Lista de Poemas
Galope sobre as águas
lançar para a corrente as nossas flautas,
olhos de febre ardendo, e angústia quase,
como se morta fora entre os cansaços
a vida, antes presente nas sonatas
compostas sob a luz dos candelabros
antigos, que luziam sobre as magras
faces de sofrimento, ante os pecados
presentes, quando mares, quando vagas
enfeitam de evidência madrugadas,
vestem o mundo sublimar de prata,
ou quando as puras intuições nos trazem
demônios indormidos, em cavalos
que galopam farrapos sobre as águas.
Canção amarga
Sei dos males do mundo, da humildade
que devem ter os que andam pelo Vale.
Se a vida é breve e vã, como sabermos,
se vamos, se não vamos para a morte?
A morte ê a companheira cotidiana.
A segurança ê um mito, a rosa esconde
o novelo das línguas bipartidas
das áspides que estão sob a folhagem.
A traição é o Nome, a permanência
nestes tempos de coisas provisórias,
o uisque das garrafas é tão falso
quanto a moeda com que foi comprado.
0 mar da mágoa é vivo e vai tragando
o escuro barco nosso, que desaba.
Náufrago. Exista, pois, essa coragem
de assim reconhecer, porque é preciso.
0 resto é a noite, a noite imensa, a noite,
a noite dos mais trágicos fantasmas,
onde vêm ecoar risos convulsos
da convulsa histeria onipresente,
a circunstância e a pompa que a outros tentam.
O tigre
mesmo na de altos edifícios,
o pelo de aço, os olhos fogo,
passo de pluma, no silêncio.
Eis que te vê, no jogo sempre,
o meu olhar pleno de angústia,
sinto o teu passo após o meu
na dança má de raro ritmo.
0 canto, o abismo, o afã diário,
tua constância não desviam,
tigre no escuro, os olhos vistos
dentro da sombra, da mais negra.
Mesmo eu que vim de manhã clara
e do frescor de águas paradas,
do pôr do sol, da cor da terra,
amargo a angústia de saber-te
hora após hora ao pé de mim.
Tigre deitado na alcatifa
do piso neutro do escritório,
anjo (demônio) que me segue
nos apinhados coletivos,
que vai comigo no meu carro
na dura andança cotidiana.
Ó, tigre-tigre, fera-fera
de tão terrível simetria,
ferindo a carne (a interna carne),
ferindo o cérebro cansado
e o já ferido coração,
a tua garra, fio, lâmina,
como aproxima, cada dia,
o enfarte certo, a névoa eterna,
junto a este mar, sob este céu.
A bailarina dos sapatinhos de Andersen
que à festa das imagens comparece,
ao passo que por trás aranha tece
a teia complemento a essa paisagem
distante. Após, nos fumos, aparece
vestindo a prata e o cinza o estranho pajem
que a nós nos pareceu quase selvagem
se os sapatos vermelhos oferece.
E houve dança e houve morte, e morte e dança!
Enfim uma apatia suave e mansa
resposta a impulso de invisíveis molas.
E nós que fomos olhos, nunca passos,
desfizemos calores e cansaços
nos leques vegetais das castanholas.
Vento e conformação
muito de sombra e nada de aventura
nos não foi de surpresa se é costume
tenhamos nossas mãos assim pesadas,
já que em nós pesa o tempo enormemente
quando o vento nos vem e nos procura.
Sabíamos, há tempo, desde quando
eram verdes e mansos calendários,
que os pês seriam pedras de granito,
as mãos já não de plumas porém ferro,
quando tempo de inverno ou minuano
por nosso mal de roupas Se vestira.
E inútil de correr, lembras-te?, um dia
quisemos nossos passos apressados,
e os pés foram tornados de aderência,
para que todo o esforço se perdesse
por vão, que nunca o espaço obedecia
aos nossos gestos de buscá-lo ao longe.
Por isso o minuano desta tarde
muito de sombra e nada de aventura,
em alma e corjio a nós nos terá todo
na sua mais pesada densidade
E nos somos de entrega. 0 céu é preto,
a nuvem cpiase preta, o chão cinzento.
E nós, de olhos azuis - azuis por dentro,
por fora negros são, como os objetos
da noite improvisada nesta tarde
nós, de olhos sempre azuis, nos conformamos
porque nos resta o abraço praticável
ternura de que a noite é causadora,
mesmo quando a incerteza é quem a assopra
e a traz consigo para o lado nosso.
Daí, o grito morto, o não protesto,
o abandono de antigos calendários,
e a busca de que às mãos retornem plumas
apesar deste vento, desta tarde
toda de sombra e um pouco de aventura
Consuelito Morales
como rosa y claveles de pintura,
fue preciso romper a la armadura,
lanzas que los instantes ofertaban.
Y se hizo la forma en noche oscura
donde ojos como espuma se gravaban,
a lo lejos los líquidos se alzaban
haciéndose himno, fuente, rosa impura
Tus brazos son peninsulas, tenidas
entre deseo y ensueiio, coloridas
con las tintas de espanto y desatino.
Mientras nuestros caballos funerals
se deshacen, tus brazos son puiiales
con yestos que son carne y labios vino.
A bailarina dos sapatinhos de Andersen
que à festa das imagens comparece,
ao passo que por trás aranha tece
a teia complemento a essa paisagem
distante. Após, nos fumos, aparece
vestindo a prata e o cinza o estranho pajem
que a nós nos pareceu quase selvagem
se os sapatos vermelhos oferece.
E houve dança e houve morte, e morte e dança!
Enfim uma apatia suave e mansa
resposta a impulso de invisíveis molas.
E nós que fomos olhos, nunca passos,
desfizemos calores e cansaços
nos leques vegetais das castanholas.
A bailarina dos sapatinhos de Andersen
que à festa das imagens comparece,
ao passo que por trás aranha tece
a teia complemento a essa paisagem
distante. Após, nos fumos, aparece
vestindo a prata e o cinza o estranho pajem
que a nós nos pareceu quase selvagem
se os sapatos vermelhos oferece.
E houve dança e houve morte, e morte e dança!
Enfim uma apatia suave e mansa
resposta a impulso de invisíveis molas.
E nós que fomos olhos, nunca passos,
desfizemos calores e cansaços
nos leques vegetais das castanholas.
Atmosfera de aventura
nos mares de procura e desconforto,
doze velas velavam por um morto, o
amigo que não vira o céu do porto
de ter olhos de bálsamos ungidos
e estar o cais dos ventos abatidos
além dos nossos tímidos sentidos
longe das formas deste mundo torto.
Então para o recôncavo, onde as ilha
felizes são banhadas de andarilhas
vagas que são de amor nunca abandono.
E medo, se a tormenta é sempre amarga
e há sete corvos negros entre a carga,
de lá chegar a luz dizendo outono
Das não vindas barcas
que nos penetra os músculos do sono
e em mansa sonolência nos abate
- esperamos as naus que não vieram
cantando uma cantiga muito velha.
As naus de porcelana que trocamos
pelas canções compostas sob o outono,
que há sete dias estariam vindas
não fosse o triste encanto que as deteve
acaso, acaso as luas de naufrágio
dos bruscos temporais que as naus abatem.
Há sete dias estariam vindas.
Há sete dias nossos pés de chumbo
pelos seus frágeis chãos descansariam
de inúteis passos dados sobre o tempo
que ao fim do tempo a nada nos levaram.
Mas se vindas não foram não partiram
e em não terem chegado não levaram
nossos longos cabelos desgrenhados
por longos sete dias de distância,
que a distância seria o pão de trigo
da vida que ficou, porquanto a espera
de espera não passou, nos olhos foscos
não houve conclusão que outra não fosse
que ser na própria essência de inconclusa.
De quando as barcas nossas muito frágeis,
cascos de porcelanas importada
das índias, muito mais do que longínquas,
velas de seda pálida de alguma
península da China, a mais distante,
nos não levaram para aquelas rotas
que Andrômeda ilumina à luz da noite.
Ficamos neste porto imensurável,
maior que as nossas mágoas mais profundas.
Ficamos entre as bússolas inúteis
e os velhos instrumentos de partida,
entregues para sempre à insuficiência
dos nossos pés mais fracos do que as barcas.
E ao nosso amor, que dorme nestas sombras
enroscado entre os galgos do silêncio,
e entre a vaga esperança de que um dia
as naus trocadas toquem neste porto
e inesperadamente se emaranhem
nas magras e enredosas pontas dos
nossos longos cabelos desgrenhados.
Comentários (3)
Mas um orgulho para sua bisneta??
Parabéns pela iniciativa. Lindos trabalhos. Grade sensibilidade e de profunda inteligência
Querido primo. Um dos homens mais inteligentes que conheci na vida até hoje. Meu primeiro Mestre, aprendi muito com ele. Gratidão !
Discurso de Bernardo Souto na APL: Prêmio EDMIR DOMINGUES (27/01/2020)
Edmir Domingues - Dístico Para As Portas do Recife |Declamação de Poesia Brasileira Recitando Poema
Edmir Domingues - Canção do Que Fala |Declamação de Poesia Brasileira |Recitando Poema |Literatura
Sandra Cristina Peripato - O Circo (Edmir Domingues da Silva)
Versilêncios Trailer
#5 Se inda houver amor de Lucila Nogueira
Edmir Cruz - Ponte sobre as águas turvas
Edmir Cruz - Imagens
¡Kuky Romero incendió la pista con Cachete Sierra y Fiorella! Pisaron fuerte y emocionaron a todos
Iperó 48 anos - Academia de Letras de Iperó
PONTE SOBRE ÁGUAS TURVAS - Edmir Cruz
Academia Pernambucana de Letras - Marcos Cordeiro recebe Prêmio de Poesia.mp4
Viva Literatura - Lançamento do livro Navios Cargueiros, de Marcos de Andrade \filho
Viva Literatura - Lançamento do livro Navios Cargueiros, de Marcos de Andrade \filho
Viva Literatura - Lançamento do livro Navios Cargueiros, de Marcos de Andrade \filho
Viva Literatura - Lançamento do livro Navios Cargueiros, de Marcos de Andrade \filho
CLICK NOITE - ALLA SCALLA - ISABELA DOMINGUEZ
CLICK NOITE - ALLA SCALLA - CARMEM E ALVARO DOMINGUEZ
ORAÇÃO PELA PAZ - Canto de Comunhão/ Ação de Graças Tempo Comum
No podrás creer lo que creció la niña viral de con calma 🥺
Viva Literatura - Lançamento do livro Navios Cargueiros, de Marcos de Andrade \filho
Sextou no CREA com ART - Leonardo Coimbra e Gilson Queiroz
Edson Mendes de Araujo Lima – Membro da ALPA - Cadeira 26
🎭Nordeste enCantos Culturais Poeta/Escritor Marcos de Andrade Filho 06/07/22 @RADIOTVREPENSAR
PROGRAMA CLICK NOITE - 25/12/2017 - TV+ ABC
PROGRAMA CLICK NOITE - 09/12/2014 - NET ABC
CLICK NOITE - ALLA SCALLA - ROSELI E SANDRO TRIVELONI
Miren cómo ha crecido celeste ❤️😱
" Eu voltarei" Celso de Alencar lendo Cora Coralina
LINDOIA REITERA PEDIDO DE RECURSOS AO GOVERNO ESTADUAL.
CLICK NOITE - TS REVESTIMENTO - ANGELA TASCA
PROGRAMA CLICK NOITE - 04/04/2016 - TV+ ABC
Edimiron e Sandra - A Resposta do Choro
..::BABY BEEF JARDIM - SHOW SIMONE E IVAN LINS - FLÁVIA TEGÃO + NAURA DE NADAI::...
PROGRAMA CLICK NOITE - 28/03/2016 - TV+ ABC
Tocata Tiago Daniel e amigos músicos
Perguntas e respostas sobre Poesia - 1 / Prof. Bernardo Souto
Bárbara Estação
SANTOS INSISTE POR TADEU E VÊ RUMORES DE CONVITE PARA A COPA BR
Perguntas e respostas sobre Poesia Brasileira/ Prof. Bernardo Souto
CLICK NOITE - FLORENSE ABC - DIA INTERNACIONAL DA MULHER - CAROLINA GONÇALVES E CAROLINA GRECCO
CLICK NOITE - CASA CONCEITO ABC - INAUGURAÇÃO - RAFAEL DIAS
David Montenegro - Ponte Sobre Águas Turvas (Bridge Over Troubled Water)
Marco Aurélio (Ponte sobre as Águas turvas) Com legenda
Sessão Ordinária e Extraordinária - 06/06/22
2ª ETAPA 🏆 SURF TRIP SP CONTEST
PONTE SOBRE AGUAS TURVAS
GOME$ - Essa Miúda É Demais [Official Music Video] | 4910 Records
michel soto em breve em nas roda de samba
Tocata Sta Rita de Minas MG após ordenação do Adriano para diácono