Poemas neste tema
Solidão
Vitor L. Mendes
Solidão
Todos os dias, ao cair da noite,
A solidão vem e deita-se ao meu lado.
Fico observando, calado.
Ela acende um cigarro e, silenciosamente,
Brinca com os desenhos que a fumaça descreve no ar.
Seus movimentos lentos, sua indiferença.
Seu rosto é pálido e seu olhos parecem estar fitando
Algum ponto além das paredes do quarto.
Percebo que ela é bonita... O que estará ela pensando?
Jamais vou saber (...) Mas o que importa?
Ela está aqui. Como estará também no outro dia - quem sabe?
Acho que aprendi a gostar dela, como uma doce companhia.
Se ela demora a chegar, fico impaciente - Quem diria?
Se não vier, me sentirei só...
A solidão vem e deita-se ao meu lado.
Fico observando, calado.
Ela acende um cigarro e, silenciosamente,
Brinca com os desenhos que a fumaça descreve no ar.
Seus movimentos lentos, sua indiferença.
Seu rosto é pálido e seu olhos parecem estar fitando
Algum ponto além das paredes do quarto.
Percebo que ela é bonita... O que estará ela pensando?
Jamais vou saber (...) Mas o que importa?
Ela está aqui. Como estará também no outro dia - quem sabe?
Acho que aprendi a gostar dela, como uma doce companhia.
Se ela demora a chegar, fico impaciente - Quem diria?
Se não vier, me sentirei só...
719
Venúsia Neiva
O Cemitério
cruzes.
guirlandas.
flores.
ciprestes.
tudo se confunde num funéreo lamento de loucura.
podridão de estátuas que já foram vivas,
que sorriam,
que choravam,
que gritavam ao mundo a inutilidade das coisas mortas.
eu sinto o vento a gemer na solidão e no tempo.
eu vejo os anjos de mármore incendiarem-se no luar
que povoa a cidade deserta.
madrugadas gélidas.
dentro de noites gélidas.
corujas piando sobre cruzes eretas.
coroas de rosas desbotadas.
vôos agoureiros de morcegos negros.
tudo pede luz. tudo pede vida!
alvas sombras entrechocam-se ao ritmo macabro
das convulsões do pavor.
a morte mora ali.
ela vigia seus súditos acorrentados sob lápides marmóreas.
nunca mais os deixará sair.
para sempre escravizados.
até à eternidade, até ao fim dos tempos!
até que a ressurreição se processe
em suas cinzas esquecidas.
guirlandas.
flores.
ciprestes.
tudo se confunde num funéreo lamento de loucura.
podridão de estátuas que já foram vivas,
que sorriam,
que choravam,
que gritavam ao mundo a inutilidade das coisas mortas.
eu sinto o vento a gemer na solidão e no tempo.
eu vejo os anjos de mármore incendiarem-se no luar
que povoa a cidade deserta.
madrugadas gélidas.
dentro de noites gélidas.
corujas piando sobre cruzes eretas.
coroas de rosas desbotadas.
vôos agoureiros de morcegos negros.
tudo pede luz. tudo pede vida!
alvas sombras entrechocam-se ao ritmo macabro
das convulsões do pavor.
a morte mora ali.
ela vigia seus súditos acorrentados sob lápides marmóreas.
nunca mais os deixará sair.
para sempre escravizados.
até à eternidade, até ao fim dos tempos!
até que a ressurreição se processe
em suas cinzas esquecidas.
732
José Carlos Souza Santos
As Canções de Amor
Poema I
Amor,
porque te consigo imaginar
o gosto da boca,
a força dos braços,
o calor do corpo,
porque te consigo imaginar
a luz do olhar
o pulsar do peito
o faminto desejo
me dou,
em tremor profundo,
ainda que me desmanche
inteira
em seiva, gemidos, sussurros,
me tornando dessa maneira
em alguns versos do nosso
livro ...
Poema II
Em minhas mãos,
entregaste o corpo alvo
e nu ,
de incenso e mirra esquecido,
permitindo tatuar o vale
com a lava do vulcão
amanhecido
juntos, derramados os pudores em
branda taça,
um torpor de vinhos nos cimos
duros, debruçado o grito em tua âncora,
meu espanto findo
Iniciando escrever o livro
transfiro em ti a minha força, vinda
do vermelho das ameixas
roxas,
quando teu corpo sobre o meu
derramado, calar a sede da serpente
hirta.
Na página primeira escrita
à memória do milenar gozo
no alvo corpo a escorrida lava
desmente a aridez da futura estrada.
Poema III
Porque te amo
me divido, e em mim se multiplica
o que antes sem saber
subtraído me havia.
Do cântaro no peito ressecado
renasceu a flor que não morrera,
pois que estava em nós, e não
sabíamos
pois que nos lambera, e não
sentíamos.
O teu rosto desconhecido perpetua a
chama , que no peito ainda ardia.
Porque te amo
louco me derramo, corajoso e vasto
entre as lavas do teu vulcão em
chamas,
e nos teus olhos me revejo
cálice, âmbula, patena e sacrário
inteira catedral de êxtase erguida
Nos teus braços
do cansaço me exilo,
ao longe numa curva do caminho,
vejo
o meu retrato de ontens pendurado,
do riso frouxo que da boca se me
expande,
o silêncio pleno de vidraças que se
abrem.
Em tua boca, gestamos nosso
vinho
no seio túmido, a flor que
embriaga,
em nosso gozo,
um poema de Hilda Hilst.
Poema IV
À sombra do pessegueiro,
aconchegada no meu peito
em silêncio, a solidão
urdia o caminho dos nossos passos
nos mails tímidos, travados
na virtual estrada descoberta
Tomei para mim o teu ardor
de fome de ontens tecida,
tomei toda a febre das tuas dores,
tomei-a em júbilo até o apagar
das tuas cinzas, de nomes esquecidas
Passo a passo ensaiei, cingir
em grilhões a desesperança
e nos dividimos para sermos únicos
Poema V - O Recado
Estarei ausente da tua ceia, mas deixo o pão em beijo transformado,
e mesmo que as minhas bússolas,
navegassem rotas,
encontrariam a sombra do
pessegueiro azul em teu corpo
refletido.
Dos astrolábios tantos
que nos guiaram os passos
de quilhas, conveses e tombadilhos
que nos encheram os sonhos,
estarei na milenar memória das tuas
mãos
na hora de cortares o pão,
e no cálice ausente, de vinhos e
ontens sorvido
Espera-me amor!
abre a janela e me deixa ver refletida
a tua luz.
A estrela que me guia os passos
enlouquecida de sombras,
haverá de reconhecer o teu sinal
e o advento estará em nossas mãos,
... lúdicas mãos,
de amanhãs tecida.
Poema VI
Chove lá fora,
na minha janela
a chuva insiste em dizer
que por um momento,
me exilei de você
Caiu a linha,
lá fora é noite fria
e sem estrelas onde vê-la
Nesse instante
carrego a solidão do mundo
lembro do teu riso
ao dizer-me manco
e lembro do teu pranto
ao incomentar a renda preta
Ainda chove lá fora
pe é estranho... não somos os
dois a sentir o frio.
Poema VII
Tens no seio nu
o segredo das minhas algemas
e do incansável galopar do meu
corcel
na busca embriagada do teu mel,
porque não me basta
a memória escrita do teu rosto,
nem me alcança
as janelas abertas
onde derramamos nossa solidão, e
ainda que por mil anos
galope a crina azul do meu cavalo,
o meu segredo
inatingível em tuas mãos,
escutará somente o arpejo
de correntes,
desandadas em tua busca.
Poema VIII
Porque me sabe a boca
o teu gosto, por dentro e fora
revelado,
em nuvens meus sentidos
se desfaz, enquanto sacralizo o vinho
amanhecido na tua concha pérola
Porque te descobri me deixei ficar
nas tuas ilhas, conquistado,
e me fiz pescador , dos teus silêncios,
dos frêmitos esquecidos
no tremor da carne nua, e
porque me sabe a boca o teu gosto,
te faço um poema com o sabor da lava
escorrida no meu peito.
Sinto o grito do vulcão
em minha língua enternecido,
e o rio desaflito em plena noite derramado
nas correntezas do prazer e da poesia
Me toma, conquistado por querer,
me leva, e me perde no teu canto,
deixe que sepulte o meu inferno
e esqueça a ira dos mares navegados,
renasça em mim o brilho do anjo e do demônio
igualmente opostos na carne da mesma carne,
me faça em carneiro e lã, ou musgo em cama macia,
me deite, me nine, ordene,
me ame, me ame, me ame.
Amor,
porque te consigo imaginar
o gosto da boca,
a força dos braços,
o calor do corpo,
porque te consigo imaginar
a luz do olhar
o pulsar do peito
o faminto desejo
me dou,
em tremor profundo,
ainda que me desmanche
inteira
em seiva, gemidos, sussurros,
me tornando dessa maneira
em alguns versos do nosso
livro ...
Poema II
Em minhas mãos,
entregaste o corpo alvo
e nu ,
de incenso e mirra esquecido,
permitindo tatuar o vale
com a lava do vulcão
amanhecido
juntos, derramados os pudores em
branda taça,
um torpor de vinhos nos cimos
duros, debruçado o grito em tua âncora,
meu espanto findo
Iniciando escrever o livro
transfiro em ti a minha força, vinda
do vermelho das ameixas
roxas,
quando teu corpo sobre o meu
derramado, calar a sede da serpente
hirta.
Na página primeira escrita
à memória do milenar gozo
no alvo corpo a escorrida lava
desmente a aridez da futura estrada.
Poema III
Porque te amo
me divido, e em mim se multiplica
o que antes sem saber
subtraído me havia.
Do cântaro no peito ressecado
renasceu a flor que não morrera,
pois que estava em nós, e não
sabíamos
pois que nos lambera, e não
sentíamos.
O teu rosto desconhecido perpetua a
chama , que no peito ainda ardia.
Porque te amo
louco me derramo, corajoso e vasto
entre as lavas do teu vulcão em
chamas,
e nos teus olhos me revejo
cálice, âmbula, patena e sacrário
inteira catedral de êxtase erguida
Nos teus braços
do cansaço me exilo,
ao longe numa curva do caminho,
vejo
o meu retrato de ontens pendurado,
do riso frouxo que da boca se me
expande,
o silêncio pleno de vidraças que se
abrem.
Em tua boca, gestamos nosso
vinho
no seio túmido, a flor que
embriaga,
em nosso gozo,
um poema de Hilda Hilst.
Poema IV
À sombra do pessegueiro,
aconchegada no meu peito
em silêncio, a solidão
urdia o caminho dos nossos passos
nos mails tímidos, travados
na virtual estrada descoberta
Tomei para mim o teu ardor
de fome de ontens tecida,
tomei toda a febre das tuas dores,
tomei-a em júbilo até o apagar
das tuas cinzas, de nomes esquecidas
Passo a passo ensaiei, cingir
em grilhões a desesperança
e nos dividimos para sermos únicos
Poema V - O Recado
Estarei ausente da tua ceia, mas deixo o pão em beijo transformado,
e mesmo que as minhas bússolas,
navegassem rotas,
encontrariam a sombra do
pessegueiro azul em teu corpo
refletido.
Dos astrolábios tantos
que nos guiaram os passos
de quilhas, conveses e tombadilhos
que nos encheram os sonhos,
estarei na milenar memória das tuas
mãos
na hora de cortares o pão,
e no cálice ausente, de vinhos e
ontens sorvido
Espera-me amor!
abre a janela e me deixa ver refletida
a tua luz.
A estrela que me guia os passos
enlouquecida de sombras,
haverá de reconhecer o teu sinal
e o advento estará em nossas mãos,
... lúdicas mãos,
de amanhãs tecida.
Poema VI
Chove lá fora,
na minha janela
a chuva insiste em dizer
que por um momento,
me exilei de você
Caiu a linha,
lá fora é noite fria
e sem estrelas onde vê-la
Nesse instante
carrego a solidão do mundo
lembro do teu riso
ao dizer-me manco
e lembro do teu pranto
ao incomentar a renda preta
Ainda chove lá fora
pe é estranho... não somos os
dois a sentir o frio.
Poema VII
Tens no seio nu
o segredo das minhas algemas
e do incansável galopar do meu
corcel
na busca embriagada do teu mel,
porque não me basta
a memória escrita do teu rosto,
nem me alcança
as janelas abertas
onde derramamos nossa solidão, e
ainda que por mil anos
galope a crina azul do meu cavalo,
o meu segredo
inatingível em tuas mãos,
escutará somente o arpejo
de correntes,
desandadas em tua busca.
Poema VIII
Porque me sabe a boca
o teu gosto, por dentro e fora
revelado,
em nuvens meus sentidos
se desfaz, enquanto sacralizo o vinho
amanhecido na tua concha pérola
Porque te descobri me deixei ficar
nas tuas ilhas, conquistado,
e me fiz pescador , dos teus silêncios,
dos frêmitos esquecidos
no tremor da carne nua, e
porque me sabe a boca o teu gosto,
te faço um poema com o sabor da lava
escorrida no meu peito.
Sinto o grito do vulcão
em minha língua enternecido,
e o rio desaflito em plena noite derramado
nas correntezas do prazer e da poesia
Me toma, conquistado por querer,
me leva, e me perde no teu canto,
deixe que sepulte o meu inferno
e esqueça a ira dos mares navegados,
renasça em mim o brilho do anjo e do demônio
igualmente opostos na carne da mesma carne,
me faça em carneiro e lã, ou musgo em cama macia,
me deite, me nine, ordene,
me ame, me ame, me ame.
1 075
Sílvia Rocha
Haicai
chuva de verão
transito no trânsito
chora coração
solidão
não te come não te mata
te retrata
transito no trânsito
chora coração
solidão
não te come não te mata
te retrata
1 012
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
Nuvem cor de rosa
Passaste como nuvem cor de rosa
no firmamento azul, em horas mansas.
Da graça, comovida e luminosa,
retrataste a doçura das lembranças.
E conduziste os sonhos meus, formosa,
e acentelha de afeto, em que descansas.
Talvez sejas feliz, ou inditosa,
tu que levaste as minhas esperanças.
Fico-me só. Sozinho, e suave, e triste...
Mas, neste peito, há vibrações sadias
do que foi, e será, e agora existe...
Cardos e flores, com que o ser se junca,
resultam, pela vida, em harmonias,
se o amor, no coração, não morre nunca.
no firmamento azul, em horas mansas.
Da graça, comovida e luminosa,
retrataste a doçura das lembranças.
E conduziste os sonhos meus, formosa,
e acentelha de afeto, em que descansas.
Talvez sejas feliz, ou inditosa,
tu que levaste as minhas esperanças.
Fico-me só. Sozinho, e suave, e triste...
Mas, neste peito, há vibrações sadias
do que foi, e será, e agora existe...
Cardos e flores, com que o ser se junca,
resultam, pela vida, em harmonias,
se o amor, no coração, não morre nunca.
831
Salette Tavares
Aqui Estou
Aqui estou, no encontro dos caminhos
no sítio onde os olhares se dobram de terror...
Quando a minha voz disse não e a vontade e o espelho
havia acordo e sonho e flores para abrir.
Quando as minhas mãos escorriam de ternura
havia liberdade e os meus pés descalços
recortavam em sombra a única lisura.
Que lindo o que eu sonhei, que paz e que mistério
que grande força sem lágrimas no mar. . .
Agora estou dorida, morreram-me os cabelos
nos dedos que pediam caiu uma agonia,
as cordas já cortadas tornaram a me ligar.
Na noite que me seque eu quisera sorver
toda a ausência direta do possuir e do ter,
fugida na floresta escondida na giesta
morder aquela terra fecunda em que me sei.
Sem luta, a navegar, um barco branco e meu
sem timoneiro nem rota marcando-me o destino
singrando sob a lua, bebendo o sol dos dias
tão só e o grande olhar de Deus,
deitado ao pé de mim.
Assim correr, ser livre, criar e ter prazer
aquele só prazer igual ao que já sou
uma lira, um canto, uma harmonia enfim
serena, bela, doce e sem violência louca.
Idade duma rosa colhida na manhã
vibrando no calor as pétalas a abrir
surpresa vegetal da vida que se inflama
com o caule cortado e sem poder sorrir.
Quem livre me deixasse dormir na minha planta
este acordo supremo dos membros do amor,
sem traição, sem corte, e só aquele manso
sorver da terra a seiva para poder florir.
Ai, mar em que me banho e que livre me deixas
miragem do meu ritmo, partida para além
meu doce só saber braços, pernas, seios, beijos,
e toda a maravilha de ser sem mais ninguém.
no sítio onde os olhares se dobram de terror...
Quando a minha voz disse não e a vontade e o espelho
havia acordo e sonho e flores para abrir.
Quando as minhas mãos escorriam de ternura
havia liberdade e os meus pés descalços
recortavam em sombra a única lisura.
Que lindo o que eu sonhei, que paz e que mistério
que grande força sem lágrimas no mar. . .
Agora estou dorida, morreram-me os cabelos
nos dedos que pediam caiu uma agonia,
as cordas já cortadas tornaram a me ligar.
Na noite que me seque eu quisera sorver
toda a ausência direta do possuir e do ter,
fugida na floresta escondida na giesta
morder aquela terra fecunda em que me sei.
Sem luta, a navegar, um barco branco e meu
sem timoneiro nem rota marcando-me o destino
singrando sob a lua, bebendo o sol dos dias
tão só e o grande olhar de Deus,
deitado ao pé de mim.
Assim correr, ser livre, criar e ter prazer
aquele só prazer igual ao que já sou
uma lira, um canto, uma harmonia enfim
serena, bela, doce e sem violência louca.
Idade duma rosa colhida na manhã
vibrando no calor as pétalas a abrir
surpresa vegetal da vida que se inflama
com o caule cortado e sem poder sorrir.
Quem livre me deixasse dormir na minha planta
este acordo supremo dos membros do amor,
sem traição, sem corte, e só aquele manso
sorver da terra a seiva para poder florir.
Ai, mar em que me banho e que livre me deixas
miragem do meu ritmo, partida para além
meu doce só saber braços, pernas, seios, beijos,
e toda a maravilha de ser sem mais ninguém.
1 796
Tereza Cristina Fraga
Querendo
O sol penetra
Traz as pessoas para começar o dia.
As crianças sonolentas
Os adultos quase despertos.
Na copa eståo as Marias
Na porta o Joåo
Nas ruas a solidåo.
Sobre um céu
Dentro da terra
E o mar qual distante de meus olhos
Que eståo perto do cerrado
Tristes
Encabulados.
Procurando uma vontade
Esse tolo desejo
De mato molhado.
De um bicho ao meu lado.
Traz as pessoas para começar o dia.
As crianças sonolentas
Os adultos quase despertos.
Na copa eståo as Marias
Na porta o Joåo
Nas ruas a solidåo.
Sobre um céu
Dentro da terra
E o mar qual distante de meus olhos
Que eståo perto do cerrado
Tristes
Encabulados.
Procurando uma vontade
Esse tolo desejo
De mato molhado.
De um bicho ao meu lado.
840
Scarlett Maciel
Variações
De novo,
Me vem à alma essa fome de palavras
Que não existe em mim.
Essa busca envolvida na tão companheira insônia.
Vazio repleto de ânsia.
Pelo quê?
Mundo?
Vida?
E é sempre o amor que vem de mim.
Por mim,
Pela minha alma.
Não existe outra base.
Acabo de ver Rimbaud.
Todos os escritores deveriam nascer mortos!
Será a felicidade,
Exatamente escondida,
À espera do bote,
Atrás da loucura, insanidade d’alma?
Me vejo em tantas coisas, lugares.
Principalmente palavras e sentimentos alheios.
Dentro de loucura, depressão, tristeza...
Sempre isso.
Não muda.
E é sempre a mesma fome por o desconhecido.
Vontade de falar o que não sinto.
Mostrar e fazer brilhar no coração do mundo
A minha ever confusa pessoa.
Tão cheia de teorias
Que nunca acham o caminho da prática.
E o desespero não vem!
Será você o meu anjo,
que dorme agora?
Essa fúria de pensar...
Mas não me sai nada
E o coração já não agüenta.
Precisa de ar.
O frio lá de fora não me atinge a alma nesse segundo.
Parado no tempo
Sei que não resiste.
É muito!
E com toda esta fome o medo não vem.
Estou só (sem ele)
Pela mesma sentença de sempre.
Carregar a fome das palavras nas costas
E devorá-las sem tomar.
Nem eu vejo.
É ato superior.
Me vem à alma essa fome de palavras
Que não existe em mim.
Essa busca envolvida na tão companheira insônia.
Vazio repleto de ânsia.
Pelo quê?
Mundo?
Vida?
E é sempre o amor que vem de mim.
Por mim,
Pela minha alma.
Não existe outra base.
Acabo de ver Rimbaud.
Todos os escritores deveriam nascer mortos!
Será a felicidade,
Exatamente escondida,
À espera do bote,
Atrás da loucura, insanidade d’alma?
Me vejo em tantas coisas, lugares.
Principalmente palavras e sentimentos alheios.
Dentro de loucura, depressão, tristeza...
Sempre isso.
Não muda.
E é sempre a mesma fome por o desconhecido.
Vontade de falar o que não sinto.
Mostrar e fazer brilhar no coração do mundo
A minha ever confusa pessoa.
Tão cheia de teorias
Que nunca acham o caminho da prática.
E o desespero não vem!
Será você o meu anjo,
que dorme agora?
Essa fúria de pensar...
Mas não me sai nada
E o coração já não agüenta.
Precisa de ar.
O frio lá de fora não me atinge a alma nesse segundo.
Parado no tempo
Sei que não resiste.
É muito!
E com toda esta fome o medo não vem.
Estou só (sem ele)
Pela mesma sentença de sempre.
Carregar a fome das palavras nas costas
E devorá-las sem tomar.
Nem eu vejo.
É ato superior.
832
Rodrigo Carvalho
Sozinho
Que será que surge em mim neste momento?
Que inquietação é essa que é quase uma agonia?
Há alguma coisa que atormenta minha alma,
que neste momento inquieto,
torna-se sombria.
Porque, na solidão desta tarde que parece morrer,
sinto o coração bater,
em fortes pancadas de medo?
Não tenho medo.
Tenho que viver, crer e reerguer,
uma vida que todos pensam nada ser.
Porque pensei em minha mãe, agonizante?
Deveria pensar?
Deveria pensar em uma pessoa que faz parecer
a minha vida errante?
Deveria?
Como a casa é deserta!
E como a tarde é fria!
Surge cada vez mais o tormento. . .
E agora,
nessa hora,
o que permanece em minha alma?
Desesperança. . . Desalento. . . Desânimo. . .
Que me importa agora o passado?
A minha natureza repugna essa volúpia enorme
de fracasso.
E pergunto-me:
Que passado ruinaria só de belezas?
A partir de agora,
eu abomino a estupidez momentânea
e atitudes infâmias,
que fazem denegrir a auto-estima.
Que atos podem vir a destruir um ser?
Que sejam desconhecidos,
que perdure o vil alívio. . .
Que inquietação é essa que é quase uma agonia?
Há alguma coisa que atormenta minha alma,
que neste momento inquieto,
torna-se sombria.
Porque, na solidão desta tarde que parece morrer,
sinto o coração bater,
em fortes pancadas de medo?
Não tenho medo.
Tenho que viver, crer e reerguer,
uma vida que todos pensam nada ser.
Porque pensei em minha mãe, agonizante?
Deveria pensar?
Deveria pensar em uma pessoa que faz parecer
a minha vida errante?
Deveria?
Como a casa é deserta!
E como a tarde é fria!
Surge cada vez mais o tormento. . .
E agora,
nessa hora,
o que permanece em minha alma?
Desesperança. . . Desalento. . . Desânimo. . .
Que me importa agora o passado?
A minha natureza repugna essa volúpia enorme
de fracasso.
E pergunto-me:
Que passado ruinaria só de belezas?
A partir de agora,
eu abomino a estupidez momentânea
e atitudes infâmias,
que fazem denegrir a auto-estima.
Que atos podem vir a destruir um ser?
Que sejam desconhecidos,
que perdure o vil alívio. . .
747
Rodrigo Carvalho
Pensamentos
Pensei em tirar-me a vida.
Tirar-me a vida podre,
inútil,
inválida.
Não reconhecida.
Apenas desejo não mais existir.
Não ter mais a lembrança dos momentos.
não sentir mais o peso de minhas lágrimas,
ferindo o meu rosto.
Não ser mais o culpado por tudo que aconteça.
Não quero mais a calma das manhãs de sol,
não quero mais o frescor das longas tardes,
nem mesmo a solidão angustiante e companheira
de todas as noites.
Não quero mais a minha simbólica presença.
Abstrata.
Quero contemplar a morte,
e o alívio — de todos —
da minha ausência permanente.
Tirar-me a vida podre,
inútil,
inválida.
Não reconhecida.
Apenas desejo não mais existir.
Não ter mais a lembrança dos momentos.
não sentir mais o peso de minhas lágrimas,
ferindo o meu rosto.
Não ser mais o culpado por tudo que aconteça.
Não quero mais a calma das manhãs de sol,
não quero mais o frescor das longas tardes,
nem mesmo a solidão angustiante e companheira
de todas as noites.
Não quero mais a minha simbólica presença.
Abstrata.
Quero contemplar a morte,
e o alívio — de todos —
da minha ausência permanente.
830
Rodrigo Carvalho
Súbito
Hoje,
foi um dos poucos dias em que me senti feliz.
E, de súbito,
veio-me uma vontade de abraçar o mundo.
Mas, já viram,
não posso.
Estou preso, em janelas.
E dentro de mim.
foi um dos poucos dias em que me senti feliz.
E, de súbito,
veio-me uma vontade de abraçar o mundo.
Mas, já viram,
não posso.
Estou preso, em janelas.
E dentro de mim.
871
Cezário de Sousa
Continente Brasília
gente de toda parte
arte parte arte parte arte
status estata!
povoação enigmação, _
vazio normal buracultural
diz para mim
enfim, qual teu mal?
Gente de toda arte
quem há derrado afinal?
Onde esteve teu futuro
esse todo tempo
teu fu turo teu futuro teu
tu és boi e computador
qualquer coisa assim
olha aesse cerrado será nosso
será cerrado será cerrado será
que fizeram das lembranças
das mortes da tua infância?
no des-contar da tua glória
ó cidade bela
fizeram jorrar sangue
teu solo foi manchado
continente brazilha
gente de toda mente
a seta da arte incerta te alvejará
pra espalhar flores em forma de trigo
teus hômi é teus próprio inimigo
e a seta da arte incerta não parte
teu lago afundará
vai ser até bão de pescar
mas tuelitelitista num vai tão cedo acabar
vumbora vumbora povo!
(palavra de novo mal dita)
na garganta da gravata
teúnico jota cá paz de ser gente
foi-se in-esperado
teus solitários lares decentes
teu dom bosco poliético visionário
teus vários bonitos espaços vazios
onde nos levaremos?
brazileira
filha
tu és brazileira
menina menina menina
cabeça de menina ·
corpo de cheiro de ânsia
continentalmentilha
corcheirosa de cabelos amanteigados
mão te queira
mantequilla
mãe e filha
mar à vila do sossego
desapego
tu és o concreto da arquijuntura
tu futuras
pelos passos dos teus filhos ilhos
para que quem porque foste criada
hoje agora em tédio nadas
pré destinada a ser fada
místico interpretada
lança jogada no centro
vento passaporte muldireções
oeste pé na estrada
abra
berre
erre
ria
tenha
uma
rota
agora
?
Ilha maravilhosamente certa
reta cabeça da nação
decisão precisão ver se dão lassidaão
perfidocraticamente sem coração
teus satélites querem tua luz planoalto
não brilharias tu alguma vez
não terias asas na inspiração?
Onde estaria escondida a vontade do nosso peito
nas asas na cabeça ou no coração do avião?
Gente de toda ilha
sente de toda falta
mente de toda farda
pente de todo flerte
rente de todo porte
tente de toda sorte
gente de todo mistério-vida
cidade jovem de toda parte
encontro de tempos de antes antigos
ainda destinos incertos em Volta do sonho
eorrem atrás do copo da noite
ou escutam o tédio ou vêem a ilusão
ou lêem a falta de imaginação
foi dada a largada
os cavalos estão na frente
e os funcionários montados no medo se borram
detrás da felicidade da mesa
a dor do muro na pichação:
"Ilha e Solidão"
gente de todo porte
porta que vem e que volta
as quadras nasceram enquadradas na LSN
aqui não se comete um grande crime
e todos somos funcionários do SN I
ó felizes meninos que aqui surgirão
pra repetir a cadeira gravata dos pais pais
repetir a dor repetir a dor repetir?
ai` meninas daqui
a prosseguir o passado se submeter
ao másculo caduco poder?
meninas que hão de dançar
hão de dançar dançarão
(o corpo das tuas meninas são só bailarinas?)
quem fará o que quem fará aqui lo quem faremos como
o garoto agora engraçado
filho satélite da quadra do lago
fadado a ser forte conforme o destino
ou dono de si o teimoso menino?
a arte solta salta da rua rua não existe
artista sente por não ser a praça contente
a tua reviração se faremos
quem dera que a gente quisesse
teu profetismo nos encantaremos
pra viver real idade nossa dia~a-dia
toda morte se daria em holocausto
o fausto dos teus ricos se extinguiria
o farto prato então se dividiria
e tanto pranto alegre que a vida choraria
se um dia fosse verdade
sa ída de nossas mãos
é bom gonhar e ver voar teu avião
tem olhos de fora olhando pra gente tem
a tal bastilha atual é forte meu bem
guardada por 49 chaves do além
roma honra amor remo loba rômulo êmulo
hermano hermanito m ío
dónde está nuestra amistad
dónde nuestro proyecto por la libertad
a mil milhas de altura está brazilha
continente filho da filha da quimera
esperam inferno e Verão primavera
a fé no futuro é besteira
sem o eterno-presente na mochila
as lutas a paz hão de vingar
reconhecer os que fazem fizeram a história com H
as mães de brasará
proliferação da vrida
terão mãos hão de ter mãos terá
serão mais onde ir-mãos será
virão filhos que hão de virar
essa terra criança velha
em semente do sempre novo fogo povo a penetrar
arte parte arte parte arte
status estata!
povoação enigmação, _
vazio normal buracultural
diz para mim
enfim, qual teu mal?
Gente de toda arte
quem há derrado afinal?
Onde esteve teu futuro
esse todo tempo
teu fu turo teu futuro teu
tu és boi e computador
qualquer coisa assim
olha aesse cerrado será nosso
será cerrado será cerrado será
que fizeram das lembranças
das mortes da tua infância?
no des-contar da tua glória
ó cidade bela
fizeram jorrar sangue
teu solo foi manchado
continente brazilha
gente de toda mente
a seta da arte incerta te alvejará
pra espalhar flores em forma de trigo
teus hômi é teus próprio inimigo
e a seta da arte incerta não parte
teu lago afundará
vai ser até bão de pescar
mas tuelitelitista num vai tão cedo acabar
vumbora vumbora povo!
(palavra de novo mal dita)
na garganta da gravata
teúnico jota cá paz de ser gente
foi-se in-esperado
teus solitários lares decentes
teu dom bosco poliético visionário
teus vários bonitos espaços vazios
onde nos levaremos?
brazileira
filha
tu és brazileira
menina menina menina
cabeça de menina ·
corpo de cheiro de ânsia
continentalmentilha
corcheirosa de cabelos amanteigados
mão te queira
mantequilla
mãe e filha
mar à vila do sossego
desapego
tu és o concreto da arquijuntura
tu futuras
pelos passos dos teus filhos ilhos
para que quem porque foste criada
hoje agora em tédio nadas
pré destinada a ser fada
místico interpretada
lança jogada no centro
vento passaporte muldireções
oeste pé na estrada
abra
berre
erre
ria
tenha
uma
rota
agora
?
Ilha maravilhosamente certa
reta cabeça da nação
decisão precisão ver se dão lassidaão
perfidocraticamente sem coração
teus satélites querem tua luz planoalto
não brilharias tu alguma vez
não terias asas na inspiração?
Onde estaria escondida a vontade do nosso peito
nas asas na cabeça ou no coração do avião?
Gente de toda ilha
sente de toda falta
mente de toda farda
pente de todo flerte
rente de todo porte
tente de toda sorte
gente de todo mistério-vida
cidade jovem de toda parte
encontro de tempos de antes antigos
ainda destinos incertos em Volta do sonho
eorrem atrás do copo da noite
ou escutam o tédio ou vêem a ilusão
ou lêem a falta de imaginação
foi dada a largada
os cavalos estão na frente
e os funcionários montados no medo se borram
detrás da felicidade da mesa
a dor do muro na pichação:
"Ilha e Solidão"
gente de todo porte
porta que vem e que volta
as quadras nasceram enquadradas na LSN
aqui não se comete um grande crime
e todos somos funcionários do SN I
ó felizes meninos que aqui surgirão
pra repetir a cadeira gravata dos pais pais
repetir a dor repetir a dor repetir?
ai` meninas daqui
a prosseguir o passado se submeter
ao másculo caduco poder?
meninas que hão de dançar
hão de dançar dançarão
(o corpo das tuas meninas são só bailarinas?)
quem fará o que quem fará aqui lo quem faremos como
o garoto agora engraçado
filho satélite da quadra do lago
fadado a ser forte conforme o destino
ou dono de si o teimoso menino?
a arte solta salta da rua rua não existe
artista sente por não ser a praça contente
a tua reviração se faremos
quem dera que a gente quisesse
teu profetismo nos encantaremos
pra viver real idade nossa dia~a-dia
toda morte se daria em holocausto
o fausto dos teus ricos se extinguiria
o farto prato então se dividiria
e tanto pranto alegre que a vida choraria
se um dia fosse verdade
sa ída de nossas mãos
é bom gonhar e ver voar teu avião
tem olhos de fora olhando pra gente tem
a tal bastilha atual é forte meu bem
guardada por 49 chaves do além
roma honra amor remo loba rômulo êmulo
hermano hermanito m ío
dónde está nuestra amistad
dónde nuestro proyecto por la libertad
a mil milhas de altura está brazilha
continente filho da filha da quimera
esperam inferno e Verão primavera
a fé no futuro é besteira
sem o eterno-presente na mochila
as lutas a paz hão de vingar
reconhecer os que fazem fizeram a história com H
as mães de brasará
proliferação da vrida
terão mãos hão de ter mãos terá
serão mais onde ir-mãos será
virão filhos que hão de virar
essa terra criança velha
em semente do sempre novo fogo povo a penetrar
855
Sidney Frattini
A Pessoa - Carta
Ah, meu bom Fernando.
Tua linha reta é um prolongamento de vidas.
Vidas como esta, olha,
atitude de tua expressão,
ridículo igual,
vil igual,
titubeante igual,
e verificas que tens, sim, par neste mundo,
modéstia à parte - nós,
que te encontro, agora, surpreso,
não um semideus, mas um Homem,
um(a) Pessoa, pessoal, gente;
gente, arre, enfim.
Pois é.
Não há mais discípulos: só mestres;
e não mais aprendizados: só ensinamentos,
e só droites, não gauches,
que estes são exceções,
últimos companheiros, sobrantes,
vis benditos que fazem nossa (relativa) paz,
porque não nos abandonam à
solidão do ridículo,
da mesquinhez,
da vileza,
das pequenas coisas que se fazem grandes,
da condição de súditos de uma população de príncipes,
da comicidade triste e só,
de quixotes,
de lúcidos, enfim. Lúcidos, Fernando.
Os lúcidos são os sós, bens sabes.
Tua linha reta é um prolongamento de vidas.
Vidas como esta, olha,
atitude de tua expressão,
ridículo igual,
vil igual,
titubeante igual,
e verificas que tens, sim, par neste mundo,
modéstia à parte - nós,
que te encontro, agora, surpreso,
não um semideus, mas um Homem,
um(a) Pessoa, pessoal, gente;
gente, arre, enfim.
Pois é.
Não há mais discípulos: só mestres;
e não mais aprendizados: só ensinamentos,
e só droites, não gauches,
que estes são exceções,
últimos companheiros, sobrantes,
vis benditos que fazem nossa (relativa) paz,
porque não nos abandonam à
solidão do ridículo,
da mesquinhez,
da vileza,
das pequenas coisas que se fazem grandes,
da condição de súditos de uma população de príncipes,
da comicidade triste e só,
de quixotes,
de lúcidos, enfim. Lúcidos, Fernando.
Os lúcidos são os sós, bens sabes.
767
Rodrigo Carvalho
Libertação
É. . .
Dizem por aí que nasci para viver sozinho.
Eternamente sozinho.
Que importa? O que importa é viver!
Tenho pressa de viver! Viver no meu mundo!
Estou farto da vida estupidamente cotidiana!
Não quero mais saber de regras insuportáveis!
Eu insulto as pessoas-máquinas! Sempiternamente cautelosas!
Que importam as regras, as infâmias?
Que importam?
Recuso-me a aceitar o absurdo daqueles que acreditam
na impossibilidade de crer que viver,
é só isso aí. . .
Queimem de raiva contra mim os que acreditam no sistema!
Morram de dor as atitudes impostas!
Destilem seus venenos,
que eu beberei. . .
Tenho nervos de aço, onde não corre sangue nas veias,
ou mesmo no coração.
No meu coração correm vastas emoções,
e o fluxo de pensamentos.
Se tens as regras, cumpra-as!
Se tens a subordinação, humilhe-se!
Se tens tudo, fazes!
Eu, tenho a minha loucura!
Porque, vocês que dizem possuir o direito,
acham que podem ignorar tudo aquilo que sinto em meu peito?
Ah! Que ninguém me defina!
Que ninguém me questione!
Eu, que não vivo sem a minha loucura,
não me questiono!
Eu faço!
Vocês, miseráveis e desprezíveis,
só vão ter o respeito que querem,
no dia em que souberem — e quiserem ! —
respeitar a minha vontade.
Se não for assim. . .
Unam-se todos contra mim!
Alimentem-se do meu ódio!
Mas, não aliem-se ao inimigo. . .
Costumo andar sozinho. Não acompanho ninguém.
Prefiro seguir aos lamentos, machucar-me, arrastar-me,
a seguir todas estas regras insuportáveis.
Mas, viver!
A dor é uma coisa real, sim, mas que estou
aprendendo a abraçar.
E assim vou vivendo. . .
Sozinho. . .
Dizem por aí que nasci para viver sozinho.
Eternamente sozinho.
Que importa? O que importa é viver!
Tenho pressa de viver! Viver no meu mundo!
Estou farto da vida estupidamente cotidiana!
Não quero mais saber de regras insuportáveis!
Eu insulto as pessoas-máquinas! Sempiternamente cautelosas!
Que importam as regras, as infâmias?
Que importam?
Recuso-me a aceitar o absurdo daqueles que acreditam
na impossibilidade de crer que viver,
é só isso aí. . .
Queimem de raiva contra mim os que acreditam no sistema!
Morram de dor as atitudes impostas!
Destilem seus venenos,
que eu beberei. . .
Tenho nervos de aço, onde não corre sangue nas veias,
ou mesmo no coração.
No meu coração correm vastas emoções,
e o fluxo de pensamentos.
Se tens as regras, cumpra-as!
Se tens a subordinação, humilhe-se!
Se tens tudo, fazes!
Eu, tenho a minha loucura!
Porque, vocês que dizem possuir o direito,
acham que podem ignorar tudo aquilo que sinto em meu peito?
Ah! Que ninguém me defina!
Que ninguém me questione!
Eu, que não vivo sem a minha loucura,
não me questiono!
Eu faço!
Vocês, miseráveis e desprezíveis,
só vão ter o respeito que querem,
no dia em que souberem — e quiserem ! —
respeitar a minha vontade.
Se não for assim. . .
Unam-se todos contra mim!
Alimentem-se do meu ódio!
Mas, não aliem-se ao inimigo. . .
Costumo andar sozinho. Não acompanho ninguém.
Prefiro seguir aos lamentos, machucar-me, arrastar-me,
a seguir todas estas regras insuportáveis.
Mas, viver!
A dor é uma coisa real, sim, mas que estou
aprendendo a abraçar.
E assim vou vivendo. . .
Sozinho. . .
871
Rodrigo Carvalho
Madrugada
Sinto-me só.
Sinto-me triste.
Vazio.
Mais triste e vazio que uma vida
triste e vazia.
Queria pelo menos um afago,
um toque,
mãos, braços,
mesmo que desconhecidos,
fingindo abraços.
Queria ao menos uma palavra,
mesmo que fosse vã,
balbuciada,
falsa.
Resta-me a madrugada.
Somente a inebriante escuridão da madrugada.
Faço dela minha companhia,
fuga do pobre poeta amargurado,
esconderijo de camufladas inspirações.
Salvador, 07 de novembro de 1996
Sinto-me triste.
Vazio.
Mais triste e vazio que uma vida
triste e vazia.
Queria pelo menos um afago,
um toque,
mãos, braços,
mesmo que desconhecidos,
fingindo abraços.
Queria ao menos uma palavra,
mesmo que fosse vã,
balbuciada,
falsa.
Resta-me a madrugada.
Somente a inebriante escuridão da madrugada.
Faço dela minha companhia,
fuga do pobre poeta amargurado,
esconderijo de camufladas inspirações.
Salvador, 07 de novembro de 1996
885
Rodrigo Carvalho
Lira
Há uma dúvida que,
há tempos me corrói. . .
O que se passa pela cabeça das pessoas que,
por pura mediocridade,
tentam, em esforços vãos,
mudar a personalidade alheia?
Hoje,
sinto muito por essa mediocridade.
Profundamente atordoado,
este ambiente, agora, causa-me repugnância.
Além de todas as pessoas que me cobram outras personalidades,
como se não me faltasse mais ninguém,
agora, vem-me um tio,
com cismas insanas,
a aborrecer-me.
Um tio!
"Senhor Universal da Razão";
"Rei do Absoluto".
Estas são suas denominações. Auto-denominações.
Que maçada. . .
Vive no obsoleto. . .
Falas de razão,
e eu?
Eu, ouço tudo, e calo.
A razão que pensa ter,
é uma mentira!
E é por isso que na minha lira,
de assuntos fúteis, poucas vezes falo.
Mas, a passagem dos tempos, por vezes assombra-me.
E aprofundado em meus pensamentos,
ponho-me a questionar-me:
A razão. E essa "razão", quando irei por fim segui-la?
NUNCA!!
Nunca, ouviram?!!
De razões cotidianas,
todos estão cheios.
Cheios de nada.
Eu, para vocês miseráveis, posso também ser nada,
mas, ao erguer-me no meu pedestal,
olho-os de cima. Silencioso. . .
E questiono-me novamente:
Quem sou? Para onde vou?
Quem sou? Sei quem sou, e isto já basta;
Para onde vou? Não sei onde estou indo,
nem onde vou chegar,
mas sei que estou no meu caminho, que por si só,
emana uma rutilância análoga à minha vida.
Vida humilde, nesta louca hierarquia.
Vivo com a minha loucura,
mas, a partilhar desta loucura, desta razão,
prefiro apodrecer sozinho,
no silêncio da minha pequenez. . .
há tempos me corrói. . .
O que se passa pela cabeça das pessoas que,
por pura mediocridade,
tentam, em esforços vãos,
mudar a personalidade alheia?
Hoje,
sinto muito por essa mediocridade.
Profundamente atordoado,
este ambiente, agora, causa-me repugnância.
Além de todas as pessoas que me cobram outras personalidades,
como se não me faltasse mais ninguém,
agora, vem-me um tio,
com cismas insanas,
a aborrecer-me.
Um tio!
"Senhor Universal da Razão";
"Rei do Absoluto".
Estas são suas denominações. Auto-denominações.
Que maçada. . .
Vive no obsoleto. . .
Falas de razão,
e eu?
Eu, ouço tudo, e calo.
A razão que pensa ter,
é uma mentira!
E é por isso que na minha lira,
de assuntos fúteis, poucas vezes falo.
Mas, a passagem dos tempos, por vezes assombra-me.
E aprofundado em meus pensamentos,
ponho-me a questionar-me:
A razão. E essa "razão", quando irei por fim segui-la?
NUNCA!!
Nunca, ouviram?!!
De razões cotidianas,
todos estão cheios.
Cheios de nada.
Eu, para vocês miseráveis, posso também ser nada,
mas, ao erguer-me no meu pedestal,
olho-os de cima. Silencioso. . .
E questiono-me novamente:
Quem sou? Para onde vou?
Quem sou? Sei quem sou, e isto já basta;
Para onde vou? Não sei onde estou indo,
nem onde vou chegar,
mas sei que estou no meu caminho, que por si só,
emana uma rutilância análoga à minha vida.
Vida humilde, nesta louca hierarquia.
Vivo com a minha loucura,
mas, a partilhar desta loucura, desta razão,
prefiro apodrecer sozinho,
no silêncio da minha pequenez. . .
732
Renato Russo
Mil Pedaços
Eu não perdi
E mesmo assim você me abandonou
Você quis partir
E agora estou sozinho
Mas vou me acostumar
Com o silêncio em casa
om um prato só na mesa
Eu não me perdi
O Sândalo perfuma
O machado que feriu
Adeus adeus
Adeus meu grande amor
E tanto faz
De tudo o que ficou
Guardo um retrato teu
E a saudade mais bonita
Eu não me perdi
E mesmo assim ninguém te perdoou
Pobre coração - quando o teu
Estava comigo era tão bom.
Não sei por quê
Acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser:
Vou fugir dessa dor.
Meu amor, se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços.
E mesmo assim você me abandonou
Você quis partir
E agora estou sozinho
Mas vou me acostumar
Com o silêncio em casa
om um prato só na mesa
Eu não me perdi
O Sândalo perfuma
O machado que feriu
Adeus adeus
Adeus meu grande amor
E tanto faz
De tudo o que ficou
Guardo um retrato teu
E a saudade mais bonita
Eu não me perdi
E mesmo assim ninguém te perdoou
Pobre coração - quando o teu
Estava comigo era tão bom.
Não sei por quê
Acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser:
Vou fugir dessa dor.
Meu amor, se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços.
1 583
Saulo Mendonça
Poema Diante de Augusto dos Anjos
Explodem visceras de ferro e força
no corpo magro, parado e surdo
à sombra de sua dramática solidão.
Abro infinitamente o compacto bronze
com meus olhos nus e serenados
olhando o mistério triste e amargo
no vertical denso que o guarda.
Na fisionomia inflexível
sua onipresença se estende
o mecanismo da fala muda
canta no imóvel magicamente.
E no cérebro duro de férreas substâncias
sua individualidade retorna.
O hermetismo de estanho e bronze
se plasma na poesia eterna que balbucia.
Absorvo o peito tremido de Augusto
fitando sua dor exclamativa.
Rasgam-se vôos doloridos
de sua fala quieta e explosiva.
A imagem sórdida da morte se sucumbe
e eu o vejo falar, ainda vivo
no seu íntimo silêncio de bronze.
no corpo magro, parado e surdo
à sombra de sua dramática solidão.
Abro infinitamente o compacto bronze
com meus olhos nus e serenados
olhando o mistério triste e amargo
no vertical denso que o guarda.
Na fisionomia inflexível
sua onipresença se estende
o mecanismo da fala muda
canta no imóvel magicamente.
E no cérebro duro de férreas substâncias
sua individualidade retorna.
O hermetismo de estanho e bronze
se plasma na poesia eterna que balbucia.
Absorvo o peito tremido de Augusto
fitando sua dor exclamativa.
Rasgam-se vôos doloridos
de sua fala quieta e explosiva.
A imagem sórdida da morte se sucumbe
e eu o vejo falar, ainda vivo
no seu íntimo silêncio de bronze.
1 101
Ruy Pereira e Alvim
Cada esperança é uma estrela
Com um gesto
ou um risco
muda a geografia
muda o leito do rio
e o destino é cisco
que flutua
nas águas represadas.
Não grito nem resisto.
Minha voz cansada
flutua no ar,
abafada
pela multidão
solidária
que me devolve a solidão
das noites sem destino.
No meu universo de exilados
cada esperança é uma estrela
solitária
que precede os três Reis Magos.
ou um risco
muda a geografia
muda o leito do rio
e o destino é cisco
que flutua
nas águas represadas.
Não grito nem resisto.
Minha voz cansada
flutua no ar,
abafada
pela multidão
solidária
que me devolve a solidão
das noites sem destino.
No meu universo de exilados
cada esperança é uma estrela
solitária
que precede os três Reis Magos.
895
Ruy Pereira e Alvim
Sou Náufrago Solitário
Não vejo,
não ouço,
não sinto.
Sou cálice de absinto
bebido no meu naufrágio...
Horas para sonhar
tempo sem dimensão...
Não vejo,
não ouço,
não sinto.
E com certeza não minto
ao cantar minha evasão!...
Sou náufrago solitário
na ilha da solidão...
não ouço,
não sinto.
Sou cálice de absinto
bebido no meu naufrágio...
Horas para sonhar
tempo sem dimensão...
Não vejo,
não ouço,
não sinto.
E com certeza não minto
ao cantar minha evasão!...
Sou náufrago solitário
na ilha da solidão...
799
Sá Júnior
Bar Público
Os rumos desses sons
lampejam sonoras tempestades em mim.
Aqui neste canto de bar,
teço minha líquida esperança.
Ao término do milésimo chope,
o amor e outras sensações naturais
tornam-se fuscos e distantes.
A música (eu sinto) sai lá de dentro dos olhos,
dos dedos, da emoção do cantor.
Bebo vagarosamente toda a ilusão
diluída no leve álcool do chope.
As luzes galvanizam meu último sopro
de pessoa intacta e lúcida.
A música devora a timidez do cantor.
O álcool dissimula a minha.
As pessoas presentes e tão distantes
fazem coro com meu choro e riso.
A quase-embriaguez já me controla:
levanto exasperadamente a voz
e não mais sequer controlo
a inútil pantomima dos gestos...
Os rumos desses sons
sugerem coisas que minha parca lucidez
não logrará encontrar em esquina alguma.
Aqui neste canto de bar
o líquido veloz do chope
projeta um filme sem fim...
lampejam sonoras tempestades em mim.
Aqui neste canto de bar,
teço minha líquida esperança.
Ao término do milésimo chope,
o amor e outras sensações naturais
tornam-se fuscos e distantes.
A música (eu sinto) sai lá de dentro dos olhos,
dos dedos, da emoção do cantor.
Bebo vagarosamente toda a ilusão
diluída no leve álcool do chope.
As luzes galvanizam meu último sopro
de pessoa intacta e lúcida.
A música devora a timidez do cantor.
O álcool dissimula a minha.
As pessoas presentes e tão distantes
fazem coro com meu choro e riso.
A quase-embriaguez já me controla:
levanto exasperadamente a voz
e não mais sequer controlo
a inútil pantomima dos gestos...
Os rumos desses sons
sugerem coisas que minha parca lucidez
não logrará encontrar em esquina alguma.
Aqui neste canto de bar
o líquido veloz do chope
projeta um filme sem fim...
968
Ruy Pereira e Alvim
Novíssimas Catacumbas
No fundo da vida
há vida diferente.
Há gente que sente
carência de amor.
Há gente que mente
para não se humilhar.
Há gente perdida
para não se encontrar.
Há gente que pede
para ser esquecida.
Há gente em silêncio
por ser oprimida.
Há gente que sofre
por ser esquecida.
Há gente sem nome
há gente escondida.
No fundo da vida
há vida ... também!...
há vida diferente.
Há gente que sente
carência de amor.
Há gente que mente
para não se humilhar.
Há gente perdida
para não se encontrar.
Há gente que pede
para ser esquecida.
Há gente em silêncio
por ser oprimida.
Há gente que sofre
por ser esquecida.
Há gente sem nome
há gente escondida.
No fundo da vida
há vida ... também!...
640
Ruy Pereira e Alvim
Manifesto 3 - Contra o Número
Qualquer lugar
é destino
para quem não quer ficar.
Eu vou
porque estou cansado de esperar
nesta indiferença.
Alquimia de esperança
que vem da fé
que me conforma
e que adoça e amansa
a alma do guerreiro
dividida
entre a renúncia e a lança!...
Vou, porque não suporto
o hálito podre que exala
do respirar colectivo da Cidade
e do sonho frustrado
que a embala.
Vou, porque tudo é vulgaridade.
Vou, porque se eu protestar
será contra a Humanidade.
E ela é número
e ela é erro
em quantidade...
Ela é maioria
ela é a "Cidade"!...
em sua soberana fantasia.
E eu não suporto o desterro
de ser vivo em minoria...
Eu vou porque não quero ser número
à esquerda ou à direita
deste silencioso túmulo
colectivo, uniforme, inseguro.
De ferro frio, como o aço
da lança que eu não uso...
é destino
para quem não quer ficar.
Eu vou
porque estou cansado de esperar
nesta indiferença.
Alquimia de esperança
que vem da fé
que me conforma
e que adoça e amansa
a alma do guerreiro
dividida
entre a renúncia e a lança!...
Vou, porque não suporto
o hálito podre que exala
do respirar colectivo da Cidade
e do sonho frustrado
que a embala.
Vou, porque tudo é vulgaridade.
Vou, porque se eu protestar
será contra a Humanidade.
E ela é número
e ela é erro
em quantidade...
Ela é maioria
ela é a "Cidade"!...
em sua soberana fantasia.
E eu não suporto o desterro
de ser vivo em minoria...
Eu vou porque não quero ser número
à esquerda ou à direita
deste silencioso túmulo
colectivo, uniforme, inseguro.
De ferro frio, como o aço
da lança que eu não uso...
936
Renato Russo
Eu era um lobisomem juvenil
Luz e sentido e palavra -
Palavra é o que o coração não pensa
Ontem faltou água
Anteontem faltou luz
Teve torcida gritando quando a luz voltou
Não falo como você fala
Mas vejo bem o que você me diz
Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo
Prefiro acreditar no mundo do meu jeito
E você estava esperando voar
Mas como chegar até as nuvens com os pés no chão ?
O que sinto muitas vezes faz sentido
E outras vezes não descubro o motivo
Que me explica porque é que não consigo
Ver sentido no que sinto, o que procuro
O que desejo e o que faz parte do meu mundo
O arco-íris tem sete cores
E fui juiz supremo
Vai, vem embora e volta:
Todos têm
Todos têm suas próprias razões
Qual foi a semente que você plantou ?
Tudo acontece ao mesmo tempo
Nem eu mesmo sei direito
O que está acontecendo
E daí, de hoje em diante,
Todo dia vai ser o dia mais importante
Se você quiser alguém prá ser só seu
É só não se esquecer: estarei aqui
Não digo nada, espero o vendaval passar
Por enquanto eu não sei - o que você me falou
Me fez rir e pensar
Por que estou preocupado por estar tão preocupado assim ?
Mesmo se eu cantasse todas as canções
Todas as canções
Todas as canções
Todas as canções do mundo
Sou bicho do mato mas,
Se você quiser alguém prá ser só seu
É só não se esquecer: estarei aqui
Ou então não terás jamais a chave do meu coração
Palavra é o que o coração não pensa
Ontem faltou água
Anteontem faltou luz
Teve torcida gritando quando a luz voltou
Não falo como você fala
Mas vejo bem o que você me diz
Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo
Prefiro acreditar no mundo do meu jeito
E você estava esperando voar
Mas como chegar até as nuvens com os pés no chão ?
O que sinto muitas vezes faz sentido
E outras vezes não descubro o motivo
Que me explica porque é que não consigo
Ver sentido no que sinto, o que procuro
O que desejo e o que faz parte do meu mundo
O arco-íris tem sete cores
E fui juiz supremo
Vai, vem embora e volta:
Todos têm
Todos têm suas próprias razões
Qual foi a semente que você plantou ?
Tudo acontece ao mesmo tempo
Nem eu mesmo sei direito
O que está acontecendo
E daí, de hoje em diante,
Todo dia vai ser o dia mais importante
Se você quiser alguém prá ser só seu
É só não se esquecer: estarei aqui
Não digo nada, espero o vendaval passar
Por enquanto eu não sei - o que você me falou
Me fez rir e pensar
Por que estou preocupado por estar tão preocupado assim ?
Mesmo se eu cantasse todas as canções
Todas as canções
Todas as canções
Todas as canções do mundo
Sou bicho do mato mas,
Se você quiser alguém prá ser só seu
É só não se esquecer: estarei aqui
Ou então não terás jamais a chave do meu coração
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