Silvaney Paes

Silvaney Paes

Silvaney Paes é um poeta que se destaca pela força expressiva de sua obra, explorando a alma humana e as complexidades da vida com uma linguagem direta e impactante. Sua poesia frequentemente mergulha em temas como a identidade, a condição social e a busca por um lugar no mundo, revelando um olhar crítico e sensível sobre a realidade. Com versos que combinam introspeção e engajamento, Silvaney Paes constrói uma obra poética que ressoa com a urgência do presente. Sua escrita é marcada por uma musicalidade particular e por uma capacidade ímpar de evocar imagens que permanecem na memória do leitor, solidificando sua voz como uma contribuição relevante para a poesia contemporânea.

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Uma Nação Capoeira

Fui rebatizado
Longe da pia batismal,
Os pés descalços
Misturados à cor do barro,
Contrastada pelo branco cordão
Que trago na cintura atado,
Para não me perder,
Acho...
Para não voar,
Talvez...
Ao som mágico desse berimbau.

Chamaram-me
"Doutor" capoeira,
Mais um "galego" negro,
Pele alva salva do preconceito.
Mas e teus olhos claros?
Indagariam uns desavisados.
São meros reflexos
Do céu de mama África,
Mas são também do mar
Que nos separa e ata,
Numa grande roda
Brasileira, Portuguesa, Africana, Asiática...
Humana roda.

E o que cantavam nesse batizado?
Que igualdade é irmã de liberdade!
E a isso também dançavam,
A toda cultura que nos difere,
Mas não separa
E nem segrega,
Une.
Capoeira que se espalha e ata.
Mas foi "Tiú" o padre,
Ou foi "Preto" o frade desse batizado?
Foram apenas o berimbau e o atabaque!
"Berimbau...Berimbau...
Berimba...Berimba...Berimbau..."

Fomos excluídos da "Senzala".
Bobagem! Sempre fomos excluídos.
Não carecemos de mais senzalas,
Àquela nunca foi a nossa casa.
Somos agora os sem "Senzala",
Tomaram de volta o nome emprestado,
Mas nada mais levaram,
Deixaram obstinada capoeira
Onde se rir do preconceito,
Que às vezes também é preto.
E se ainda não sei jogar direito,
Descobri que todos nascemos capoeira.

Nesta nossa roda,
Agora sem "Senzala",
Joga-se desde o abraço da chegada,
Dança-se na divisão do que nos falta,
E por aquilo que dividimos lutamos,
Girando uma roda solidária,
Para quando formos embora
Deixarmos noutro abraço,
Que nos separa e ata,
Reafirmado o tratado da luta
De Uma Nação Capoeira,
Maior que qualquer "Senzala".

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Biografia

Identificação e contexto básico

Silvaney Paes é um poeta brasileiro, cuja obra se destaca no cenário da poesia contemporânea.

Infância e formação

Informações específicas sobre a infância e formação de Silvaney Paes não são detalhadas em fontes públicas.

Percurso literário

O percurso literário de Silvaney Paes é marcado pela publicação de livros de poesia que têm recebido atenção crítica e do público. Sua escrita explora temas sociais e existenciais com profundidade.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Silvaney Paes geralmente abordam a condição humana, a identidade, a realidade social e a busca por significado. Seu estilo é conhecido por ser expressivo, direto e por vezes impactante, com uma linguagem que busca a força imagética e a musicalidade. A voz poética de Silvaney Paes tende a ser reflexiva e engajada, convidando à introspeção e à crítica social. A poesia explora as complexidades da vida e a relação do indivuga com o mundo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico A obra de Silvaney Paes reflete as preocupações do Brasil contemporâneo, abordando questões sociais e existenciais que emergem do contexto cultural e histórico atual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes sobre a vida pessoal de Silvaney Paes não são amplamente divulgados em fontes públicas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Silvaney Paes vem da qualidade e relevância de sua produção poética, que tem conquistado leitores e críticos pela sua expressividade e profundidade temática.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam detalhadas, a obra de Silvaney Paes se insere numa linha de poesia que valoriza a conexão com a realidade e a exploração da identidade, contribuindo para a diversidade da poesia brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Silvaney Paes pode ser interpretada como um espelho das inquietações humanas e sociais, convidando à reflexão sobre a existência, a identidade e o lugar do indivíduo na sociedade.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Não há informações amplamente disponíveis sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida ou obra de Silvaney Paes.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Silvaney Paes é um autor contemporâneo, e sua memória literária está em construção através de sua obra.

Poemas

43

Desejo

Porque
me negar o desejo
Que nessa carne reclama,
De não provar de teu beijo
Se a libido é quem clama?

Porque te negar essa carne
Que de tão fresca te chama,
De saciar tua fome
Se a libido é quem clama?

Porque me negar à mistura
Que nessa carne se entrança,
De delirar na entrega
Se a libido é quem clama?

Porque adiar essa entrega
Que nesse medo se aplaina,
De saciar minha fome
Se a libido é quem clama?

Porque se a libido é quem chama
Que nessa fome se entrança,
Devo queimar nessa chama
Se ouvir o desejo que clama..

967

Só Um Sopro

Um
sopro
De um amor que sofro
Não pouco
Só louco
Pegajoso
Da alma que achou-se pouca
Ainda sofro
E louco morro
Aguardo o sopro
De um amar louco
Não pouco
Igual ao outro
E aí então, não serei só louco
Nem só sopro
Serei vento e sopros
Um do outro
Nem loucos
Nem poucos

1 094

Visita

Seja bem-vinda
a minha casa,
Pois de há muito que esperada,

Tão culta amiga!

Mais não demores,
Não fique na porta aí parada.

Adentra!

Anseio pelo vosso abraço,
Mais que ele não lhe seja estranho.

Desculpa-me!

Se não vier com o aperto esperado,
É que me vejo vexado,

Encabulado!

De um certo cheiro que vai nele impregnado,
Do suor do labor de meu trabalho.

Assenta-te!

Não nessa cadeira,
Ela traz uma das pernas amputadas.

Nesta outra.

Que foi especialmente para esta visita reservada,
Fazendo do simples de minha pobre casa,

A minha melhor prata.

Aceita um café, uma água?
É tudo que se tem em toda casa,

E que agrada.

Reparaste na minha modesta morada?
Ela não tem todas as paredes rebocadas.

E como a minha alma.

Mais nela mora dignidade,
Tristeza, saudade e também felicidade.

Trouxeste algo?

Não precisava! Já tenho tudo que me faltava,
Nesta visita a minha casa.
1 075

Sega

Sega
Pela manhã
Menor que ti
Me viu o Sol
Não teus olhos
E se rasgou a poesia da Noite
Passada
Mais não finda
Viva ainda
Apenas não lida
Passou
Rugiu
Mais não se viu
Fugiu
E de ti
Poesia
Apenas cega
Esdrúxula
Sem métrica
Silêncio e vela
De nova era
Do nascer já cega
E pôr saber já negas
Esse amar barrela
E te fazes apenas.

1 020

Órfã

Trazemos
no peito a mesma magoa.
Sendo ela a perda, a saudade e a tristeza,
Que sempre verterá lagrimas,
Luminosas claras águas.
Para que nessas nossas almas
Constantemente lavadas,
Nunca cresçam ódio, ira ou raiva,
Tornando-nos criaturas
Amarguradas.

Da presença de teu pai
Foram nossas vidas amputadas,
Mais nunca nos será roubada
A lembrança ou a saudade,
Daquela amada alma,
Pois ficastes como toda a herança
E o espólio desta saga.

Lembrando nos teus tristes traços,
Nos da face ou nos da própria alma,
A passagem em nossas vidas
Daquele ente amado,
Que hoje em ti abraço
Vertendo Lágrimas.

915

Âncora

Existe
algo que de mim se aparta
que d’uma alma dilapidada,
agora manca, quase amputada,
sem seu orgulho, dilacerada.

Que teu silêncio, já me roubara,
chorando agora a sua falta,
faltando ele, me resta nada.
perco a herança de minha casa.

Que nesse porto já ancorava
tão pobre alma de muitas lágrimas
mas teu silencio só açoitava
não parecendo já lapidada.
Ancora
essa alma..

1 079

Desculpas

De uma
Flor do Lácio
Que de Bilac foi bela
De TI e de VÓS inculta era
Em meu poema feito de pressa.

De uma língua Linda e singela
Em que Camões, somente expressa.
Esplendida, bela, por mim impura.
Em meu poema feito de pressa

De muito ouvir a voz materna
Amou Drummond tão rude e bela
Mais que de mim desconhecida, fera.
Em um poema feito de pressa.

De esplendor e sepultura
Fui com Ti amada, injusta.
Mais não VÓS nega o amor e a ternura
Em meu poema feito de pressa

701

Preto

Negras
Almas
Em peles alvas
Não esqueceram
Suas negras senzalas

Negras Falas
Que vez por outra,
São naus lembradas
Trazendo almas escravas.

Negras Almas
Nessas línguas com facas
Que separam por serem fracas
E que cortam, marcam e matam

Negras Falas
Que humilham, pisam,
Negando as almas
Que não tenham a pele clara

Negras Almas
Enganadas achando terem escravas
Sendo vós as pretas almas
Em pele clara

1 054

Psiu Disse o Verbo

A mulher,
voltada para o Altíssimo,
sorvia luz, e clamava:
Responde-me Verbo!

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Era desocultação
a mulher,
e também dúvidas.
Nada lhe dizia O Verbo!

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Vai-se O Altíssimo.
a mulher divaga,
chora e grita.
Abandonou-me Verbo?

Mais o que seja O Verbo, era silêncio.

Retorna O Verbo,
trás consigo um menino.
Pensa a mulher:
Não é tão grande O Verbo!

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Deposita ali o menino,
faminto, entristecido,
e parte
parecendo órfão de Verbo!

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Escuta a mulher,
algo frágil, baixo.
não tem voz de trovão,
não parece ser O Verbo!

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Psiu...Psiu,
diz o menino:
tenho fome, frio...
É tu O Verbo?

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

A Mulher
olha sob o nariz,
acolhe o menino,
sentindo-se Verbo.

Mas o que seja O Verbo, era silêncio.

Psiu...Psiu...
era tudo o que falava
o silêncio
do que seja O Verbo.

Mas o que seja O Verbo, era silêncio!

Agora a mulher,
o menino,
eram o silêncio do Verbo.
Sabiam!...

Todos nós somos O Verbo.
1 135

Brasil - Portugal

Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro

Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava

Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro

Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava

Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro

Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.

Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro

E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.

Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro

Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.

Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO

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