Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Olga Savary
Água Água
Menina sublunar, afogada,
que voz de prata te embala
toda desfolhada?
Tendo como um só adorno
o anel de seus vestidos,
ela própria é quem se encanta
numa canção de acalanto
presa ainda na garganta.
que voz de prata te embala
toda desfolhada?
Tendo como um só adorno
o anel de seus vestidos,
ela própria é quem se encanta
numa canção de acalanto
presa ainda na garganta.
1 943
2
Mercedes Blasco
Amar Por Amar
Não quis nunca saber se aquele que eu amava
era sincero ou não, se era nobre ou plebeu.
Amava-o porque sim, e se não me adorava
e sabia fingi-lo, que mais queria eu?
Era a dita suprema de julgar-me querida,
fazer-me pequenina junto a um peito forte
que me cingisse a si, quase a tirar-me a vida
e, se eu morresse assim, bendita fosse a morte.
Nunca busquei sondar o recanto das almas,
onde o cachoar, almas tranquilas, calmas,
o mesmo rumo levam e vão dar ao mar.
Bendito ou falso, tem o beijo igual sabor,
meu peito nunca amou em troca doutro amor.
Unicamente amei… pelo prazer de amar!
era sincero ou não, se era nobre ou plebeu.
Amava-o porque sim, e se não me adorava
e sabia fingi-lo, que mais queria eu?
Era a dita suprema de julgar-me querida,
fazer-me pequenina junto a um peito forte
que me cingisse a si, quase a tirar-me a vida
e, se eu morresse assim, bendita fosse a morte.
Nunca busquei sondar o recanto das almas,
onde o cachoar, almas tranquilas, calmas,
o mesmo rumo levam e vão dar ao mar.
Bendito ou falso, tem o beijo igual sabor,
meu peito nunca amou em troca doutro amor.
Unicamente amei… pelo prazer de amar!
992
2
Mercedes Blasco
Amar Por Amar
Não quis nunca saber se aquele que eu amava
era sincero ou não, se era nobre ou plebeu.
Amava-o porque sim, e se não me adorava
e sabia fingi-lo, que mais queria eu?
Era a dita suprema de julgar-me querida,
fazer-me pequenina junto a um peito forte
que me cingisse a si, quase a tirar-me a vida
e, se eu morresse assim, bendita fosse a morte.
Nunca busquei sondar o recanto das almas,
onde o cachoar, almas tranquilas, calmas,
o mesmo rumo levam e vão dar ao mar.
Bendito ou falso, tem o beijo igual sabor,
meu peito nunca amou em troca doutro amor.
Unicamente amei… pelo prazer de amar!
era sincero ou não, se era nobre ou plebeu.
Amava-o porque sim, e se não me adorava
e sabia fingi-lo, que mais queria eu?
Era a dita suprema de julgar-me querida,
fazer-me pequenina junto a um peito forte
que me cingisse a si, quase a tirar-me a vida
e, se eu morresse assim, bendita fosse a morte.
Nunca busquei sondar o recanto das almas,
onde o cachoar, almas tranquilas, calmas,
o mesmo rumo levam e vão dar ao mar.
Bendito ou falso, tem o beijo igual sabor,
meu peito nunca amou em troca doutro amor.
Unicamente amei… pelo prazer de amar!
992
2
Sérgio Milliet
A Dama Ausente
Brilhará a lua que não vejo
nas montanhas de minha terra?
Para que amores na serra
Brilhará a lua que não vejo?
Mais um dia longe, tão longe
que nem mesmo a intuição alcança
os gestos da dama ausente.
As sombras enchem os meus olhos
fechados para o presente.
Mais um dia longe tão longe
que nem mesmo o amor alcança
os gestos da dama ausente...
nas montanhas de minha terra?
Para que amores na serra
Brilhará a lua que não vejo?
Mais um dia longe, tão longe
que nem mesmo a intuição alcança
os gestos da dama ausente.
As sombras enchem os meus olhos
fechados para o presente.
Mais um dia longe tão longe
que nem mesmo o amor alcança
os gestos da dama ausente...
2 594
2
Maria Alberta Menéres
Cântico de Barro
Inquieta chuva, inquieta me dispersa,
esquecida a tradição e o cansado som.
Dentro e fora de mim tudo é deserto
como se as ervas fossem arrancadas
ou se esgotasse a dor por que se chora.
Na grande solidão me basta, e a contemplo
para o sonho interior que me resolve!
Tão fácil é esperar, que já nem sinto
o que vem a dormir ou a morrer
na mesma angústia que o silêncio envolve.
esquecida a tradição e o cansado som.
Dentro e fora de mim tudo é deserto
como se as ervas fossem arrancadas
ou se esgotasse a dor por que se chora.
Na grande solidão me basta, e a contemplo
para o sonho interior que me resolve!
Tão fácil é esperar, que já nem sinto
o que vem a dormir ou a morrer
na mesma angústia que o silêncio envolve.
2 553
2
Maria Alberta Menéres
Cântico de Barro
Inquieta chuva, inquieta me dispersa,
esquecida a tradição e o cansado som.
Dentro e fora de mim tudo é deserto
como se as ervas fossem arrancadas
ou se esgotasse a dor por que se chora.
Na grande solidão me basta, e a contemplo
para o sonho interior que me resolve!
Tão fácil é esperar, que já nem sinto
o que vem a dormir ou a morrer
na mesma angústia que o silêncio envolve.
esquecida a tradição e o cansado som.
Dentro e fora de mim tudo é deserto
como se as ervas fossem arrancadas
ou se esgotasse a dor por que se chora.
Na grande solidão me basta, e a contemplo
para o sonho interior que me resolve!
Tão fácil é esperar, que já nem sinto
o que vem a dormir ou a morrer
na mesma angústia que o silêncio envolve.
2 553
2
Denise Teixeira Viana
Sem Explicação
Ah, quantas noites fiquei sem dormir
quantas horas fiquei sem te ouvir
quanto tempo passei sem te amar.
Ah, quantas vezes fiquei sem falar
quantos homens não pude saciar
quantos meses ficaste sem bulir
na minha cavidade gosmenta.
Ah, se minha frase fosse
toda amor
e se essa flição
não demorasse tanto
tanto a se abrir
encabuladamente
oferecer-te-ia
meu coração:
depósito para o teu descanço.
Eu te quero
amor meu
a mudes dos teus lábios ferinos.
Quero as ondas médias
da tua clave de fá.
De batom escarlate
me lambuzaste o corpo
Quero esta toda fragilidade
quantas horas fiquei sem te ouvir
quanto tempo passei sem te amar.
Ah, quantas vezes fiquei sem falar
quantos homens não pude saciar
quantos meses ficaste sem bulir
na minha cavidade gosmenta.
Ah, se minha frase fosse
toda amor
e se essa flição
não demorasse tanto
tanto a se abrir
encabuladamente
oferecer-te-ia
meu coração:
depósito para o teu descanço.
Eu te quero
amor meu
a mudes dos teus lábios ferinos.
Quero as ondas médias
da tua clave de fá.
De batom escarlate
me lambuzaste o corpo
Quero esta toda fragilidade
1 327
2
Denise Teixeira Viana
Sem Explicação
Ah, quantas noites fiquei sem dormir
quantas horas fiquei sem te ouvir
quanto tempo passei sem te amar.
Ah, quantas vezes fiquei sem falar
quantos homens não pude saciar
quantos meses ficaste sem bulir
na minha cavidade gosmenta.
Ah, se minha frase fosse
toda amor
e se essa flição
não demorasse tanto
tanto a se abrir
encabuladamente
oferecer-te-ia
meu coração:
depósito para o teu descanço.
Eu te quero
amor meu
a mudes dos teus lábios ferinos.
Quero as ondas médias
da tua clave de fá.
De batom escarlate
me lambuzaste o corpo
Quero esta toda fragilidade
quantas horas fiquei sem te ouvir
quanto tempo passei sem te amar.
Ah, quantas vezes fiquei sem falar
quantos homens não pude saciar
quantos meses ficaste sem bulir
na minha cavidade gosmenta.
Ah, se minha frase fosse
toda amor
e se essa flição
não demorasse tanto
tanto a se abrir
encabuladamente
oferecer-te-ia
meu coração:
depósito para o teu descanço.
Eu te quero
amor meu
a mudes dos teus lábios ferinos.
Quero as ondas médias
da tua clave de fá.
De batom escarlate
me lambuzaste o corpo
Quero esta toda fragilidade
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Júlio Maria dos Reis Pereira
A tarde
À tarde
ascenderam círios na procissão
— a Procissão das Dores e dos Martírios
Os anjinhos na mão seguram lírios
da cor
dorida dos Poentes
e perfume
intenso como o lume dos delírios.
E, inocentes,
transportam
os negros suplícios
que a carne frágil cortam
— tal qual os nossos vícios ...
E trazem misturados
os cravos e os dados,
pombas, maçãs, um cordeirinho plácido,
as sete espadas,
o cálix repleto de ácido...
.................................................................
E a procissão
prossegue
no domingo plácido! ...
ascenderam círios na procissão
— a Procissão das Dores e dos Martírios
Os anjinhos na mão seguram lírios
da cor
dorida dos Poentes
e perfume
intenso como o lume dos delírios.
E, inocentes,
transportam
os negros suplícios
que a carne frágil cortam
— tal qual os nossos vícios ...
E trazem misturados
os cravos e os dados,
pombas, maçãs, um cordeirinho plácido,
as sete espadas,
o cálix repleto de ácido...
.................................................................
E a procissão
prossegue
no domingo plácido! ...
1 299
2
Mário Dionísio
Silenciosa Música do Cosmos
As bocas que estão fechadas
não estão caladas
Os braços que estão caídos
não estão imóveis
E os olhos que estão voltados
não estão sem ver
Homem só homem só
tu bem me compreendes quando digo
que não estás só
e bem entendes bem entendes
este longo discurso enchendo o ar
que vem de toda a parte e vai a toda a parte
eternamente
em surdina
não estão caladas
Os braços que estão caídos
não estão imóveis
E os olhos que estão voltados
não estão sem ver
Homem só homem só
tu bem me compreendes quando digo
que não estás só
e bem entendes bem entendes
este longo discurso enchendo o ar
que vem de toda a parte e vai a toda a parte
eternamente
em surdina
1 978
2
Martins Fontes
Ser Paulista
Ser paulista! é ser grande no passado
E inda maior nas glórias do presente!
E ser a imagem do Brasil sonhado,
E, ao mesmo tempo, do Brasil nascente.
Ser paulista! é morrer sacrificado
Por nossa terra e pela nossa gente!
É ter dó das fraquezas do soldado
Tendo horror à filáucia do tenente.
Ser paulista! é rezar pelo Evangelho
De Rui Barbosa — o sacrossanto velho
Civilista imortal de nossa fé.
Ser paulistal em brasão e em pergaminho
É ser traído e pelejar sozinho,
É ser vencido, mas cair de pé!
E inda maior nas glórias do presente!
E ser a imagem do Brasil sonhado,
E, ao mesmo tempo, do Brasil nascente.
Ser paulista! é morrer sacrificado
Por nossa terra e pela nossa gente!
É ter dó das fraquezas do soldado
Tendo horror à filáucia do tenente.
Ser paulista! é rezar pelo Evangelho
De Rui Barbosa — o sacrossanto velho
Civilista imortal de nossa fé.
Ser paulistal em brasão e em pergaminho
É ser traído e pelejar sozinho,
É ser vencido, mas cair de pé!
4 332
2
Nogueira Tapety
Pesadelo Atroz
Mal sabe ela que todo este desregramento
é o véu sob o qual minha tortura oculto,
Pois quem vive como eu de tormento em tormento,
Necessita viver de tumulto em tumulto...
O que eu busco ao bordel, é a paz do esquecimento,
Mas na noite do vicio em as mágoas sepulto,
Como um ralo a luzir, de momento a momento,
Fere-me o pensamento o clarão do seu vulto.
Foi o vício o recurso extremo, o último apelo,
Que lancei, torturado, ao rumores do mundo,
Para me libertar deste amargo desvelo.
E quanto mais me excedo e em rumores me afundo,
Mais se arraiga em minhalma este atroz pesadelo,
Este afeto infeliz cada vez mais profundo.
é o véu sob o qual minha tortura oculto,
Pois quem vive como eu de tormento em tormento,
Necessita viver de tumulto em tumulto...
O que eu busco ao bordel, é a paz do esquecimento,
Mas na noite do vicio em as mágoas sepulto,
Como um ralo a luzir, de momento a momento,
Fere-me o pensamento o clarão do seu vulto.
Foi o vício o recurso extremo, o último apelo,
Que lancei, torturado, ao rumores do mundo,
Para me libertar deste amargo desvelo.
E quanto mais me excedo e em rumores me afundo,
Mais se arraiga em minhalma este atroz pesadelo,
Este afeto infeliz cada vez mais profundo.
1 194
2
Nogueira Tapety
Pesadelo Atroz
Mal sabe ela que todo este desregramento
é o véu sob o qual minha tortura oculto,
Pois quem vive como eu de tormento em tormento,
Necessita viver de tumulto em tumulto...
O que eu busco ao bordel, é a paz do esquecimento,
Mas na noite do vicio em as mágoas sepulto,
Como um ralo a luzir, de momento a momento,
Fere-me o pensamento o clarão do seu vulto.
Foi o vício o recurso extremo, o último apelo,
Que lancei, torturado, ao rumores do mundo,
Para me libertar deste amargo desvelo.
E quanto mais me excedo e em rumores me afundo,
Mais se arraiga em minhalma este atroz pesadelo,
Este afeto infeliz cada vez mais profundo.
é o véu sob o qual minha tortura oculto,
Pois quem vive como eu de tormento em tormento,
Necessita viver de tumulto em tumulto...
O que eu busco ao bordel, é a paz do esquecimento,
Mas na noite do vicio em as mágoas sepulto,
Como um ralo a luzir, de momento a momento,
Fere-me o pensamento o clarão do seu vulto.
Foi o vício o recurso extremo, o último apelo,
Que lancei, torturado, ao rumores do mundo,
Para me libertar deste amargo desvelo.
E quanto mais me excedo e em rumores me afundo,
Mais se arraiga em minhalma este atroz pesadelo,
Este afeto infeliz cada vez mais profundo.
1 194
2
Nogueira Tapety
Pesadelo Atroz
Mal sabe ela que todo este desregramento
é o véu sob o qual minha tortura oculto,
Pois quem vive como eu de tormento em tormento,
Necessita viver de tumulto em tumulto...
O que eu busco ao bordel, é a paz do esquecimento,
Mas na noite do vicio em as mágoas sepulto,
Como um ralo a luzir, de momento a momento,
Fere-me o pensamento o clarão do seu vulto.
Foi o vício o recurso extremo, o último apelo,
Que lancei, torturado, ao rumores do mundo,
Para me libertar deste amargo desvelo.
E quanto mais me excedo e em rumores me afundo,
Mais se arraiga em minhalma este atroz pesadelo,
Este afeto infeliz cada vez mais profundo.
é o véu sob o qual minha tortura oculto,
Pois quem vive como eu de tormento em tormento,
Necessita viver de tumulto em tumulto...
O que eu busco ao bordel, é a paz do esquecimento,
Mas na noite do vicio em as mágoas sepulto,
Como um ralo a luzir, de momento a momento,
Fere-me o pensamento o clarão do seu vulto.
Foi o vício o recurso extremo, o último apelo,
Que lancei, torturado, ao rumores do mundo,
Para me libertar deste amargo desvelo.
E quanto mais me excedo e em rumores me afundo,
Mais se arraiga em minhalma este atroz pesadelo,
Este afeto infeliz cada vez mais profundo.
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2
Nogueira Tapety
Pesadelo Atroz
Mal sabe ela que todo este desregramento
é o véu sob o qual minha tortura oculto,
Pois quem vive como eu de tormento em tormento,
Necessita viver de tumulto em tumulto...
O que eu busco ao bordel, é a paz do esquecimento,
Mas na noite do vicio em as mágoas sepulto,
Como um ralo a luzir, de momento a momento,
Fere-me o pensamento o clarão do seu vulto.
Foi o vício o recurso extremo, o último apelo,
Que lancei, torturado, ao rumores do mundo,
Para me libertar deste amargo desvelo.
E quanto mais me excedo e em rumores me afundo,
Mais se arraiga em minhalma este atroz pesadelo,
Este afeto infeliz cada vez mais profundo.
é o véu sob o qual minha tortura oculto,
Pois quem vive como eu de tormento em tormento,
Necessita viver de tumulto em tumulto...
O que eu busco ao bordel, é a paz do esquecimento,
Mas na noite do vicio em as mágoas sepulto,
Como um ralo a luzir, de momento a momento,
Fere-me o pensamento o clarão do seu vulto.
Foi o vício o recurso extremo, o último apelo,
Que lancei, torturado, ao rumores do mundo,
Para me libertar deste amargo desvelo.
E quanto mais me excedo e em rumores me afundo,
Mais se arraiga em minhalma este atroz pesadelo,
Este afeto infeliz cada vez mais profundo.
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Nauro Machado
Pequena Ode a Tróia
Como te massacraram, ó cidade minha!
Antes, mil vezes antes fosses arrasada
por legiões de abutres do infinito vindos
sobre coisas preditas ao fim do infortúnio
(ânsias, labéus, lábios, mortalhas, augúrios),
a seres, ó cidade minha, pária da alma,
esse corredor de ecos de buzinas pútridas,
esse vai-e-vem de carros sem orfeus por dentro,
que sem destino certo, exceto o do destino
cumprido por estômagos de usuras cheios,
por bailarinos bascos sem balé nenhum,
por procissões sem deuses de alfarrábios velhos,
por úteros no prego dos cachos sem flores,
por proxenetas próstatas de outras vizinhas,
ou por desesperanças dos desenganados,
conduzem promissórias, anticonceptivos,
calvos livros de cheques e de agiotagem,
esses lunfas políticos que em manhãs — outras
que aquelas já havidas, as manhãs do Sol —
saem, quais ratazanas pelo ouro nutridas,
apodrecendo o podre, nutrindo o cadáver.
Se Caim matou Abel e em renovado crime
Abel espera o dia de novamente ser
assassinado em cunha de rota bandeira,
que inveja paira em Tróia ou em outro nome qualquer
da terra podre e azul de água e cotonifícios?
Mutiladas manhãs expõem-se nas vitrinas
de sapatos humanos mendigando pés,
de vestidos humanos mendigando peitos,
de saias humanas mendigando sexos.
Esta é Tróia!, o vigésimo século em Tróia,
blasfemam as fanfarras de súbito mudas
nos ouvidos mareando a pancada da Terra.
Antes, mil vezes antes fosses arrasada
por legiões de abutres do infinito vindos
sobre coisas preditas ao fim do infortúnio
(ânsias, labéus, lábios, mortalhas, augúrios),
a seres, ó cidade minha, pária da alma,
esse corredor de ecos de buzinas pútridas,
esse vai-e-vem de carros sem orfeus por dentro,
que sem destino certo, exceto o do destino
cumprido por estômagos de usuras cheios,
por bailarinos bascos sem balé nenhum,
por procissões sem deuses de alfarrábios velhos,
por úteros no prego dos cachos sem flores,
por proxenetas próstatas de outras vizinhas,
ou por desesperanças dos desenganados,
conduzem promissórias, anticonceptivos,
calvos livros de cheques e de agiotagem,
esses lunfas políticos que em manhãs — outras
que aquelas já havidas, as manhãs do Sol —
saem, quais ratazanas pelo ouro nutridas,
apodrecendo o podre, nutrindo o cadáver.
Se Caim matou Abel e em renovado crime
Abel espera o dia de novamente ser
assassinado em cunha de rota bandeira,
que inveja paira em Tróia ou em outro nome qualquer
da terra podre e azul de água e cotonifícios?
Mutiladas manhãs expõem-se nas vitrinas
de sapatos humanos mendigando pés,
de vestidos humanos mendigando peitos,
de saias humanas mendigando sexos.
Esta é Tróia!, o vigésimo século em Tróia,
blasfemam as fanfarras de súbito mudas
nos ouvidos mareando a pancada da Terra.
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2
Roberto Pontes
Poema de Oferta
Que pode o sapateiro dar de melhor
ao amigo, no dia do seu aniversário?
E o pescador, hesitaria em dar-lhe peixes frescos?
E o lavrador, os cajus que então plantara?
O artesão daria um cesto ou uma talha.
A bordadeira, seu tecido de alvo fio.
O vinhateiro, moringa cheia de vinho
E a floreira, o mais formoso ramalhete.
Que posso dar-te no teu aniversário?
Ouro? – Mas eu não sou garimpeiro...
Roupas? – Também não sou alfaiate...
Aves? – Um dia fui passarinheiro...
Algo de mim é o que vou dar-te
Pelas mãos padecentes
Dos que sustentam a vida.
Pelas mãos sagradas
Dos mais anônimos operários.
Dou-te, meu amigo, minha amiga, um poema,
Que este é o meu trabalho.
(In: Jornal de Cultura. Fortaleza: UFC, ano II, n. 21, 1990)
ao amigo, no dia do seu aniversário?
E o pescador, hesitaria em dar-lhe peixes frescos?
E o lavrador, os cajus que então plantara?
O artesão daria um cesto ou uma talha.
A bordadeira, seu tecido de alvo fio.
O vinhateiro, moringa cheia de vinho
E a floreira, o mais formoso ramalhete.
Que posso dar-te no teu aniversário?
Ouro? – Mas eu não sou garimpeiro...
Roupas? – Também não sou alfaiate...
Aves? – Um dia fui passarinheiro...
Algo de mim é o que vou dar-te
Pelas mãos padecentes
Dos que sustentam a vida.
Pelas mãos sagradas
Dos mais anônimos operários.
Dou-te, meu amigo, minha amiga, um poema,
Que este é o meu trabalho.
(In: Jornal de Cultura. Fortaleza: UFC, ano II, n. 21, 1990)
1 904
2
Matheus Tonello
Agonia
Cai-se uma gota de orvalho,
Na fria e ríspida manhã
É tão fácil sentir-se doente, uma pessoa carente,
Que só resta ao descrente, inundar a relva de lágrimas.
É claro, logicamente, inconstante,
Que traz na rua, o sentimento errante,
Da mulher nua, presa ao relento
Do desespero, cíngulo e fatal.
Ao encorajar-se no dia, único, presente...
Não se deve abaixar, ó vidente, tu és prudente?
Que digas para mim o quão me queres
Que se edifique entre os poucos as chacotas...
De um sentimento insano, indistinguível
Que perturba o coração desesperado
Que grita, pede que retornes
Se desvaria na rústica senzala, seu interior é oco e desumano...
Ó criatura que ajoelha e pede,
Em tom de adeus, chora o fim do anunciado;
Às linhas tortas, se tornaram erradas
Na insanidade nega o perdão: pobre algoz!
O globo que gira sem cessar,
E que o guerreiro fortemente armado,
Possa fazer da lágrima escorrida,
Uma bela canção de amor...
Esse guerreiro que clama por justiça,
Briga, luta, excede-se à raiva,
Beija aquela boca proibida, porém desejada,
Tornando realidade, ao ímpeto desejo de te amar.
De querer, muito mais e mais
Exigir do destino, um final feliz,
Para que eu lhe diga, que foi válida
A vontade de te ter que eu sempre quis.
Na fria e ríspida manhã
É tão fácil sentir-se doente, uma pessoa carente,
Que só resta ao descrente, inundar a relva de lágrimas.
É claro, logicamente, inconstante,
Que traz na rua, o sentimento errante,
Da mulher nua, presa ao relento
Do desespero, cíngulo e fatal.
Ao encorajar-se no dia, único, presente...
Não se deve abaixar, ó vidente, tu és prudente?
Que digas para mim o quão me queres
Que se edifique entre os poucos as chacotas...
De um sentimento insano, indistinguível
Que perturba o coração desesperado
Que grita, pede que retornes
Se desvaria na rústica senzala, seu interior é oco e desumano...
Ó criatura que ajoelha e pede,
Em tom de adeus, chora o fim do anunciado;
Às linhas tortas, se tornaram erradas
Na insanidade nega o perdão: pobre algoz!
O globo que gira sem cessar,
E que o guerreiro fortemente armado,
Possa fazer da lágrima escorrida,
Uma bela canção de amor...
Esse guerreiro que clama por justiça,
Briga, luta, excede-se à raiva,
Beija aquela boca proibida, porém desejada,
Tornando realidade, ao ímpeto desejo de te amar.
De querer, muito mais e mais
Exigir do destino, um final feliz,
Para que eu lhe diga, que foi válida
A vontade de te ter que eu sempre quis.
1 051
2
Matheus Tonello
Agonia
Cai-se uma gota de orvalho,
Na fria e ríspida manhã
É tão fácil sentir-se doente, uma pessoa carente,
Que só resta ao descrente, inundar a relva de lágrimas.
É claro, logicamente, inconstante,
Que traz na rua, o sentimento errante,
Da mulher nua, presa ao relento
Do desespero, cíngulo e fatal.
Ao encorajar-se no dia, único, presente...
Não se deve abaixar, ó vidente, tu és prudente?
Que digas para mim o quão me queres
Que se edifique entre os poucos as chacotas...
De um sentimento insano, indistinguível
Que perturba o coração desesperado
Que grita, pede que retornes
Se desvaria na rústica senzala, seu interior é oco e desumano...
Ó criatura que ajoelha e pede,
Em tom de adeus, chora o fim do anunciado;
Às linhas tortas, se tornaram erradas
Na insanidade nega o perdão: pobre algoz!
O globo que gira sem cessar,
E que o guerreiro fortemente armado,
Possa fazer da lágrima escorrida,
Uma bela canção de amor...
Esse guerreiro que clama por justiça,
Briga, luta, excede-se à raiva,
Beija aquela boca proibida, porém desejada,
Tornando realidade, ao ímpeto desejo de te amar.
De querer, muito mais e mais
Exigir do destino, um final feliz,
Para que eu lhe diga, que foi válida
A vontade de te ter que eu sempre quis.
Na fria e ríspida manhã
É tão fácil sentir-se doente, uma pessoa carente,
Que só resta ao descrente, inundar a relva de lágrimas.
É claro, logicamente, inconstante,
Que traz na rua, o sentimento errante,
Da mulher nua, presa ao relento
Do desespero, cíngulo e fatal.
Ao encorajar-se no dia, único, presente...
Não se deve abaixar, ó vidente, tu és prudente?
Que digas para mim o quão me queres
Que se edifique entre os poucos as chacotas...
De um sentimento insano, indistinguível
Que perturba o coração desesperado
Que grita, pede que retornes
Se desvaria na rústica senzala, seu interior é oco e desumano...
Ó criatura que ajoelha e pede,
Em tom de adeus, chora o fim do anunciado;
Às linhas tortas, se tornaram erradas
Na insanidade nega o perdão: pobre algoz!
O globo que gira sem cessar,
E que o guerreiro fortemente armado,
Possa fazer da lágrima escorrida,
Uma bela canção de amor...
Esse guerreiro que clama por justiça,
Briga, luta, excede-se à raiva,
Beija aquela boca proibida, porém desejada,
Tornando realidade, ao ímpeto desejo de te amar.
De querer, muito mais e mais
Exigir do destino, um final feliz,
Para que eu lhe diga, que foi válida
A vontade de te ter que eu sempre quis.
1 051
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Matheus Tonello
Agonia
Cai-se uma gota de orvalho,
Na fria e ríspida manhã
É tão fácil sentir-se doente, uma pessoa carente,
Que só resta ao descrente, inundar a relva de lágrimas.
É claro, logicamente, inconstante,
Que traz na rua, o sentimento errante,
Da mulher nua, presa ao relento
Do desespero, cíngulo e fatal.
Ao encorajar-se no dia, único, presente...
Não se deve abaixar, ó vidente, tu és prudente?
Que digas para mim o quão me queres
Que se edifique entre os poucos as chacotas...
De um sentimento insano, indistinguível
Que perturba o coração desesperado
Que grita, pede que retornes
Se desvaria na rústica senzala, seu interior é oco e desumano...
Ó criatura que ajoelha e pede,
Em tom de adeus, chora o fim do anunciado;
Às linhas tortas, se tornaram erradas
Na insanidade nega o perdão: pobre algoz!
O globo que gira sem cessar,
E que o guerreiro fortemente armado,
Possa fazer da lágrima escorrida,
Uma bela canção de amor...
Esse guerreiro que clama por justiça,
Briga, luta, excede-se à raiva,
Beija aquela boca proibida, porém desejada,
Tornando realidade, ao ímpeto desejo de te amar.
De querer, muito mais e mais
Exigir do destino, um final feliz,
Para que eu lhe diga, que foi válida
A vontade de te ter que eu sempre quis.
Na fria e ríspida manhã
É tão fácil sentir-se doente, uma pessoa carente,
Que só resta ao descrente, inundar a relva de lágrimas.
É claro, logicamente, inconstante,
Que traz na rua, o sentimento errante,
Da mulher nua, presa ao relento
Do desespero, cíngulo e fatal.
Ao encorajar-se no dia, único, presente...
Não se deve abaixar, ó vidente, tu és prudente?
Que digas para mim o quão me queres
Que se edifique entre os poucos as chacotas...
De um sentimento insano, indistinguível
Que perturba o coração desesperado
Que grita, pede que retornes
Se desvaria na rústica senzala, seu interior é oco e desumano...
Ó criatura que ajoelha e pede,
Em tom de adeus, chora o fim do anunciado;
Às linhas tortas, se tornaram erradas
Na insanidade nega o perdão: pobre algoz!
O globo que gira sem cessar,
E que o guerreiro fortemente armado,
Possa fazer da lágrima escorrida,
Uma bela canção de amor...
Esse guerreiro que clama por justiça,
Briga, luta, excede-se à raiva,
Beija aquela boca proibida, porém desejada,
Tornando realidade, ao ímpeto desejo de te amar.
De querer, muito mais e mais
Exigir do destino, um final feliz,
Para que eu lhe diga, que foi válida
A vontade de te ter que eu sempre quis.
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Pedro de Calasans
Escuta
Se para amar-te for mister martírios,
Com que delírios saberei sofrer!
Se de altas glórias for mister a palma,
Talvez minha alma possa além colher.
Quebrar cadeias, conquistar um nome,
Que não consome o perpassar das eras;
Arcar com a fúria de iracundos nortes,
Sofrer mil mortes, sem morrer deveras;
Nas próprias carnes apertar cilícios,
Nos sacrifícios ter sereno o rosto;
Pisar descalço sobre espinhos duros,
Com pés seguros, com sinais de gosto;
Longe da pátria, no país mais feio,
De tédio em meio, para amar-te, irei
Viver embora sob a zona ardente,
E ali contente por te amar serei!...
E a ser amado, se é mister o incenso,
Que sobe denso dos salões aos tetos;
Serei altivo, mas não vou de rastos
Com lábios castos mendigar afetos!
E se me odeias, por não ir-me às salas
Dizer-te as falas de mendaz paixão,
E, aos olhos de outros, profanando extremos,
Dizer-te: amemos, e apertar-te a mão;
Me odeia, e muito, que eu não sou da farsa,
Que o mal disfarça, que desfruta e ri!
Me odeia, e sempre, que eu não desço ao nível
Do pó terrível, que se arrasta aí!
Dá-me o teu ódio, pois não quero — escuta —
Beber cicuta, procurando mel.
Dá-me o teu ódio, mas num grau subido,
Embora ungido de amargoso fel!
Dá-me o teu ódio por fatal sentença,
A indiferença me será pior.
Que um sentimento por mim sintas na alma,
Dá-me essa palma de um sofrer melhor!
Com que delírios saberei sofrer!
Se de altas glórias for mister a palma,
Talvez minha alma possa além colher.
Quebrar cadeias, conquistar um nome,
Que não consome o perpassar das eras;
Arcar com a fúria de iracundos nortes,
Sofrer mil mortes, sem morrer deveras;
Nas próprias carnes apertar cilícios,
Nos sacrifícios ter sereno o rosto;
Pisar descalço sobre espinhos duros,
Com pés seguros, com sinais de gosto;
Longe da pátria, no país mais feio,
De tédio em meio, para amar-te, irei
Viver embora sob a zona ardente,
E ali contente por te amar serei!...
E a ser amado, se é mister o incenso,
Que sobe denso dos salões aos tetos;
Serei altivo, mas não vou de rastos
Com lábios castos mendigar afetos!
E se me odeias, por não ir-me às salas
Dizer-te as falas de mendaz paixão,
E, aos olhos de outros, profanando extremos,
Dizer-te: amemos, e apertar-te a mão;
Me odeia, e muito, que eu não sou da farsa,
Que o mal disfarça, que desfruta e ri!
Me odeia, e sempre, que eu não desço ao nível
Do pó terrível, que se arrasta aí!
Dá-me o teu ódio, pois não quero — escuta —
Beber cicuta, procurando mel.
Dá-me o teu ódio, mas num grau subido,
Embora ungido de amargoso fel!
Dá-me o teu ódio por fatal sentença,
A indiferença me será pior.
Que um sentimento por mim sintas na alma,
Dá-me essa palma de um sofrer melhor!
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Pedro de Calasans
Escuta
Se para amar-te for mister martírios,
Com que delírios saberei sofrer!
Se de altas glórias for mister a palma,
Talvez minha alma possa além colher.
Quebrar cadeias, conquistar um nome,
Que não consome o perpassar das eras;
Arcar com a fúria de iracundos nortes,
Sofrer mil mortes, sem morrer deveras;
Nas próprias carnes apertar cilícios,
Nos sacrifícios ter sereno o rosto;
Pisar descalço sobre espinhos duros,
Com pés seguros, com sinais de gosto;
Longe da pátria, no país mais feio,
De tédio em meio, para amar-te, irei
Viver embora sob a zona ardente,
E ali contente por te amar serei!...
E a ser amado, se é mister o incenso,
Que sobe denso dos salões aos tetos;
Serei altivo, mas não vou de rastos
Com lábios castos mendigar afetos!
E se me odeias, por não ir-me às salas
Dizer-te as falas de mendaz paixão,
E, aos olhos de outros, profanando extremos,
Dizer-te: amemos, e apertar-te a mão;
Me odeia, e muito, que eu não sou da farsa,
Que o mal disfarça, que desfruta e ri!
Me odeia, e sempre, que eu não desço ao nível
Do pó terrível, que se arrasta aí!
Dá-me o teu ódio, pois não quero — escuta —
Beber cicuta, procurando mel.
Dá-me o teu ódio, mas num grau subido,
Embora ungido de amargoso fel!
Dá-me o teu ódio por fatal sentença,
A indiferença me será pior.
Que um sentimento por mim sintas na alma,
Dá-me essa palma de um sofrer melhor!
Com que delírios saberei sofrer!
Se de altas glórias for mister a palma,
Talvez minha alma possa além colher.
Quebrar cadeias, conquistar um nome,
Que não consome o perpassar das eras;
Arcar com a fúria de iracundos nortes,
Sofrer mil mortes, sem morrer deveras;
Nas próprias carnes apertar cilícios,
Nos sacrifícios ter sereno o rosto;
Pisar descalço sobre espinhos duros,
Com pés seguros, com sinais de gosto;
Longe da pátria, no país mais feio,
De tédio em meio, para amar-te, irei
Viver embora sob a zona ardente,
E ali contente por te amar serei!...
E a ser amado, se é mister o incenso,
Que sobe denso dos salões aos tetos;
Serei altivo, mas não vou de rastos
Com lábios castos mendigar afetos!
E se me odeias, por não ir-me às salas
Dizer-te as falas de mendaz paixão,
E, aos olhos de outros, profanando extremos,
Dizer-te: amemos, e apertar-te a mão;
Me odeia, e muito, que eu não sou da farsa,
Que o mal disfarça, que desfruta e ri!
Me odeia, e sempre, que eu não desço ao nível
Do pó terrível, que se arrasta aí!
Dá-me o teu ódio, pois não quero — escuta —
Beber cicuta, procurando mel.
Dá-me o teu ódio, mas num grau subido,
Embora ungido de amargoso fel!
Dá-me o teu ódio por fatal sentença,
A indiferença me será pior.
Que um sentimento por mim sintas na alma,
Dá-me essa palma de um sofrer melhor!
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Maria Rita Kehl
mato grosso
Meu irmão é um cowboy guiando a kombi
calado,
premonitório.
Ele atravessa os véus dourados de poeira
estendidos na estrada a dois palmos do chão.
Outra vez é essa hora do dia
quando o olhar procura os últimos sinais de luz
entre a faixa violeta dos morros e a unha da lua
outra vez essa hora que unifica os mundos.
e em Minas Gerais, no Mato Grosso, litoral paulista,
em Manhattan que eu não vi, campos tristes,
outra vez, é essa hora,
quando as coisas se lamentam.
choro de bois, sinos graves,
mulher louca de sexo e tédio
desolada
porque tudo é tão lindo e nenhum deus existe.
calado,
premonitório.
Ele atravessa os véus dourados de poeira
estendidos na estrada a dois palmos do chão.
Outra vez é essa hora do dia
quando o olhar procura os últimos sinais de luz
entre a faixa violeta dos morros e a unha da lua
outra vez essa hora que unifica os mundos.
e em Minas Gerais, no Mato Grosso, litoral paulista,
em Manhattan que eu não vi, campos tristes,
outra vez, é essa hora,
quando as coisas se lamentam.
choro de bois, sinos graves,
mulher louca de sexo e tédio
desolada
porque tudo é tão lindo e nenhum deus existe.
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Gilberto Mendonça Teles
História
Toda história tem seu texto
tem seu pretexto e pronúncia.
Tem seu remorso, seu sexto
sentido de arte e denúncia.
Tem um sujeito que a escolhe
que se encolhe e se confunde:
um lugar que sempre a tolhe
qui tollis peccata mundi.
Tem sua forma em processo,
tem seu recesso e cansaço,
e tem seu topo de excesso
no ponto extremo do escasso.
Tem sua língua felpuda,
a voz aguda e afetada.
R tem a essência que muda
e permanece, calada.
Toda história tem seu preço,
tem seu começo e seu dito.
É só virar pelo avesso,
ler o que está subscrito.
tem seu pretexto e pronúncia.
Tem seu remorso, seu sexto
sentido de arte e denúncia.
Tem um sujeito que a escolhe
que se encolhe e se confunde:
um lugar que sempre a tolhe
qui tollis peccata mundi.
Tem sua forma em processo,
tem seu recesso e cansaço,
e tem seu topo de excesso
no ponto extremo do escasso.
Tem sua língua felpuda,
a voz aguda e afetada.
R tem a essência que muda
e permanece, calada.
Toda história tem seu preço,
tem seu começo e seu dito.
É só virar pelo avesso,
ler o que está subscrito.
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