Do Voto Ao Verso
A cozinheira quis sair mais cedo
para correr à aula, mas o dedo
da patroa vetou: “Não, Herculina,
seja eleitora, bossa que é mais fina”.
E disse o avô sisudo para o neto
de três anos: “Pois que és analfabeto,
vai e vota por mim, que sou letrado
e temo não estar habilitado”.
Abrem-se escolas? Esse mau costume
é corrigido: agora se resume
em diploma de curso paroquial
a todo analfabeto eleitoral.
Mas vamos para a frente. Olha a revista.
Esse novo maiô bole com a vista.
Pois sim: miro e remiro a todo custo.
A peça foi tapada pelo busto.
E, sendo a moda assim tão escondida,
como saber se a moça está despida?
Só pode ser usado nas piscinas
particulares? Logo as turmalinas
ondas praieiras destes e outros mares
enchem-se de invisíveis exemplares.
Mas diz-que só a brotos interessa
a novidade… A peça prega peça.
E é tão ruim o meu pobre jeu de mots
que retiro da crônica o maiô.
Onde andará aquele tal suplente
convocado a assumir, em tom veemente,
e que se esconde, tão autocassado
que foge a léguas de ser deputado?
Procura-se, procura-se, procura-se
no chão, no ar, no mar, e esta figura se
oculta de tal modo da família,
que se homiziou sem dúvida em Brasília.
No mais, amiga, é este inverninho manso
que torna o Rio suave e em que descanso
o pensamento na manhã laivada
de névoa e luz tão meiga e temperada.
Ouve-se a Sinfonieta do Murilo
à noite, e no relvado crila o grilo.
Um piano fabuloso, se não erro,
dedilha-o Madalena Tagliaferro.
O Fernando Goldgaber mostra fotos
excelentes, e sou dos seus devotos.
Mas, se o frio castiga, vou ficar
junto de Jeremias Sem-Chorar.
Constou-lhe que Cassiano mata o verso?
Cria um mais forte no seu uni’verso.
E assim a lã me envolve: não é fria
a noite, se aquecida de poesia.
21/06/1964
Canção do Fico
Minha cidade do Rio,
meu castelo de água e sol,
a dois meses de mudança
dos dirigentes de prol;
minha terra de nascença
terceira, pois foi aqui,
em êxtase, alumbramento,
que o mar e seus mundos vi;
minha fluida sesmaria
de léguas de cisma errante,
meu anel verde, meu cravo
solferino, mel do instante;
saci oculto nos morros,
mapa aberto à luz das praias,
códice de piada e gíria,
coxas libertas de saias;
favelas portinarescas
onde o samba se arredonda,
e claustro beneditino,
sal de batismo na onda;
cinemeiro Rio, atlético,
flamengo ou vasco, porosa
urna plena do noivado
de uísque com manga-rosa;
meu terreiro de São Jorge,
meu parlamento das ruas,
andaraís, méiers, gáveas,
sob a unção de oitenta luas;
Cristo em névoa corcovádica,
bondinho do Pão de Açúcar
e pescarias na barra
— louca rima — da Tíjúcar (!);
Rio de ontem: Rui Barbosa,
na Rua de São Clemente,
mantendo acesa a candeia,
ciceronianamente;
Dr. Campos Porto, no horto
botânico, em meio a palmas
imperiais, que ao crepúsculo
são aves minerais, calmas;
minha igrejinha do Outeiro,
que Rodrigo zela tanto,
e entre cujos azulejos
esvoaça o Espírito Santo;
meus livros velhos nos “sebos”,
meu chafariz do Lagarto,
e esse tostão de paisagem
da janela de meu quarto;
e a tarde, imensa, pairando:
lá longe o Dedo de Deus;
calor, e sorriso, e brisa
que alisa os cuidados meus;
cidade que tantos bens
deste a todos, e tão pouco,
em gratidão e carinho,
agora te dão em troco;
malvestida, mal comida,
descalça, “dependurada”,
e conservando no rosto,
como cristais de orvalhada,
não sei que beleza infante,
gosto de viver, e graça:
pouco importa que te levem
o que, no fundo, é fumaça.
Rio antigo, Rio eterno,
Rio-oceano, Rio amigo,
o Governo vai-se? Vá-se!
Tu ficarás, e eu contigo.
21/02/1960
Recado
Ao comandante do navio Aldábi,
que ora deixa este porto: boa rota
e que tudo lhe corra a vento suave,
mas sobretudo, amigo, tome nota:
Vai no vapor alguém que recomendo
ao zelo neerlandês meticuloso
com tulipas ou vidas. Fique atento
quer ao concreto quer ao vaporoso.
Este é diverso, e verso, entre os turistas
papa-milhas errantes pela Terra:
as forças naturais lhe são submissas
à alquimia do verbo, que não erra.
Vai sobre o mar, ou leva o mar consigo?,
o mar de sentimentos brasileiros,
de pernambucanos, índias, infinito
viver em comunhão, alvissareiros
descobrimentos do subsolo humano
contidos na palavra cadenciada
que punge e que embalsama, e tanto, tanto
artifício gentil, noite-alvorada.
Foi bom que este seu barco se chamasse
algo assim como estrela, sem ser Vênus,
mas venusinamente abrindo espaço
claro e profundo a périplos serenos.
Que demanda o viajante? uma londrina
lua reticenciosa, a ponte calma
sobre o rio discreto, a meia-tinta
de coisas ocorridas dentro n’alma?
Mas Londres, por que Londres? Não pergunte
aquilo que ele mesmo não responde.
(“O poeta é um fingidor.”) Seu reino é Tule
ou Pasárgada, e fica não sei onde.
Leve-o, navio, em leve travessia
a essa Europa que o viu enfermo e velho,
e ora jovem e são, rico de vida,
irá vê-lo, milagre de evangelho.
Pois milagre é a poesia, Aldábi: leme,
angra, remédio, púrpura bandeira.
Zele e traga de volta, pontualmente,
o nosso grande e bom Manuel Bandeira.
21/07/1957
A Um Senhor de Barbas Brancas
Inscreves-te no concurso em Brasília e és aprovado
(línguas, noções de turismo, comunicabilidade),
chegas de locomotiva à festa dos portuários,
desces de helicóptero na Colônia Juliano Moreira,
passeias equipado de robô na rua da Alfândega,
vais de jato a Lisboa cumprimentar o cardeal Cerejeira,
fundas a Fundação que perpetuará teu nome,
e dizem, Papai Noel, que não existes?
Garotos podem apertar-te a mão na rua do Ouvidor.
Sessent’anos marcados pela vida
e pelo dente do salário mínimo.
És gordo. Estás suado. Tens cecê.
Também, com este calor de patropi,
queriam que recendesses a lavanda?
És mito, estás por fora do contexto?
O mito,
cada vez mais concreto em toda parte,
motiva os homens, cria o novo real.
A floresta de mitos desenrola
verdinegra folhagem sobre a Terra.
Por eles, vida e morte se defrontam
no combate de imagens.
Outro Natal, nos ossos velhos do Natal,
impõe seu rito, a força de seu mito.
Dás (vendes) geladeiras que teu gelo
vai vestindo de neve e crediário.
Vendes
o relógio, a peruca, o blended scotch,
o biquíni, o recheio do biquíni,
vendes rena e trenó (carro hidramático),
a ideia de Natal & outras ideias.
Ladino corretor,
vendes a ideia prístina de amor.
Só não creem em ti os visionários,
que agrides com teu estar perto e pegável.
Sonhavam-te incorpóreo: bruma de alma,
dar sem mãos, no ar aberto em vilancicos:
tudo que o aposentado do Correio
ou da Central ou da Sursan
ao preço de um biscate de dezembro
ou mesmo o concursado poliglota
não pode ser
nem parecer
nem dar.
Se Eliot despreza
the social, the torpid, the patently commercial
attitude towards Christmas, que importa?
Não és criador; és o criado,
que na bandeja trazes o mistério
trocado em coisas. Uma ternura antiga,
um carinho mais velho do que Cristo
reparte os bens a Cristo recusados.
Se não reparte justo,
se nega, esconde, furta
o anel à namorada que o pedia,
se estende a muitos um pudim de pedra
& sangue, sob a glace,
que culpa tens do feixe de pecados,
em prendas nos teus ombros convertido?
Père Noël, Father Christmas, Papai
adocicadamente brasileiro,
velhacamente avô de dez milhões de netos
alheios e informados,
tão afeito à mentira que mentimos
o ano inteiro e em dobro no Natal,
não te cansas, velhinho,
de jogar nosso jogo, de vender-nos
uma xerox da infância com borrões?
Não te enfada
ser mensageiro da mensagem torta
com método apagada
tão logo transmitida?
Sob o veludo amarfanhado
de teu uniforme de serviço,
na rosa rubra de dezembro,
junto ao berço de palha de um menino,
percebo a tristeza do mito
que aos homens se aliou para iludir
nossa fome de Deus na hora divina.
25/12/1969
Lira Pedestre
Finalmente
Aposentam-se por lei
deputados federais.
Sorri o eleitor: — Errei,
mas esses não erram mais.
Tiradentes
Já não reconheço o alferes,
por mais que lhe bote o olho.
Ele, baixinho: — Que queres?
Eu pus as barbas de molho.
Esperança
É tanta a água no cano
com essa nova adutora,
mas tanta, tanta, sabeis?
que a fala confortadora
levo ao meu paroquiano:
— Talvez chegue ao Posto 6.
Milagre da Copa
Bulhões a Campos, fagueiro:
— Enfim, domada a inflação!
Valorizou-se o Cruzeiro
e mais ainda o Tostão.
A Seleção
Vai Rildo, não vai Amarildo?
Vão Pelé e, que bom, Mané,
o menino gaúcho Alcino,
perdão: Alcindo, e mais Dino,
Altair, rima de Oldair,
ecoando na ponta: Ivair,
e na quadra do gol: Valdir.
Fábio, o que não pode faltar,
e também não pode Gilmar,
como, entre os santos dos santos,
o patriarca Djalma Santos,
sem esquecer o Djalma Dias
e, entre mil e uma noites, Dias.
Mas, se a Comissão não se zanga,
quero ver, em Britânia, Manga.
É canhoto, e daí? Fefeu,
quando chuta, nunca perdeu.
A chance que lhe foi roubada,
desta vez a tenha Parada.
Paraná, invicto guerreiro
para guerrear, como aqui, lá.
Olhando pro chão, Jairzinho
é como joga legalzinho.
Não abro mão de Nado e Zito,
nem fique o Brito por não dito.
Ditão, é claro, por que não?
e o mineiríssimo Tostão,
o grande Silva, corintiana
glória e mais o áspero Fontana,
Dudu, Edu… e vou juntando
bons nomes ao nome de Orlando,
para chegar até Bellini
em cujas mãos a taça tine.
Célio, Servílio: suaves eles
já completados por Fidélis.
Édson, Denílson e Murilo,
cada um com seu próprio estilo.
Um lugar para Paulo Henrique,
enquanto digo a Flávio: Fique!
Com Paulo Borges bem na ponta
eu conto, e sei que você conta.
Na lateral, Carlos Alberto
estou certo que vai dar certo.
Acham tampinha Ubirajara?
Valor não se mede por vara.
Até parece de encomenda:
Leônidas, nome que é legenda.
E, se Gérson do Botafogo
entra no campo, ganha o jogo.
Não podia esquecer o Lima
e seu chute de muita estima.
Com tudo isso e mais Rinaldo
e o canarinho de Ziraldo,
quarenta e seis, se conto bem
— um time igual eu nunca vi
em Europa, França e Belém —
que barbada seria o Tri,
hein?
03/04/1966
Míni-Míni
Míni míni míni míni
onde está esse biquíni
essa hipótese de saia
em projeto de menina
além da linha de outono?
Minissonho, mini-ideia,
miniarte, miniguerra:
será canção dormideira
que aos habitantes da insônia
traz o minirreconforto?
E onde está o minimorto
a gozar no minicéu
o miniprêmio da paz?
Dorme, dorme, nã nã nã,
fechando na tua palma
o resíduo de napalm
mais o grãozinho de arroz
brotado no Vietnam
entre pedaços de corpos
e princípios em pedaços.
Míni míni míni míni
tua bomba vira pílula,
que é muito mais baratinha
e dispensa de matar
dispensando de nascer,
mas sem dispensar a bomba,
seja limpa, seja suja,
que ao desperdício de chuva
causa a chuva radioativa.
O mundo não é mais bola,
melhor lhe chamem bolinha,
que na fração de segundo
a náusea espoca em modinha.
Entre o ácido lisérgico
e o óxido de deutério
que quer o meu camarada?
Quer as armas nucleares
quer os pagos estelares
quer as coisas singulares
assombrar Matias Aires
revelando o minicosmo.
Míni míni míni míni
ao sol a cigarra zine
diversa de sua mana
que zinia na janela
de Olegário Mariano.
Evtuchenko dedilhando
sua doce balalaica
para Salazar dormir.
E, se ao tédio vem o tédio
se somar, uma guerrilha
depressa, para espertar
quem esteja cochilando.
Angústias de Oriente Médio,
ó fazedores de morte,
que não cansais de fazê-la
em vossa maligna sorte
de redigir pesadelos,
quando deixareis à vida
a chance de ser vivida?
Entre dormido e acordado
entre descrente e dopado
entre vítima e soldado
entre embusteiro e enganado
entre silêncio e protesto
lá vai o meu homenzinho
mini-homem? miniensaio
de mais lúcido, mais gaio
ser convivente, vivente?
Míni nana, nana míni,
até que a vista adivinhe
solo amore per confine.
24/05/1967
Tago-Sako-Kosaka
Tago-Sako-Kosaka
vem da noite de Tóquio
atucanar-me a cuca.
Mas que cometa é este
que, flagrado na exata,
sua órbita me tapa
e não se vê de fato
nem tico de cometa
no azul-noturno mato?
Tago-Sako-Kosaka,
estrela de Belém
(dizem uns), e eu ataco:
por favor, a que vem
essa estrela tão tarda,
anunciar o quê?
por quê? de graça? a quem?
É anúncio, batata,
Tago-Sako-Kosaka?
Vem um outro Messias
no rumo de outra cruz
e é nela pregado,
ou de um poste, aqui mesmo,
Nova Iguaçu talvez?
Como apurar se o morto
era apenas um louco,
e louco é ver na estrela
um bilhete divino?
Tago-Sako-Kosaka
vende um novo automóvel
veloxsiderobárbaro?
uma nova mulher
sem falhas de motor,
ortografia e sexo?
vende novas crianças
de urânioplac, imunes
ao palavrão e ao tóxico?
Vem ao mundo contar
que surge a nova era
para os homens, enfim,
e tudo que era injusto
e tudo que era infame
a um sopro se espedaça
que nem folha de inhame,
e a nova realidade
é beleza e verdade?
Ou vem, quem sabe, estrela
de pavoroso augúrio,
comunicar o termo
da experiência terrestre:
tudo falhou, e resta
ao falido cientista
(oculto) arrebentar
de uma só martelada
a retorta e a cobaia?
Tago (três sábios), Sako
e Kosaka percebem
o susto que nos pregam
descobrindo esse astro?
E tão maroto é ele,
cometa ou o quer que seja
no espaço que negreja,
que nem se mostra à vista
nem dá pelota ou pista?
Sobre nós, sobre nosso
destino obscuro passa
o cometa nipônico,
todo mistério, e lança
a turbação e o pânico:
é signo de esperança?
correio de desgraça?
Ou mera promoção
de rádios do Japão?
E fico, a noite inteira,
interrogando a treva,
o guarda, a vizinhança:
Onde o cometa? sua
cabeleira não vejo.
Há de ser um cometa
da polícia secreta,
e nessas profundezas
é bom que eu não me meta.
24/01/1970
Poeta Emílio
Entre o Brejo e a Serra,
entre o Córrego d’Antas, o Aterrado, o Quartel Geral e Santa Rosa,
entre o Campo Alegre e a Estrela,
nasce em 1902
o poeta Emílio (Guimarães) Moura,
esguia palmeira
Pindarea concinna: o ser
ajustado à poesia
como a palmeira se ajusta ao Oeste de Minas.
E cresce. Viaja.
Vejo,
sob a lua perfumada a cravos de Barbacena,
alojado na Pensão Mondego,
o rapazinho fazer distraídos preparatórios
(para ser como toda gente bacharel formado)
e preliminares poemas
em busca da clave própria.
Advogado não seria,
posto que doutor de beca para foto de colação
— quem o veria requerer despejo?
— alegar falsidade de testamento?
— promover desquite litigioso?
Torcedor do Atlético, fumante de cigarro de palha marca Pachola,
quando não os prefere fazer ele mesmo
com ponderada, mineira, emiliana perícia,
eis Moura — de tantas noites andarilhas nas jasmineiras
ruas peremptas de Belo Horizonte.
O Diário de Minas, lembras-te, poeta?
Duas páginas de Brilhantina Meu Coração e Elixir de Nogueira,
uma página de: Viva o Governo,
outra — doidinha — de modernismo,
tua cegonha figura escrevendo o cabeço das “Sociais”,
nós todos na esperança de um vale do Bola — o Eduardinho gerente…
Com serenidade de irmão que vai ficando tio
e avô, e tem paciência carinhosa com os netos,
assistes ao passar de gerações:
A Revista, Surto, Edifício, Vocação, Tendência, Complemento, Ptyx,
ao morrer (Alberto puxa a fieira) e ao dispersar de amigos,
rocha sensível em meio à evanescência das coisas
de que guardas exata memória no coração de palmeira
solitária comunicante solidária.
Toda palmeira na essência é estranha
em sua exemplaridade:
palmeira que anda, ave pernalta,
palmeira que ensina, mestra de doutrinas
líricas disfarçadas em econômicas,
e o mais que esta conta em voz baixa, sussurro
de viração nas palmas:
amizade, teu doce apelido é Emílio.
Fiel à casa primeira e reimplantando-a
no lote da palavra,
fraco/forte diante da vida que corta e esfarinha,
sereno/desenganado, agulha terna apontando
para o enigma indecifrável do mundo:
poesia, teu nome particular é Emílio.
12/04/1969
Comendo Chapéu
James Mitchell, ministro do Trabalho
em Washington, D. C., e homem sério,
notou o contrassenso:
para o trabalho havia um Ministério
com toda a cibernética montagem;
para trabalhadores, não havia
trabalho.
Ora, Mitchell sentiu-se no dever
de dar emprego a quem não tinha mas queria
trabalho.
E garantiu que, vindo outubro, com ele vinha
trabalho tanto e em tal variedade
que seria trabalhoso e mesmo vão
evitar
trabalho.
E tão seguro estava do milagre
que prometeu de pedra e cal
comer de aba e copa o seu chapéu
(dele Mitchell, ministro do Trabalho)
se algum trabalhador ficasse ao léu.
Eis que outubro apontou, e bem contadas
as filas de chômeurs, verificou-se
que 3 200 000 pessoas
estavam sem trabalho
(40 000 a mais do que em setembro).
Mitchell não teve dúvida em cumprir
o seu enchapelado compromisso,
mas como tudo é chapéu, e o caso omisso,
mandou fazer
um de chocolate e nozes, e comeu-o
no hall do Ministério do Trabalho,
com o que, aliás, teve bastante
trabalho
mastigatório.
No Brasil, se os governantes resolvessem
comer chapéu ao falhar uma promessa
— de carne, de feijão, de água à beça
e outras metas maiores e menores —
todos os brasileiros passariam
a ter trabalho, e muito,
no ramo confeiteiro,
mas não havia chocolate que chegasse
e nem tampouco nozes
para chapéu de bolo no ano inteiro.
15/11/1959
Reportagem Matinal
Subo a Santa Teresa
para ouvir o sino
que na praia não se faz escutar.
(O rumor das ondas o abafa
ou só se escuta no seio do mar?)
Vai comigo o Poeta
relatando a paisagem
de muros intatos.
(Mais depressa morrem os homens
do que as casas de Paula Matos.)
— Neste convento minha prima
vive. Em total recolhimento.
A manhã, nos altos pagos,
tem a claridade primeira.
Velhas coisas se inauguram
continuamente, na luz, novas.
Conhecer-se tão mal o Rio.
Conhecer-se tão pouco o ar.
Conhecer-se nada de tudo.
Eis que ouço a batida nítida
no azul rasgado ao meio
perto
longe
no tempo
em mim.
Quando a palavra já não vale
e os encantamentos se perderam,
resta um sino.
Quando não este, o antigo sineiro
desce o roído degrau da torre
para nunca mais tocar,
resta, pensativo, no adro verde,
o menino escutando o sino.
12/04/1963
....quase uma quadrilha à moda portuguesa. A quadrilha daquela assembleia que nenhuma História quer ver entrar, de tanto entrarem e saírem dos bancos levam a população a crer que estamos a saque
.....sobre o que não se conhecia e, ébrio por conhecer vem porque o admira. Ele é muito reconhecido em Portugal e muito lido por uma vasta comunidade académica
Poeta completo.
Admiro muito este poeta e contista. Sua poesia mais contundente para mim e, Os ombros suportam o Mundo e a Rosa do Povo.
Adoro, fico extasiada quando leio os seus poemas
adoro seus poemas pois alem de nao ser tao dificil compreensao fica lindo e direto o que eu sinto
faser mais estrofes
amei você é d+ te amo nunca se encontra um brasileiro igual a você S2
adoruu toda a historia dele!!!!!!
Adorei muito Legaaallllllll................
Um Genio apaixonante sabe oq é amar a vida e as pessoas e a nutureza!!!!!
Bonita a historia dele adorei
Achei magnifica essa biografia parabéns ao autor
amo as poesia de Drummond,e genial,,,e fica a dica e so pros'''que sabe apresia tudo o que foi escrito por esse grande altor...assm ;;Reane batista da silva....
tem gente q só qer saber quando nasceu e quando morreu esses são os famosos enguinorantes eu nn curto muito poemas mais o desse cara é d+++ kkk '_'
Carlos Drummond de andrade um homem que transformava o cotidiano da vida em poesia jamais me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho......
gostei super legalllll !!!!!!!!!!
me imprecionou,mas sou supeito por ser fã
Amei sua historia......D+
Amei,Amei,Amei...d+!!!!
Adorei a história quero saber mais um
adorei a historia desse cara e demas
amo o poema José.
adorei a história dele muito interessante amei!!!!!!!!!