Poemas neste tema
Amor Platónico
Eduardo Guimaraens
Às vezes, quando vou por altas horas, quando
Às vezes, quando vou por altas horas, quando
fujo através da noite, a este amor que reveste
de um tênue véu de névoa a face do meu sonho,
de lábios infantis que, uma e outra vez, murmuram
uma queixa, como a de alguém que se maltrata,
um murmúrio, afinal, que só tu poderias
compreender, fico a olhar os jardins solitários
que ornam a calma azul por onde vou passando.
E às vezes, paro e sonho à frente de um cipreste;
outras, invejo o ardor de um canteiro tristonho
alvos lírios claustrais que aromam e fulguram,
como fantásticos turíbulos de prata.
Outras, quando anda a lua entre as ruas sombrias
e as flores tomam o ar de votos funerários,
cada aléia é como um regato cintilando,
onde um Ofélia, de alva e imponderável veste
loira e fria, tombou, morta de amor e sonho.
Junto às grades hostis que os jardins enclausuram
e que, ao fulgor da luz, são de ouro, bronze ou prata,
descanso, muita vez, as mãos longas e frias.
E enquanto a lua evoca extáticos cenários
de paisagens do polo e torna em verde brando
todo o azul que lhe nimba a tristeza celeste,
das grades através, como através de um sonho
de prisioneiro, a cujo olhar se transfiguram
as visões do exterior, tenho a visão exata
da noite que convida às grandes nostalgias.
Eu sou o doce irmão dos jardins solitários,
que lhes conhece a dor, que os vê da sombra, olhando
pelo ermo e triste e verde olhar de algum cipreste...
Uns são feitos de tudo, enfim, que há no meu sonho.
E é por isso, talvez, que ora ardem e fulguram,
ora são tristes como esses vitrais de prata
onde Cristo ergue a Deus as mãos longas e frias.
Eu sou o doce irmão dos jardins solitários,
desses jardins que exalto, amo e celebro, quando
por horas mortas vou, do amor que me reveste
de amargura, fugindo, ao longo do meu sonho.
E, ao longo do meu sonho, os jardins se enclausuram
de lágrimas! (Ah! sobre essas grades de prata
quando virás pousar as mãos longas e frias?
Quando abrirás, sorrindo, os jardins solitários,
tu que hás de amar-me um dia e que eu espero? Quando?
Publicado no livro A divina quimera (1916).
In: GUIMARAENS, Eduardo. A divina quimera. Org e pref. Mansueto Bernardi. Porto Alegre: Globo, 1944
fujo através da noite, a este amor que reveste
de um tênue véu de névoa a face do meu sonho,
de lábios infantis que, uma e outra vez, murmuram
uma queixa, como a de alguém que se maltrata,
um murmúrio, afinal, que só tu poderias
compreender, fico a olhar os jardins solitários
que ornam a calma azul por onde vou passando.
E às vezes, paro e sonho à frente de um cipreste;
outras, invejo o ardor de um canteiro tristonho
alvos lírios claustrais que aromam e fulguram,
como fantásticos turíbulos de prata.
Outras, quando anda a lua entre as ruas sombrias
e as flores tomam o ar de votos funerários,
cada aléia é como um regato cintilando,
onde um Ofélia, de alva e imponderável veste
loira e fria, tombou, morta de amor e sonho.
Junto às grades hostis que os jardins enclausuram
e que, ao fulgor da luz, são de ouro, bronze ou prata,
descanso, muita vez, as mãos longas e frias.
E enquanto a lua evoca extáticos cenários
de paisagens do polo e torna em verde brando
todo o azul que lhe nimba a tristeza celeste,
das grades através, como através de um sonho
de prisioneiro, a cujo olhar se transfiguram
as visões do exterior, tenho a visão exata
da noite que convida às grandes nostalgias.
Eu sou o doce irmão dos jardins solitários,
que lhes conhece a dor, que os vê da sombra, olhando
pelo ermo e triste e verde olhar de algum cipreste...
Uns são feitos de tudo, enfim, que há no meu sonho.
E é por isso, talvez, que ora ardem e fulguram,
ora são tristes como esses vitrais de prata
onde Cristo ergue a Deus as mãos longas e frias.
Eu sou o doce irmão dos jardins solitários,
desses jardins que exalto, amo e celebro, quando
por horas mortas vou, do amor que me reveste
de amargura, fugindo, ao longo do meu sonho.
E, ao longo do meu sonho, os jardins se enclausuram
de lágrimas! (Ah! sobre essas grades de prata
quando virás pousar as mãos longas e frias?
Quando abrirás, sorrindo, os jardins solitários,
tu que hás de amar-me um dia e que eu espero? Quando?
Publicado no livro A divina quimera (1916).
In: GUIMARAENS, Eduardo. A divina quimera. Org e pref. Mansueto Bernardi. Porto Alegre: Globo, 1944
1 062
Álvares de Azevedo
Pálida à luz da lâmpada sombria
Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! O seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!
Publicado no livro Poesias de Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1853).
In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biográficas por Antônio Soares Amora. Org. rev. e notas por Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1949. p.568
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! O seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!
Publicado no livro Poesias de Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1853).
In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biográficas por Antônio Soares Amora. Org. rev. e notas por Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1949. p.568
5 300
Edgar Allan Poe
To
Fair maiden, let thy generous heart
From its present pathway part not!
Being every thing which now thou art,
Be nothing which thou art not.
So with the world thy gentle ways,
Thy unassuming beauty,
Thy truth — shall be a theme of praise,
Forever — and love a duty.
1839
From its present pathway part not!
Being every thing which now thou art,
Be nothing which thou art not.
So with the world thy gentle ways,
Thy unassuming beauty,
Thy truth — shall be a theme of praise,
Forever — and love a duty.
1839
1 044
Edgar Allan Poe
Lines Written in an Album
Eliza! — let thy generous heart
From its present pathway part not!
Being every thing which now thou art,
Be nothing which thou art not.
So with the world thy gentle ways,
Thy unassuming beauty,
And truth shall be a theme of praise,
Forever — and love a duty.
1835
From its present pathway part not!
Being every thing which now thou art,
Be nothing which thou art not.
So with the world thy gentle ways,
Thy unassuming beauty,
And truth shall be a theme of praise,
Forever — and love a duty.
1835
1 123
Álvares de Azevedo
MORENA
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
Ó Teresa, um outro beijo! e abandona-me
a meus sonhos e a meus suaves delírios.
JACOPO ORTIS
É loucura, meu anjo, é loucura
Os amores por anjos... bem sei!
Foram sonhos, foi louca ternura
Esse amor que a teus pés derramei!
Quando a fronte requeima e delira,
Quando o lábio desbota de amor,
Quando as cordas rebentam na lira
Que palpita no seio ao cantor...
Quando a vida nas dores é morta,
Ter amores nos sonhos é crime?
E loucura: eu o sei! mas que importa?
Ai! morena! és tão bela!... perdi-me!
Quando tudo, na insônia do leito,
No delírio de amor devaneia
E no fundo do trêmulo peito
Fogo lento no sangue se ateia...
Quando a vida nos prantos se escoa
Não merece o amante perdão?
Ai! morena! és tão bela! perdoa!
Foi um sonho do meu coração!
Foi um sonho... não cores de pejo!
Foi um sonho tão puro!... ai de mim!
Mal gozei-lhe as frescuras de um beijo!
Ai! não cores, não cores assim!
Não suspires! por que suspirar?
Quando o vento num lírio soluça,
E desmaia no longo beijar,
E ofegante de amor se debruça...
Quando a vida lhe foge, lhe treme,
Pobre vida do seu coração,
Essa flor que o ouvira, que geme,
Não lhe dera no seio o perdão?
Mas não cores! se queres, afogo
No meu seio o fogoso anelar!
Calarei meus suspiros de fogo
E esse amor que me há de matar!
Morrerei, ó morena, em segredo!
Um perdido na terra sou eu!
Ai! teu sonho não morra tão cedo
Como a vida em meu peito morreu!
Segunda Parte
Ó Teresa, um outro beijo! e abandona-me
a meus sonhos e a meus suaves delírios.
JACOPO ORTIS
É loucura, meu anjo, é loucura
Os amores por anjos... bem sei!
Foram sonhos, foi louca ternura
Esse amor que a teus pés derramei!
Quando a fronte requeima e delira,
Quando o lábio desbota de amor,
Quando as cordas rebentam na lira
Que palpita no seio ao cantor...
Quando a vida nas dores é morta,
Ter amores nos sonhos é crime?
E loucura: eu o sei! mas que importa?
Ai! morena! és tão bela!... perdi-me!
Quando tudo, na insônia do leito,
No delírio de amor devaneia
E no fundo do trêmulo peito
Fogo lento no sangue se ateia...
Quando a vida nos prantos se escoa
Não merece o amante perdão?
Ai! morena! és tão bela! perdoa!
Foi um sonho do meu coração!
Foi um sonho... não cores de pejo!
Foi um sonho tão puro!... ai de mim!
Mal gozei-lhe as frescuras de um beijo!
Ai! não cores, não cores assim!
Não suspires! por que suspirar?
Quando o vento num lírio soluça,
E desmaia no longo beijar,
E ofegante de amor se debruça...
Quando a vida lhe foge, lhe treme,
Pobre vida do seu coração,
Essa flor que o ouvira, que geme,
Não lhe dera no seio o perdão?
Mas não cores! se queres, afogo
No meu seio o fogoso anelar!
Calarei meus suspiros de fogo
E esse amor que me há de matar!
Morrerei, ó morena, em segredo!
Um perdido na terra sou eu!
Ai! teu sonho não morra tão cedo
Como a vida em meu peito morreu!
3 113
Álvares de Azevedo
PÁLIDA IMAGEM
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
- J'ai cru que j'oublierais; mais j'avais mal sondé
Les abîmes du coeur que remplit un seul rêve:
Le souvenir est là, le souvenir se lève
Flot toujours renaissant et toujours débordé.
TURQUÉTY
No delírio da ardente mocidade
Por tua imagem pálida vivi!
A flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei-a por ti!
O expirar de teu canto lamentoso
Sobre teus lábios que o palor cobria,
Minhas noites de lágrimas ardentes
E de sonhos enchia!
Foi por ti que eu pensei que a vida inteira
Não valia uma lágrima... sequer,
Senão num beijo trêmulo de noite...
Num olhar de mulher!
Mesmo nas horas de um amor insano,
Quando em meus braços outro seio ardia,
A tua imagem pálida passando
A minh'alma perdia.
Sempre e sempre teu rosto! as negras tranças,
Tua alma nos teus olhos se expandindo!
E o colo de cetim que pulsa e geme
E teus lábios sorrindo!
Nas longas horas do sonhar da noite
No teu peito eu sonhava que dormia;
Pousa em meu coração a mão de neve......
Treme... como tremia.
Como palpita agora se afogando
Na morna languidez do teu olhar...
Assim viveu e morrerá sonhando
Em teus seios amar!
Se a vida é lírio que a paixão desflora,
Meu lírio virginal eu conservei...
Somente no passado tive sonhos
E outrora nunca amei!
Foi por ti que na ardente mocidade
Por uma imagem pálida vivi!
E a flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei... só por ti!
Segunda Parte
- J'ai cru que j'oublierais; mais j'avais mal sondé
Les abîmes du coeur que remplit un seul rêve:
Le souvenir est là, le souvenir se lève
Flot toujours renaissant et toujours débordé.
TURQUÉTY
No delírio da ardente mocidade
Por tua imagem pálida vivi!
A flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei-a por ti!
O expirar de teu canto lamentoso
Sobre teus lábios que o palor cobria,
Minhas noites de lágrimas ardentes
E de sonhos enchia!
Foi por ti que eu pensei que a vida inteira
Não valia uma lágrima... sequer,
Senão num beijo trêmulo de noite...
Num olhar de mulher!
Mesmo nas horas de um amor insano,
Quando em meus braços outro seio ardia,
A tua imagem pálida passando
A minh'alma perdia.
Sempre e sempre teu rosto! as negras tranças,
Tua alma nos teus olhos se expandindo!
E o colo de cetim que pulsa e geme
E teus lábios sorrindo!
Nas longas horas do sonhar da noite
No teu peito eu sonhava que dormia;
Pousa em meu coração a mão de neve......
Treme... como tremia.
Como palpita agora se afogando
Na morna languidez do teu olhar...
Assim viveu e morrerá sonhando
Em teus seios amar!
Se a vida é lírio que a paixão desflora,
Meu lírio virginal eu conservei...
Somente no passado tive sonhos
E outrora nunca amei!
Foi por ti que na ardente mocidade
Por uma imagem pálida vivi!
E a flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei... só por ti!
2 124
Felipe Vianna
VIDA
Dança dourado luar
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
906
Felipe Larson
DE ONDE VEIO VOCÊ
De onde você veio surgir.
Com tal brilho que ofuscam meus olhos
E me cega, tirando de órbita.
Perdendo a trilha que escreve teu caminho
Como posso me identificar
Além de dizer meu nome
Será o tempo pra você perceber
Então só esperar o dia D
Deixei uma pergunta no ar
Espero sua resposta
E se nada for mudar
Nem responda
Mas se responder diga a verdade pra mim
Assim
O coração poderá sentir
Sem medo de errar
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
Esta extravagância já está indo longe demais
O que você diz, e que tudo se desfaz.
Alem do mais,
De onde veio você?
Só o tempo pode dizer
O que acontecerá com nós
Mas tenho medo
Que o tempo possa parar
Seja sincera consigo mesma
Não se engane mais
Pois, depois poderá sentir,
A grande força do amor
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
Com tal brilho que ofuscam meus olhos
E me cega, tirando de órbita.
Perdendo a trilha que escreve teu caminho
Como posso me identificar
Além de dizer meu nome
Será o tempo pra você perceber
Então só esperar o dia D
Deixei uma pergunta no ar
Espero sua resposta
E se nada for mudar
Nem responda
Mas se responder diga a verdade pra mim
Assim
O coração poderá sentir
Sem medo de errar
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
Esta extravagância já está indo longe demais
O que você diz, e que tudo se desfaz.
Alem do mais,
De onde veio você?
Só o tempo pode dizer
O que acontecerá com nós
Mas tenho medo
Que o tempo possa parar
Seja sincera consigo mesma
Não se engane mais
Pois, depois poderá sentir,
A grande força do amor
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
851
Mariza Fontes de Almeida
Reticencias
Às vezes eu imagino
que tenho alguém
perto de mim...
Alguém que eu amo
e que me quer também;
que olha nos meus olhos,
que pega no meu rosto,
alguém que sabe o gosto
que o meu coração tem...
Sabe, de vez em quando
a minha imaginação
trabalha tanto,
que chego a ver você!
Chego a sentir sua mão!
Vê?...
Parece que você está aqui agora,
no entanto...
que tenho alguém
perto de mim...
Alguém que eu amo
e que me quer também;
que olha nos meus olhos,
que pega no meu rosto,
alguém que sabe o gosto
que o meu coração tem...
Sabe, de vez em quando
a minha imaginação
trabalha tanto,
que chego a ver você!
Chego a sentir sua mão!
Vê?...
Parece que você está aqui agora,
no entanto...
1 007
José Angel Buesa
Poema do renunciamento
Passarás por minha vida sem saber que passaste
Passarás em silêncio por meu amor e, ao passar,
fingirei um sorriso, como um doce contraste
de dor de querer-te... e jamais o saberás.
Sonharei com o nácar virginal de tua testa;
sonharei com teus olhos de esmeralda de mar;
sonharei com teus lábios desesperadamente;
sonharei com teus beijos... e jamais o saberás
Talvez passes com outro que te diga ao ouvido
essas frases que ninguém como eu te dirá;
e afogando para sempre meu amor inadvertido,
te amarei mais que nunca... e jamais saberás.
Eu te amarei em silêncio, como algo inacessível,
como um sonho que nunca conseguirei realizar;
e o longínquo perfume de meu amor impossível
roçará teus cabelos... e jamais o saberás
E se um dia uma lágrima denuncia meu tormento
o tormento infinito que devo ocultar
te direi sorridente: "não é nada...foi o vento".
Me enxugarei a lágrima... e jamais o saberás
Passarás em silêncio por meu amor e, ao passar,
fingirei um sorriso, como um doce contraste
de dor de querer-te... e jamais o saberás.
Sonharei com o nácar virginal de tua testa;
sonharei com teus olhos de esmeralda de mar;
sonharei com teus lábios desesperadamente;
sonharei com teus beijos... e jamais o saberás
Talvez passes com outro que te diga ao ouvido
essas frases que ninguém como eu te dirá;
e afogando para sempre meu amor inadvertido,
te amarei mais que nunca... e jamais saberás.
Eu te amarei em silêncio, como algo inacessível,
como um sonho que nunca conseguirei realizar;
e o longínquo perfume de meu amor impossível
roçará teus cabelos... e jamais o saberás
E se um dia uma lágrima denuncia meu tormento
o tormento infinito que devo ocultar
te direi sorridente: "não é nada...foi o vento".
Me enxugarei a lágrima... e jamais o saberás
1 439
Sylvia Plath
Criança
O olho claro é a coisa mais bonita em você.
Quem dera enchê-lo de patos e cores,
Zôo do novo,
Nomes em que você pensa –
Campânula-de-abril, Cachimbo-de-índio,
Pequenino
Caule sem espinhos,
Lago em cujas margens, imagens
Pudessem ser clássicas e imensas
Não esse tenso
Torcer de mãos, esse teto
Escuro e sem estrela.
Quem dera enchê-lo de patos e cores,
Zôo do novo,
Nomes em que você pensa –
Campânula-de-abril, Cachimbo-de-índio,
Pequenino
Caule sem espinhos,
Lago em cujas margens, imagens
Pudessem ser clássicas e imensas
Não esse tenso
Torcer de mãos, esse teto
Escuro e sem estrela.
1 243
Angela Santos
Serenidade
Sobre
areias finas
a deusa adormecida
lembra uma esfinge viva
serenamente abandonada
em seu sono
Indiferente
às tempestades de luz
que o seu sonho assaltam
a deusa toda se ilumina
com as odes de sol que
da alma emanam
E deitada
sobre areias brancas
serena, despertará
iluminada
areias finas
a deusa adormecida
lembra uma esfinge viva
serenamente abandonada
em seu sono
Indiferente
às tempestades de luz
que o seu sonho assaltam
a deusa toda se ilumina
com as odes de sol que
da alma emanam
E deitada
sobre areias brancas
serena, despertará
iluminada
1 329
Fernando Tavares Rodrigues
Elegia
Só tu que
não existes
Me dás calma.
Porque não tens alma,
Porque não consistes.
Mesmo quando voltas
- tu que não estiveste-
não me trazes nada;
nem mesmo o calor
da chama apagada.
Porque não te tenho
E vivo contigo,
Porque não te quero
Nem sou teu amigo
Deixa-me o teu corpo:
Ânfora vazia,
Vinho de ciúme.
Deixa-me o que fui
- o meu eco em ti...
não existes
Me dás calma.
Porque não tens alma,
Porque não consistes.
Mesmo quando voltas
- tu que não estiveste-
não me trazes nada;
nem mesmo o calor
da chama apagada.
Porque não te tenho
E vivo contigo,
Porque não te quero
Nem sou teu amigo
Deixa-me o teu corpo:
Ânfora vazia,
Vinho de ciúme.
Deixa-me o que fui
- o meu eco em ti...
1 390
Alfonsina Storni
A Carícia Perdida
Sai-me dos
dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?
dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?
1 211
Angela Santos
Vidraça
A
menina olhava a vida
por detrás da vidraça
e estremecia a um bater de asa
suspirando pelo beijo que à noite
trocam os namorados
A menina guardava-se
religiosamente
vaidosa do seu sexo sacralizado
e venerava a pureza
do nada.
A menina ardia no incêndio
que a noite
insuspeitadamente
acende na memória adormecida.
menina olhava a vida
por detrás da vidraça
e estremecia a um bater de asa
suspirando pelo beijo que à noite
trocam os namorados
A menina guardava-se
religiosamente
vaidosa do seu sexo sacralizado
e venerava a pureza
do nada.
A menina ardia no incêndio
que a noite
insuspeitadamente
acende na memória adormecida.
1 170
Hilda Hilst
De tanto te pensar
De tanto te pensar, me veio a ilusão.
A mesma ilusão
Da égua que sorve a água pensando sorver a lua.
De te pensar me deito nas aguadas
E acredito luzir e estar atada
Ao fulgor do costado de um negro cavalo de cem luas.
De te sonhar, tenho nada,
Mas acredito em mim o ouro e o mundo.
De te amar, possuída de ossos e abismos
Acredito ter carne e vadiar
Ao redor dos teus cismos. De nunca te tocar
Tocando os outros
Acredito ter mãos, acredito ter boca
Quando só tenho patas e focinho.
De muito desejar altura e eternidade
Me vem a fantasia de que Existo e Sou.
Quando sou nada: égua fantasmagórica
Sorvendo a lua nágua.
A mesma ilusão
Da égua que sorve a água pensando sorver a lua.
De te pensar me deito nas aguadas
E acredito luzir e estar atada
Ao fulgor do costado de um negro cavalo de cem luas.
De te sonhar, tenho nada,
Mas acredito em mim o ouro e o mundo.
De te amar, possuída de ossos e abismos
Acredito ter carne e vadiar
Ao redor dos teus cismos. De nunca te tocar
Tocando os outros
Acredito ter mãos, acredito ter boca
Quando só tenho patas e focinho.
De muito desejar altura e eternidade
Me vem a fantasia de que Existo e Sou.
Quando sou nada: égua fantasmagórica
Sorvendo a lua nágua.
3 243
Nauro Machado
A Rosa Total
Amo, como
ilusão do gesto,
a presença que se desfaz,
para florescer de novo
sobre o inexaurível nada.
Amo, como debalde quero,
apenas o odor do ser:
essa presença, breve e etérea,
logo restrita á eternidade.
ilusão do gesto,
a presença que se desfaz,
para florescer de novo
sobre o inexaurível nada.
Amo, como debalde quero,
apenas o odor do ser:
essa presença, breve e etérea,
logo restrita á eternidade.
1 603
Armindo Trevisan
Uma Mulher
Tem os
olhos escondidos
no meio das pedras.
Ali o regato
brota de cerejas envelhecidas.
Suas mãos apanham o ar.
Caminha de leve
sobre as palavras.
É exata.
Ninguém lhe adivinha a nudez.
Muitos, muitos a amam.
a ninguém deu o amor.
Em seu corpo ela permanece,
a alma lhe exige um corpo tão diferente
que não sabe onde esperá-lo.
olhos escondidos
no meio das pedras.
Ali o regato
brota de cerejas envelhecidas.
Suas mãos apanham o ar.
Caminha de leve
sobre as palavras.
É exata.
Ninguém lhe adivinha a nudez.
Muitos, muitos a amam.
a ninguém deu o amor.
Em seu corpo ela permanece,
a alma lhe exige um corpo tão diferente
que não sabe onde esperá-lo.
1 186
Armindo Trevisan
Amor é Teu
Olhar que Sobe
Amor é
teu olhar que sobe
E desce torna a subir ao ramo
Desce ao poço detém-se
Na água porque a sede avança
E torna a subir em carícia
Pelo braço compraz-se
Em resvalar pelo declive
Do corpo em balanço
Como o movimento de um
Pêndulo e assim nunca
Sabes se o caminho
para ele é ascensão
ou simplesmente espera
sobre um trilho de pedras
mais do que uma ideia
sentimento porque
o subir e o descer crescem
na viagem indiferentes
ao amor até que a ames
como se nunca a tivesses
conhecido somente
fora do teu alcance.
Amor é
teu olhar que sobe
E desce torna a subir ao ramo
Desce ao poço detém-se
Na água porque a sede avança
E torna a subir em carícia
Pelo braço compraz-se
Em resvalar pelo declive
Do corpo em balanço
Como o movimento de um
Pêndulo e assim nunca
Sabes se o caminho
para ele é ascensão
ou simplesmente espera
sobre um trilho de pedras
mais do que uma ideia
sentimento porque
o subir e o descer crescem
na viagem indiferentes
ao amor até que a ames
como se nunca a tivesses
conhecido somente
fora do teu alcance.
1 298
Cruz e Sousa
Humilde Secreta
Fico parado,
em êxtase suspenso,
Às vezes quando vou considerando
Na humildade simpática, no brando
Mistério simples do teu ser imenso.
Tudo o que aspiro, tudo quanto penso
De estrelas que andam dentro em mim cantando,
Ah! Tudo ao teu fenômeno vai dando
Um céu de azul mais carregado e denso.
De onde não sei tanta simplicidade
Tanta secreta e límpida humildade
Vem ao teu ser como os encantos raros.
Nos teus olhos tua alma transparece...
E de tal sorte que o bom Deus parece
Viver sonhando nos teus olhos claros.
em êxtase suspenso,
Às vezes quando vou considerando
Na humildade simpática, no brando
Mistério simples do teu ser imenso.
Tudo o que aspiro, tudo quanto penso
De estrelas que andam dentro em mim cantando,
Ah! Tudo ao teu fenômeno vai dando
Um céu de azul mais carregado e denso.
De onde não sei tanta simplicidade
Tanta secreta e límpida humildade
Vem ao teu ser como os encantos raros.
Nos teus olhos tua alma transparece...
E de tal sorte que o bom Deus parece
Viver sonhando nos teus olhos claros.
1 766
Nuno Filipe Torres Dias
A Ti
O dia abstém-se
com o fulgor da aurora,
Entre azáfama das gentes
Que murmuram cansaço de outrora
E eu perdido nos teus olhos comoventes.
A noite faz-se durante horas
Com um toque de fundo das nascentes,
Que procuram o seu destino entre vidas abstinentes.
E eu perdido na magia do teu sorriso, querendo saber onde moras.
Assim, faz-se vinte e quatro horas,
Numa admiração incessante da tua graça, Onde o sentimento não se desfaça.
E, com os olhos postos em ti, pensares vagueiam em mim,
Com palpitações que se confundem com crateras vivas.
Por isso, vejo-te como começo e fim.
com o fulgor da aurora,
Entre azáfama das gentes
Que murmuram cansaço de outrora
E eu perdido nos teus olhos comoventes.
A noite faz-se durante horas
Com um toque de fundo das nascentes,
Que procuram o seu destino entre vidas abstinentes.
E eu perdido na magia do teu sorriso, querendo saber onde moras.
Assim, faz-se vinte e quatro horas,
Numa admiração incessante da tua graça, Onde o sentimento não se desfaça.
E, com os olhos postos em ti, pensares vagueiam em mim,
Com palpitações que se confundem com crateras vivas.
Por isso, vejo-te como começo e fim.
1 118
Janis Joplin
Amor Impossível
O
que será essa coisa grande, cósmica que sinto por você?
Às vezes me perco nas fantasias...
Passei a vida toda pra te achar,
quando te encontro, não te reconheço.
E então surgiu uma amizade grande entre nós,
o tempo vai passando, passando...
e o meu carinho por você vai crescendo, crescendo...
E de repente, sem querer, me apaixono por você...
mas isso é errado, vai contra as regras...
Às vezes fico a pensar o q você realmente sente por mim.
e fico nessa duvida mortal...
Queria poder dizer-lhe o que eu sinto por você
vai alem da amizade, ultrapassa as coisas materiais
e essa coisa
a cada dia q passa
vai crescendo, crescendo
Como posso dizer-lhe o que realmente eu sinto por você?
AH!!! Como eu queria ser apenas mais um cometa na sua vida
só assim eu poderia expressar meus sentimentos ,
é só assim eu poderia dizer-lhe:
TE AMO!!!!
Mas não posso!!!...
que será essa coisa grande, cósmica que sinto por você?
Às vezes me perco nas fantasias...
Passei a vida toda pra te achar,
quando te encontro, não te reconheço.
E então surgiu uma amizade grande entre nós,
o tempo vai passando, passando...
e o meu carinho por você vai crescendo, crescendo...
E de repente, sem querer, me apaixono por você...
mas isso é errado, vai contra as regras...
Às vezes fico a pensar o q você realmente sente por mim.
e fico nessa duvida mortal...
Queria poder dizer-lhe o que eu sinto por você
vai alem da amizade, ultrapassa as coisas materiais
e essa coisa
a cada dia q passa
vai crescendo, crescendo
Como posso dizer-lhe o que realmente eu sinto por você?
AH!!! Como eu queria ser apenas mais um cometa na sua vida
só assim eu poderia expressar meus sentimentos ,
é só assim eu poderia dizer-lhe:
TE AMO!!!!
Mas não posso!!!...
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Reinaldo Ferreira
De Copélia guardo três cartas melancólicas
De Copélia guardo três cartas melancólicas,
Um laço e, de uma rosa
Que o perfume aprendeu nos seus cabelos,
Um esvaído botão.
Evade-se do todo um halo a antigo, triste.
Claro que Copélia não existe
E as cartas também não.
Só é real porque me falta.
Porque a não tive creio nela e creio
Na memória de quem foi no meu passado;
Nos passeios furtivos que tivemos;
Nos astros que pusemos
Nalgum beijo trocado;
Na exaltação de certa dança, alada
Na sensação de que uma nuvem me enlaçasse;
E na suave e pura e filtrada emoção
De alguma vez que a sua mão
Entre as minhas tardasse.
Esta é Copélia a quem, se acaso dado fosse
Nascer ou ter vivido,
Rígido pai ma recusasse,
Lírico mal ma arrebatasse
Sem a ter possuído,
Para que doutro ou morta virgem
Ilesa e viva dentro de mim permanecesse.
Um laço e, de uma rosa
Que o perfume aprendeu nos seus cabelos,
Um esvaído botão.
Evade-se do todo um halo a antigo, triste.
Claro que Copélia não existe
E as cartas também não.
Só é real porque me falta.
Porque a não tive creio nela e creio
Na memória de quem foi no meu passado;
Nos passeios furtivos que tivemos;
Nos astros que pusemos
Nalgum beijo trocado;
Na exaltação de certa dança, alada
Na sensação de que uma nuvem me enlaçasse;
E na suave e pura e filtrada emoção
De alguma vez que a sua mão
Entre as minhas tardasse.
Esta é Copélia a quem, se acaso dado fosse
Nascer ou ter vivido,
Rígido pai ma recusasse,
Lírico mal ma arrebatasse
Sem a ter possuído,
Para que doutro ou morta virgem
Ilesa e viva dentro de mim permanecesse.
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