ferver no molde exato
a dar o que me falta
coisa feita de coisas que não se dizem
seu olhar lânguido na avareza do querer
endemoninhando minha sede
bebo na sua boca a água que me sacia
e me incendeia
testemunho seu poder de seduzir
Deusa Maceió
invado sua maldita reclusa
reclusa que detona o viço
e me engalfinho em seu esconderijo
por suas peças íntimas
e intumescido e cheio me afogo
bebo o seu rio
mordo a sua carne
sou seu canibal, índia pura
seu corpo baila no meu Albertville
achega-me, sua chama me domina
a mira, o alvo, tonta e dança
mais dança meu coraçãoa dança do ventre de Sheyla Matos
quando pudesse estimar o meu extermínio
e ela vem tão indomável quanto santa a se despir
– um pênalti na pequena área do meu coração
e ela vem bulindo, dinamitando meus sonhos
a se dissolver em mim com meu dedo na boca
e despejo a minha vida
e engole o meu sêmen no centro do feitiço
viúva alada, dorso febril
e a febre ae a cintura
roço-lhe o esfíncter até Grafemberg
na sua nudez Carolina Ferraz
na penumbra andente do seu ser
o seu gemido me extasia no movimento sensual
de Margret, de Durga, de Rachel
das tres uma de cabelos lisos
em seu tamanho menor da geografia colada no vestido curto
no Delicate Sounds of Thunder
faz valer minha fantasia e desmaia
oh! coreografia do prazer
bundinha vai-e-vem, viúva bela
minha tenda de Maria Brown
me enlaça e me diz que sou a camisa dez do seu coração
me espera que contarei das aventuras ao me reabilitarem entre os vivos
e reinarei sobre sua volúpia
e derramarei meu esperma
e saltarei fundo na paixão
vou dormir nos seus olhos com toda a minha agonia
de ilha encantada e cantarei a linda canção de J.Alfredo Pruckfork
e será lindo acordar com você do lado
A mulher jaz ao meu lado
depois de um xeque mate no xadrex de Middleton
sua meiguice sem pudor
no dever de sermos o protótipo dos deuses
me acuda, são juras sinceras de um porta vário e um verso lascivo
amar não faz mal a ninguém
e ensaio versos pros seus olhos
faço cantigas pro seu jeito, raínha minha, raínha nua
sequer suspeita que eu já morria enrubescido e despudorado
com a cara e a coragem peculiares aos enamorados
cadê você? Pedi tanto prá São Lunguinho lhe encontrar
logo jamais deixarei partir
amando com voragem até saber o feitiço do cogumelo de Alice
que me rasga e me cura
e com todo ímpeto eu espero sem medo, viúva
espero ver-lhe o talhe, a alma
anestesiado na moita
repousando às suas coxas
na noite roxa, olhos revirando
no gemido de estar gozando o prazer extremo
o átimo, o ápice da minha jugular aberta
minha aorta infecta de ser feliz deste lado
e do seu lado, viúva, para a mulher que jaz agora aqui comigo.
1 102
Notívaga Noturna
Casados
Ele é casado, e aí?
Eu também sou.
E o que é que eu faço,
Se sinto um baita tesão por ele?
Fico quieta?
Permaneço estática?
Permaneço a dona de casa?
Tal qual a "patroa" mal comida e mal amada?
Fico lavando cueca?
Ou me entrego a essa paixão?
E se ele me nega?
Se ele não me nega mas...
E se ela me pega com ele?
E se ele me pega com ele?
Como é que eu apago isso?
Como é que eu desligo o que eu sinto?
Como é que se mata tesão se não for na cama?
Eu me masturbo, pronto.
Faço de conta.
Mas depois volta.
E vem mais, mais forte.
Ainda mais forte, feito um vento norte.
Eu também sou.
E o que é que eu faço,
Se sinto um baita tesão por ele?
Fico quieta?
Permaneço estática?
Permaneço a dona de casa?
Tal qual a "patroa" mal comida e mal amada?
Fico lavando cueca?
Ou me entrego a essa paixão?
E se ele me nega?
Se ele não me nega mas...
E se ela me pega com ele?
E se ele me pega com ele?
Como é que eu apago isso?
Como é que eu desligo o que eu sinto?
Como é que se mata tesão se não for na cama?
Eu me masturbo, pronto.
Faço de conta.
Mas depois volta.
E vem mais, mais forte.
Ainda mais forte, feito um vento norte.
1 034
Carlos Seabra
O amar do mar
boca do mar
beijo de sal
lábios da praia
pele de areia
língua de rio
decote de dunas
seios de ilhas
abraço do sol
correntes de desejo
cheiro de algas
ondas de prazer
espuma que rebenta
gemidos das gaivotas
gozo das nuvens
céu que se funde
no azul do mar
beijo de sal
lábios da praia
pele de areia
língua de rio
decote de dunas
seios de ilhas
abraço do sol
correntes de desejo
cheiro de algas
ondas de prazer
espuma que rebenta
gemidos das gaivotas
gozo das nuvens
céu que se funde
no azul do mar
1 170
Jorge Gonzalez
Un día más
Un día más...
¿Cómo mirarán tus ojos?
¿Serán dulces? ¿Desalmados?
¿Críticos? ¿O apasionados
tanto que pondrán cerrojos
a deseos rezagados?
Un día más
para saber si tu textura
al momento de abrazarte,
de meterme, de palparte,
será una nueva atadura
que me impida abandonarte.
Un día más
y sabré a lo que sabe
tu boca abierta con la mía,
retozando de alegría;
deseando que nunca acabe,
sin importar qué pasaría.
Un día más...
terminar con estas ansias
que me matan de impaciencia
por fundirme con tu escencia,
revolcarme en tus entrañas,
refugiarme en tu querencia.
Un día más
y entonces ya sabremos
si he de ser tu amante eterno
mereciéndome el averno,
...o si ya jamás habremos
de intentar volver a vernos.
¿Cómo mirarán tus ojos?
¿Serán dulces? ¿Desalmados?
¿Críticos? ¿O apasionados
tanto que pondrán cerrojos
a deseos rezagados?
Un día más
para saber si tu textura
al momento de abrazarte,
de meterme, de palparte,
será una nueva atadura
que me impida abandonarte.
Un día más
y sabré a lo que sabe
tu boca abierta con la mía,
retozando de alegría;
deseando que nunca acabe,
sin importar qué pasaría.
Un día más...
terminar con estas ansias
que me matan de impaciencia
por fundirme con tu escencia,
revolcarme en tus entrañas,
refugiarme en tu querencia.
Un día más
y entonces ya sabremos
si he de ser tu amante eterno
mereciéndome el averno,
...o si ya jamás habremos
de intentar volver a vernos.
428
Liz Christine
Matando
Eu passional
Eu criando
Você, você, eu mal
Consigo assistir
Eu desenhando
Aula, aula, preciso fugir
Que saco, eu desenho
Seu corpo, eu tenho
Que sentir
Paixão! Criação!
Seu beijo em meu pescoço
Uma mordida
Meus lábios
Seduzida
Delirando
Tão sábios
Sabem, os seus, me fazem
Eu gozando
Aula chata!
Não acaba, não mata
Minha fome de você
Amo, minha fome
É o desejo que me consome
E preciso fugir Matar
Aula e me alimentar
Porque já estou quase desmaiando
De fome, imaginando...
Ao leite ou derretido
Com passas ou crocante
Puro ou pervertido
Com recheio
É excitante
Eu saboreio
Te mordo
E meu corpo todo
Lambuzada
Chocolate
Fina arte
Transformada
Misturada
Ao sabor supremo
Meu chocolate
Meu veneno
Você é arte
Só você extermina
Minha melancolia
Você, serotonina
Que me vicia
Eu criando
Você, você, eu mal
Consigo assistir
Eu desenhando
Aula, aula, preciso fugir
Que saco, eu desenho
Seu corpo, eu tenho
Que sentir
Paixão! Criação!
Seu beijo em meu pescoço
Uma mordida
Meus lábios
Seduzida
Delirando
Tão sábios
Sabem, os seus, me fazem
Eu gozando
Aula chata!
Não acaba, não mata
Minha fome de você
Amo, minha fome
É o desejo que me consome
E preciso fugir Matar
Aula e me alimentar
Porque já estou quase desmaiando
De fome, imaginando...
Ao leite ou derretido
Com passas ou crocante
Puro ou pervertido
Com recheio
É excitante
Eu saboreio
Te mordo
E meu corpo todo
Lambuzada
Chocolate
Fina arte
Transformada
Misturada
Ao sabor supremo
Meu chocolate
Meu veneno
Você é arte
Só você extermina
Minha melancolia
Você, serotonina
Que me vicia
861
Hilda Hilst
Drida, a maga perversa e fria
Pairava sobre as casas
Defecava ratas
Andava pelas vias
Espalhando baratas
Assim era Drida
A maga perversa e fria.
Rabiscava a cada dia o seu diário.
Eis que na primeira página se lia:
Enforquei com a minha trança
O velho Jeremias.
E enforcado e de mastruço duro
Fiz com que a velha Inácia
Sentasse o cuzaço ralo
No dele dito cujo.
Sabem por quê?
Comeram-me a coruja.
Incendiei o buraco da Neguinha.
Uma criola estúpida
Que limpava remelas
De porcas criancinhas.
Perguntaram-me por que
Incendiei-lhe a rodela?
Pois um buraco fundo
De régia função
Mas que só tem valia
Se usado na contramão
Era por neguinha ignorado.
maldita ortodoxia!
Comi o cachorro do rei
Era um tipinho gay
Que ladrava fino
Mas enrabava o pato do vizinho.
Depenei o pato.
Sabem por quê?
Cagou no meu cercado.
E agora vou encher de traques
O caminho dos magos.
Com minha espada de palha e bosta seca
Me voy a Santiago.
Moral da história:
Se encontrares uma maga (antes
Que ela o faça), enraba-a.
Defecava ratas
Andava pelas vias
Espalhando baratas
Assim era Drida
A maga perversa e fria.
Rabiscava a cada dia o seu diário.
Eis que na primeira página se lia:
Enforquei com a minha trança
O velho Jeremias.
E enforcado e de mastruço duro
Fiz com que a velha Inácia
Sentasse o cuzaço ralo
No dele dito cujo.
Sabem por quê?
Comeram-me a coruja.
Incendiei o buraco da Neguinha.
Uma criola estúpida
Que limpava remelas
De porcas criancinhas.
Perguntaram-me por que
Incendiei-lhe a rodela?
Pois um buraco fundo
De régia função
Mas que só tem valia
Se usado na contramão
Era por neguinha ignorado.
maldita ortodoxia!
Comi o cachorro do rei
Era um tipinho gay
Que ladrava fino
Mas enrabava o pato do vizinho.
Depenei o pato.
Sabem por quê?
Cagou no meu cercado.
E agora vou encher de traques
O caminho dos magos.
Com minha espada de palha e bosta seca
Me voy a Santiago.
Moral da história:
Se encontrares uma maga (antes
Que ela o faça), enraba-a.
1 316
Genaro Vencato
O pescador
Abri a ostra e encontrei a pérola
Um leve beijo com o toque da língua,
Fez ela morder o lábio e mergulhar
Arrepiada no oceano de fogo
E urna gigantesca onda de calor
Banhou seu tênue corpo salgado
o vento uivou desconcertante
Completamente alucinado
Por cima das nuvens de nácar
Comprimindo os sons
Com um aperto, um urro
E um puxão de cabelo
Fiquei tonto, totalmente inebriado
Com a beleza desta jóia
De valor inestimável
Continuando minha busca
De cultivar sempre
A beleza rara
E deliciosamente pronta a ser aberta
Da sensível ostra.
Um leve beijo com o toque da língua,
Fez ela morder o lábio e mergulhar
Arrepiada no oceano de fogo
E urna gigantesca onda de calor
Banhou seu tênue corpo salgado
o vento uivou desconcertante
Completamente alucinado
Por cima das nuvens de nácar
Comprimindo os sons
Com um aperto, um urro
E um puxão de cabelo
Fiquei tonto, totalmente inebriado
Com a beleza desta jóia
De valor inestimável
Continuando minha busca
De cultivar sempre
A beleza rara
E deliciosamente pronta a ser aberta
Da sensível ostra.
923
Eliana Mora
Prece
Preciso do veludo
dos teus cílios
da maciez
e da audácia
do
teu cheiro
da embriaguez
que vem
da tua
boca
Preciso te tocar
Preciso voltar
a ouvir
o som
do teu
corpo
dos teus cílios
da maciez
e da audácia
do
teu cheiro
da embriaguez
que vem
da tua
boca
Preciso te tocar
Preciso voltar
a ouvir
o som
do teu
corpo
937
Ricardo Kelmer
Desatinos
São tantos bares em teu desejo
Tantos beijos em teu se dar
Eu te procuro e só me perco
À luz neon do teu olhar
Mas hoje o meu hálito é cor de vinho
E me alinho aos deuses do que vier
Um decote ousado, um ar mordido
Você não conhece uma mulher
Me leva contigo ao mundo teu
Ensina os desatinos do mundo teu
Quero me deitar com quem te ama
Na cama do deus que me abençoar
Divide comigo a minha loucura
De te amar assim sem me atinar
A insanidade é uma criança
Sozinha, querendo brincar
Tantos beijos em teu se dar
Eu te procuro e só me perco
À luz neon do teu olhar
Mas hoje o meu hálito é cor de vinho
E me alinho aos deuses do que vier
Um decote ousado, um ar mordido
Você não conhece uma mulher
Me leva contigo ao mundo teu
Ensina os desatinos do mundo teu
Quero me deitar com quem te ama
Na cama do deus que me abençoar
Divide comigo a minha loucura
De te amar assim sem me atinar
A insanidade é uma criança
Sozinha, querendo brincar
984