Poemas neste tema
Amor Romântico
Charles Bukowski
Lua Azul, Ó Luuuuuaaazuuuullll, Te Adoro Tanto!
gosto de você, querida, eu te amo,
a única razão por que trepei com L. é porque você trepou
com Z. e aí eu trepei com R. e você trepou com N.
e porque você trepou com N. eu precisei trepar
com Y. Mas penso em você constantemente, sinto você
aqui na minha barriga como um bebê, amor é como eu chamaria isso,
não importa o que aconteça eu chamaria isso de amor, e então
você trepou com C. e então antes que eu pudesse me mexer de novo
você trepou com W., então aí eu tive que trepar com D. Mas
quero que você saiba que eu te amo, penso em você
constantemente, acho que nunca amei alguém
como amo você.
uau au uau au au
uau au uau au au
a única razão por que trepei com L. é porque você trepou
com Z. e aí eu trepei com R. e você trepou com N.
e porque você trepou com N. eu precisei trepar
com Y. Mas penso em você constantemente, sinto você
aqui na minha barriga como um bebê, amor é como eu chamaria isso,
não importa o que aconteça eu chamaria isso de amor, e então
você trepou com C. e então antes que eu pudesse me mexer de novo
você trepou com W., então aí eu tive que trepar com D. Mas
quero que você saiba que eu te amo, penso em você
constantemente, acho que nunca amei alguém
como amo você.
uau au uau au au
uau au uau au au
960
Charles Bukowski
Resposta Para Certa Espécie de Crítica
uma dama talvez se encontre com um homem
por causa do jeito como ele escreve
e logo a dama já poderia estar sugerindo
outro jeito de escrever.
mas se o homem amar a dama
ele vai continuar escrevendo do jeito que escreve
e se o homem amar o poema
ele vai continuar escrevendo do jeito que deve
e se o homem amar a dama e o poema
ele sabe o que é o amor
duas vezes mais do que qualquer outro homem
eu sei o que é o amor.
este poema é para dizer isso à dama.
por causa do jeito como ele escreve
e logo a dama já poderia estar sugerindo
outro jeito de escrever.
mas se o homem amar a dama
ele vai continuar escrevendo do jeito que escreve
e se o homem amar o poema
ele vai continuar escrevendo do jeito que deve
e se o homem amar a dama e o poema
ele sabe o que é o amor
duas vezes mais do que qualquer outro homem
eu sei o que é o amor.
este poema é para dizer isso à dama.
1 353
Charles Bukowski
O Banho
nós gostamos de tomar banho depois
(gosto da água mais quente do que ela)
e o rosto dela é sempre macio e calmo
e ela me lava primeiro
espalha espuma pelo meu saco
levanta o saco
aperta os colhões,
então lava o pau:
“ei, essa coisa ainda está dura!”
então pega os pelos todos ali embaixo –
a barriga, as costas, o pescoço, as pernas,
eu abro sorriso sorriso sorriso,
e então a lavo...
primeiro a xota, eu
fico atrás dela, meu pau em suas nádegas
vou ensaboando suavemente os pelos da xota,
lavo ali com um movimento relaxante,
me demoro talvez mais do que o necessário,
então pego a parte de trás das pernas, a bunda,
as costas, o pescoço, eu a viro, eu a beijo,
ensaboo os peitos, pego eles e a barriga, o pescoço,
a frente das pernas, os tornozelos, os pés,
e então a xota, mais uma vez, pra dar sorte...
outro beijo, e ela sai primeiro,
atoalhada, às vezes cantando enquanto eu permaneço
ligando a água no mais quente
sentindo os bons momentos do milagre do amor
e então saio...
geralmente é a calmaria do meio da tarde,
e nos vestindo nós conversamos sobre o que mais
pode haver para fazer,
mas estarmos juntos resolve a maior parte,
na verdade, resolve tudo
pois enquanto essas coisas permanecerem resolvidas
na história da mulher e do
homem, é diferente para cada um
melhor e pior para cada um –
para mim, já é bastante esplêndido recordar
a passagem dos exércitos em marcha
e os cavalos que percorrem as ruas lá fora
a passagem das memórias de dor e derrota e infelicidade:
Linda, você o trouxe para mim,
quando levá-lo embora
faça-o devagar e sem esforço
faça-o como se eu estivesse morrendo no meu sono em vez de na
minha vida, amém.
(gosto da água mais quente do que ela)
e o rosto dela é sempre macio e calmo
e ela me lava primeiro
espalha espuma pelo meu saco
levanta o saco
aperta os colhões,
então lava o pau:
“ei, essa coisa ainda está dura!”
então pega os pelos todos ali embaixo –
a barriga, as costas, o pescoço, as pernas,
eu abro sorriso sorriso sorriso,
e então a lavo...
primeiro a xota, eu
fico atrás dela, meu pau em suas nádegas
vou ensaboando suavemente os pelos da xota,
lavo ali com um movimento relaxante,
me demoro talvez mais do que o necessário,
então pego a parte de trás das pernas, a bunda,
as costas, o pescoço, eu a viro, eu a beijo,
ensaboo os peitos, pego eles e a barriga, o pescoço,
a frente das pernas, os tornozelos, os pés,
e então a xota, mais uma vez, pra dar sorte...
outro beijo, e ela sai primeiro,
atoalhada, às vezes cantando enquanto eu permaneço
ligando a água no mais quente
sentindo os bons momentos do milagre do amor
e então saio...
geralmente é a calmaria do meio da tarde,
e nos vestindo nós conversamos sobre o que mais
pode haver para fazer,
mas estarmos juntos resolve a maior parte,
na verdade, resolve tudo
pois enquanto essas coisas permanecerem resolvidas
na história da mulher e do
homem, é diferente para cada um
melhor e pior para cada um –
para mim, já é bastante esplêndido recordar
a passagem dos exércitos em marcha
e os cavalos que percorrem as ruas lá fora
a passagem das memórias de dor e derrota e infelicidade:
Linda, você o trouxe para mim,
quando levá-lo embora
faça-o devagar e sem esforço
faça-o como se eu estivesse morrendo no meu sono em vez de na
minha vida, amém.
1 680
Charles Bukowski
Algo Pra Valer, Uma Boa Mulher
ficam sempre escrevendo sobre os touros, os toureiros,
aqueles que nunca os viram,
e enquanto vou rompendo as teias das aranhas para pegar meu vinho
o aham dos bombardeiros, maldito bam rompendo a calmaria,
e preciso escrever uma carta pro meu padre sobre certa puta da rua 3
que fica me chamando às 3 da manhã;
velhas escadas acima, bunda cheia de farpas,
pensando em poetas de livro de bolso e no padre,
e domino a máquina de escrever como uma máquina de lavar,
e veja veja os touros ainda estão morrendo
e ainda os cevam e os ceifam
como trigo nos campos,
e o sol está preto como tinta, isto é tinta preta,
e a minha esposa fala Brock, pelo amor de Deus,
a máquina de escrever a noite toda,
como vou conseguir dormir? e eu me enfio na cama e
beijo seu cabelo desculpa desculpa desculpa
às vezes eu fico empolgado não sei por quê
amigo meu disse que ia escrever sobre
Manolete...
quem é esse? ninguém, criança, alguém morto
como Chopin ou nosso velho carteiro ou um cão,
dorme, dorme,
e eu a beijo e esfrego sua cabeça,
uma boa mulher,
e logo ela pega no sono e eu espero
a manhã.
aqueles que nunca os viram,
e enquanto vou rompendo as teias das aranhas para pegar meu vinho
o aham dos bombardeiros, maldito bam rompendo a calmaria,
e preciso escrever uma carta pro meu padre sobre certa puta da rua 3
que fica me chamando às 3 da manhã;
velhas escadas acima, bunda cheia de farpas,
pensando em poetas de livro de bolso e no padre,
e domino a máquina de escrever como uma máquina de lavar,
e veja veja os touros ainda estão morrendo
e ainda os cevam e os ceifam
como trigo nos campos,
e o sol está preto como tinta, isto é tinta preta,
e a minha esposa fala Brock, pelo amor de Deus,
a máquina de escrever a noite toda,
como vou conseguir dormir? e eu me enfio na cama e
beijo seu cabelo desculpa desculpa desculpa
às vezes eu fico empolgado não sei por quê
amigo meu disse que ia escrever sobre
Manolete...
quem é esse? ninguém, criança, alguém morto
como Chopin ou nosso velho carteiro ou um cão,
dorme, dorme,
e eu a beijo e esfrego sua cabeça,
uma boa mulher,
e logo ela pega no sono e eu espero
a manhã.
966
Charles Bukowski
Escala
Fazendo amor sob o sol, sob o sol matinal
num quarto de hotel
acima do beco
onde homens pobres catam garrafas;
fazendo amor sob o sol
fazendo amor junto a um tapete mais vermelho que nosso sangue,
fazendo amor enquanto meninos vendem manchetes
e Cadillacs,
fazendo amor junto a uma foto de Paris
e um maço aberto de Chesterfields,
fazendo amor enquanto outros homens – pobres
coitados –
trabalham.
Daquele momento – a este...
podem ser anos do jeito como são medidos,
mas é só uma frase atrás na minha mente –
são inúmeros os dias
nos quais a vida para e estaciona e fica
e espera como um trem nos trilhos.
Eu passo pelo hotel às 8
e às 5; vejo gatos nos becos
e garrafas e vagabundos,
e olho a janela no alto e penso:
não sei mais onde você está,
e sigo caminhando e me pergunto para onde
a vida vai
quando para.
num quarto de hotel
acima do beco
onde homens pobres catam garrafas;
fazendo amor sob o sol
fazendo amor junto a um tapete mais vermelho que nosso sangue,
fazendo amor enquanto meninos vendem manchetes
e Cadillacs,
fazendo amor junto a uma foto de Paris
e um maço aberto de Chesterfields,
fazendo amor enquanto outros homens – pobres
coitados –
trabalham.
Daquele momento – a este...
podem ser anos do jeito como são medidos,
mas é só uma frase atrás na minha mente –
são inúmeros os dias
nos quais a vida para e estaciona e fica
e espera como um trem nos trilhos.
Eu passo pelo hotel às 8
e às 5; vejo gatos nos becos
e garrafas e vagabundos,
e olho a janela no alto e penso:
não sei mais onde você está,
e sigo caminhando e me pergunto para onde
a vida vai
quando para.
1 013
Charles Bukowski
Mulher Adormecida
fico sentado na cama à noite e ouço você
roncar
conheci você numa estação rodoviária
e agora fico viajando nas suas costas
de um branco doentio e manchadas por
sardas de criança
enquanto a lâmpada desnuda a insolúvel
tristeza do mundo
sobre o seu corpo.
não consigo ver seus pés
mas só posso deduzir que sejam
os mais encantadores pés.
a quem você pertence?
você é real?
eu penso em flores, animais, pássaros
todos eles parecem mais do que bons
e tão claramente
reais.
mas você não consegue evitar ser uma
mulher. cada um de nós é selecionado para ser
algo. a aranha, o cozinheiro.
o elefante. é como se fôssemos cada um
uma pintura pendurada em alguma
parede de galeria.
– e agora a pintura se vira
de costas, e por cima de um cotovelo curvado
consigo ver ½ boca, um olho e
quase um nariz.
o resto de você está escondido
fora de vista
mas sei que você é uma
obra
contemporânea, moderna e viva
talvez não imortal
mas nós já
amamos.
por favor continue a
roncar.
roncar
conheci você numa estação rodoviária
e agora fico viajando nas suas costas
de um branco doentio e manchadas por
sardas de criança
enquanto a lâmpada desnuda a insolúvel
tristeza do mundo
sobre o seu corpo.
não consigo ver seus pés
mas só posso deduzir que sejam
os mais encantadores pés.
a quem você pertence?
você é real?
eu penso em flores, animais, pássaros
todos eles parecem mais do que bons
e tão claramente
reais.
mas você não consegue evitar ser uma
mulher. cada um de nós é selecionado para ser
algo. a aranha, o cozinheiro.
o elefante. é como se fôssemos cada um
uma pintura pendurada em alguma
parede de galeria.
– e agora a pintura se vira
de costas, e por cima de um cotovelo curvado
consigo ver ½ boca, um olho e
quase um nariz.
o resto de você está escondido
fora de vista
mas sei que você é uma
obra
contemporânea, moderna e viva
talvez não imortal
mas nós já
amamos.
por favor continue a
roncar.
724
Charles Bukowski
Resposta a Um Bilhete Encontrado Na Caixa de Correio
“o amor é como um sino
me diga, você já
o escutou na voz dela?”
o amor não é como um sino
isso é poético, verdade,
mas escutei algo na voz dela
que no vômito do meu tormento
que na caveira pousada na janela
arreganhando os dentes amarelos quebrados
me alçou a um clima que raras vezes
conheci –
“aqui, uma flor. eu trago flor.”
escuto algo na voz dela
que nada tem a ver com suados e traiçoeiros
e sangrantes exércitos
que nada tem a ver com o chefe da fábrica com olhos
quebrados
não estou implicando com as suas palavras:
você tem o seu sino
eu tenho isso e talvez você tenha isso também:
“eu trago sapatos. sapato. sapato. aqui um
sapato!”
é mais do que aprender o que é um sapato
é mais do que aprender o que sou ou o que ela
é
é outra coisa
que talvez nós que vivemos há muito tempo já quase
esquecemos
que uma criança venha dos pântanos da minha dor
carregando flores, efetivamente carregando flores,
jesus, isso é quase demais
que me seja permitido ver com olhos e tocar e
rir,
essa besta informada em mim
faz careta no íntimo
mas logo constata que o esforço é grande demais para se esconder
atrás
e essa pequena criatura que me conhece tão bem
rasteja por tudo através e em cima de mim
Lázaro Lázaro
e não sinto vergonha
guerreiro espancado por horas e anos de
desperdício
o amor é como um sino
o amor é como uma montanha púrpura
o amor é como um copo de vinagre
o amor são todas as sepulturas
o amor é uma janela de trem
ela sabe o meu nome.
me diga, você já
o escutou na voz dela?”
o amor não é como um sino
isso é poético, verdade,
mas escutei algo na voz dela
que no vômito do meu tormento
que na caveira pousada na janela
arreganhando os dentes amarelos quebrados
me alçou a um clima que raras vezes
conheci –
“aqui, uma flor. eu trago flor.”
escuto algo na voz dela
que nada tem a ver com suados e traiçoeiros
e sangrantes exércitos
que nada tem a ver com o chefe da fábrica com olhos
quebrados
não estou implicando com as suas palavras:
você tem o seu sino
eu tenho isso e talvez você tenha isso também:
“eu trago sapatos. sapato. sapato. aqui um
sapato!”
é mais do que aprender o que é um sapato
é mais do que aprender o que sou ou o que ela
é
é outra coisa
que talvez nós que vivemos há muito tempo já quase
esquecemos
que uma criança venha dos pântanos da minha dor
carregando flores, efetivamente carregando flores,
jesus, isso é quase demais
que me seja permitido ver com olhos e tocar e
rir,
essa besta informada em mim
faz careta no íntimo
mas logo constata que o esforço é grande demais para se esconder
atrás
e essa pequena criatura que me conhece tão bem
rasteja por tudo através e em cima de mim
Lázaro Lázaro
e não sinto vergonha
guerreiro espancado por horas e anos de
desperdício
o amor é como um sino
o amor é como uma montanha púrpura
o amor é como um copo de vinagre
o amor são todas as sepulturas
o amor é uma janela de trem
ela sabe o meu nome.
1 015
Charles Bukowski
Um Poema de Amor Para Todas As Mulheres Que Eu Conheci
todas as mulheres
todos os seus beijos as
diferentes formas como amam e
falam e precisam.
suas orelhas todas elas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.
na maioria
as mulheres são muito
calorosas elas me lembram
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.
há uma expressão no
olhar: elas foram
dominadas elas foram
enganadas. não sei direito o que
fazer por
elas.
eu sou
um cozinheiro razoável um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar – estava ocupado
então com coisas maiores.
mas desfrutei de suas diferentes
camas
fumando cigarros
olhando fixo para os
tetos. não fui nem perverso nem
injusto. apenas
um estudante.
sei que todas elas têm aqueles
pés e descalças elas atravessam o assoalho enquanto
observo suas nádegas acanhadas no
escuro. sei que elas gostam de mim, algumas até
me amam
mas eu amo bem
poucas.
algumas me dão laranjas e pílulas;
outras falam calmamente de
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
loucas mas nenhuma delas é desprovida de
significado; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre são as
melhores em outros
aspectos; cada uma tem limites como eu tenho
limites e aprendemos
um ao outro
depressa.
todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos
os tapetes as
fotos as
cortinas, é
meio como uma igreja só que
às vezes há
risos.
aquelas orelhas aqueles
braços aqueles
cotovelos aqueles olhos
fitando o carinho e
a espera eu fui
abraçado eu fui
abraçado.
todos os seus beijos as
diferentes formas como amam e
falam e precisam.
suas orelhas todas elas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.
na maioria
as mulheres são muito
calorosas elas me lembram
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.
há uma expressão no
olhar: elas foram
dominadas elas foram
enganadas. não sei direito o que
fazer por
elas.
eu sou
um cozinheiro razoável um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar – estava ocupado
então com coisas maiores.
mas desfrutei de suas diferentes
camas
fumando cigarros
olhando fixo para os
tetos. não fui nem perverso nem
injusto. apenas
um estudante.
sei que todas elas têm aqueles
pés e descalças elas atravessam o assoalho enquanto
observo suas nádegas acanhadas no
escuro. sei que elas gostam de mim, algumas até
me amam
mas eu amo bem
poucas.
algumas me dão laranjas e pílulas;
outras falam calmamente de
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
loucas mas nenhuma delas é desprovida de
significado; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre são as
melhores em outros
aspectos; cada uma tem limites como eu tenho
limites e aprendemos
um ao outro
depressa.
todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos
os tapetes as
fotos as
cortinas, é
meio como uma igreja só que
às vezes há
risos.
aquelas orelhas aqueles
braços aqueles
cotovelos aqueles olhos
fitando o carinho e
a espera eu fui
abraçado eu fui
abraçado.
1 194
Charles Bukowski
Sim
não importa com quem eu esteja
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
meus relacionamentos duram em média
dois anos e meio.
com guerras
inflação
desemprego
alcoolismo
jogatina
e o meu próprio nervosismo degenerado
acho que me saio bem o bastante.
gosto de ler os jornais dominicais na cama.
gosto de fitas cor de laranja amarradas em volta do pescoço do gato.
gosto de dormir apertado contra um corpo que conheço bem.
gosto de papeletas pretas no pé da minha cama
às 2 da tarde.
gosto de ver como ficaram as fotos.
gosto que me ajudem a suportar os feriados:
Independência, Dia do Trabalho, Halloween, Ação de Graças,
Natal, Ano-Novo.
elas sabem como remar por essas correntezas
e têm menos medo do amor do que eu.
conseguem me fazer rir onde comediantes profissionais
fracassam.
há a caminhada na rua para comprar um jornal juntos.
há muita coisa boa em estar sozinho
mas há um estranho calor em não estar sozinho.
gosto de batatas vermelhas cozidas.
gosto de olhos e dedos melhores que os meus que consigam
tirar nós de cadarços.
gosto de deixá-la dirigir o carro em noites escuras
quando a estrada e o caminho me deram nos nervos,
o rádio do carro ligado
nós acendemos cigarros e conversamos sobre coisas
e de vez em quando
ficamos em silêncio.
eu gosto de grampos de cabelo em cima de mesas.
eu gosto de conhecer as mesmas paredes
as mesmas pessoas.
não gosto das brigas insanas e inúteis que sempre
ocorrem
e não gosto de mim nessas ocasiões
não dando nada
não entendendo nada.
gosto de aspargos cozidos
gosto de rabanetes
gosto de cebolas.
gosto de levar meu carro num lava-jato.
gosto quando tenho vitória de dez em aposta de seis
por um.
gosto do meu rádio que fica tocando
Shostakovich, Brahms, Beethoven, Mahler.
gosto quando há uma batida na porta e
é ela.
não importa com quem eu esteja
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
devem pensar que eu as enterro
em Hollywood Hills.
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
meus relacionamentos duram em média
dois anos e meio.
com guerras
inflação
desemprego
alcoolismo
jogatina
e o meu próprio nervosismo degenerado
acho que me saio bem o bastante.
gosto de ler os jornais dominicais na cama.
gosto de fitas cor de laranja amarradas em volta do pescoço do gato.
gosto de dormir apertado contra um corpo que conheço bem.
gosto de papeletas pretas no pé da minha cama
às 2 da tarde.
gosto de ver como ficaram as fotos.
gosto que me ajudem a suportar os feriados:
Independência, Dia do Trabalho, Halloween, Ação de Graças,
Natal, Ano-Novo.
elas sabem como remar por essas correntezas
e têm menos medo do amor do que eu.
conseguem me fazer rir onde comediantes profissionais
fracassam.
há a caminhada na rua para comprar um jornal juntos.
há muita coisa boa em estar sozinho
mas há um estranho calor em não estar sozinho.
gosto de batatas vermelhas cozidas.
gosto de olhos e dedos melhores que os meus que consigam
tirar nós de cadarços.
gosto de deixá-la dirigir o carro em noites escuras
quando a estrada e o caminho me deram nos nervos,
o rádio do carro ligado
nós acendemos cigarros e conversamos sobre coisas
e de vez em quando
ficamos em silêncio.
eu gosto de grampos de cabelo em cima de mesas.
eu gosto de conhecer as mesmas paredes
as mesmas pessoas.
não gosto das brigas insanas e inúteis que sempre
ocorrem
e não gosto de mim nessas ocasiões
não dando nada
não entendendo nada.
gosto de aspargos cozidos
gosto de rabanetes
gosto de cebolas.
gosto de levar meu carro num lava-jato.
gosto quando tenho vitória de dez em aposta de seis
por um.
gosto do meu rádio que fica tocando
Shostakovich, Brahms, Beethoven, Mahler.
gosto quando há uma batida na porta e
é ela.
não importa com quem eu esteja
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
devem pensar que eu as enterro
em Hollywood Hills.
1 056
Charles Bukowski
Metendo Até As Bolas
metendo até as bolas
metendo como o burro
metendo como o boi
metendo metendo metendo
metendo como os pombos
metendo como os porcos
como alguém se torna uma flor
polinizada pelos ventos e pelas abelhas?
metendo até as bolas à meia-noite
metendo às quatro da manhã
metendo na terça-feira
metendo na quarta-feira
metendo como um maldito touro
metendo como um submarino
metendo como uma bala puxa-puxa
metendo como a cavidade sem sentido da perdição
metendo metendo metendo,
eu mergulho meu chicote branco
sentindo os olhos dela se revirarem em glória,
ó bolas, ó trombeta e bolas
ó chicote branco e bolas, ó
bolas,
eu poderia ficar metendo até as bolas pra sempre
por cima
por baixo
de lado
bêbado sóbrio triste feliz irritado
metendo até as bolas,
uma intensidade de mistura:
2 almas grudadas
jorrando...
meter torna tudo melhor.
os que não metem não sabem.
os que não podem meter são semimortos.
os que não conseguem encontrar alguém para meter estão no inferno.
eu durmo com as minhas bolas na mão para que ninguém as roube.
que o ar todo esteja limpo com flores e árvores e touros.
que parte da justiça de como vivemos nossas vidas seja a canção do corpo.
que cada uma de nossas mortes e semimortes seja tão tranquila quanto
possível agora.
enquanto isso, ó bolas, ó bolas, ó belas, ó belas bolas, bolas
belas, ó bolas metidas bolas ó metidas bolas minhas e
suas e deles e nossas para todo o sempre
esta noite e terça-feira quarta-feira da sepultura em lágrimas, eu amo
vocês
mulheres, eu amo vocês.
metendo como o burro
metendo como o boi
metendo metendo metendo
metendo como os pombos
metendo como os porcos
como alguém se torna uma flor
polinizada pelos ventos e pelas abelhas?
metendo até as bolas à meia-noite
metendo às quatro da manhã
metendo na terça-feira
metendo na quarta-feira
metendo como um maldito touro
metendo como um submarino
metendo como uma bala puxa-puxa
metendo como a cavidade sem sentido da perdição
metendo metendo metendo,
eu mergulho meu chicote branco
sentindo os olhos dela se revirarem em glória,
ó bolas, ó trombeta e bolas
ó chicote branco e bolas, ó
bolas,
eu poderia ficar metendo até as bolas pra sempre
por cima
por baixo
de lado
bêbado sóbrio triste feliz irritado
metendo até as bolas,
uma intensidade de mistura:
2 almas grudadas
jorrando...
meter torna tudo melhor.
os que não metem não sabem.
os que não podem meter são semimortos.
os que não conseguem encontrar alguém para meter estão no inferno.
eu durmo com as minhas bolas na mão para que ninguém as roube.
que o ar todo esteja limpo com flores e árvores e touros.
que parte da justiça de como vivemos nossas vidas seja a canção do corpo.
que cada uma de nossas mortes e semimortes seja tão tranquila quanto
possível agora.
enquanto isso, ó bolas, ó bolas, ó belas, ó belas bolas, bolas
belas, ó bolas metidas bolas ó metidas bolas minhas e
suas e deles e nossas para todo o sempre
esta noite e terça-feira quarta-feira da sepultura em lágrimas, eu amo
vocês
mulheres, eu amo vocês.
4 023
Charles Bukowski
O Amor É Uma Forma de Egoísmo
vadiagem, a trompa de eustáquio e a hera verde insetomorta
e o modo como andamos esta noite
com o céu subindo em nossos ouvidos e nos nossos bolsos
enquanto falávamos de coisas que não importavam
e o bonde balançava e uivava sua cor
que não notamos exceto como algo ao lado da véspera
enquanto mencionávamos o sexo através de paralisias,
vadiagem, o fogo vermelho, vadiagem a trompa de eustáquio!
já se foram os dias, já se foi a hera verde insetomorta
e as palavras ditas esta noite que não importavam;
X 12, Escarlate e Ouro
OURO OURO OURO OURO OURO!
teus olhos são ouro
teu cabelo é ouro
teu amor é ouro
teu túmulo é ouro
e as ruas passam como pessoas caminhando
e os sinos tocam como sinos tocando;
tuas mãos são ouro e tua voz é ouro
e todas as crianças caminhando
e as árvores crescendo e os idiotas vendendo jornais
34256780000 ah enquanto você está
trompa de eustáquio
fogo vermelho
verdeinsetomorta
hera
escarlate e ouro
e as palavras que dissemos esta noite
estão indo embora
por cima das árvores
junto com o bonde
e eu fechei o livro
com o vermelho vermelho leão
junto aos portões de ouro.
e o modo como andamos esta noite
com o céu subindo em nossos ouvidos e nos nossos bolsos
enquanto falávamos de coisas que não importavam
e o bonde balançava e uivava sua cor
que não notamos exceto como algo ao lado da véspera
enquanto mencionávamos o sexo através de paralisias,
vadiagem, o fogo vermelho, vadiagem a trompa de eustáquio!
já se foram os dias, já se foi a hera verde insetomorta
e as palavras ditas esta noite que não importavam;
X 12, Escarlate e Ouro
OURO OURO OURO OURO OURO!
teus olhos são ouro
teu cabelo é ouro
teu amor é ouro
teu túmulo é ouro
e as ruas passam como pessoas caminhando
e os sinos tocam como sinos tocando;
tuas mãos são ouro e tua voz é ouro
e todas as crianças caminhando
e as árvores crescendo e os idiotas vendendo jornais
34256780000 ah enquanto você está
trompa de eustáquio
fogo vermelho
verdeinsetomorta
hera
escarlate e ouro
e as palavras que dissemos esta noite
estão indo embora
por cima das árvores
junto com o bonde
e eu fechei o livro
com o vermelho vermelho leão
junto aos portões de ouro.
1 155
Charles Bukowski
Corcunda
momentos de danação e momentos de glória
tamborilam ao longo do meu telhado.
o gato passa por mim
parecendo saber tudo.
minha sorte tem sido melhor, creio,
do que a sorte do gladíolo,
se bem que não tenho certeza.
fui amado por muitas mulheres,
e, para um corcunda da vida,
isso é uma sorte.
tantos dedos por entre meus cabelos
tantas mãos agarrando as minhas bolas
tantos sapatos tombados de lado pelo tapete do meu
quarto.
tantos olhos observando
endentados num crânio que vai carregar todos esses
olhos rumo à morte,
recordando.
fui tratado melhor do que eu
merecia –
não pela vida em geral
ou pela maquinaria das coisas
mas pelas mulheres.
e o outro
(pelas mulheres): eu
parado no quarto sozinho
dobrado
mãos segurando a pança –
pensando
por que por que por que por que por que por quê?
mulheres caídas por homens como porcos
mulheres caídas por homens com mãos como galhos secos
mulheres caídas por homens que trepam mal
mulheres caídas por coisas de homens
mulheres caídas
caídas
porque elas precisam cair
na ordem das
coisas.
as mulheres sabem
mas com mais frequência decidem fugir da
desordem e da confusão.
elas podem matar o que tocam.
estou morrendo
mas não estou morto.
tamborilam ao longo do meu telhado.
o gato passa por mim
parecendo saber tudo.
minha sorte tem sido melhor, creio,
do que a sorte do gladíolo,
se bem que não tenho certeza.
fui amado por muitas mulheres,
e, para um corcunda da vida,
isso é uma sorte.
tantos dedos por entre meus cabelos
tantas mãos agarrando as minhas bolas
tantos sapatos tombados de lado pelo tapete do meu
quarto.
tantos olhos observando
endentados num crânio que vai carregar todos esses
olhos rumo à morte,
recordando.
fui tratado melhor do que eu
merecia –
não pela vida em geral
ou pela maquinaria das coisas
mas pelas mulheres.
e o outro
(pelas mulheres): eu
parado no quarto sozinho
dobrado
mãos segurando a pança –
pensando
por que por que por que por que por que por quê?
mulheres caídas por homens como porcos
mulheres caídas por homens com mãos como galhos secos
mulheres caídas por homens que trepam mal
mulheres caídas por coisas de homens
mulheres caídas
caídas
porque elas precisam cair
na ordem das
coisas.
as mulheres sabem
mas com mais frequência decidem fugir da
desordem e da confusão.
elas podem matar o que tocam.
estou morrendo
mas não estou morto.
1 109
Charles Bukowski
O Melhor Poema de Amor Que Posso Escrever No Momento
ouça, eu disse a ela,
por que você não enfia sua língua
no meu
cu?
não, ela disse.
bem, eu disse, se eu enfiar minha língua
no seu cu primeiro
aí você enfia a sua língua
no meu
cu?
tá bom, ela disse.
mergulhei de cabeça lá embaixo
e dei uma olhada,
abri uma parte,
então projetei minha língua...
aí não, ela disse,
ah, hahaha, aí não, esse não é
o lugar certo!
vocês mulheres têm mais buracos do que
queijo suíço...
não quero que você
faça
isso.
por quê?
bem, aí eu vou ter que fazer
também e aí na próxima festa
você vai contar às pessoas que eu lambi o seu cu
com a minha língua.
e se eu prometer que não vou
contar?
você vai ficar bêbado, você vai
contar.
o.k., eu disse, vire o corpo,
vou enfiar no
outro lugar.
ela se virou e eu enfiei minha língua
naquele outro lugar.
estávamos apaixonados
estávamos apaixonados
exceto por aquilo que eu falava nas
festas
e não estávamos apaixonados
pelos cus
um do outro.
ela quer que eu escreva um poema de amor
mas acho que se as pessoas
não conseguem amar os cus
umas das outras
e os peidos e as merdas e as partes terríveis
assim como amam
as partes boas,
isso não é o amor completo.
então até onde podem chegar os poemas de amor,
até onde chegamos nós,
este poema vai ter que
servir.
ISSO É O QUE VOCÊ GANHA PELO SEU SEXISMO
por que você não enfia sua língua
no meu
cu?
não, ela disse.
bem, eu disse, se eu enfiar minha língua
no seu cu primeiro
aí você enfia a sua língua
no meu
cu?
tá bom, ela disse.
mergulhei de cabeça lá embaixo
e dei uma olhada,
abri uma parte,
então projetei minha língua...
aí não, ela disse,
ah, hahaha, aí não, esse não é
o lugar certo!
vocês mulheres têm mais buracos do que
queijo suíço...
não quero que você
faça
isso.
por quê?
bem, aí eu vou ter que fazer
também e aí na próxima festa
você vai contar às pessoas que eu lambi o seu cu
com a minha língua.
e se eu prometer que não vou
contar?
você vai ficar bêbado, você vai
contar.
o.k., eu disse, vire o corpo,
vou enfiar no
outro lugar.
ela se virou e eu enfiei minha língua
naquele outro lugar.
estávamos apaixonados
estávamos apaixonados
exceto por aquilo que eu falava nas
festas
e não estávamos apaixonados
pelos cus
um do outro.
ela quer que eu escreva um poema de amor
mas acho que se as pessoas
não conseguem amar os cus
umas das outras
e os peidos e as merdas e as partes terríveis
assim como amam
as partes boas,
isso não é o amor completo.
então até onde podem chegar os poemas de amor,
até onde chegamos nós,
este poema vai ter que
servir.
ISSO É O QUE VOCÊ GANHA PELO SEU SEXISMO
3 045
Charles Bukowski
Inflamados de Amor (Para N.W.)
pequena garota morena de
bondade
quando chegar a hora de
enfiar a faca
não vou culpar
você.
e quando eu passar de carro pela praia
e as palmeiras acenarem,
as palmeiras feias e pesadas
e os vivos não chegarem
e os mortos não partirem,
não vou culpar você.
vou lembrar as horas de beijos
nossos lábios inflamados de amor
e como você me ofereceu
sua boceta sua alma suas entranhas
e como eu respondi
oferecendo-lhe o pouco que restava de
mim,
e vou lembrar os contornos do seu quarto
os contornos do seu corpo
seus discos
suas paredes
suas xícaras de café
suas manhãs e seus meios-dias e suas noites
e sua privada e sua
banheira.
nossos corpos derramados juntos
dormindo
aquelas minúsculas correntes fluindo
imediatas e eternas
cruzando
entrecruzando
sem parar.
sua perna minha perna
seu braço meu braço
sua tristeza e perda e calor
também meus,
memorizei você
cada formato seu
a sensação dos pelos da sua boceta nos meus dentes
em repuxo suave, e
você
que me fez rir nos
momentos apropriados
sempre.
pequena garota morena de bondade
você não tem nenhuma
faca. é
minha e não quero usá-la
ainda.
ENTÃO VEIO O AMOR
bondade
quando chegar a hora de
enfiar a faca
não vou culpar
você.
e quando eu passar de carro pela praia
e as palmeiras acenarem,
as palmeiras feias e pesadas
e os vivos não chegarem
e os mortos não partirem,
não vou culpar você.
vou lembrar as horas de beijos
nossos lábios inflamados de amor
e como você me ofereceu
sua boceta sua alma suas entranhas
e como eu respondi
oferecendo-lhe o pouco que restava de
mim,
e vou lembrar os contornos do seu quarto
os contornos do seu corpo
seus discos
suas paredes
suas xícaras de café
suas manhãs e seus meios-dias e suas noites
e sua privada e sua
banheira.
nossos corpos derramados juntos
dormindo
aquelas minúsculas correntes fluindo
imediatas e eternas
cruzando
entrecruzando
sem parar.
sua perna minha perna
seu braço meu braço
sua tristeza e perda e calor
também meus,
memorizei você
cada formato seu
a sensação dos pelos da sua boceta nos meus dentes
em repuxo suave, e
você
que me fez rir nos
momentos apropriados
sempre.
pequena garota morena de bondade
você não tem nenhuma
faca. é
minha e não quero usá-la
ainda.
ENTÃO VEIO O AMOR
1 201
Charles Bukowski
Uma Definição
o amor não passa de farol aceso à
noite cortando a névoa
o amor não passa de uma tampinha de cerveja
na qual você pisa a caminho
do banheiro
o amor é a chave perdida da sua porta
quando você está bêbado
o amor é o que acontece um dia por
ano
um ano a cada dez
o amor são os gatos esmagados
do universo
o amor é um jornaleiro na
esquina que
desistiu
o amor são as primeiras 3 filas de
potenciais matadores no
Olympic Auditorium
o amor é o que você acha que a outra
pessoa destruiu
o amor é o que desapareceu com a
era dos encouraçados de batalha
o amor é o telefone tocando
e a mesma voz ou outra
voz mas nunca a voz
certa
o amor é traição
o amor é o bebum
sendo queimado no beco
o amor é aço
o amor é a barata
o amor é uma caixa de correio
o amor é chuva batendo no telhado
do hotel mais barato
de Los Angeles
o amor é o seu pai que
detestava você dentro de um caixão
o amor é um cavalo com a
perna quebrada
tentando ficar de pé
enquanto 55.000 pessoas
observam
o amor é o nosso jeito de ferver
como a lagosta
o amor é um cigarro de filtro
preso na sua boca e
aceso pela ponta errada
o amor é tudo que dissemos
que não era
o amor é o Corcunda de
Notre Dame
o amor é a pulga que você não consegue
encontrar
o amor é o mosquito
o amor são 50 granadeiros
o amor é o mais vazio dos
urinóis
o amor é uma rebelião em Quentin
o amor é um manicômio lotado
o amor é um burro cagando numa
rua de moscas
o amor é um banco de bar quando
ninguém está sentado nele
o amor é um filme do Hindenburg
se desmanchando em pedaços
em tempos que ainda gritam
o amor é Dostoiévski na
roleta
o amor é o que rasteja
pelo chão
o amor é a sua mulher dançando
apertada nos braços de um estranho
o amor é uma mulher velha
beliscando um naco de pão
o amor é uma palavra usada
constantemente
muitíssimo constantemente
o amor são telhados vermelhos e telhados
verdes e telhados azuis
e voar em aviões a jato
isso é tudo.
noite cortando a névoa
o amor não passa de uma tampinha de cerveja
na qual você pisa a caminho
do banheiro
o amor é a chave perdida da sua porta
quando você está bêbado
o amor é o que acontece um dia por
ano
um ano a cada dez
o amor são os gatos esmagados
do universo
o amor é um jornaleiro na
esquina que
desistiu
o amor são as primeiras 3 filas de
potenciais matadores no
Olympic Auditorium
o amor é o que você acha que a outra
pessoa destruiu
o amor é o que desapareceu com a
era dos encouraçados de batalha
o amor é o telefone tocando
e a mesma voz ou outra
voz mas nunca a voz
certa
o amor é traição
o amor é o bebum
sendo queimado no beco
o amor é aço
o amor é a barata
o amor é uma caixa de correio
o amor é chuva batendo no telhado
do hotel mais barato
de Los Angeles
o amor é o seu pai que
detestava você dentro de um caixão
o amor é um cavalo com a
perna quebrada
tentando ficar de pé
enquanto 55.000 pessoas
observam
o amor é o nosso jeito de ferver
como a lagosta
o amor é um cigarro de filtro
preso na sua boca e
aceso pela ponta errada
o amor é tudo que dissemos
que não era
o amor é o Corcunda de
Notre Dame
o amor é a pulga que você não consegue
encontrar
o amor é o mosquito
o amor são 50 granadeiros
o amor é o mais vazio dos
urinóis
o amor é uma rebelião em Quentin
o amor é um manicômio lotado
o amor é um burro cagando numa
rua de moscas
o amor é um banco de bar quando
ninguém está sentado nele
o amor é um filme do Hindenburg
se desmanchando em pedaços
em tempos que ainda gritam
o amor é Dostoiévski na
roleta
o amor é o que rasteja
pelo chão
o amor é a sua mulher dançando
apertada nos braços de um estranho
o amor é uma mulher velha
beliscando um naco de pão
o amor é uma palavra usada
constantemente
muitíssimo constantemente
o amor são telhados vermelhos e telhados
verdes e telhados azuis
e voar em aviões a jato
isso é tudo.
1 781
Charles Bukowski
Garotas Quietas E Limpas Em Vestidos de Algodão
tudo que eu sempre conheci foram putas, ex-prostitutas,
loucas. vejo homens com mulheres quietas,
gentis – vejo-os nos supermercados,
vejo-os caminhando juntos pelas ruas,
vejo-os em seus apartamentos: pessoas em
paz, vivendo juntas. sei que sua
paz é apenas parcial, mas existe
paz, frequentes horas e dias de paz.
tudo que eu sempre conheci foram comedoras de comprimidos, alcoólatras,
putas, ex-prostitutas, loucas.
quando uma vai embora
chega outra
pior do que sua antecessora.
vejo tantos homens com garotas quietas e limpas em
vestidos de algodão
garotas com rostos que não são rapaces ou
predatórios.
“nunca traga uma puta com você,” eu digo para meus
poucos amigos, “eu vou me apaixonar por ela.”
“você não aguenta uma boa mulher, Bukowski.”
preciso de uma boa mulher. preciso de uma boa mulher
mais do que preciso desta máquina de escrever, mais do que
preciso do meu automóvel, mais do que preciso
de Mozart; preciso tanto de uma boa mulher que
posso sentir seu gosto no ar, posso senti-la
na ponta dos meus dedos, posso ver calçadas construídas
para seus pés caminharem,
posso ver travesseiros para sua cabeça,
posso sentir minha expectante risada de tranquilo júbilo,
posso vê-la acariciando um gato,
posso vê-la dormindo,
posso ver seus chinelos no chão.
eu sei que ela existe
mas onde está ela neste planeta
enquanto as putas continuam me encontrando?
ACORDO BEM A TEMPO
loucas. vejo homens com mulheres quietas,
gentis – vejo-os nos supermercados,
vejo-os caminhando juntos pelas ruas,
vejo-os em seus apartamentos: pessoas em
paz, vivendo juntas. sei que sua
paz é apenas parcial, mas existe
paz, frequentes horas e dias de paz.
tudo que eu sempre conheci foram comedoras de comprimidos, alcoólatras,
putas, ex-prostitutas, loucas.
quando uma vai embora
chega outra
pior do que sua antecessora.
vejo tantos homens com garotas quietas e limpas em
vestidos de algodão
garotas com rostos que não são rapaces ou
predatórios.
“nunca traga uma puta com você,” eu digo para meus
poucos amigos, “eu vou me apaixonar por ela.”
“você não aguenta uma boa mulher, Bukowski.”
preciso de uma boa mulher. preciso de uma boa mulher
mais do que preciso desta máquina de escrever, mais do que
preciso do meu automóvel, mais do que preciso
de Mozart; preciso tanto de uma boa mulher que
posso sentir seu gosto no ar, posso senti-la
na ponta dos meus dedos, posso ver calçadas construídas
para seus pés caminharem,
posso ver travesseiros para sua cabeça,
posso sentir minha expectante risada de tranquilo júbilo,
posso vê-la acariciando um gato,
posso vê-la dormindo,
posso ver seus chinelos no chão.
eu sei que ela existe
mas onde está ela neste planeta
enquanto as putas continuam me encontrando?
ACORDO BEM A TEMPO
1 652
Charles Bukowski
Apenas Uma Noite
a mais recente aparelhagem pendendo sobre meu travesseiro recebe
luz da rua pela janela por entre a névoa do álcool
eu era o filhote de uma puritana que me surrava quando
o vento agitava folhas de relva que os olhos conseguiam ver
se mexendo e
você era uma
menina do convento observando as freiras espanarem
a areia de Las Cruces dos mantos de Deus.
você é
o ramalhete
de ontem tão tristemente
invadido. eu beijo seus pobres
seios enquanto minhas mãos tateiam em busca do amor
neste apartamento barato em Hollywood cheirando a
pão e gás e tristeza.
avançamos por rotas lembradas
os mesmos degraus velhos de guerra lisinhos com centenas de
passos, 50 amores, 20 anos.
e nos concedem um verão muito pequeno, e
aí já é
inverno de novo
e você está arrastando pelo piso
uma coisa pesada e embaraçosa
e a descarga soa no banheiro, um cão late
a porta de um carro é batida com força...
algo nos fugiu inescapavelmente, tudo,
ao que parece, e eu acendo um cigarro e
aguardo a mais velha maldição
de todas.
luz da rua pela janela por entre a névoa do álcool
eu era o filhote de uma puritana que me surrava quando
o vento agitava folhas de relva que os olhos conseguiam ver
se mexendo e
você era uma
menina do convento observando as freiras espanarem
a areia de Las Cruces dos mantos de Deus.
você é
o ramalhete
de ontem tão tristemente
invadido. eu beijo seus pobres
seios enquanto minhas mãos tateiam em busca do amor
neste apartamento barato em Hollywood cheirando a
pão e gás e tristeza.
avançamos por rotas lembradas
os mesmos degraus velhos de guerra lisinhos com centenas de
passos, 50 amores, 20 anos.
e nos concedem um verão muito pequeno, e
aí já é
inverno de novo
e você está arrastando pelo piso
uma coisa pesada e embaraçosa
e a descarga soa no banheiro, um cão late
a porta de um carro é batida com força...
algo nos fugiu inescapavelmente, tudo,
ao que parece, e eu acendo um cigarro e
aguardo a mais velha maldição
de todas.
1 017
Charles Bukowski
Para Aquelas 3
enlouquecendo
sentado de bobeira ouvindo valsas
de Chopin, tendo dormido com 3 mulheres diferentes
em 3 diferentes estados
em duas semanas, o ritmo tem sido
difícil, sentado em bares de aeroporto
de mãos dadas com lindas mulheres
que leram Tolstói, Turguêniev e
Bukowski.
espantoso quão completamente uma mulher pode dar seu
amor – quando quer
fazer isso.
agora as mulheres estão longínquas
e fico aqui sentado de pés descalços
barba por fazer, bebendo cerveja e
ouvindo essas valsas
de Chopin, e
pensando em cada uma das mulheres
e me pergunto se elas pensam em mim
ou será que eu sou só um livro de poemas
perdido no meio de outros livros de poemas?
perdido no meio de Turguêniev e Tolstói.
não importa. elas deram o bastante.
quando tocarem meu livro agora
vão reconhecer os contornos do meu corpo
vão reconhecer minha risada e meu amor e
minha tristeza.
meus agradecimentos.
sentado de bobeira ouvindo valsas
de Chopin, tendo dormido com 3 mulheres diferentes
em 3 diferentes estados
em duas semanas, o ritmo tem sido
difícil, sentado em bares de aeroporto
de mãos dadas com lindas mulheres
que leram Tolstói, Turguêniev e
Bukowski.
espantoso quão completamente uma mulher pode dar seu
amor – quando quer
fazer isso.
agora as mulheres estão longínquas
e fico aqui sentado de pés descalços
barba por fazer, bebendo cerveja e
ouvindo essas valsas
de Chopin, e
pensando em cada uma das mulheres
e me pergunto se elas pensam em mim
ou será que eu sou só um livro de poemas
perdido no meio de outros livros de poemas?
perdido no meio de Turguêniev e Tolstói.
não importa. elas deram o bastante.
quando tocarem meu livro agora
vão reconhecer os contornos do meu corpo
vão reconhecer minha risada e meu amor e
minha tristeza.
meus agradecimentos.
1 029
Charles Bukowski
Você Já Beijou Uma Pantera?
essa mulher acha que é uma pantera
e às vezes quando estamos fazendo amor
ela solta grunhidos e cospe
e seu cabelo vem abaixo
e ela olha por entre os fios
e me mostra suas presas
mas eu a beijo mesmo assim e continuo amando.
você já beijou uma pantera?
você já viu uma pantera fêmea desfrutando
o ato do amor?
você não amou, amigo.
você com suas loirinhas tingidas
você com seus esquilos e tâmias
e elefantes e ovelhas.
você deveria dormir com uma pantera
nunca mais você vai querer
esquilos, tâmias, elefantes, ovelhas, raposas,
carcajus,
nunca nada exceto a pantera fêmea
a pantera fêmea atravessando a sala
a pantera fêmea atravessando a sua alma;
todas as outras canções de amor são mentiras
quando aquela pelagem preta e macia se roça em você
e o céu desaba nas suas costas,
a pantera fêmea é o sonho que chegou real
e não há como voltar atrás
ou querer voltar –
a pelagem roçando em você,
a busca terminou
enquanto seu pau avança diante da beira do Nirvana
e você fica preso diante dos olhos de uma pantera.
e às vezes quando estamos fazendo amor
ela solta grunhidos e cospe
e seu cabelo vem abaixo
e ela olha por entre os fios
e me mostra suas presas
mas eu a beijo mesmo assim e continuo amando.
você já beijou uma pantera?
você já viu uma pantera fêmea desfrutando
o ato do amor?
você não amou, amigo.
você com suas loirinhas tingidas
você com seus esquilos e tâmias
e elefantes e ovelhas.
você deveria dormir com uma pantera
nunca mais você vai querer
esquilos, tâmias, elefantes, ovelhas, raposas,
carcajus,
nunca nada exceto a pantera fêmea
a pantera fêmea atravessando a sala
a pantera fêmea atravessando a sua alma;
todas as outras canções de amor são mentiras
quando aquela pelagem preta e macia se roça em você
e o céu desaba nas suas costas,
a pantera fêmea é o sonho que chegou real
e não há como voltar atrás
ou querer voltar –
a pelagem roçando em você,
a busca terminou
enquanto seu pau avança diante da beira do Nirvana
e você fica preso diante dos olhos de uma pantera.
1 225
Charles Bukowski
2 Cravos
meu amor me trouxe 2 cravos
meu amor me trouxe vermelho
meu amor me trouxe ela
meu amor me pediu para eu não me preocupar
meu amor me pediu para não morrer
meu amor são 2 cravos sobre uma mesa
ouvindo Schoenberg
num entardecer escurecendo em noite
meu amor é jovem
os cravos ardem no escuro;
ela se foi deixando um gosto de amêndoas
seu corpo tem gosto de amêndoas
2 cravos ardendo vermelhos
enquanto ela fica parada na distância
agora sonhando com cães de porcelana
tinindo por entre seus dedos
meu amor são dez mil cravos ardendo
meu amor é um beija-flor parado naquele calmo momento
no galho
enquanto o mesmo gato
se agacha.
meu amor me trouxe vermelho
meu amor me trouxe ela
meu amor me pediu para eu não me preocupar
meu amor me pediu para não morrer
meu amor são 2 cravos sobre uma mesa
ouvindo Schoenberg
num entardecer escurecendo em noite
meu amor é jovem
os cravos ardem no escuro;
ela se foi deixando um gosto de amêndoas
seu corpo tem gosto de amêndoas
2 cravos ardendo vermelhos
enquanto ela fica parada na distância
agora sonhando com cães de porcelana
tinindo por entre seus dedos
meu amor são dez mil cravos ardendo
meu amor é um beija-flor parado naquele calmo momento
no galho
enquanto o mesmo gato
se agacha.
1 027
Charles Bukowski
Quente
ela era quente, ela era tão quente
eu não queria que ninguém mais ficasse com ela,
e quando eu não chegava em casa a tempo
ela já tinha se mandado, e eu não suportava isso –
eu enlouquecia...
era ridículo, eu sei, infantil,
mas eu estava preso naquilo, eu estava preso.
entreguei a correspondência toda
e aí Henderson me colocou na coleta noturna
num velho caminhão do exército,
o maldito troço começou a esquentar na metade da coleta
e a noite avançava
eu pensando sobre a minha quente Miriam
e pulando pra dentro e pra fora do caminhão
enchendo malotes de correspondência
o motor cada vez mais aquecido
o ponteiro da temperatura estava no máximo
QUENTE QUENTE
como Miriam.
eu saltava pra dentro e pra fora
só mais 3 coletas e na estação
eu estaria, meu carro
esperando pra me levar até Miriam sentada em meu sofá azul
uísque com gelo na mão
cruzando as pernas e balançando os tornozelos
como de costume,
só mais duas coletas...
o caminhão enguiçou num semáforo, era o inferno
tomando conta
de novo...
eu precisava estar em casa às 8, 8 era o horário limite para Miriam.
fiz a última coleta e o caminhão enguiçou numa sinaleira
a ½ quadra da estação...
o motor não pegava, não tinha como pegar...
tranquei as portas, tirei a chave e fui correndo até a
estação...
joguei as chaves na mesa... registrei minha saída...
“o seu maldito caminhão está enguiçado na sinaleira,
Pico com Western...”
...atravessei o corredor às pressas, enfiei a chave na porta,
abri... o copo da bebida estava lá com um bilhete:
filho da puta:
eu esperei até oito e 5
cê não me ama
seu filho da puta
alguém vai me amar
fiquei esperando dia todo
Miriam
eu servi um drinque e deixei a água ir enchendo a banheira
havia 5.000 bares na cidade
e eu percorreria 25 deles
procurando por Miriam
seu ursinho de pelúcia roxo segurava o bilhete
recostado num travesseiro
dei um drinque para o ursinho, um drinque para mim
e entrei na água
quente.
eu não queria que ninguém mais ficasse com ela,
e quando eu não chegava em casa a tempo
ela já tinha se mandado, e eu não suportava isso –
eu enlouquecia...
era ridículo, eu sei, infantil,
mas eu estava preso naquilo, eu estava preso.
entreguei a correspondência toda
e aí Henderson me colocou na coleta noturna
num velho caminhão do exército,
o maldito troço começou a esquentar na metade da coleta
e a noite avançava
eu pensando sobre a minha quente Miriam
e pulando pra dentro e pra fora do caminhão
enchendo malotes de correspondência
o motor cada vez mais aquecido
o ponteiro da temperatura estava no máximo
QUENTE QUENTE
como Miriam.
eu saltava pra dentro e pra fora
só mais 3 coletas e na estação
eu estaria, meu carro
esperando pra me levar até Miriam sentada em meu sofá azul
uísque com gelo na mão
cruzando as pernas e balançando os tornozelos
como de costume,
só mais duas coletas...
o caminhão enguiçou num semáforo, era o inferno
tomando conta
de novo...
eu precisava estar em casa às 8, 8 era o horário limite para Miriam.
fiz a última coleta e o caminhão enguiçou numa sinaleira
a ½ quadra da estação...
o motor não pegava, não tinha como pegar...
tranquei as portas, tirei a chave e fui correndo até a
estação...
joguei as chaves na mesa... registrei minha saída...
“o seu maldito caminhão está enguiçado na sinaleira,
Pico com Western...”
...atravessei o corredor às pressas, enfiei a chave na porta,
abri... o copo da bebida estava lá com um bilhete:
filho da puta:
eu esperei até oito e 5
cê não me ama
seu filho da puta
alguém vai me amar
fiquei esperando dia todo
Miriam
eu servi um drinque e deixei a água ir enchendo a banheira
havia 5.000 bares na cidade
e eu percorreria 25 deles
procurando por Miriam
seu ursinho de pelúcia roxo segurava o bilhete
recostado num travesseiro
dei um drinque para o ursinho, um drinque para mim
e entrei na água
quente.
1 119
Charles Bukowski
A Deusa de Um Metro E Oitenta (Para S.D.)
sou grande
suponho que é por isso que minhas mulheres sempre parecem
pequenas
mas essa deusa de um metro e oitenta
que negocia imóveis
e arte
e voa do Texas
para me ver
e eu voo ao Texas
para vê-la –
bem, há nela uma abundância para
ser agarrada
e eu agarro tudo
dela,
puxo sua cabeça para trás pelos cabelos,
sou macho pra valer,
chupo seu lábio superior
sua boceta
sua alma
monto nela e lhe digo:
“vou jorrar suco branco quente
dentro de você. não voei até
Galveston pra jogar
xadrez”.
depois deitamos entrelaçados como vinhas humanas
meu braço esquerdo sob seu travesseiro
meu braço direito sobre seu flanco
aperto suas duas mãos,
e meu peito
barriga
bolas
pau
emaranham-se nela
e através de nós no escuro
passam brancos raios berrantes
pra lá e pra cá
pra lá e pra cá
até que eu despenco
e nós dormimos.
ela é selvagem
mas gentil
minha deusa de um metro e oitenta
me faz rir
a risada do mutilado
que ainda precisa
de amor,
e seus olhos abençoados
brotam nas profundezas de sua cabeça
como nascentes interiores
no íntimo distante
e
frescas e boas.
ela me salvou
de tudo que
não está aqui.
COMECEI A SUGAR O AR DE SEUS PULMÕES
suponho que é por isso que minhas mulheres sempre parecem
pequenas
mas essa deusa de um metro e oitenta
que negocia imóveis
e arte
e voa do Texas
para me ver
e eu voo ao Texas
para vê-la –
bem, há nela uma abundância para
ser agarrada
e eu agarro tudo
dela,
puxo sua cabeça para trás pelos cabelos,
sou macho pra valer,
chupo seu lábio superior
sua boceta
sua alma
monto nela e lhe digo:
“vou jorrar suco branco quente
dentro de você. não voei até
Galveston pra jogar
xadrez”.
depois deitamos entrelaçados como vinhas humanas
meu braço esquerdo sob seu travesseiro
meu braço direito sobre seu flanco
aperto suas duas mãos,
e meu peito
barriga
bolas
pau
emaranham-se nela
e através de nós no escuro
passam brancos raios berrantes
pra lá e pra cá
pra lá e pra cá
até que eu despenco
e nós dormimos.
ela é selvagem
mas gentil
minha deusa de um metro e oitenta
me faz rir
a risada do mutilado
que ainda precisa
de amor,
e seus olhos abençoados
brotam nas profundezas de sua cabeça
como nascentes interiores
no íntimo distante
e
frescas e boas.
ela me salvou
de tudo que
não está aqui.
COMECEI A SUGAR O AR DE SEUS PULMÕES
1 243
Charles Bukowski
Minha
Ela jaz ali embolada.
Posso sentir a grande montanha vazia
de sua cabeça
mas ela está viva. Boceja e
coça o nariz e
puxa para si as cobertas.
Logo lhe darei o beijo de boa-noite
e nós vamos dormir.
E longínqua é a Escócia
e embaixo da terra
correm os roedores.
Ouço motores na noite
e pelo céu rodopia uma
branca mão:
boa noite, querida, boa noite.
Posso sentir a grande montanha vazia
de sua cabeça
mas ela está viva. Boceja e
coça o nariz e
puxa para si as cobertas.
Logo lhe darei o beijo de boa-noite
e nós vamos dormir.
E longínqua é a Escócia
e embaixo da terra
correm os roedores.
Ouço motores na noite
e pelo céu rodopia uma
branca mão:
boa noite, querida, boa noite.
690
Charles Bukowski
Um Dia Vou Escrever Uma Cartilha Para Santos Aleijados Mas Enquanto Isso...
enquanto a Bomba repousa lá nas mãos de uma
espécie cada vez menor
tudo que você quer
é me ver sentado ao seu lado
com pipoca e Dr. Pepper
enquanto aqueles embotados dentes de celuloide
vão mastigando
meus restos mortais.
não me preocupo muito com a
Bomba – os manicômios estão cheios
o bastante
e sempre lembro que
depois de um dos melhores rabos
que jamais peguei
eu fui ao banheiro e
me masturbei – dureza matar um homem
desses com uma
Bomba?
de todo modo, finalmente derrubei
R. Jeffers e Céline do meu
campanário
e lá sento sozinho
com você e
Dostoiévski
enquanto o coração real e o
coração artificial
continuam a
vacilar,
esfomeados.
eu te amo mas
não sei o que
fazer.
espécie cada vez menor
tudo que você quer
é me ver sentado ao seu lado
com pipoca e Dr. Pepper
enquanto aqueles embotados dentes de celuloide
vão mastigando
meus restos mortais.
não me preocupo muito com a
Bomba – os manicômios estão cheios
o bastante
e sempre lembro que
depois de um dos melhores rabos
que jamais peguei
eu fui ao banheiro e
me masturbei – dureza matar um homem
desses com uma
Bomba?
de todo modo, finalmente derrubei
R. Jeffers e Céline do meu
campanário
e lá sento sozinho
com você e
Dostoiévski
enquanto o coração real e o
coração artificial
continuam a
vacilar,
esfomeados.
eu te amo mas
não sei o que
fazer.
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