Brasil - Portugal
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Num Ipiranga Português
Mais também Tupí na raça
Diziam Gritava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D.Pedro
Mais que Gritava?
Grita Morte
Grito que Libertava
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um Tal D. Pedro
Mas morreu?
Não. Só libertara.
Rompeu.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
E Porque Rompeu
E não morreu?
Viu num futuro.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um tal D. Pedro
Mais que achou haver de Novo?
La no Futuro......
Irmãos de Novo.
Um Dom
Um Dom de Pedro
Um D. PEDRO
Pássaros Presos
Chorarei
por ti meninas,
Pássaros presos nas matas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a que mata,
Fria águia.
Chorarei por ti meninas,
Ratos revirando as latas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a Gata,
A que caça nas latas.
Chorarei por ti meninas,
Prostitutas das praças.
Lamentarei por mim meninas,
Sou muitas praças,
Aquela que paga.
Chorarei por ti meninas,
Escravas de suas casas.
Lamentarei por mim meninas,
Sou a dona da casa,
Senhora de Escravas.
Chorarei por ti meninas,
Mais só chorarei.
Diante de ti sou Fraca,
Sociedade Parca,
Sou vossa Mãe Pátria.
Desculpas
De uma
Flor do Lácio
Que de Bilac foi bela
De TI e de VÓS inculta era
Em meu poema feito de pressa.
De uma língua Linda e singela
Em que Camões, somente expressa.
Esplendida, bela, por mim impura.
Em meu poema feito de pressa
De muito ouvir a voz materna
Amou Drummond tão rude e bela
Mais que de mim desconhecida, fera.
Em um poema feito de pressa.
De esplendor e sepultura
Fui com Ti amada, injusta.
Mais não VÓS nega o amor e a ternura
Em meu poema feito de pressa
Âncora
Existe
algo que de mim se aparta
que d’uma alma dilapidada,
agora manca, quase amputada,
sem seu orgulho, dilacerada.
Que teu silêncio, já me roubara,
chorando agora a sua falta,
faltando ele, me resta nada.
perco a herança de minha casa.
Que nesse porto já ancorava
tão pobre alma de muitas lágrimas
mas teu silencio só açoitava
não parecendo já lapidada.
Ancora
essa alma..
Psiu Disse o Verbo
A mulher,
voltada para o Altíssimo,
sorvia luz, e clamava:
Responde-me Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Era desocultação
a mulher,
e também dúvidas.
Nada lhe dizia O Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Vai-se O Altíssimo.
a mulher divaga,
chora e grita.
Abandonou-me Verbo?
Mais o que seja O Verbo, era silêncio.
Retorna O Verbo,
trás consigo um menino.
Pensa a mulher:
Não é tão grande O Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Deposita ali o menino,
faminto, entristecido,
e parte
parecendo órfão de Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Escuta a mulher,
algo frágil, baixo.
não tem voz de trovão,
não parece ser O Verbo!
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Psiu...Psiu,
diz o menino:
tenho fome, frio...
É tu O Verbo?
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
A Mulher
olha sob o nariz,
acolhe o menino,
sentindo-se Verbo.
Mas o que seja O Verbo, era silêncio.
Psiu...Psiu...
era tudo o que falava
o silêncio
do que seja O Verbo.
Mas o que seja O Verbo, era silêncio!
Agora a mulher,
o menino,
eram o silêncio do Verbo.
Sabiam!...
Todos nós somos O Verbo.
Contido
Algo ofendeu a vida.
A poesia,
Ou o sentimento
Nela Contida?
..................
A saudade ou a dor
Ofenderam a vida.
Viu ter Deus
Nelas contidas?
...................
Não sabes?
São teus os dois
E tudo
Nela contida.
...................
E das folhas?
Viste vida
Ou viste morte
Nela contidas?
.................
Algo ofendeu a vida
Foi a poesia
E o sentimento
Nela contida.
Crucificado
Abre a
cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Agora tenho que ser crucificado
Devo morrer e ser ressuscitado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
De alma na mão fui coroado
Tive o peito perfurado
Nessa dor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Fui três vezes nesse amor negado
Saudade, dor e desprezo cravados.
Sangrando fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Abre a cruz dos teus braços
Já fui suficientemente flagelado
Em teu amor fui crucificado
Fecha a cruz dos teus braços
Nesse abraço posso ser ressuscitado
Sega
Sega
Pela manhã
Menor que ti
Me viu o Sol
Não teus olhos
E se rasgou a poesia da Noite
Passada
Mais não finda
Viva ainda
Apenas não lida
Passou
Rugiu
Mais não se viu
Fugiu
E de ti
Poesia
Apenas cega
Esdrúxula
Sem métrica
Silêncio e vela
De nova era
Do nascer já cega
E pôr saber já negas
Esse amar barrela
E te fazes apenas.
Órfã
Trazemos
no peito a mesma magoa.
Sendo ela a perda, a saudade e a tristeza,
Que sempre verterá lagrimas,
Luminosas claras águas.
Para que nessas nossas almas
Constantemente lavadas,
Nunca cresçam ódio, ira ou raiva,
Tornando-nos criaturas
Amarguradas.
Da presença de teu pai
Foram nossas vidas amputadas,
Mais nunca nos será roubada
A lembrança ou a saudade,
Daquela amada alma,
Pois ficastes como toda a herança
E o espólio desta saga.
Lembrando nos teus tristes traços,
Nos da face ou nos da própria alma,
A passagem em nossas vidas
Daquele ente amado,
Que hoje em ti abraço
Vertendo Lágrimas.
O Tempo
Silêncio
que grita e espera
Por uma voz que assoma e apega
De fazer poemas na espera
Desse amor que a mim se apega
Não saber desse amar a espera
E de uma dor que só agora se apega
Que pela alma se espalha, dilacera.
De só sofrer na espera
E quando à noite, finda a espera.
Há em mim um torpor que se agrega
Por um amor que assoma e se apega
Chegou o amor que de ha muito se espera
E de toda uma vida de espera
De uma dor que se agrega
De um torpor que dilacera
Nada mais importa.
Chegas-te.
Fim da Dor e da Espera