Poemas neste tema
Desejo
Maria Suely de Oliveira
Desilusão
A dor adorna e adormece o desejo
O corpo cala e se espreguiça
O afeto foge
O coração passeia na noite
Reinstala a memória
De afagos sedutores
O estridente som da cuíca anuncia:
Não se deve caçar homens na primavera
O sexo explode insaciável e fecundo
Amores devassos não tecem laços
O corpo cala e se espreguiça
O afeto foge
O coração passeia na noite
Reinstala a memória
De afagos sedutores
O estridente som da cuíca anuncia:
Não se deve caçar homens na primavera
O sexo explode insaciável e fecundo
Amores devassos não tecem laços
969
Xavier F. Conde
Quero fazer uma confissão
Quero fazer uma confissão esta noite
porque a noite e a rua foram jantar juntas.
Quero dizer que amo uma mulher
cujo corpo não me dá
o seu calor esta noite,
cuja ausência é um ronsel laranja.
Quero dançar com minha sombra
para que o seu rumor chegue até ela
e ela saiba que eu lhe dou a noite,
toda senhora.
Quero escrever coisas que não se esvaeçam
com o sol,
que a chuva as faça flores
que cheirem a ela.
Quero que as minhas mãos voem,
voem em silêncio
onde ela guarda os seus sonhos...
sonhos que me pertencem
porque eu lhe pertenço.
Quero que ela fique, fique sempre,
quero ser a sua voz
quero ser o seu sorriso verde,
quero ser a sua chuva no cabelo,
quero amá-la mais do que ninguém
ama ninguém.
Quero dizer-lhe, aqui e agora, que a amo
com a minha voz baixa,
com o meu ar de outono lento,
com o meu sabor de beijos possíveis.
Quero que os pássaros sejam
os meus mensageiros de saudade.
Quero que o mundo comece quando ela vir.
Quero sonhar acordado com o seu tacto entre as
minhas mãos
a percorrer ela em silêncio o meu peito
e acordar com ela junto de mim,
calada e doce.
Quero só eu dizer-lhe sentimentos
que aceleram o coração,
o seu coração apaixonado,
eu gosto da sua timidez.
Quero nadar na sua boca sem horizontes.
Quero os versos todos do planeta
a falarem dela,
versos curtos de violetas,
versos firmes de cravos,
versos perfumados de rosas.
Quero suster os seus pés no ar
e trazer ao seu peito gaivotas fiéis
que sempre deixam pegadas na praia.
Quero ser eu no seu corpo
da alva ao sol-pôr,
de lua a lua
de eternidade a eternidade.
Quero amá-la até o meu último alento.
porque a noite e a rua foram jantar juntas.
Quero dizer que amo uma mulher
cujo corpo não me dá
o seu calor esta noite,
cuja ausência é um ronsel laranja.
Quero dançar com minha sombra
para que o seu rumor chegue até ela
e ela saiba que eu lhe dou a noite,
toda senhora.
Quero escrever coisas que não se esvaeçam
com o sol,
que a chuva as faça flores
que cheirem a ela.
Quero que as minhas mãos voem,
voem em silêncio
onde ela guarda os seus sonhos...
sonhos que me pertencem
porque eu lhe pertenço.
Quero que ela fique, fique sempre,
quero ser a sua voz
quero ser o seu sorriso verde,
quero ser a sua chuva no cabelo,
quero amá-la mais do que ninguém
ama ninguém.
Quero dizer-lhe, aqui e agora, que a amo
com a minha voz baixa,
com o meu ar de outono lento,
com o meu sabor de beijos possíveis.
Quero que os pássaros sejam
os meus mensageiros de saudade.
Quero que o mundo comece quando ela vir.
Quero sonhar acordado com o seu tacto entre as
minhas mãos
a percorrer ela em silêncio o meu peito
e acordar com ela junto de mim,
calada e doce.
Quero só eu dizer-lhe sentimentos
que aceleram o coração,
o seu coração apaixonado,
eu gosto da sua timidez.
Quero nadar na sua boca sem horizontes.
Quero os versos todos do planeta
a falarem dela,
versos curtos de violetas,
versos firmes de cravos,
versos perfumados de rosas.
Quero suster os seus pés no ar
e trazer ao seu peito gaivotas fiéis
que sempre deixam pegadas na praia.
Quero ser eu no seu corpo
da alva ao sol-pôr,
de lua a lua
de eternidade a eternidade.
Quero amá-la até o meu último alento.
554
Isabel Machado
Seios
O branco
todo alvo
realça na pele bronze
No alvo, círculo rosado
ao centro um olho
pedinte, esbugalhado
Todo ele na palma da mão
na tua mão encaixado
faminto se enrijece
sedento pede tua língua
afoito geme ao contato
feito coito alucinado
Os dois são felicidade
nas tuas mãos e cuidados
bichos presos, enjaulados
não querendo liberdade
todo alvo
realça na pele bronze
No alvo, círculo rosado
ao centro um olho
pedinte, esbugalhado
Todo ele na palma da mão
na tua mão encaixado
faminto se enrijece
sedento pede tua língua
afoito geme ao contato
feito coito alucinado
Os dois são felicidade
nas tuas mãos e cuidados
bichos presos, enjaulados
não querendo liberdade
1 119
Débora Duarte
Fada safada
Ai! Essa fada é safada
Quando afaga, afoga
Maga do tesão
Nem em Deus acredita, Deusa maldita
Tua sina ela dita, tua rendição
Ela é à-toa, tua perdição
Vem, pomba-gira
Pira tua ira
Me vira em tua ação
Amada maga, safada fada
Afoga afaga
Sou teu cão
Quando afaga, afoga
Maga do tesão
Nem em Deus acredita, Deusa maldita
Tua sina ela dita, tua rendição
Ela é à-toa, tua perdição
Vem, pomba-gira
Pira tua ira
Me vira em tua ação
Amada maga, safada fada
Afoga afaga
Sou teu cão
1 849
Ricardo R. Almeida
O deslizar
Deslizo
A sua imagem pelo meu pensamento
O seu cheiro pelo meu sangue
A sua voz, as suas palavras pelo meu desejo
Deslizo
As minhas mãos por entre as suas coxas
A minha boca pelos seus lábios
O meu corpo pelo seu
Deslizo
Tudo o que pode haver no mundo
E que no entanto somos só nós dois
A dançar como imagens oníricas
Deslizar de sonhos
de espaços intermináveis
De amores, paixões incontroláveis
Infinitas
Deslizo
Trêmulo, nervoso pelo meu desejo
De não deixá-la deslizar
Por entre as minhas mãos
A sua imagem pelo meu pensamento
O seu cheiro pelo meu sangue
A sua voz, as suas palavras pelo meu desejo
Deslizo
As minhas mãos por entre as suas coxas
A minha boca pelos seus lábios
O meu corpo pelo seu
Deslizo
Tudo o que pode haver no mundo
E que no entanto somos só nós dois
A dançar como imagens oníricas
Deslizar de sonhos
de espaços intermináveis
De amores, paixões incontroláveis
Infinitas
Deslizo
Trêmulo, nervoso pelo meu desejo
De não deixá-la deslizar
Por entre as minhas mãos
916
Liz Christine
Meu chocolate
Ao leite ou derretido
Com passas ou crocante
Puro ou pervertido
Com recheio
É excitante
Eu saboreio
Te mordo
E meu corpo todo
Lambuzada
Chocolate
Fina arte
Transformada
Misturada
Ao sabor supremo
Meu chocolate
Meu veneno
Você é arte
Só você extermina
Minha melancolia
Você, serotonina
Que me vicia
Com passas ou crocante
Puro ou pervertido
Com recheio
É excitante
Eu saboreio
Te mordo
E meu corpo todo
Lambuzada
Chocolate
Fina arte
Transformada
Misturada
Ao sabor supremo
Meu chocolate
Meu veneno
Você é arte
Só você extermina
Minha melancolia
Você, serotonina
Que me vicia
968
Alfonsina Storni
A carícia perdida
Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?
1 874
Letícia Luccheze
Uma escritora erótica aos afagos de um poeta
Na casa sem pecado se embriaga
O toque do telefone
O convite dela
O aceito dele
Satisfação e felicidade
Se embriagam
O clima se compõem
Odor, aconchego
Metafísico, afrodisíaco
Sonolenta no sofá adormece
O toque da campainha
Meia noite e trinta
O sorriso transparece
A excitação que desce e faz subir
O beijo na face
Música, pizza,
Bebida e conto
Colchão no chão
Lençol na cama
Travesseiro, almofada,
Cobertor e virou
Liberdade
O filme pornô a luz enubrece
Ela vira
Ele tira a calça
Ele vira
Ela tira a roupa
Ela parece dormir
Ele então comenta
De um beijo que deve a ela
Troca filme
Ele senta no chão
A dívida reluz
Ao seu lado
Ele deita
O beijo...
Ardente, quente,
Molhado, alucinante
Conversas diversas
Outro beijo
Ele e ela
Roupas e lençol
Ao alto
O beijo
A transfusão de desejos
Em posições...
O amanhecer
Despedida
O beijo na boca
O toque do telefone
O convite dela
O aceito dele
Satisfação e felicidade
Se embriagam
O clima se compõem
Odor, aconchego
Metafísico, afrodisíaco
Sonolenta no sofá adormece
O toque da campainha
Meia noite e trinta
O sorriso transparece
A excitação que desce e faz subir
O beijo na face
Música, pizza,
Bebida e conto
Colchão no chão
Lençol na cama
Travesseiro, almofada,
Cobertor e virou
Liberdade
O filme pornô a luz enubrece
Ela vira
Ele tira a calça
Ele vira
Ela tira a roupa
Ela parece dormir
Ele então comenta
De um beijo que deve a ela
Troca filme
Ele senta no chão
A dívida reluz
Ao seu lado
Ele deita
O beijo...
Ardente, quente,
Molhado, alucinante
Conversas diversas
Outro beijo
Ele e ela
Roupas e lençol
Ao alto
O beijo
A transfusão de desejos
Em posições...
O amanhecer
Despedida
O beijo na boca
393
Notívaga Noturna
Tesão por um homem casado
Te olho de lado,
Doido-apaixonado.
Vem, vê !!!
Sente o calor
que do meu corpo
se espalha,
tal qual febre,
se me imagino
a te abraçar.
Sente esta vontade
tarada-maluca,
descontrolada
completa
trêmula e
suada.
Percebe este desejo...
de te ter
de ter-te
a ter a mim a
terminado em ti
e a ti
em mim
a se exterminar.
Quero. Muito-demais.
Apertar teu corpo.
Com meu corpo
e mãos,
matar esse perfume,
feminino,
de quem te tem,
e de mim,
masculino,
deixar só o teu,
teu perfume,
mas só o de ti, em mim.
Só o perfume de ti,
Em mim, contiguo, contigo.
Muito além dessa mulher que te tem.
Doido-apaixonado.
Vem, vê !!!
Sente o calor
que do meu corpo
se espalha,
tal qual febre,
se me imagino
a te abraçar.
Sente esta vontade
tarada-maluca,
descontrolada
completa
trêmula e
suada.
Percebe este desejo...
de te ter
de ter-te
a ter a mim a
terminado em ti
e a ti
em mim
a se exterminar.
Quero. Muito-demais.
Apertar teu corpo.
Com meu corpo
e mãos,
matar esse perfume,
feminino,
de quem te tem,
e de mim,
masculino,
deixar só o teu,
teu perfume,
mas só o de ti, em mim.
Só o perfume de ti,
Em mim, contiguo, contigo.
Muito além dessa mulher que te tem.
1 228
Notívaga Noturna
Prazer
prazer.
ardor.
arder.
atar.
foder.
fundir.
unir.
assar.
amassar.
doer.
morder.
libertar.
soltar:
a vida o espírito o corpo o tudo.
chorar.
sofrer.
desejar.
acreditar.
querer.
sonhar.
soltar:
o corpo o espírito a vida o tudo.
beijar,
beijar,
beijar:
um sorvete com caramelo, chocolate entremeado de beijar.
desaparecer aparecendo doce.
existir,
existir,
existir,
haverá afinal tanto pecado em apenas querer ser feliz?
tua pele,
no meu pêlo.
minha pele,
tocando a tua.
teus seios,
em meu singelo peito...
tua alma,
em meu pequeno coração...
minha boca,
em tua boca. louca.
minha alma. louca.
em tua alma. louca.
Será pecado ter este prazer de existir?
Se era pra ser assim,
Por quê antes não foi?
Por que não te encontrei enquanto navegando displicente na existência?
Precisava ser agora?
Quando tudo já parecia definido e travado...
Quando todo um destino já parecia ter sido selado?
Só não podia não ser, jamais.
A vida não teria tido sentido, nem alma.
A alma não teria tido uma vida, nem sentido.
A existência não teria tido vida, nem sentido, nem alma.
ardor.
arder.
atar.
foder.
fundir.
unir.
assar.
amassar.
doer.
morder.
libertar.
soltar:
a vida o espírito o corpo o tudo.
chorar.
sofrer.
desejar.
acreditar.
querer.
sonhar.
soltar:
o corpo o espírito a vida o tudo.
beijar,
beijar,
beijar:
um sorvete com caramelo, chocolate entremeado de beijar.
desaparecer aparecendo doce.
existir,
existir,
existir,
haverá afinal tanto pecado em apenas querer ser feliz?
tua pele,
no meu pêlo.
minha pele,
tocando a tua.
teus seios,
em meu singelo peito...
tua alma,
em meu pequeno coração...
minha boca,
em tua boca. louca.
minha alma. louca.
em tua alma. louca.
Será pecado ter este prazer de existir?
Se era pra ser assim,
Por quê antes não foi?
Por que não te encontrei enquanto navegando displicente na existência?
Precisava ser agora?
Quando tudo já parecia definido e travado...
Quando todo um destino já parecia ter sido selado?
Só não podia não ser, jamais.
A vida não teria tido sentido, nem alma.
A alma não teria tido uma vida, nem sentido.
A existência não teria tido vida, nem sentido, nem alma.
1 209
Ricardo Kelmer
Quanto você paga?
Você me olha desse jeito, pensa que eu não sei
Que você quer me comprar
Mas eu não estou à venda, meu bem
O que está à venda é o seu sonho de ter
O que você pode pagar
Quanto você paga, meu amor, pra eu nunca dizer não?
Quanto você paga pra eu roubar seu coração?
Quanto você paga pra eu dizer coisas que sua mulher não diz?
Quanto você paga, meu amor, pra eu te fazer feliz?
Que você quer me comprar
Mas eu não estou à venda, meu bem
O que está à venda é o seu sonho de ter
O que você pode pagar
Quanto você paga, meu amor, pra eu nunca dizer não?
Quanto você paga pra eu roubar seu coração?
Quanto você paga pra eu dizer coisas que sua mulher não diz?
Quanto você paga, meu amor, pra eu te fazer feliz?
909
Agostina Akemi Sasaoka
Entranhas
O sorriso caiu.
Entre as pétalas de mim:
o cio.
Esperma aos farelos.
A lua bóia na taça de sangue.
Entre os sopros selvagens,
tórridos toques
(sinceros como um cadáver).
Com os dedos enfiados no vento,
quero lamber a liberdade.
Já esfacelei minhas lágrimas...
Enquanto o sol
baba sobre mim,
vou varrendo minha sombra
com restos de beijos...
A esperança dormiu.
Entre os subúrbios de mim:
a dor.
Bolhas de areia,
cacos de suor...
Há bolor nas estrelas.
Eis-me pecado!
Eis-me boca!
Pouca coisa:
alfinetes incendiados.
O amor vai pingando sobre o telhado,
amargo enquanto vocábulo:
deserto parido.
A vida é um estupro:
nasci para morrer.
Renascer das cinzas,
das sobras,
das teias...
Vou lutar até o orgasmo.
A noite
arrotou.
Assim seja,
assim sangre...
Entre a poeira de mim:
o prazer.
Caroço de paixão.
Vou morrer...
Vou morrer... Mas é só para te humilhar.
Vem...
Degola meu cheiro.
Não sou mulher,
sou distanásia.
Entre as pétalas de mim:
o cio.
Esperma aos farelos.
A lua bóia na taça de sangue.
Entre os sopros selvagens,
tórridos toques
(sinceros como um cadáver).
Com os dedos enfiados no vento,
quero lamber a liberdade.
Já esfacelei minhas lágrimas...
Enquanto o sol
baba sobre mim,
vou varrendo minha sombra
com restos de beijos...
A esperança dormiu.
Entre os subúrbios de mim:
a dor.
Bolhas de areia,
cacos de suor...
Há bolor nas estrelas.
Eis-me pecado!
Eis-me boca!
Pouca coisa:
alfinetes incendiados.
O amor vai pingando sobre o telhado,
amargo enquanto vocábulo:
deserto parido.
A vida é um estupro:
nasci para morrer.
Renascer das cinzas,
das sobras,
das teias...
Vou lutar até o orgasmo.
A noite
arrotou.
Assim seja,
assim sangre...
Entre a poeira de mim:
o prazer.
Caroço de paixão.
Vou morrer...
Vou morrer... Mas é só para te humilhar.
Vem...
Degola meu cheiro.
Não sou mulher,
sou distanásia.
918
Luiz Alberto Machado
Tua língua
Tua língua toca minha alma
és o poço das galáxias longínquas
e vejo a lua lindo, cheia, radiante
no céu da tua boca
eu já era a Torre Eiffel
e em meu coração mais batia a vida
Eu te entumesço o rosto
lambuzo teus lábios rubros
enterro-te minha lâmina
no mormaço da tua língua faminta
cresço-me, enrijeço-me, teso
pau madeira-de-lei
acossado pela tua carícia
ah! a tua gula pulsa minha
nos meneios de veludo do teu toque
todos os truques para me capturar
eu e meu míssil dominado
Rara e feita me engole
debruçada sobre o meu cajado
como se fosse a melhor comida
o pico do Aconcágua em transe
buscando a ejaculação constante do meu Etna
com teu faro que desembaínha meus grunhidos
e levita só assim desfalecido
me devolves a vitalidade
és o poço das galáxias longínquas
e vejo a lua lindo, cheia, radiante
no céu da tua boca
eu já era a Torre Eiffel
e em meu coração mais batia a vida
Eu te entumesço o rosto
lambuzo teus lábios rubros
enterro-te minha lâmina
no mormaço da tua língua faminta
cresço-me, enrijeço-me, teso
pau madeira-de-lei
acossado pela tua carícia
ah! a tua gula pulsa minha
nos meneios de veludo do teu toque
todos os truques para me capturar
eu e meu míssil dominado
Rara e feita me engole
debruçada sobre o meu cajado
como se fosse a melhor comida
o pico do Aconcágua em transe
buscando a ejaculação constante do meu Etna
com teu faro que desembaínha meus grunhidos
e levita só assim desfalecido
me devolves a vitalidade
1 019
Gabriel Mallet Meissner
Primeira vez
Como raios, carros riscam a rua.
Nua, a menina-mulher escuta
a luta dos motoristas embriagados,
animados pelo poder da velocidade.
"O que lhes falta é amor", pensa.
Intensa é a emoção que ela sente,
aparente calmaria; uma revolução disfarçada,
ligada à perda de uma fina película.
Criança recém-nascida para o amor,
a dor ela esquece para degustar do prazer
e sorver da paixão que lhe é oferecida:
bebida transcendente de sabor de êxtase.
Observa seu amante saindo do banheiro,
cujo cheiro de macho espalha-se pelo quarto
farto dos desejos ternos e ardentes
de serpentes recentemente entrelaçadas.
Ele se senta ao seu lado na cama-ninho
e vinho derrama em ambos os corpos,
agora copos de dionisíaca bebida,
sorvida pelas línguas às peles tocadas.
O momento é uma introdução para a repetição
à exaustão do novo exercício revelado.
Alado, Cupido voa pela janela satisfeito
pelo leito que fez ser bem aproveitado.
Nua, a menina-mulher escuta
a luta dos motoristas embriagados,
animados pelo poder da velocidade.
"O que lhes falta é amor", pensa.
Intensa é a emoção que ela sente,
aparente calmaria; uma revolução disfarçada,
ligada à perda de uma fina película.
Criança recém-nascida para o amor,
a dor ela esquece para degustar do prazer
e sorver da paixão que lhe é oferecida:
bebida transcendente de sabor de êxtase.
Observa seu amante saindo do banheiro,
cujo cheiro de macho espalha-se pelo quarto
farto dos desejos ternos e ardentes
de serpentes recentemente entrelaçadas.
Ele se senta ao seu lado na cama-ninho
e vinho derrama em ambos os corpos,
agora copos de dionisíaca bebida,
sorvida pelas línguas às peles tocadas.
O momento é uma introdução para a repetição
à exaustão do novo exercício revelado.
Alado, Cupido voa pela janela satisfeito
pelo leito que fez ser bem aproveitado.
1 096
Ricardo Kelmer
Licor
O teu corpo é um bombom em minha boca
Um som que se quebra em minha língua
Um licor que escorre sensual
Não há nada igual
Minha língua do teu corpo inquilina
Teu licor que minha boca indisciplina
Nada igual
Tua dor, teu louco riso
Teu pouco juízo
Final.
Um som que se quebra em minha língua
Um licor que escorre sensual
Não há nada igual
Minha língua do teu corpo inquilina
Teu licor que minha boca indisciplina
Nada igual
Tua dor, teu louco riso
Teu pouco juízo
Final.
1 053
Basilio Rodríguez Cañada
Dor de ausencia
Esta noite aflíxeme
a dor da túa ausencia;
berrei o teu nome,
arelei facerte miña,
posuíchesme,
ata me halucinares.
Crin verte,
sentín o teu corpo palpitar
ao compás das miñas cariñas.
Escoitei
como repetías
palabras de amor.
Berramos xuntos.
Acordei varias veces,
coa única escusa
de te ollar
ata máis aló do amencer.
Non foi un soño, non pode ser,
quero acreditar que non estás lonxe,
é mester non te esvaeceres
coa luz do día.
a dor da túa ausencia;
berrei o teu nome,
arelei facerte miña,
posuíchesme,
ata me halucinares.
Crin verte,
sentín o teu corpo palpitar
ao compás das miñas cariñas.
Escoitei
como repetías
palabras de amor.
Berramos xuntos.
Acordei varias veces,
coa única escusa
de te ollar
ata máis aló do amencer.
Non foi un soño, non pode ser,
quero acreditar que non estás lonxe,
é mester non te esvaeceres
coa luz do día.
1 553
Eliana Mora
Ritmo desnudo
As pétalas de um corpo
são assim
Podem querer se dar
se desfolhar
De certo modo podem mesmo latejar
E ele vai ficando
um tanto mais safado
mais desnudo
E na vergonha
deixa de dizer que ainda fica
mudo
Por que ninguém queria ouvir
um grito seu
E vai perdendo aquele jeito
duro
um ar de estátua
sólido e salino
de planta seca mas vivaz
um certo ar mordaz
[ou ar divino]
De algo que encolheu
que foi fechando
que se rompeu num ritmo
perverso
escondendo de si mesmo
um próprio indesejado
verso
Que tocou desafinado
sem sentido
E assim permaneceu por muito
tempo
[um tempo infindo]
Sem ter pensado
ou procurado achar
perdão
Ou ainda tão somente ter
olhado
Se ainda tinha corda
aquele corpo
Solo virgem
[violão]
são assim
Podem querer se dar
se desfolhar
De certo modo podem mesmo latejar
E ele vai ficando
um tanto mais safado
mais desnudo
E na vergonha
deixa de dizer que ainda fica
mudo
Por que ninguém queria ouvir
um grito seu
E vai perdendo aquele jeito
duro
um ar de estátua
sólido e salino
de planta seca mas vivaz
um certo ar mordaz
[ou ar divino]
De algo que encolheu
que foi fechando
que se rompeu num ritmo
perverso
escondendo de si mesmo
um próprio indesejado
verso
Que tocou desafinado
sem sentido
E assim permaneceu por muito
tempo
[um tempo infindo]
Sem ter pensado
ou procurado achar
perdão
Ou ainda tão somente ter
olhado
Se ainda tinha corda
aquele corpo
Solo virgem
[violão]
750
Ronilson Rocha
Sexo genérico
No ar, um cheiro doce de amor,
No chão, roupas jogadas ao léu,
Na cama, corpos suados cruzam com ardor,
Levando as nossas almas ao céu...
Sussurros e gemidos ecoam pelo recinto,
Olhares se encontram arrefecidos,
Estamos perdidos neste labirinto,
repleto de sentimentos desconhecidos...
De onde vem este estranho sentimento,
que nos faz remexer os quadris com destreza,
a esperar o gozo a qualquer momento?
Ou toda esta luxúria é coisa combinada,
Nada mais que um simples truque da natureza,
que nos impele a ter nossa espécie preservada...
No chão, roupas jogadas ao léu,
Na cama, corpos suados cruzam com ardor,
Levando as nossas almas ao céu...
Sussurros e gemidos ecoam pelo recinto,
Olhares se encontram arrefecidos,
Estamos perdidos neste labirinto,
repleto de sentimentos desconhecidos...
De onde vem este estranho sentimento,
que nos faz remexer os quadris com destreza,
a esperar o gozo a qualquer momento?
Ou toda esta luxúria é coisa combinada,
Nada mais que um simples truque da natureza,
que nos impele a ter nossa espécie preservada...
899
Mary Celeste Bueno
Primavera
A estação libidinosa,
Plena do gosto da vida,
Imprevisível, garrida,
Lânguida e leve, goza.
Plantas, animais e gente,
Cheínhos de seiva e luz,
Erguem-se falicamente,
Ao que o destino os conduz.
Tempo de dor e prazer
Dias de sol e de chuva:
Um novo ciclo amanhece...
Sob a influência da Lua
Assim como tudo, acontece
São as sementes do ser.
Plena do gosto da vida,
Imprevisível, garrida,
Lânguida e leve, goza.
Plantas, animais e gente,
Cheínhos de seiva e luz,
Erguem-se falicamente,
Ao que o destino os conduz.
Tempo de dor e prazer
Dias de sol e de chuva:
Um novo ciclo amanhece...
Sob a influência da Lua
Assim como tudo, acontece
São as sementes do ser.
358
Isabel Machado
Alforria
Beba do meu leite
para o meu e seu
deleite
Ponha em tua boca
a minha força
mame como filho
desmamado
há quatro dias quatro noites
ávido
impávido
insano
Sugue a minha teta
enquanto as mãos
desbravam a terra
que já é sua
em completa escravidão
Faça a festa nesta teta
e a buceta
– doidivanas lacrimada –
se abre em festa
implorando o sol
do meio-dia
Chegue, menino-senhor,
em cantoria...
Beba da fonte
da alforria...
para o meu e seu
deleite
Ponha em tua boca
a minha força
mame como filho
desmamado
há quatro dias quatro noites
ávido
impávido
insano
Sugue a minha teta
enquanto as mãos
desbravam a terra
que já é sua
em completa escravidão
Faça a festa nesta teta
e a buceta
– doidivanas lacrimada –
se abre em festa
implorando o sol
do meio-dia
Chegue, menino-senhor,
em cantoria...
Beba da fonte
da alforria...
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Levi Bucalem Ferrari
Centro expandido
no prédio in da faria lima
a senhora orienta a decoração do escritório
o executivo olha a secretária
como se pedisse desculpas
um office boy excitado
hesita
entre um par de coxas jovens e um decote finamente decorado
os ônibus transportam bundas discretamente acessíveis
a senhora orienta a decoração do escritório
o executivo olha a secretária
como se pedisse desculpas
um office boy excitado
hesita
entre um par de coxas jovens e um decote finamente decorado
os ônibus transportam bundas discretamente acessíveis
961
Zé do Neca
Homenagem ao teu sexo
Quando nossos corpos se tocam
Mesmo por cima da roupa
Sinto o calor que vem do teu corpo
Misturando ao calor do meu
São gotas do suor
Gotas de quem esperou por esse momento
Agora, as roupas vão caindo
Revelando o sexo nervoso
Sexo endurecido
Sexo umedecido
Mãos que seguram sexo
Mãos que penetram sexo
Línguas que lambem
Sexo que arrepia
Sexos que se encontram
Enfim
Sexo que agasalha
Sexo que desbrava
Acabamos
Me deito sobre teus pêlos
Sinto o cheiro do meu sexo,
No teu
Sinto o teu cheiro misturado
Ao meu
Cheiro do gozo supremo
Cheiro do sexo
Que eu adoro
Mesmo por cima da roupa
Sinto o calor que vem do teu corpo
Misturando ao calor do meu
São gotas do suor
Gotas de quem esperou por esse momento
Agora, as roupas vão caindo
Revelando o sexo nervoso
Sexo endurecido
Sexo umedecido
Mãos que seguram sexo
Mãos que penetram sexo
Línguas que lambem
Sexo que arrepia
Sexos que se encontram
Enfim
Sexo que agasalha
Sexo que desbrava
Acabamos
Me deito sobre teus pêlos
Sinto o cheiro do meu sexo,
No teu
Sinto o teu cheiro misturado
Ao meu
Cheiro do gozo supremo
Cheiro do sexo
Que eu adoro
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Maria Carlos Loureiro
O amor em linguagem de computador (versão 2)
Percorro com os dedos o teclado
e acaricio nele a tua pele
que imagino morena e macia.
Envolvo com o olhar o monitor aceso
e aprocuro aí os teus olhos
que suponho escuros e ardentes.
Passeio com o rato no tapete
e sinto os teus lábios no meu corpo,
vagarosamente deslizando
e deixando nele o sabor que imagino em ti.
e acaricio nele a tua pele
que imagino morena e macia.
Envolvo com o olhar o monitor aceso
e aprocuro aí os teus olhos
que suponho escuros e ardentes.
Passeio com o rato no tapete
e sinto os teus lábios no meu corpo,
vagarosamente deslizando
e deixando nele o sabor que imagino em ti.
1 107
Ricardo Kelmer
Particularmente eu prefiro quiabo cru
Há quem não goste de criança
Há quem adore ensinar
Há quem os olhos não levante
E há quem garanta só olhar
Há quem procure o ponto G
Há quem pule na hora H
Há quem não goste se doer
Mas há quem vá se viciar
Há quem abafe o prazer
Há quem se permita um palavrão
Há quem não exija que haja amor
E há quem se negue à precisão
Há quem não esqueça o vinho branco
Há quem vá de leite condensado
Há quem seja atento sempre e tanto
Mas há quem grite o nome errado
Há quem pra isso não tenha gula
Há quem engula só de ver
Há quem não perca uma parada
E há quem nem saiba o que fazer
Há quem não dispense um inferninho
Há quem já aderiu a um tal à-trois
Há quem não goste de tal gosto
Mas há quem ande louco pra gostar
Cada um tem sua tara
Não me venha dizer que não
Assuma a sua e meta a cara
Pois quem não tem, tem precisão
Alimente-a com carinho
Não deixe nada lhe faltar
Vergonha é que é proibido
Mais esquisito é não gozar
Há quem adore ensinar
Há quem os olhos não levante
E há quem garanta só olhar
Há quem procure o ponto G
Há quem pule na hora H
Há quem não goste se doer
Mas há quem vá se viciar
Há quem abafe o prazer
Há quem se permita um palavrão
Há quem não exija que haja amor
E há quem se negue à precisão
Há quem não esqueça o vinho branco
Há quem vá de leite condensado
Há quem seja atento sempre e tanto
Mas há quem grite o nome errado
Há quem pra isso não tenha gula
Há quem engula só de ver
Há quem não perca uma parada
E há quem nem saiba o que fazer
Há quem não dispense um inferninho
Há quem já aderiu a um tal à-trois
Há quem não goste de tal gosto
Mas há quem ande louco pra gostar
Cada um tem sua tara
Não me venha dizer que não
Assuma a sua e meta a cara
Pois quem não tem, tem precisão
Alimente-a com carinho
Não deixe nada lhe faltar
Vergonha é que é proibido
Mais esquisito é não gozar
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