Poemas neste tema
Amor Romântico
Fernando José dos Santos Oliveira
Contigo Aprendi
Contigo Aprendi
Pingo de orvalho,
no que escorres da flor
pendes qual lágrima
- tristeza ou dor -
veja o que vejo:
não é bem assim!
Ouça, escuta, o que bem me dizes
Tu és forma de amor,
de outras matizes.
Ouça agora o que dizes a mim.
Quando a deixas, deixas doce parte
e o fazes com graça: és sábio; és arte
te deixas um pouco: beijo molhado.
A parte de ti que ao abismo se lança
é sorrindo, é brincando, qual feito criança,
feliz por fazeres o de ti esperado.
Não vês? Não sentes? Tua queda importante?
Não percebes o destino - só dado ao amante
do amor da amada que pensas deixar?
É que tu cais na terra, e a molha, fertiliza
se sofres, escuta, tua dor ameniza:
é amor o que fazes: em alimento se dar.
Ouço tua queda. Não é para o chão
Cais mas não o fazes, acredita, em vão,
pois que voltas à musa. Que mais? Não vejo!
O beijo que deixas, o pulo que saltas,
a dor que sentes, o ar que te falta...
Não vês? É de nós o mais forte desejo!
Voltar e voltar e voltar e voltar
voltar à amada. Sempre e sempre voltar
Que mais doce sina podias querer?
Assim como tu, eu amo sofrendo
Outra forma de amar: não quero ou entendo;
Quero beijar, chorar, cair, volver.
Se não percebeste, querido orvalho,
Que abriste em mim um caminho, um atalho,
Para o que sinto e não conseguia dizer.
Permita-me, então, louvar tua "dor"
foi ela que me ensinou que o amor
parece lágrima, mas é vida, renascer.
Pingo de orvalho,
no que escorres da flor
pendes qual lágrima
- tristeza ou dor -
veja o que vejo:
não é bem assim!
Ouça, escuta, o que bem me dizes
Tu és forma de amor,
de outras matizes.
Ouça agora o que dizes a mim.
Quando a deixas, deixas doce parte
e o fazes com graça: és sábio; és arte
te deixas um pouco: beijo molhado.
A parte de ti que ao abismo se lança
é sorrindo, é brincando, qual feito criança,
feliz por fazeres o de ti esperado.
Não vês? Não sentes? Tua queda importante?
Não percebes o destino - só dado ao amante
do amor da amada que pensas deixar?
É que tu cais na terra, e a molha, fertiliza
se sofres, escuta, tua dor ameniza:
é amor o que fazes: em alimento se dar.
Ouço tua queda. Não é para o chão
Cais mas não o fazes, acredita, em vão,
pois que voltas à musa. Que mais? Não vejo!
O beijo que deixas, o pulo que saltas,
a dor que sentes, o ar que te falta...
Não vês? É de nós o mais forte desejo!
Voltar e voltar e voltar e voltar
voltar à amada. Sempre e sempre voltar
Que mais doce sina podias querer?
Assim como tu, eu amo sofrendo
Outra forma de amar: não quero ou entendo;
Quero beijar, chorar, cair, volver.
Se não percebeste, querido orvalho,
Que abriste em mim um caminho, um atalho,
Para o que sinto e não conseguia dizer.
Permita-me, então, louvar tua "dor"
foi ela que me ensinou que o amor
parece lágrima, mas é vida, renascer.
1 002
Fernanda Benevides
Luzes do Silêncio
Tateava na escuridão do silêncio,
quando esbarrei em alguém.
Ah, és tu?!
As luzes ascenderam...
quando esbarrei em alguém.
Ah, és tu?!
As luzes ascenderam...
762
Fernanda Benevides
Voz do Olhar
Quando teus olhos feriram o silêncio,
ouviram os meus...
( in, LUZES DO SILÊNCIO)
Fortaleza - Ce, 1 Fortaleza - Ce, 1988
ouviram os meus...
( in, LUZES DO SILÊNCIO)
Fortaleza - Ce, 1 Fortaleza - Ce, 1988
908
Fahed Daher
Acróstico
Bandos passaram, de ilusões variadas,
A se esbater e a procurar abrigo,
Ri-me de todas, nãos lhes fui amigo
Bondoso e terno, foram-se estioladas.
Algumas trago ,ainda, mal guardadas,
Rotas e tristes a seguir comigo,
Astros sem luz no vasto, infindo e antigo
Firmamento brutal das madrugadas.
Emerge, agora, em minha solidão,
Límpida, bela e pura ,outra ilusão
Indicando-me a vida desejada;
Passam-se os dias e ela não decresce,
Projeta-se, se eleva e me enternece,
Obrigando-me a ver que és minha amada.
Apucarana, 1.956 4221589
A se esbater e a procurar abrigo,
Ri-me de todas, nãos lhes fui amigo
Bondoso e terno, foram-se estioladas.
Algumas trago ,ainda, mal guardadas,
Rotas e tristes a seguir comigo,
Astros sem luz no vasto, infindo e antigo
Firmamento brutal das madrugadas.
Emerge, agora, em minha solidão,
Límpida, bela e pura ,outra ilusão
Indicando-me a vida desejada;
Passam-se os dias e ela não decresce,
Projeta-se, se eleva e me enternece,
Obrigando-me a ver que és minha amada.
Apucarana, 1.956 4221589
887
Fernanda Benevides
A Flor das Ruínas
Eis que uma flor despontou nas ruínas
de um templo desmoronado
e te enterneceu.
Era uma rosa pálida
que não queria fenecer
e tímida
gritava para sobreviver...
Transportaste-a ao solo fértil
do teu coração
e ela renasceu rubra
em tuas mãos...
de um templo desmoronado
e te enterneceu.
Era uma rosa pálida
que não queria fenecer
e tímida
gritava para sobreviver...
Transportaste-a ao solo fértil
do teu coração
e ela renasceu rubra
em tuas mãos...
891
Félix Aires
Trovas
Longe, a gaivota voando,
é um til perdido nos ares...
E eu viajo, me recordando
da bênção dos teus olhares!
Por tua beleza tanta
se enflora meu pensamento,
e a boca da noite canta
as melodias do vento.
Da mais pura filigrana,
com esse encanto de lenda,
tu és uma trova humana
vestida de seda e renda.
Quando ela chega, seu riso
é um lírio abrindo a corola
e então nascem de improviso
flores ao pé da viola.
Que lindo o mar! Nestas rotas
vejo as velas nos folguedo!
Alva toalha de gaivotas
sobre a mesa dos rochedos!
Da caboclinha bonita
armam-se os seios seguros,
que são dois frutos maduros
dentro de um ramo de chita!
é um til perdido nos ares...
E eu viajo, me recordando
da bênção dos teus olhares!
Por tua beleza tanta
se enflora meu pensamento,
e a boca da noite canta
as melodias do vento.
Da mais pura filigrana,
com esse encanto de lenda,
tu és uma trova humana
vestida de seda e renda.
Quando ela chega, seu riso
é um lírio abrindo a corola
e então nascem de improviso
flores ao pé da viola.
Que lindo o mar! Nestas rotas
vejo as velas nos folguedo!
Alva toalha de gaivotas
sobre a mesa dos rochedos!
Da caboclinha bonita
armam-se os seios seguros,
que são dois frutos maduros
dentro de um ramo de chita!
964
Elisa Lucinda
Safena
Sabe o que é um coração
amar ao máximo de seu sangue?
Bater até o auge de seu baticum?
Não, você não sabe de jeito nenhum.
Agora chega.
Reforma no meu peito!
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas
aproximem-se!
Rolos, rolas, tinta, tijolo
comecem a obra!
Por favor, mestre de Horas
Tempo, meu fiel carpinteiro
comece você primeiro passando verniz nos móveis
e vamos tudo de novo do novo começo.
Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora
apertem os cintos
Adeus ao sinto muito do meu jeito
Pitos ventres pernas
aticem as velas
que lá vou de novo na solteirice
exposta ao mar da mulatice
à honra das novas uniões
Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas
Protejam as beiras
lustrem as superfícies
aspirem os tapetes
Vai começar o banquete
de amar de novo
Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões
Façam todos suas inscrições.
Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate
O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate.
amar ao máximo de seu sangue?
Bater até o auge de seu baticum?
Não, você não sabe de jeito nenhum.
Agora chega.
Reforma no meu peito!
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas
aproximem-se!
Rolos, rolas, tinta, tijolo
comecem a obra!
Por favor, mestre de Horas
Tempo, meu fiel carpinteiro
comece você primeiro passando verniz nos móveis
e vamos tudo de novo do novo começo.
Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora
apertem os cintos
Adeus ao sinto muito do meu jeito
Pitos ventres pernas
aticem as velas
que lá vou de novo na solteirice
exposta ao mar da mulatice
à honra das novas uniões
Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas
Protejam as beiras
lustrem as superfícies
aspirem os tapetes
Vai começar o banquete
de amar de novo
Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões
Façam todos suas inscrições.
Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate
O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate.
2 799
Elisa Lucinda
Para um Amor na Rua
Meu amor,
vem pra casa que ouvi dizer
que vai estourar a guerra
Nostradamus previu
Raimunda, nega Raimunda confirmou
Por favor, ponha os pés na terra
Chão firme cama da gente
ouvi dizer que vai estourar a guerra.
Você que é mundano convicto
você que erra
vai argumentar que não há perigo e o escambou
que é apenas o "bicho" internacional.
Vai confundir tudo com show
vai dizer que tem Prince, Rock nroll
Guns NRoses e talvez Gal;
É mau, meu bem
tem também Sadam, Bushes e mesquinharias
Vem pra casa guardar num cofre sua ingenuidade
vem proteger da maldade sua fotografia.
Aqui fiz cuscuz farofa e feijão fraldinho
aqui pintei filosofia, comigo-ninguém-pode
espada de São Jorge, jasmim, arruda, carinho.
Tudo anti-míssil
tudo bruxaria anti-crueldade bélica
Lá fora alguns meninos
querem experimentar a potência
de seus terríveis brinquedos.
Não tenha medo
vem pra casa sem nem telefonar
aqui tem ar, poesia, fé
e tudo que a alegria da alma encerra.
Vem, meu amor
que ouvi dizer que vai estourar a guerra.
(verão de 1991)
vem pra casa que ouvi dizer
que vai estourar a guerra
Nostradamus previu
Raimunda, nega Raimunda confirmou
Por favor, ponha os pés na terra
Chão firme cama da gente
ouvi dizer que vai estourar a guerra.
Você que é mundano convicto
você que erra
vai argumentar que não há perigo e o escambou
que é apenas o "bicho" internacional.
Vai confundir tudo com show
vai dizer que tem Prince, Rock nroll
Guns NRoses e talvez Gal;
É mau, meu bem
tem também Sadam, Bushes e mesquinharias
Vem pra casa guardar num cofre sua ingenuidade
vem proteger da maldade sua fotografia.
Aqui fiz cuscuz farofa e feijão fraldinho
aqui pintei filosofia, comigo-ninguém-pode
espada de São Jorge, jasmim, arruda, carinho.
Tudo anti-míssil
tudo bruxaria anti-crueldade bélica
Lá fora alguns meninos
querem experimentar a potência
de seus terríveis brinquedos.
Não tenha medo
vem pra casa sem nem telefonar
aqui tem ar, poesia, fé
e tudo que a alegria da alma encerra.
Vem, meu amor
que ouvi dizer que vai estourar a guerra.
(verão de 1991)
1 845
Adriano Espínola
Táxi
ou poema de amor passageiro
At the violet hour, when the eyes and back
turn upward from the desk, when the human engine waits
like a taxi throbbing waiting...
T.S. Eliot ("The waste land", 215-217)
Depois de tirar e enrolar no bolso minha gravata colorida;
depois do pique, atravessando ruas & portas,
bebendo a luz da tarde refletida em caras que nunca mais verei;
depois da ginástica bancária,
dos trambiques dados,
dos chopes na esquina;
de ter avistado as chapinhas de cerveja encravadas no asfalto
e o poema alucinado e cínico,
inscrito no corpo crivado de signos & senhas;
depois disso tudo:
de ter esquecido o dia,
sentir-me refeito e repleto, pronto para outra,
- me vejo aqui parado, esperando,
com o olhar atento, ansioso,
como se pela primeira vez,
à beira da calçada ou à beira de mim,
como se de repente
não pudesse perder o que exatamente não sei
nem saberia...
...TÁXI!
Êiii!... Aqui!
(Dou com a mão)
TUDO COMEÇA SUBITAMENTE ONDE ESTOU
- Ó Fortaleza, multidão de portas e postes batendo com sua luz
adolescente no olho da eternidade!
Fortaleza de 300 mil bocas ardentes como o sol,
famintas de amor e tragos de farinha.
Fortaleza de prédios mal-acabados, espetando a noite furiosa e redonda.
Fortaleza, avenida de neon, deslizando para todos os desejos.
Fortaleza, Bezerra de Menezes, seis mãos indo e voltando,
e uma dor viajando, num só sentido, no banco traseiro de um táxi,
para onde vamos?
Fortaleza, solidão escamosa, suor noturno, revelação.
EU TE PERCORRO
Eu, fiapo da mente de Deus que um dia avistei,
caminhando, sim, com o Universo inteiro,
que era sua própria cabeça iluminada,
pensando estrelas e galáxias
e as mais recôndidas nebulosas...
- Quem mais saberia disso?
(Este Táxi,
a rua rolando rente,
os telhados correndo, pensos, de um lado e outro,
a lata de lixo solitária,
as árvores caladas,
rostos e estrelas entrevistos da janela,
teu corpo passageiro,
tudo isso à tua frente ou dentro de ti,
que passa ou permanece no teu olhar-vida,
é o pensamento infinito de Deus
girando suas formas no espaço,
borbulhando mínimo e visível,
invisível e total,
surgindo
e desaparecendo,
transformando-se e ressurgindo
nas neuras insondáveis do tempo.)
Ó pensamento rugoso de Deus sobre os muros!
Sílabas soltas que são papéis pelas calçadas;
palavras, pés que transitam apressados
ruas, frases repentinas;
dias como sentenças cortando /
a cidade indiferente:
relâmpagos de sentido cruzando
o corpo
dentro da noite
dilacerantes
metáforas
dilaceradas
Balbucios
Orações entrecortadas
Gagueira fluente de tudo
- Ó áspera Linguagem em que viajamos sedentos de tradução!
No banco traseiro do carro, vamos nós, Moema e eu,
beijando já seus lábios levemente rachados
pelo sol da praia.
E porque em qualquer esquina posso me acabar
numa trombada,
e por certo sua dor será igual à minha,
{a alma espremida por entre ferragens}
- não importa onde,
você bem pode me entender, Steve,
lá na distante 175, Flower Rd., em Huntington, NY.
Ou se passo as mãos nas coxas de Moema
e percebo, excitado,
o tesão maior de Deus movendo as estrelas e todas as coisas,
você também me compreende, Affonso,
no alto de um edifício em Ipanema,
recitando Nietzsche, "a emoção é a vitória contra o tédio",
enquanto compõe para o JB a última crônica carnavalesca
da Nova República.
E você, metaleiro anônimo, lá de Cajazeiras, na Paraíba,
que não pôde ir ao Rock in Rio
curtir o Whitesnakes, o Queen, o heavymetal,
mas viu na TV,
e ficou ferido da maior solidão sonora do mundo,
- você também me entende, ó meu, no teu silêncio.
........................................................
Ok, minha filha, vamos nós,
zanzando neste Táxi muito louco,
por dentro da cidade,
rodando e girando,
girando e rodando
por aí, sempre.
Sim, passageiros somos,
turistas do instante.
Make it new, say. Sei.
Por isso, sinta minha língua afiada
sussurrando no teu ouvido,
enquanto dedilho sobre tua calcinha
uma ode que Arquíloco não fez
para sua esquiva Neóbula,
de cabeleira fugaz como essa noite.
Ah, tua mão direita, ávida borboleta esmaltada!
Sim, a mais pura sabedoria nasce do amor
entre um homem e uma mulher.
(Claro, há homovariações da verdade. Que importa?)
Os lábios ardentes, tocando-se, sabem mais;
abraçados, os corpos, idênticos ou não,
conhecem mais. Mais - o que seja: oh!
- fisgada de Deus adorando (de qualquer forma)
suas criaturas.
Confira o lance:
toda sabedoria passa pela carne;
toda iluminação atravessa os sentidos;
toda visão viaja pelo corpo,
- ponte de sangue sensitivo entre o céu e a terra,
vertigem da consciência esbarrando
nas paredes das costelas,
pequeno cais nervoso de todas as sensações
à beira do nada
- oceano calado te espreitando,
as amarras do corpo
partindo-se a cada minuto
do porto de si mesmo...
E eu aqui, sábio com as mãos entre tuas coxas,
soprando ávido
no teu ouvido
a lição luminosa:
sessenta e nove
E tua língua veloz: love
love
logos.
Mais depressa!
Direto para um motel na Praia do Futuro.
Por cima de tudo:
buracos,
quebra-molas,
pedras,
calçadas,
transeuntes,
principalmente por cima desta hora que atravesso
com um estremecimento súbito das portas e da alma.
Porque tudo é tremor, companheiro.
A vida treme onde bate - no centro ou nas bordas: - não importa.
Minha mão treme tocando de leve os peitos de Moema;
o carro treme transitando por entre trilhos e temores;
as luzes de neon estremecem ao golpear rostos súbitos pelas calçadas;
a avenida treme sob pneus e pensamentos sobressaltados;
a cidade toda estremece subindo pelos edifícios,
sacudida por ondas e gestos na maré das ruas;
treme a noite com suas estrelas pulsando solidão e distância.
Ruge e estremece a Via Láctea
feito um animal ferido (Ursa Maior?)
fugindo pelo infinito,
sangrando luz e abismos
por onde passa...
Porque o frio espreita
e o silêncio devora,
ESTREMECEMOS TODOS
a cada instante,
homens -
máquinas -
coisas -
com os músculos,
as fibras
e a febre dos circuitos
- em cruel expectativa...
Em frente, o Mercado São Sebastião
- fim e começo da avenida,
entrada e saída desta hora indiferente,
correndo pela pista de sentido duplo para o infinito.
Mercado São Sebastião por onde passo:
- bagaços de laranja, cascas de banana,
tocos de cigarro, papéis e jornais sujos,
rolando pelas coxias da lembrança.
Tudo ali - solto - gestos desgarrados do tempo.
Eu te penetro, suburbano labirinto, por entre acres
balcões, sentindo a respiração ofegante
das alfaces e frutas
- sobre minha pele -
querendo juntas docemente apodrecer ali.
E ver por trás das balanças homens de camiseta
At the violet hour, when the eyes and back
turn upward from the desk, when the human engine waits
like a taxi throbbing waiting...
T.S. Eliot ("The waste land", 215-217)
Depois de tirar e enrolar no bolso minha gravata colorida;
depois do pique, atravessando ruas & portas,
bebendo a luz da tarde refletida em caras que nunca mais verei;
depois da ginástica bancária,
dos trambiques dados,
dos chopes na esquina;
de ter avistado as chapinhas de cerveja encravadas no asfalto
e o poema alucinado e cínico,
inscrito no corpo crivado de signos & senhas;
depois disso tudo:
de ter esquecido o dia,
sentir-me refeito e repleto, pronto para outra,
- me vejo aqui parado, esperando,
com o olhar atento, ansioso,
como se pela primeira vez,
à beira da calçada ou à beira de mim,
como se de repente
não pudesse perder o que exatamente não sei
nem saberia...
...TÁXI!
Êiii!... Aqui!
(Dou com a mão)
TUDO COMEÇA SUBITAMENTE ONDE ESTOU
- Ó Fortaleza, multidão de portas e postes batendo com sua luz
adolescente no olho da eternidade!
Fortaleza de 300 mil bocas ardentes como o sol,
famintas de amor e tragos de farinha.
Fortaleza de prédios mal-acabados, espetando a noite furiosa e redonda.
Fortaleza, avenida de neon, deslizando para todos os desejos.
Fortaleza, Bezerra de Menezes, seis mãos indo e voltando,
e uma dor viajando, num só sentido, no banco traseiro de um táxi,
para onde vamos?
Fortaleza, solidão escamosa, suor noturno, revelação.
EU TE PERCORRO
Eu, fiapo da mente de Deus que um dia avistei,
caminhando, sim, com o Universo inteiro,
que era sua própria cabeça iluminada,
pensando estrelas e galáxias
e as mais recôndidas nebulosas...
- Quem mais saberia disso?
(Este Táxi,
a rua rolando rente,
os telhados correndo, pensos, de um lado e outro,
a lata de lixo solitária,
as árvores caladas,
rostos e estrelas entrevistos da janela,
teu corpo passageiro,
tudo isso à tua frente ou dentro de ti,
que passa ou permanece no teu olhar-vida,
é o pensamento infinito de Deus
girando suas formas no espaço,
borbulhando mínimo e visível,
invisível e total,
surgindo
e desaparecendo,
transformando-se e ressurgindo
nas neuras insondáveis do tempo.)
Ó pensamento rugoso de Deus sobre os muros!
Sílabas soltas que são papéis pelas calçadas;
palavras, pés que transitam apressados
ruas, frases repentinas;
dias como sentenças cortando /
a cidade indiferente:
relâmpagos de sentido cruzando
o corpo
dentro da noite
dilacerantes
metáforas
dilaceradas
Balbucios
Orações entrecortadas
Gagueira fluente de tudo
- Ó áspera Linguagem em que viajamos sedentos de tradução!
No banco traseiro do carro, vamos nós, Moema e eu,
beijando já seus lábios levemente rachados
pelo sol da praia.
E porque em qualquer esquina posso me acabar
numa trombada,
e por certo sua dor será igual à minha,
{a alma espremida por entre ferragens}
- não importa onde,
você bem pode me entender, Steve,
lá na distante 175, Flower Rd., em Huntington, NY.
Ou se passo as mãos nas coxas de Moema
e percebo, excitado,
o tesão maior de Deus movendo as estrelas e todas as coisas,
você também me compreende, Affonso,
no alto de um edifício em Ipanema,
recitando Nietzsche, "a emoção é a vitória contra o tédio",
enquanto compõe para o JB a última crônica carnavalesca
da Nova República.
E você, metaleiro anônimo, lá de Cajazeiras, na Paraíba,
que não pôde ir ao Rock in Rio
curtir o Whitesnakes, o Queen, o heavymetal,
mas viu na TV,
e ficou ferido da maior solidão sonora do mundo,
- você também me entende, ó meu, no teu silêncio.
........................................................
Ok, minha filha, vamos nós,
zanzando neste Táxi muito louco,
por dentro da cidade,
rodando e girando,
girando e rodando
por aí, sempre.
Sim, passageiros somos,
turistas do instante.
Make it new, say. Sei.
Por isso, sinta minha língua afiada
sussurrando no teu ouvido,
enquanto dedilho sobre tua calcinha
uma ode que Arquíloco não fez
para sua esquiva Neóbula,
de cabeleira fugaz como essa noite.
Ah, tua mão direita, ávida borboleta esmaltada!
Sim, a mais pura sabedoria nasce do amor
entre um homem e uma mulher.
(Claro, há homovariações da verdade. Que importa?)
Os lábios ardentes, tocando-se, sabem mais;
abraçados, os corpos, idênticos ou não,
conhecem mais. Mais - o que seja: oh!
- fisgada de Deus adorando (de qualquer forma)
suas criaturas.
Confira o lance:
toda sabedoria passa pela carne;
toda iluminação atravessa os sentidos;
toda visão viaja pelo corpo,
- ponte de sangue sensitivo entre o céu e a terra,
vertigem da consciência esbarrando
nas paredes das costelas,
pequeno cais nervoso de todas as sensações
à beira do nada
- oceano calado te espreitando,
as amarras do corpo
partindo-se a cada minuto
do porto de si mesmo...
E eu aqui, sábio com as mãos entre tuas coxas,
soprando ávido
no teu ouvido
a lição luminosa:
sessenta e nove
E tua língua veloz: love
love
logos.
Mais depressa!
Direto para um motel na Praia do Futuro.
Por cima de tudo:
buracos,
quebra-molas,
pedras,
calçadas,
transeuntes,
principalmente por cima desta hora que atravesso
com um estremecimento súbito das portas e da alma.
Porque tudo é tremor, companheiro.
A vida treme onde bate - no centro ou nas bordas: - não importa.
Minha mão treme tocando de leve os peitos de Moema;
o carro treme transitando por entre trilhos e temores;
as luzes de neon estremecem ao golpear rostos súbitos pelas calçadas;
a avenida treme sob pneus e pensamentos sobressaltados;
a cidade toda estremece subindo pelos edifícios,
sacudida por ondas e gestos na maré das ruas;
treme a noite com suas estrelas pulsando solidão e distância.
Ruge e estremece a Via Láctea
feito um animal ferido (Ursa Maior?)
fugindo pelo infinito,
sangrando luz e abismos
por onde passa...
Porque o frio espreita
e o silêncio devora,
ESTREMECEMOS TODOS
a cada instante,
homens -
máquinas -
coisas -
com os músculos,
as fibras
e a febre dos circuitos
- em cruel expectativa...
Em frente, o Mercado São Sebastião
- fim e começo da avenida,
entrada e saída desta hora indiferente,
correndo pela pista de sentido duplo para o infinito.
Mercado São Sebastião por onde passo:
- bagaços de laranja, cascas de banana,
tocos de cigarro, papéis e jornais sujos,
rolando pelas coxias da lembrança.
Tudo ali - solto - gestos desgarrados do tempo.
Eu te penetro, suburbano labirinto, por entre acres
balcões, sentindo a respiração ofegante
das alfaces e frutas
- sobre minha pele -
querendo juntas docemente apodrecer ali.
E ver por trás das balanças homens de camiseta
2 998
Ernani Sátyro
Louvação de Maria
Maria, simplesmente Maria.
Nem do Carmo, nem das Dores,
Nem da Luz e nem da Guia.
Só Maria!
Nem do Céu e nem de Lourdes,
Nem sequer da Conceição,
Simplesmente só Maria:
— O resto é no coração.
Simplesmente Maria.
Nem Maria Anunciada
Nem Maria Aparecida.
Só Maria, sem mais nada,
Só Maria, toda a vida.
Só Maria,
Mas, Maria noite e dia.
Nem do Carmo, nem das Dores,
Nem da Luz e nem da Guia.
Só Maria!
Nem do Céu e nem de Lourdes,
Nem sequer da Conceição,
Simplesmente só Maria:
— O resto é no coração.
Simplesmente Maria.
Nem Maria Anunciada
Nem Maria Aparecida.
Só Maria, sem mais nada,
Só Maria, toda a vida.
Só Maria,
Mas, Maria noite e dia.
985
Epitácio Mendes Silva
Nós e natureza
Cores de todas as manhãs,
manhãs de todas as cores.
Dia de todas as luzes,
luzes de todos os dias.
Noite de todas as luzes,
luzes de todas as noites.
Gotas de orvalho das flores
e flores com gotas de orvalho.
Pássaros que os dias festejam
e dias que festejam os pássaros.
Céu de todos os azuis
e azuis de todos os céus.
Cristalinas águas das fontes
e fontes de águas cristalinas.
Mundo de todos os sons
e sons de todos os mundos.
Dizei-me oh, coisas divinais:
por que em tudo isso me reflito
e tudo me faz pensar em ti ?...
manhãs de todas as cores.
Dia de todas as luzes,
luzes de todos os dias.
Noite de todas as luzes,
luzes de todas as noites.
Gotas de orvalho das flores
e flores com gotas de orvalho.
Pássaros que os dias festejam
e dias que festejam os pássaros.
Céu de todos os azuis
e azuis de todos os céus.
Cristalinas águas das fontes
e fontes de águas cristalinas.
Mundo de todos os sons
e sons de todos os mundos.
Dizei-me oh, coisas divinais:
por que em tudo isso me reflito
e tudo me faz pensar em ti ?...
1 059
Ernani Sátyro
Soneto
A Antonietta
Sinto que adoras ver-me recitar
Os versos de Machado a Carolina.
Nesses momentos, sempre me domina
O desejo também de te louvar.
É bem difícil, sabes, imitar
O ouro que jorrava aquela mina,
Mas, mesmo assim, bendigo a minha sina:
Se não sei fazer versos, sei amar.
Nosso recanto é o mundo recriado,
Pelos nossos três filhos prolongado.
Como a dos outros, árdua é nossa lida.
Numa parte, porém, temos mais sorte:
O Mestre seu amor louvou na morte,
O meu amor eu louvo ainda em vida.
Sinto que adoras ver-me recitar
Os versos de Machado a Carolina.
Nesses momentos, sempre me domina
O desejo também de te louvar.
É bem difícil, sabes, imitar
O ouro que jorrava aquela mina,
Mas, mesmo assim, bendigo a minha sina:
Se não sei fazer versos, sei amar.
Nosso recanto é o mundo recriado,
Pelos nossos três filhos prolongado.
Como a dos outros, árdua é nossa lida.
Numa parte, porém, temos mais sorte:
O Mestre seu amor louvou na morte,
O meu amor eu louvo ainda em vida.
970
Dora Ferreira da Silva
Pássaro e Mulher
Quem me prende
mais do que a terra?
Impossível o vôo
agora.
Quente fremente
a intenção de alguém.
Desfez-se a palidez
perdi meu vôo
nas grades de seu peito.
Aprísiona-me - grilhão -
o seio suave e
no calor do instante
a união.
mais do que a terra?
Impossível o vôo
agora.
Quente fremente
a intenção de alguém.
Desfez-se a palidez
perdi meu vôo
nas grades de seu peito.
Aprísiona-me - grilhão -
o seio suave e
no calor do instante
a união.
1 708
Di Souto
Busca
Há momentos
em que me vejo
em mim:
é quando descinjo
as brumas do pensamento
e encontro-me
em ti.
Há momentos
em que te vejo
em mim:
é quando os entroses
(nossas arcadas)
moem o beijo
de outras bocas,
que é só nosso.
Há momentos
em que somos,
um para o outro,
simplesmente estranhos,
no vazio do universo.
Há momentos
em que somos,
unidos,
o cinzel de nossas almas,
a chaminé das idéias,
ou o cinturão,
desusado,
da ternura.
Há momentos
em que não me vejo
em mim
e nem em ti.
(Extrínsecas almas
flutuantes no nada
sem sermos nada.)
Há momentos
em que me vejo
em mim
e em ti:
é quando os sapatos
desamarrados,
jogados na areia,
esperam nossos pés
que se perderam,
em busca de nós mesmos
Messejana, 23.12.70
em que me vejo
em mim:
é quando descinjo
as brumas do pensamento
e encontro-me
em ti.
Há momentos
em que te vejo
em mim:
é quando os entroses
(nossas arcadas)
moem o beijo
de outras bocas,
que é só nosso.
Há momentos
em que somos,
um para o outro,
simplesmente estranhos,
no vazio do universo.
Há momentos
em que somos,
unidos,
o cinzel de nossas almas,
a chaminé das idéias,
ou o cinturão,
desusado,
da ternura.
Há momentos
em que não me vejo
em mim
e nem em ti.
(Extrínsecas almas
flutuantes no nada
sem sermos nada.)
Há momentos
em que me vejo
em mim
e em ti:
é quando os sapatos
desamarrados,
jogados na areia,
esperam nossos pés
que se perderam,
em busca de nós mesmos
Messejana, 23.12.70
417
Emílio Burlamaqui
De Nietzsche a Dante, com Amor
Se vais à mulher, não esqueças o chicote
Para fustigares o perigo do amor.
Carrega a lança, pois és sempre um D. Quixote,
Mas leva o lenço para a inexorável dor.
O amor não é mais forte que a espuma
(espuma do mar: Venus, amor... tormento)
E muito menos que a neblina, que a bruma
Que se desfazem com o sol ou com o vento.
O amor é instável, sutil, evanescente.
Não há prazo para tempo tão fugaz,
Sua essência é ser assim inconsistente,
Não há norma, não há tino, não há paz.
Porta o chicote, leva o corpo, deixa a alma,
Guarda receio se a mulher tua mão alcança,
Conduz teu lenço, teu escudo, tua calma,
Se vais ao amor, deixa atrás toda esperança.
Para fustigares o perigo do amor.
Carrega a lança, pois és sempre um D. Quixote,
Mas leva o lenço para a inexorável dor.
O amor não é mais forte que a espuma
(espuma do mar: Venus, amor... tormento)
E muito menos que a neblina, que a bruma
Que se desfazem com o sol ou com o vento.
O amor é instável, sutil, evanescente.
Não há prazo para tempo tão fugaz,
Sua essência é ser assim inconsistente,
Não há norma, não há tino, não há paz.
Porta o chicote, leva o corpo, deixa a alma,
Guarda receio se a mulher tua mão alcança,
Conduz teu lenço, teu escudo, tua calma,
Se vais ao amor, deixa atrás toda esperança.
973
Egito Gonçalves
Sitiados
Esta cidade é a última cidade...
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
1 731
Dom Francisco Manuel de Melo
Soneto II
Alegria Custosa
Enfim que aquela hora é já chegada,
Que até nos passos traz preço e ventura,
Tão merecida de uma fé tão Pura,
E de um tão limpo amor tão esperada.
Ela tardou em vir, como rogada
Da viva saudade, que ainda dura.
Ora bem pode vir, e estar segura,
Que há de ser possuída a desejada.
Senhora, se com lágrimas convinha
sentir somente o mal, e agora o canto,
É digno de outra glória verdadeira;
Não cuideis que é fraqueza da alma minha,
Mas que, de costumada sempre ao pranto,
Não sabe festejar de outra maneira.
Enfim que aquela hora é já chegada,
Que até nos passos traz preço e ventura,
Tão merecida de uma fé tão Pura,
E de um tão limpo amor tão esperada.
Ela tardou em vir, como rogada
Da viva saudade, que ainda dura.
Ora bem pode vir, e estar segura,
Que há de ser possuída a desejada.
Senhora, se com lágrimas convinha
sentir somente o mal, e agora o canto,
É digno de outra glória verdadeira;
Não cuideis que é fraqueza da alma minha,
Mas que, de costumada sempre ao pranto,
Não sabe festejar de outra maneira.
1 325
Debora Bottcher
Momentos
Quase a Vida me foge dos sentidos quando te vejo.
O chão parece estar longe
E meus ouvidos ouvem música.
Constante... calma... suave...
Tudo, de repente, parece colorido à volta.
A percepção do importante se perde
Tanto se agiganta minha emoção.
E é nestes momentos
Quando a Vida me foge dos sentidos,
Que percebo quanto sentido tem a Vida.
O chão parece estar longe
E meus ouvidos ouvem música.
Constante... calma... suave...
Tudo, de repente, parece colorido à volta.
A percepção do importante se perde
Tanto se agiganta minha emoção.
E é nestes momentos
Quando a Vida me foge dos sentidos,
Que percebo quanto sentido tem a Vida.
946
Diamond
Mosaico
Cada uma em seu lugar
Como cores, mil palavras
O ladrilheiro dos poemas
E seu trabalho para acomodar
Em forma de verso e prosa
Há um verbo para sonhar
A mensagem corajosa
Dizendo que vou amar
Você por toda minha vida
Enquanto a vida durar
Para amigos muito especiais.
Para o dia dezenove e
Para toda a vida
Como cores, mil palavras
O ladrilheiro dos poemas
E seu trabalho para acomodar
Em forma de verso e prosa
Há um verbo para sonhar
A mensagem corajosa
Dizendo que vou amar
Você por toda minha vida
Enquanto a vida durar
Para amigos muito especiais.
Para o dia dezenove e
Para toda a vida
1 156
António Diniz da Cruz e Silva
Soneto
Da bela mãe perdido Amor errava
Pelos campos que corta o Tejo brando,
E a todos quantos via suspirando
Sem descanso por ela procurava.
Os farpões lhe caíam da áurea aljava;
Mas ele de arco e setas não curando,
Mil glórias prometia, soluçando,
A quem à deusa o leve, que buscava.
Quando Jônia que ali seu gado pasce,
Enxugando-lhe as lágrimas que chora,
A Vênus lhe mostrar, leda, se oferece:
Mas Amor dando um vôo à linda face
Beijando-a lhe tornou: "Gentil pastora,
Quem os teus olhos vê, Vênus esquece".
Pelos campos que corta o Tejo brando,
E a todos quantos via suspirando
Sem descanso por ela procurava.
Os farpões lhe caíam da áurea aljava;
Mas ele de arco e setas não curando,
Mil glórias prometia, soluçando,
A quem à deusa o leve, que buscava.
Quando Jônia que ali seu gado pasce,
Enxugando-lhe as lágrimas que chora,
A Vênus lhe mostrar, leda, se oferece:
Mas Amor dando um vôo à linda face
Beijando-a lhe tornou: "Gentil pastora,
Quem os teus olhos vê, Vênus esquece".
1 178
Dílson Catarino
Sina Sem Fim
minha sina é ser feliz
sinto pelo sino
que ouço de manhã;
sino batendo
lambendo os hormônios
é de manhã
frio aconchegante
caminhar pela brisa
arrepio estonteante
a guitarra que me falta
a voz que me falha
a falha que me luz
luz que me seduz
a falha que me
nada que me nada
tudo
me seduz
em nada
minha vida é suave
sem defesa
é
a sua beleza
que me fascina
é minha sina
você
é minha tinta
meu arrepio aconchegante
meu nada estonteante
é tudo
em um instante
você
é minha sina
minha sina é ser feliz
sinto por seu beijo, sua voz, sua luz
tudo em você me seduz
sina sem fim.
sinto pelo sino
que ouço de manhã;
sino batendo
lambendo os hormônios
é de manhã
frio aconchegante
caminhar pela brisa
arrepio estonteante
a guitarra que me falta
a voz que me falha
a falha que me luz
luz que me seduz
a falha que me
nada que me nada
tudo
me seduz
em nada
minha vida é suave
sem defesa
é
a sua beleza
que me fascina
é minha sina
você
é minha tinta
meu arrepio aconchegante
meu nada estonteante
é tudo
em um instante
você
é minha sina
minha sina é ser feliz
sinto por seu beijo, sua voz, sua luz
tudo em você me seduz
sina sem fim.
939
Diamond
O Mar
Lambendo com gosto a areia,
Nesse amor de vai e vem,
Num gozo de muita espuma,
Molha o meu amor, também.
Nesse amor de vai e vem,
Num gozo de muita espuma,
Molha o meu amor, também.
961
Fernanda Teixeira
Não Pedirei Adeus
Reflito minha vida,
a compartilho contigo.
De uma luz preciso,
de um caminho para seguir;
A saudade
que
como nunca me atingiu
Ao pensar nos bons momentos
que só você...
Volta,
preciso,
volta, volta pra mim!
Nem esses campos infinitos me consolam
da tristeza de assim...
Não me faça pedir adeus
pois nesses campos me afogaria,
ao me lembrar de teus beijos molhados,
que ainda tocam os meus lábios,
e vagam por mim;
Não, não foste embora,
continuaste aqui,
em minha memória,
mas ainda preciso de ti;
te clamo:
volta,
volta pra mim !
a compartilho contigo.
De uma luz preciso,
de um caminho para seguir;
A saudade
que
como nunca me atingiu
Ao pensar nos bons momentos
que só você...
Volta,
preciso,
volta, volta pra mim!
Nem esses campos infinitos me consolam
da tristeza de assim...
Não me faça pedir adeus
pois nesses campos me afogaria,
ao me lembrar de teus beijos molhados,
que ainda tocam os meus lábios,
e vagam por mim;
Não, não foste embora,
continuaste aqui,
em minha memória,
mas ainda preciso de ti;
te clamo:
volta,
volta pra mim !
799
Carla Dias
Figuras
O teu rosto entre minhas mãos ...
eu carrego teu rosto,
teus lábios secos.
Carrego teus olhares e teu medo.
O teu corpo se encolhe,
como se quisesse contar uma estória.
Já vi um tudo inigualável,
o meu tudo ... teu ...
Tenho tuas mãos sobre meus ombros,
como se fizessem parte
da arquitetura imperfeita
da minha existência.
O teu espaço cabe no tempo
que levo a atingir
tuas vozes ameaçadoras ...
de si para si ... o que resta?
O teu rosto entre minhas mãos,
como se eu pudesse ler
teu poema concreto ...
sobre ser humano.
eu carrego teu rosto,
teus lábios secos.
Carrego teus olhares e teu medo.
O teu corpo se encolhe,
como se quisesse contar uma estória.
Já vi um tudo inigualável,
o meu tudo ... teu ...
Tenho tuas mãos sobre meus ombros,
como se fizessem parte
da arquitetura imperfeita
da minha existência.
O teu espaço cabe no tempo
que levo a atingir
tuas vozes ameaçadoras ...
de si para si ... o que resta?
O teu rosto entre minhas mãos,
como se eu pudesse ler
teu poema concreto ...
sobre ser humano.
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