Mornas eram as tardes em que te amava, Entre cálidos beijos com sabor de verão. As brisas leves ao passar anunciavam Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar? Segundos correndo atrás de segundos... Não sabem dos amores que como o tempo, Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias, Um sonho que poderia ser eterno... E como doce lembrança, sobrevive, Ao gélido sopro do amor no inverno.
De onde vem essa voz, Se no deserto em que me encontro, Apenas o nada, coberto de areia Se faz presente...
De onde vem esse aroma, Se sob esse sol escaldante, Nada vive, nenhuma flor, Nenhuma brisa a sentir.
De onde vem esse desejo, De viver, de renascer, de ressurgir... Se a semente que fui, Há muito ressequiu-se.
De onde vem tanto amor, Se o coração já não bate, Se o peito já não queima, Se o olhar já não brilha.
De onde vem essa saudade, Esse sofrer infinito, Se nunca pude lhe ver, Se nunca olhou para mim...
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Santa Paciência...
Tenha a “Santa Paciência!" Talvez seja pura inocência Pensar que a tal ocorrência, Possa ser santificada... Paciência é exercício Qual promessa de comício! Mesmo que acreditemos Que possa quiçá ser assim, É comum a tal “santidade” Uma hora chegar a seu fim.
Mas nada de desespero Sempre se pode ajeitar... Se faltar a paciência, Ponha a mão na consciência, Que tudo volta ao lugar. A vida ensina com a idade, Que paciência, na verdade, Tem como nome: Razão! Basta agir com cautela... Deixar de lado a emoção!
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Não sei.
Pensei em fazer um poema, Que tivesse como tema A força de uma paixão. Que pudesse traduzir O que se pode sentir Lá dentro do coração.
Pensei escrever em versos, A grandeza do universo, Ou o perfume da flor. Talvez inventar palavras, Que por si explicariam O que realmente é o amor.
Pensei usar da verdade, Para falar da saudade Que deixou um alguém que partiu. Falar da solidão Que nasceu com a desilusão, Que nosso peito explodiu.
Pensei que em poucos momentos Pudesse explicar sentimentos, Mas vejo que me enganei. Posso senti-los, vivê-los, Mas descrevê-los, confesso... Eu realmente, não sei.
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Versos talhados
Levo em meu peito, versos talhados, No gume da espada, no rubro da chama! Calor que arde e transforma em pecados Desejos que tal como éter se inflamam.
Gravei em Minh ’alma seu nome e seu rosto, E nem toda uma vida irá apaga-los. Segredos da mente e do coração, Pertencem a quem ousar em guarda-los.
Se, na beira do abismo, se vive ou se morre, E do mal de amar, ninguém nos socorre. Resta-me então ter o que nunca tive!
Ser a poesia, que envolve a paixão, Ou a alforria, desta escravidão, Pois da dor do amor, não se sobrevive...
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Recomeço
Quando morrem as expectativas, Morremos nós... E isso explica as grandes mudanças que ocorrem com aqueles que viveram a certeza da morte... Que não veio. É que daí para a frente, viver passa a ser urgente! É que daí, passamos a viver a prorrogação da partida. O placar parou empatado e é preciso continuar... Vencer a sorte, ir rumo ao norte Onde o fim está de mãos dadas com o começo... Ou recomeço. Corrigir erros, olhar o céu e imaginar o infinito. Olhar o feio e lhe imaginar... Muito bonito! Olhar o que não se entende para entender o que somos! Pequenos demais para carregar prepotências e arrogâncias. Na prorrogação, outra chance... A última para dar tudo de si e vencer a inércia e o desinteresse. E entender que vencer é um acaso O importante é participar.
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À deriva
Deito-me em seu regaço e habito em seus sonhos. Em sua aura, velejo por águas azuis. Sou agora parte de você. Estou em você.
Guio-me pela luz dos seus olhos na calmaria deste oceano, onde sopra a brisa do seu respirar e faz inflar-se o velame da minha existência. O som do quebrar das ondas, mescla-se no pulsar de seu coração.
Estou navegando à deriva.
Não existem rumos, quando o porto nos circunda. Não existem caminhos, quando o chegar não importa. Não existe o tempo, quando o relógio emudece, o sol permanece e a lua, apenas espera...
Seu amor aquece, seu carinho aconchega. O leve tremor de seus lábios... Prenúncio das lavas de uma paixão que queima, teima, persiste, resiste, arrasa e faz renascer... Milhares de vezes ao dia, milhares de dias por hora.
Quero morrer de outra vida e resurgir em sua alma, em cada noite que se faça, em cada manhã que insista... Em cada flor que se abra e viva apenas um dia, de tamanha plenitude, de completa harmonia.
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RECORDAR
As noites vêm sorrateiras, espreitam as auroras do sol, Escondem-se por detrás das tardes, nas cortinas do arrebol. Lançam no céu a lua, assim que a luz adormece... Dia após dia é assim... Mas de um amor, não se esquece.
Não se desfazem momentos, não se apagam ilusões, Não esmorecem os tormentos que feriram corações... Nunca se olvidarão, os sabores nascidos nos beijos, E o som das palavras doces, como de anjos... arpejos.
Dia e noite, noite e dia, lembrar-se-á da alegria, Que hoje se faz saudade... Que agora é só nostalgia... Ah! Se nos fosse possível, se soubéssemos fazer, As manhãs voltarem no tempo, e esse amor renascer...
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Sedução
Mas, e essa inquietação, da qual desconheço a razão, que teima em me envolver... Acontece a todo instante, de forma independente do fragilizado querer.
Mas, e esse calafrio, Esse “quase” arrepio que toma conta de mim... Me faz perder a calma, mexe fundo com a minh’alma, Em uma tortura sem fim.
Esse aroma que respiro, Que toma conta do ar e esparze dentro do peito... Não adianta fugir, Parece até me seguir, Vou aspirar, não tem jeito.
Esse som que me domina, E que me faz flutuar Em uma leveza singela... É o som mais puro do mundo Encantamento profundo, O doce som da voz dela.
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Menino
No ar, ouço o riso alegre, de uma criança a brincar. - Você não me pega! Diz ela... E sai em disparada, Correndo, para algum lugar...
Meio a esta alegria, vem também a nostalgia, Da criança que eu fui, algum dia... É tão bom e tão lindo lembrar.
Ah! Como o tempo é cruel, por nunca se poder voltar, Ao tempo feliz que menino, frágil, pequenino, Eu me punha a brincar.
Onde estarão meus amigos, que juntos brincavam comigo? Onde foram parar?
Será que hoje recordam, dos nossos tempos felizes, Das nossas risadas alegres, do nosso brilho no olhar? Os mesmos olhos despertos a um mundo a ser descoberto, Hoje, de tanta saudade, estão me vendo chorar...
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Adeus solidão
Ah! solidão, é hora de partir! Ela voltou para mim! É verdade! Hoje você vai embora, porque eu vou ficar Com a felicidade!
Ah! cruel solidão, Que comigo morou neste tempo incerto. Não sei se já era costume Viver com você, sob o mesmo teto.
Quando adentrou pela porta No dia em que ela me disse adeus. Vi a felicidade, sorrindo ir embora, E eu ficar com você, sem os sonhos meus.
Agora, tudo mudou! O que já foi triste, feliz vai ficar! Solidão, a porta está aberta... Pode sair, pra nunca mais voltar!
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime