Silvaney Paes

Silvaney Paes

Silvaney Paes é um poeta que se destaca pela força expressiva de sua obra, explorando a alma humana e as complexidades da vida com uma linguagem direta e impactante. Sua poesia frequentemente mergulha em temas como a identidade, a condição social e a busca por um lugar no mundo, revelando um olhar crítico e sensível sobre a realidade. Com versos que combinam introspeção e engajamento, Silvaney Paes constrói uma obra poética que ressoa com a urgência do presente. Sua escrita é marcada por uma musicalidade particular e por uma capacidade ímpar de evocar imagens que permanecem na memória do leitor, solidificando sua voz como uma contribuição relevante para a poesia contemporânea.

43 379 Visualizações

Uma Nação Capoeira

Fui rebatizado
Longe da pia batismal,
Os pés descalços
Misturados à cor do barro,
Contrastada pelo branco cordão
Que trago na cintura atado,
Para não me perder,
Acho...
Para não voar,
Talvez...
Ao som mágico desse berimbau.

Chamaram-me
"Doutor" capoeira,
Mais um "galego" negro,
Pele alva salva do preconceito.
Mas e teus olhos claros?
Indagariam uns desavisados.
São meros reflexos
Do céu de mama África,
Mas são também do mar
Que nos separa e ata,
Numa grande roda
Brasileira, Portuguesa, Africana, Asiática...
Humana roda.

E o que cantavam nesse batizado?
Que igualdade é irmã de liberdade!
E a isso também dançavam,
A toda cultura que nos difere,
Mas não separa
E nem segrega,
Une.
Capoeira que se espalha e ata.
Mas foi "Tiú" o padre,
Ou foi "Preto" o frade desse batizado?
Foram apenas o berimbau e o atabaque!
"Berimbau...Berimbau...
Berimba...Berimba...Berimbau..."

Fomos excluídos da "Senzala".
Bobagem! Sempre fomos excluídos.
Não carecemos de mais senzalas,
Àquela nunca foi a nossa casa.
Somos agora os sem "Senzala",
Tomaram de volta o nome emprestado,
Mas nada mais levaram,
Deixaram obstinada capoeira
Onde se rir do preconceito,
Que às vezes também é preto.
E se ainda não sei jogar direito,
Descobri que todos nascemos capoeira.

Nesta nossa roda,
Agora sem "Senzala",
Joga-se desde o abraço da chegada,
Dança-se na divisão do que nos falta,
E por aquilo que dividimos lutamos,
Girando uma roda solidária,
Para quando formos embora
Deixarmos noutro abraço,
Que nos separa e ata,
Reafirmado o tratado da luta
De Uma Nação Capoeira,
Maior que qualquer "Senzala".

Ler poema completo
Biografia

Identificação e contexto básico

Silvaney Paes é um poeta brasileiro, cuja obra se destaca no cenário da poesia contemporânea.

Infância e formação

Informações específicas sobre a infância e formação de Silvaney Paes não são detalhadas em fontes públicas.

Percurso literário

O percurso literário de Silvaney Paes é marcado pela publicação de livros de poesia que têm recebido atenção crítica e do público. Sua escrita explora temas sociais e existenciais com profundidade.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Silvaney Paes geralmente abordam a condição humana, a identidade, a realidade social e a busca por significado. Seu estilo é conhecido por ser expressivo, direto e por vezes impactante, com uma linguagem que busca a força imagética e a musicalidade. A voz poética de Silvaney Paes tende a ser reflexiva e engajada, convidando à introspeção e à crítica social. A poesia explora as complexidades da vida e a relação do indivuga com o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico A obra de Silvaney Paes reflete as preocupações do Brasil contemporâneo, abordando questões sociais e existenciais que emergem do contexto cultural e histórico atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Silvaney Paes não são amplamente divulgados em fontes públicas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Silvaney Paes vem da qualidade e relevância de sua produção poética, que tem conquistado leitores e críticos pela sua expressividade e profundidade temática.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam detalhadas, a obra de Silvaney Paes se insere numa linha de poesia que valoriza a conexão com a realidade e a exploração da identidade, contribuindo para a diversidade da poesia brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Silvaney Paes pode ser interpretada como um espelho das inquietações humanas e sociais, convidando à reflexão sobre a existência, a identidade e o lugar do indivíduo na sociedade.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Não há informações amplamente disponíveis sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida ou obra de Silvaney Paes.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Silvaney Paes é um autor contemporâneo, e sua memória literária está em construção através de sua obra.

Poemas

43

Pássaros Presos

Chorarei
por ti meninas,
Pássaros presos nas matas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a que mata,
Fria águia.

Chorarei por ti meninas,
Ratos revirando as latas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a Gata,
A que caça nas latas.

Chorarei por ti meninas,
Prostitutas das praças.
Lamentarei por mim meninas,
Sou muitas praças,
Aquela que paga.

Chorarei por ti meninas,
Escravas de suas casas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a dona da casa,
Senhora de Escravas.

Chorarei por ti meninas,
Mais só chorarei.
Diante de ti sou Fraca,
Sociedade Parca,
Sou vossa Mãe Pátria.
1 087

Psiu Disse o Verbo

A mulher,
voltada para o Altíssimo,
sorvia luz, e clamava:
Responde-me Verbo!

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Era desocultação
a mulher,
e também dúvidas.
Nada lhe dizia O Verbo!

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Vai-se O Altíssimo.
a mulher divaga,
chora e grita.
Abandonou-me Verbo?

Mais o que seja O Verbo, era silêncio.

Retorna O Verbo,
trás consigo um menino.
Pensa a mulher:
Não é tão grande O Verbo!

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Deposita ali o menino,
faminto, entristecido,
e parte
parecendo órfão de Verbo!

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Escuta a mulher,
algo frágil, baixo.
não tem voz de trovão,
não parece ser O Verbo!

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Psiu...Psiu,
diz o menino:
tenho fome, frio...
É tu O Verbo?

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

A Mulher
olha sob o nariz,
acolhe o menino,
sentindo-se Verbo.

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Psiu...Psiu...
era tudo o que falava
o silêncio
do que seja O Verbo.

Mas o que seja O Verbo, era silêncio!

Agora a mulher,
o menino,
eram o silêncio do Verbo.
Sabiam!...

Todos nós somos O Verbo.
1 147

Depois de blasfemar

Depois
de blasfemar contra Meu Senhor,
Já curada a febre e seus vãos delírios,
Provei do silêncio...
E enquanto esperava um castigo,
Que nunca adveio,
Deparei-me com o imenso vazio
Em que me encontro agora.

E descobrir com os olhos alevantados
Para o firmamento
Que sou sonhos, delírio, crença...
E que esta carne se putrefaria
Como toda matéria impura
Para que restasse apenas o vínculo,
Destalma dantes em cruéis enganos,
Com Àquele que sempre nela fez morada.

Mas se considerado indigno de Vós,
Mesmo em tardio castigo,
Hei de querer assim mesmo o Vosso Anagrama
Gravado em minha laje fria,
Pois que em mim sempre esteve escrito;
Eis que sois um templo do Senhor.
E essas letras, que canto...
Vez por outra, serão Hinos de Louvor

683

Videos

25

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.