Poemas neste tema
Amor Romântico
Marcia Agrau
Total
Eu te amo
Tanto amo teu olhar doce e inocente
como amo teu olhar insolente.
Amo tuas mãos suaves no afago
como amo aborrecidas no gesto de enfado.
Eu amo tua boca que geme de prazer
e amo tua boca xingando semquerer.
Eu amo teu muxoxo e amo o teu sorriso.
Tuas loucuras, teu sonho,teu juizo...
Amo teus braços me enlaçando carinhosos
e amo teus braços bradando furiosos.
Amo teus ombros fortes,protetores
onde chorei tanto minhas dores
e onde a tensão vejo acumular.
Amo tuas pernas fortes e pesadas
que cabelos escuros fazem amorenadas.
Amo teus pés de suave textura,
a marca do calção,tua eterna brancura
e amo,sobretudo, abaixo da cintura
teu falo imponente, fingindo-se inocente
que penetrando em mim,me transporta às alturas.
Eu te amo inteiramente todo,da cabeça aos pés.
E amo cá por fora e por dentro quem és
com as muitas qualidades e os defeitos teus
Que os limites que traço
vão de onde começa o desejo do abraço
até onde termina a alma, sabe Deus...
Tanto amo teu olhar doce e inocente
como amo teu olhar insolente.
Amo tuas mãos suaves no afago
como amo aborrecidas no gesto de enfado.
Eu amo tua boca que geme de prazer
e amo tua boca xingando semquerer.
Eu amo teu muxoxo e amo o teu sorriso.
Tuas loucuras, teu sonho,teu juizo...
Amo teus braços me enlaçando carinhosos
e amo teus braços bradando furiosos.
Amo teus ombros fortes,protetores
onde chorei tanto minhas dores
e onde a tensão vejo acumular.
Amo tuas pernas fortes e pesadas
que cabelos escuros fazem amorenadas.
Amo teus pés de suave textura,
a marca do calção,tua eterna brancura
e amo,sobretudo, abaixo da cintura
teu falo imponente, fingindo-se inocente
que penetrando em mim,me transporta às alturas.
Eu te amo inteiramente todo,da cabeça aos pés.
E amo cá por fora e por dentro quem és
com as muitas qualidades e os defeitos teus
Que os limites que traço
vão de onde começa o desejo do abraço
até onde termina a alma, sabe Deus...
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1
Gláucia Lemos
Poema do Apelo
Eu sei que à insônia desta noite
bem poderias vir.
A tua febre aqueceria o mundo.
Da minha febre renasceria a vida.
... e me olhas com este olhar atento
que não sei se não me quer ou não me entende.
Eu sei que esvaziarias este apelo
e que eu te guardaria como um feto
e plenificarias meu vazio.
...mas me olhas com este olhar estranho
que eu não sei se me entende e não me quer...
Eu sei que é como quem beija, que me calo.
E poderíamos arder no mesmo gozo
para morrer depois no mesmo sono.
...mas me olhas com este olhar profano
que eu não sei se não me entende, ou se me espera.
Eu sei. Mas sei que não vale saber.
Se continuas com este olhar estranho
que eu não entendo. Mesmo assim te espero.
(07.06.96)
bem poderias vir.
A tua febre aqueceria o mundo.
Da minha febre renasceria a vida.
... e me olhas com este olhar atento
que não sei se não me quer ou não me entende.
Eu sei que esvaziarias este apelo
e que eu te guardaria como um feto
e plenificarias meu vazio.
...mas me olhas com este olhar estranho
que eu não sei se me entende e não me quer...
Eu sei que é como quem beija, que me calo.
E poderíamos arder no mesmo gozo
para morrer depois no mesmo sono.
...mas me olhas com este olhar profano
que eu não sei se não me entende, ou se me espera.
Eu sei. Mas sei que não vale saber.
Se continuas com este olhar estranho
que eu não entendo. Mesmo assim te espero.
(07.06.96)
1 225
1
Sérgio Mattos
Beijo
Teu beijo
mm sabor de vida
e cheiro de madrugada.
Teu beijo é terno,
me aquece.
Teu beijo é inspiração,
me enlouquece.
Teu beijo é descoberta
e criação.
Teu beijo merece
muito mais que uma simples poesia.
mm sabor de vida
e cheiro de madrugada.
Teu beijo é terno,
me aquece.
Teu beijo é inspiração,
me enlouquece.
Teu beijo é descoberta
e criação.
Teu beijo merece
muito mais que uma simples poesia.
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1
Manoel Andrade Silva
O Mar se Apaixona
O Mar se Apaixona...
Desde a agitação das águas
Ao beijar suas areias
A doce jovem que se banhava,
Fez o Poeta descrever sua beleza,
Por ver que o próprio mar
Por ela também se apaixonava.
Vendo a eclipsá-la as fúrias de sua espuma,
Via o abismo da morte
Quando o mar se enfurecia.
E o mar bravio quase absorvia,
Lançando-lhe as suas águas,
Como quem lança um verde manto,
Louco, apaixonadamente lhe cobria.
E ela enfrenta alegremente as ondas,
E o mar apertando-lhe apaixonadamente,
Se inflamava ferozmente e torturado,
Como quem encontrou sua própria amada...
O mar achava que tinha todo o seu direito
Deixando-me inquieto e com receio
Porque era em suas águas que banhava
Suas nádegas, seu corpo e seus lindos seios!
Aí eu gritei, Mar!!!
Quantas figuras peregrinas
Vejo banhar-se no teu vasto leito,
Exceto esta, sem alcançar no entanto
O verde cristalino destea enorme manto,
Diferente repleto de ternura,
Vou retirar de sua imensidão esta beleza,
Que embebebou-o e alimentou este seu sonho,
De um mar manso, transformou-se em mar medonho!
O mar responde:
- Minha linfa e cristalina,
Falando ao surgir das ondas,
Tua deusa, tua musa, tua beleza
Foi Deus quem fez, com sua pureza...
Quero levar comigo, longe, às profundezas,
E retirar-lhe deste mundo de maldades,
Guardando-lhe para toda a eternidade,
Na calmaria da imensidão de minha grandeza!
- Não Mar! Gritei novamente,
Isto não é verdade, estás doente!
Querer levar contigo e matar,
É sacrilégio, é praticar crime profano;
Aplacar, por ser poderoso, é ser vesano!
Deus te fez assim para uma eternidade,
Estás sonhando um sonho de verdade;
Fostes criado para banhar a humanidade,
Por milênios de anos e mais anos;
Se levares muitos inocente, com maldade,
Nunca passarás de um enorme oceano!
Depois que falei como um poeta apaixonado,
o mar responde novamente:
- Poeta, encontraste esta eloqüência
Em minha beleza, em minha amplidão?
Retrocedo pela sua emoção!
Diga a esta divindade e beleza,
Se encontrares no seu corpo impureza,
Não tenho culpa, condene esta humanidade,
Por lançarem em minhas águas seus detritos,
Sem respeito, ignorância e maldade!
Vou seguir meu destino apaixonado e aflito,
Deus me fez grandioso e infinito,
Vou obedecer a lei da eternidade!
Chorando agradecido, responde o Poeta:
- Obrigado, obrigado Oceano!
Deus o fez com todo seu poder
Por sua criatividade e por ser soberano;
Criou-te para banhar toda a humanidade,
És lindo, grandioso de verdade!
Perdoaste minha musa cheio de mágoa,
Mas prometo-lhe por esta linda luz
Deste sol que hoje nos clareia,
Que trarei por muitas vezes,
Minha musa, minha sereia,
Para banhar-se em suas águas
E beijar suas areias!
Desde a agitação das águas
Ao beijar suas areias
A doce jovem que se banhava,
Fez o Poeta descrever sua beleza,
Por ver que o próprio mar
Por ela também se apaixonava.
Vendo a eclipsá-la as fúrias de sua espuma,
Via o abismo da morte
Quando o mar se enfurecia.
E o mar bravio quase absorvia,
Lançando-lhe as suas águas,
Como quem lança um verde manto,
Louco, apaixonadamente lhe cobria.
E ela enfrenta alegremente as ondas,
E o mar apertando-lhe apaixonadamente,
Se inflamava ferozmente e torturado,
Como quem encontrou sua própria amada...
O mar achava que tinha todo o seu direito
Deixando-me inquieto e com receio
Porque era em suas águas que banhava
Suas nádegas, seu corpo e seus lindos seios!
Aí eu gritei, Mar!!!
Quantas figuras peregrinas
Vejo banhar-se no teu vasto leito,
Exceto esta, sem alcançar no entanto
O verde cristalino destea enorme manto,
Diferente repleto de ternura,
Vou retirar de sua imensidão esta beleza,
Que embebebou-o e alimentou este seu sonho,
De um mar manso, transformou-se em mar medonho!
O mar responde:
- Minha linfa e cristalina,
Falando ao surgir das ondas,
Tua deusa, tua musa, tua beleza
Foi Deus quem fez, com sua pureza...
Quero levar comigo, longe, às profundezas,
E retirar-lhe deste mundo de maldades,
Guardando-lhe para toda a eternidade,
Na calmaria da imensidão de minha grandeza!
- Não Mar! Gritei novamente,
Isto não é verdade, estás doente!
Querer levar contigo e matar,
É sacrilégio, é praticar crime profano;
Aplacar, por ser poderoso, é ser vesano!
Deus te fez assim para uma eternidade,
Estás sonhando um sonho de verdade;
Fostes criado para banhar a humanidade,
Por milênios de anos e mais anos;
Se levares muitos inocente, com maldade,
Nunca passarás de um enorme oceano!
Depois que falei como um poeta apaixonado,
o mar responde novamente:
- Poeta, encontraste esta eloqüência
Em minha beleza, em minha amplidão?
Retrocedo pela sua emoção!
Diga a esta divindade e beleza,
Se encontrares no seu corpo impureza,
Não tenho culpa, condene esta humanidade,
Por lançarem em minhas águas seus detritos,
Sem respeito, ignorância e maldade!
Vou seguir meu destino apaixonado e aflito,
Deus me fez grandioso e infinito,
Vou obedecer a lei da eternidade!
Chorando agradecido, responde o Poeta:
- Obrigado, obrigado Oceano!
Deus o fez com todo seu poder
Por sua criatividade e por ser soberano;
Criou-te para banhar toda a humanidade,
És lindo, grandioso de verdade!
Perdoaste minha musa cheio de mágoa,
Mas prometo-lhe por esta linda luz
Deste sol que hoje nos clareia,
Que trarei por muitas vezes,
Minha musa, minha sereia,
Para banhar-se em suas águas
E beijar suas areias!
1 077
1
Marigê Quirino Marchini
Sonetos do Imperfeito
- I -
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
Nuns altos patamares me encontrava
a contemplar por prados florescentes
perfeito Amor, que embaixo lá brincava,
num vau de rio e sol, ambos candentes;
e enquanto a face em mãos eu descansava,
e desejando não me olhasse Amor,
num riso cristalino me chamando
ele atravessa em mim seu dardo em flor.
Florida estou então, e repartida
em duas que se alongam, distanciam:
uma nos patamares pensa e escreve,
outra, suave ardor se vê, e dá
o amor de Amor em prados tão solares,
partida em riso cristalino e breve.
- III -
Viver assim me acalma e aterroriza:
uma se faz silêncio, a outra grita,
uma se erguendo a outra tomba morta,
uma está salva, a outra enferma viva.
E duas almas Amor faz e eterniza;
enquanto uma nos altos patamares
estuda, lê, trabalha e já agoniza,
outra, louca e serena em seus cantares,
greco-romana em dias preteridos,
sobre as sebes gramadas dos sentidos
reparte a paz em ti, para aprenderes:
a vida é curta espera para a morte,
os sentidos são fontes dos prazeres
- tempo é o Amor, que ri e arromba a sorte.
- IV -
Não sei de mim o que será eterno
depois que Amor deixar seu reino claro
e a outros indo me fizer inverno,
este que faz de flores gelo amaro.
Uma se vai e a outra já retorna,
almas que têm em mim o seu alento;
meu reinado, de paz em guerra, as torna
irmãs gêmeas em mútuo desalento.
E quando (eu já sozinha) tu tiveres
comigo, Amor, só o laço da lembrança,
e onde em longos encontros estiveres,
lembra também que um dia me floriste
- e o que fizeste um dia em tua cobrança
paga os juros na morte que assistires.
794
1
Lauro Leite
Os Tempos
Tinha uma porção de anjos
segurando o algodão daquela nuvem branca;
e o que pintou de azul o fundo,
manchou de cinza o fim dos nossos olhos
e nos beijamos,
Tinha um lago calmo
e o vento sussurrava malícias,
o peixe prata luar de agosto saltou
e nos amamos.
Tinha o fogo dos infernos,
um Lucifer danado
e homens se matando;
eu tinha lágrimas nos olhos
e tu também choravas
quando nos deixamos.
segurando o algodão daquela nuvem branca;
e o que pintou de azul o fundo,
manchou de cinza o fim dos nossos olhos
e nos beijamos,
Tinha um lago calmo
e o vento sussurrava malícias,
o peixe prata luar de agosto saltou
e nos amamos.
Tinha o fogo dos infernos,
um Lucifer danado
e homens se matando;
eu tinha lágrimas nos olhos
e tu também choravas
quando nos deixamos.
424
1
Luís de Siqueira da Gama
Soneto
Bela a rosa, hoje em Clície transformada
Lições de amor ensina à formosura;
a que de Vênus era rica usura,
já morta em vida, vive sepultada:
nos lutos de um véu negro amortalhada,
a toda a pressa, busca a sepultura,
semiviva na cova da clausura
quer defunta ocupar breve morada:
era na corte singular senhora,
soube esposo o Marquês fino querê-la;
e dura lho roubou parca traidora;
morreu de Inácia o Sol: e Clície bela,
não podendo deixar de ser Aurora,
entrou a ser na luz formosa estrela.
Lições de amor ensina à formosura;
a que de Vênus era rica usura,
já morta em vida, vive sepultada:
nos lutos de um véu negro amortalhada,
a toda a pressa, busca a sepultura,
semiviva na cova da clausura
quer defunta ocupar breve morada:
era na corte singular senhora,
soube esposo o Marquês fino querê-la;
e dura lho roubou parca traidora;
morreu de Inácia o Sol: e Clície bela,
não podendo deixar de ser Aurora,
entrou a ser na luz formosa estrela.
953
1
Manuel Botelho de Oliveira
Rosa, e Anarda
Rosa da formosura, Anarda bela
igualmente se ostenta como a rosa;
Anarda mais que as flores é formosa,
mais formosa que as flores brilha aquela.
A rosa com espinhos se desvela,
arma-se Anarda espinhos de impiedosa;
na fronte Anarda tem púrpura airosa,
a rosa é dos jardins purpúrea estrela.
Brota o carmim da rosa doce alento,
respira olor de Anarda o carmim breve,
ambas dos olhos são contentamento:
mas esta diferença Anarda teve:
que a rosa deve ao sol seu luzimento,
o sol seu luzimento a Anarda deve.
igualmente se ostenta como a rosa;
Anarda mais que as flores é formosa,
mais formosa que as flores brilha aquela.
A rosa com espinhos se desvela,
arma-se Anarda espinhos de impiedosa;
na fronte Anarda tem púrpura airosa,
a rosa é dos jardins purpúrea estrela.
Brota o carmim da rosa doce alento,
respira olor de Anarda o carmim breve,
ambas dos olhos são contentamento:
mas esta diferença Anarda teve:
que a rosa deve ao sol seu luzimento,
o sol seu luzimento a Anarda deve.
3 186
1
Sérgio Mattos
Sinfonia do Amor
Há pássaros noturnos que cantam
no alto das casas.
Há nuvens brancas na noite
no alto dos céus.
Há braços e pernas que dançam
sob uma luz de sombras
e um murmúrio de lágrimas:
— A dança do amor é densa.
no alto das casas.
Há nuvens brancas na noite
no alto dos céus.
Há braços e pernas que dançam
sob uma luz de sombras
e um murmúrio de lágrimas:
— A dança do amor é densa.
962
1
Lígia Diniz
Por Isso
Por não me dares nada
Quando quero tudo
Por te dar tudo
Quando não pedes nada
Por isto
e por mil outras coisas
Mais ainda
por estas mil outras coisas
Pelos teus olhos de criança crescida
Teu jeito de adulto imaturo
Tua risada rascante
Tua maneira de te importar
não te importando
Por aquele sábado
E aqueles treze dias infinitos
E estes dias que não passam quando não estás perto
Pelos que quase não vejo, por estar ao teu lado
Pelos meus olhos que choram (às vezes)
como os de uma criança sozinha
Pelos meus olhos que sorriem quando te vêem
Pelas nossas bocas
E mais, por esta saudade infinita
das coisas que ainda estão por vir
E pelo medo de que elas não venham
Porque eu te amo tanto que meu peito dói
E a alma inteira estremece
Por ser completamente tua,
Só te peço uma coisa: seja verdadeiramente meu.
Quando quero tudo
Por te dar tudo
Quando não pedes nada
Por isto
e por mil outras coisas
Mais ainda
por estas mil outras coisas
Pelos teus olhos de criança crescida
Teu jeito de adulto imaturo
Tua risada rascante
Tua maneira de te importar
não te importando
Por aquele sábado
E aqueles treze dias infinitos
E estes dias que não passam quando não estás perto
Pelos que quase não vejo, por estar ao teu lado
Pelos meus olhos que choram (às vezes)
como os de uma criança sozinha
Pelos meus olhos que sorriem quando te vêem
Pelas nossas bocas
E mais, por esta saudade infinita
das coisas que ainda estão por vir
E pelo medo de que elas não venham
Porque eu te amo tanto que meu peito dói
E a alma inteira estremece
Por ser completamente tua,
Só te peço uma coisa: seja verdadeiramente meu.
895
1
Valéry Larbaud
Mesmo
Somos ambos o mesmo:
Linhas de um mesmo desenho,
Sombras de um mesmo desejo,
Paisagens de luzes violentas
Que um mesmo sol ilumina.
Deixamos igual rastro sobre a neve
E quando a luz da noite nos concede
Alguma música, algum espanto,
Choram nossos olhos igual lágrima.
Linhas de um mesmo desenho,
Sombras de um mesmo desejo,
Paisagens de luzes violentas
Que um mesmo sol ilumina.
Deixamos igual rastro sobre a neve
E quando a luz da noite nos concede
Alguma música, algum espanto,
Choram nossos olhos igual lágrima.
856
1
José Eduardo Mendes Camargo
Nossa Atração
Não sei se é cósmica,
Ou é química.
Não sei se é admiração
Ou compreensão.
Não sei se é afinidade
Ou é continuidade.
Não sei se é ternura
Ou é loucura.
Sinto até que é tesão
Temperada de paixão.
Ou é química.
Não sei se é admiração
Ou compreensão.
Não sei se é afinidade
Ou é continuidade.
Não sei se é ternura
Ou é loucura.
Sinto até que é tesão
Temperada de paixão.
822
1
Gregório de Matos
No Dia Em Que Fazia Anos
No Dia Em Que Fazia Anos Esta Divina Beleza; Este Portento De Formosura Dona Angela, Por Quem o Poeta Se Considerava Amorosamente Perdido, e Quase Sem Remédio Pela Grande Impossibilidade De Poder Lograr Seus Amores: Celebra Obsequiosa, e Primorosamente Suas Florentes Primaveras Com Esta Lindíssima Canção.
1.Pois os prados, as aves, as flores
ensinam amores,
carinhos, e afetos:
venham correndo
aos anos felizes,
que hoje festejo:
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem atentos
as aves canoras
as flores fragrantes
e os prados amenos.
2. Pois os dias, as horas, os anos
alegres, e ufanos
dilatam as eras;
Venham depressa
aos anos felizes,
que Amor festeja.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem deveras
os anos fecundos,
os dias alegres,
as horas serenas.
3.Pois o Céu, os Planetas, e Estrelas
com Luzes tão belas
auspiciam as vidas,
venham luzidas
aos anos felizes
que Amor publica.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem um dia
a esfera imóvel,
os astros errantes,
e as estrelas fixas.
4.Pois o fogo, água, terra, e os ventos
são quatro elementos,
que alentam a idade,
venham achar-se
aos anos felizes
que hoje se aplaudem.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem constantes
a terra florida,
o fogo abrasado,
o mar furioso,
e as auras suaves.
1.Pois os prados, as aves, as flores
ensinam amores,
carinhos, e afetos:
venham correndo
aos anos felizes,
que hoje festejo:
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem atentos
as aves canoras
as flores fragrantes
e os prados amenos.
2. Pois os dias, as horas, os anos
alegres, e ufanos
dilatam as eras;
Venham depressa
aos anos felizes,
que Amor festeja.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem deveras
os anos fecundos,
os dias alegres,
as horas serenas.
3.Pois o Céu, os Planetas, e Estrelas
com Luzes tão belas
auspiciam as vidas,
venham luzidas
aos anos felizes
que Amor publica.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem um dia
a esfera imóvel,
os astros errantes,
e as estrelas fixas.
4.Pois o fogo, água, terra, e os ventos
são quatro elementos,
que alentam a idade,
venham achar-se
aos anos felizes
que hoje se aplaudem.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem constantes
a terra florida,
o fogo abrasado,
o mar furioso,
e as auras suaves.
2 770
1
Filinto Elísio
Madrigal
Dormias Márcia, e eu vi Cupidoansioso
Já dum, já do outro lado
Querer furtar-te um beijo gracioso,
Que tu, a cada arquejo descansado,
Na linda boca urdias.
Graciosíssimo, oh! Márcia!... Não sabias
Como o nume girava de alvoroço.
Escondendo-lhe o jeito
De o dar do melhor lado. Eu vim, e dei-to
Bem na boca, e logrei o esperto moço.
Já dum, já do outro lado
Querer furtar-te um beijo gracioso,
Que tu, a cada arquejo descansado,
Na linda boca urdias.
Graciosíssimo, oh! Márcia!... Não sabias
Como o nume girava de alvoroço.
Escondendo-lhe o jeito
De o dar do melhor lado. Eu vim, e dei-to
Bem na boca, e logrei o esperto moço.
1 187
1
Gerimaldo Nunes
Colapso Intectual
Antes
quando o meu amor
me despia
com seus olhos,
eu nu e feliz
esperava o instante
do beijo inicial
João Pessoa, 1981
quando o meu amor
me despia
com seus olhos,
eu nu e feliz
esperava o instante
do beijo inicial
João Pessoa, 1981
710
1
Fahed Daher
Mulher
Você surgiu
do fundo dos tempos,
obra prima de Deus.
Não sei se da costela de um Adão,
ou da sublimidade de uma estrela,
ou a primata em plena evolução...
Mas em você o mundo se revela.
Foi o fogão, foi o tanque,
a lenha, o tacho...
Foi o filho, a cama, o riso
para o macho...
Ombros estreitos,
longos cabelos,
traz nos seus peitos
tantos desvelos.
O século passou
e o homem não ergueu
o templo da bonança
que um dia prometeu.
A máquina chamou você,
você atendeu,
entrou na produção, tambem,
e ali cresceu.
Lá no banco é o seu sorriso,
no escritório a sua graça,
no volante o seu juizo,
que linda você na praça.
Arquiteta, enfermeira,
empresária, motorista,
doméstica, lavadeira...
Você tem alma de artista.
Mulher do mundo moderno,
seja lá você o que for,
não há nada mais eterno
que o fogo do seu amor.
Não deixe que se perca no serviço
o frescor deste amor, sublime viço;
buscando nessa luta a nova trilha,
não esqueça que é a base da família.
Unindo a máquina ao beijo,
a pá unida à doçura,
o ideal ao desejo,
a garra unida à ternura...
Será tão belo, por certo,
o mundo que está por vir.
Se nesse mundo eu desperto,
eu só quero lhe servir.
Apucarana,CP
do fundo dos tempos,
obra prima de Deus.
Não sei se da costela de um Adão,
ou da sublimidade de uma estrela,
ou a primata em plena evolução...
Mas em você o mundo se revela.
Foi o fogão, foi o tanque,
a lenha, o tacho...
Foi o filho, a cama, o riso
para o macho...
Ombros estreitos,
longos cabelos,
traz nos seus peitos
tantos desvelos.
O século passou
e o homem não ergueu
o templo da bonança
que um dia prometeu.
A máquina chamou você,
você atendeu,
entrou na produção, tambem,
e ali cresceu.
Lá no banco é o seu sorriso,
no escritório a sua graça,
no volante o seu juizo,
que linda você na praça.
Arquiteta, enfermeira,
empresária, motorista,
doméstica, lavadeira...
Você tem alma de artista.
Mulher do mundo moderno,
seja lá você o que for,
não há nada mais eterno
que o fogo do seu amor.
Não deixe que se perca no serviço
o frescor deste amor, sublime viço;
buscando nessa luta a nova trilha,
não esqueça que é a base da família.
Unindo a máquina ao beijo,
a pá unida à doçura,
o ideal ao desejo,
a garra unida à ternura...
Será tão belo, por certo,
o mundo que está por vir.
Se nesse mundo eu desperto,
eu só quero lhe servir.
Apucarana,CP
874
1
Franklin Dórea
Extasis
Quando meus olhos, solitário, prego
Na cruz dos templos, na extensão dos céus,
Alma adormenta-me infantil sossego;
Eu penso em Deus!
Quando um sorriso de esperança cheio
Abre em meus lábios, e me acalma a dor,
Feliz deveras na ilusão me creio;
Penso no amor!
Quando o que é belo, singular me encanta,
Sinto prazeres que jamais senti;
Luz-me entre graças uma imagem santa;
Eu penso em ti!
Na cruz dos templos, na extensão dos céus,
Alma adormenta-me infantil sossego;
Eu penso em Deus!
Quando um sorriso de esperança cheio
Abre em meus lábios, e me acalma a dor,
Feliz deveras na ilusão me creio;
Penso no amor!
Quando o que é belo, singular me encanta,
Sinto prazeres que jamais senti;
Luz-me entre graças uma imagem santa;
Eu penso em ti!
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Edimilson de Almeida Pereira
Orelha Furada
Dançar o nome com o braço na palavra: como
em sua casa um maconde.
Dançar o nome pai dos deuses que pode tudo
neste mundo e suportar o lagarto querendo ser
bispo na sombra.
Dançar o nome miséria, estrepe e tripa que a
folha do livro é. E se entender dono das letras
em sua cozinha.
Dançar o nome em sete sapatos limpos para
domingo.
Dançar o nome com a mulher nhora dele: a
mulher no seu coração tempestade e ciranda.
Dançar o nome com o braço na palavra berço.
em sua casa um maconde.
Dançar o nome pai dos deuses que pode tudo
neste mundo e suportar o lagarto querendo ser
bispo na sombra.
Dançar o nome miséria, estrepe e tripa que a
folha do livro é. E se entender dono das letras
em sua cozinha.
Dançar o nome em sete sapatos limpos para
domingo.
Dançar o nome com a mulher nhora dele: a
mulher no seu coração tempestade e ciranda.
Dançar o nome com o braço na palavra berço.
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Da Costa Santos
Pelo Alto Mar
Longe, pelo alto mar, onde a ave não se aninha,
rasgando os escarcéus da noite de áureos brilhos,
singra silenciosa a doida nau que é minha,
pesada de saudade e bambos amantilhos.
Um marinheiro canta e no convés caminha,
na loucura do mar olhando os tombadilhos,
para não sossobrar, sob a onda marinha,
essa nau que deixou para traz longos trilhos.
Velas brancas de luz no oceano, altaneiras,
enfunadas de vento, ao clarão das estrelas,
tendo no mastaréu o pano das bandeiras...
Toda a glória de amar, em sonhos rosicleres,
revive no pavor dos homens das procelas
e se afoga em canções no beijo das mulheres.
rasgando os escarcéus da noite de áureos brilhos,
singra silenciosa a doida nau que é minha,
pesada de saudade e bambos amantilhos.
Um marinheiro canta e no convés caminha,
na loucura do mar olhando os tombadilhos,
para não sossobrar, sob a onda marinha,
essa nau que deixou para traz longos trilhos.
Velas brancas de luz no oceano, altaneiras,
enfunadas de vento, ao clarão das estrelas,
tendo no mastaréu o pano das bandeiras...
Toda a glória de amar, em sonhos rosicleres,
revive no pavor dos homens das procelas
e se afoga em canções no beijo das mulheres.
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Dilercy Adler
Poema
... Fala, poeta, por ti e por nós
a palavra de amor
por sob os lençóis
a palavra benigna
que não fere jamais,
a palavra da vida
que lava a ferida
tantas chagas de dor.
Fala, poeta,
palavras, palavras
em rimas de amor!
a palavra de amor
por sob os lençóis
a palavra benigna
que não fere jamais,
a palavra da vida
que lava a ferida
tantas chagas de dor.
Fala, poeta,
palavras, palavras
em rimas de amor!
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Elisa Lucinda
Escolha
Eu te amo como um colibri resistente
incansável beija-flor que sou
batedora renitente de asas
viciada no mel que me dás depois que atravesso o deserto.
Pingas na minha boca umas gotas poucas
do que nem é uma vacina.
Eu uma mulher, uma ave, uma menina…
Assim chacinas o meu tempo de eremita:
quebras a bengala onde me apoiei, rasgas minhas meias
as que vestiram meus pés
quando caminhei as areias.
Eu te amo como quem esquece tudo
diante de um beijo:
as inúmeras horas desbeijadas
os terríveis desabraços
os dolorosos desencaixes
que meu corpo sofreu longe do seu.
Elejo sempre o encontro
Ele é o ponto do crochê.
Penélope invertida
nada começo de novo
nada desmancho
nada volto
Teço um novo tecido de amor eterno
a cada olhar seu de afeto
não ligo para nada que doeu.
Só para o que deixou de doer tenho olhos.
Cega do infortúnio
pesco os peixes dos nossos encaixes
pesco as gozadas
as confissões de amor
as palavras fundas de prazer
as esculturas astecas que nos fixam
na história dos dias
Eu te amo.
De todos os nossos montes
fico com as encostas
De todas as nossas indagações
fico com as respostas
De todas as nossas destilairias
fico com as alegrias
De todos os nossos natais
fico com as bonecas
De todos os nossos cardumes
as moquecas.
incansável beija-flor que sou
batedora renitente de asas
viciada no mel que me dás depois que atravesso o deserto.
Pingas na minha boca umas gotas poucas
do que nem é uma vacina.
Eu uma mulher, uma ave, uma menina…
Assim chacinas o meu tempo de eremita:
quebras a bengala onde me apoiei, rasgas minhas meias
as que vestiram meus pés
quando caminhei as areias.
Eu te amo como quem esquece tudo
diante de um beijo:
as inúmeras horas desbeijadas
os terríveis desabraços
os dolorosos desencaixes
que meu corpo sofreu longe do seu.
Elejo sempre o encontro
Ele é o ponto do crochê.
Penélope invertida
nada começo de novo
nada desmancho
nada volto
Teço um novo tecido de amor eterno
a cada olhar seu de afeto
não ligo para nada que doeu.
Só para o que deixou de doer tenho olhos.
Cega do infortúnio
pesco os peixes dos nossos encaixes
pesco as gozadas
as confissões de amor
as palavras fundas de prazer
as esculturas astecas que nos fixam
na história dos dias
Eu te amo.
De todos os nossos montes
fico com as encostas
De todas as nossas indagações
fico com as respostas
De todas as nossas destilairias
fico com as alegrias
De todos os nossos natais
fico com as bonecas
De todos os nossos cardumes
as moquecas.
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Dora Ferreira da Silva
Habitas meu coração:
Habitas meu coração: barbas de rei assírio
olhar de extensões alheias
a tempo e medida.
Tua voz tem asas de falcão e pousa
nas torres mais altas do meu ser
onde jamais me aventurei. É minha a tua solidão.
Sirvo-te em silêncio e às vezes
como a uma criança me apertas em teu peito:
acaricio então tua face estranho rei.
Outras vezes ouço passos ecoando
no enlace das colunas em seteiras escadas. Se grito
teu nome - és mil ressonâncias e seu eco em mim.
olhar de extensões alheias
a tempo e medida.
Tua voz tem asas de falcão e pousa
nas torres mais altas do meu ser
onde jamais me aventurei. É minha a tua solidão.
Sirvo-te em silêncio e às vezes
como a uma criança me apertas em teu peito:
acaricio então tua face estranho rei.
Outras vezes ouço passos ecoando
no enlace das colunas em seteiras escadas. Se grito
teu nome - és mil ressonâncias e seu eco em mim.
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