A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

n. 1950 BR BR

Natural de São Paulo.Nascido a 07 de março de 1950.A poesia não é um potro selvagem que possa ser laçado e domado. Poesia é alma. Alma de passarinho.

n. 1950-03-07, São Paulo

Perfil
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Alquimia do tempo


Mornas eram as tardes em que te amava,
Entre cálidos beijos com sabor de verão.
As brisas leves ao passar anunciavam
Esse tempo, marco maior da nossa paixão.

Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar?
Segundos correndo atrás de segundos...
Não sabem dos amores que como o tempo,
Transformam os corpos amantes em vultos?

Restou somente em nossas memórias,
Um sonho que poderia ser eterno...
E como doce lembrança, sobrevive,
Ao gélido sopro do amor no inverno.
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Biografia
Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.

Poemas

719

Fuga

 

Não desejo a luz. 

Que qualquer vestígio de sua presença, se apague. Quero o escuro total da solidão, da amargura, do sofrimento.

Quero deixar de pensar, de sentir, de querer, de ouvir, de sonhar. 

Preciso de paz.

A escuridão não me permitirá ver os dedos que apontam meus defeitos e o silêncio fará com que não ouça as lamúrias das reclamações.

Não saberei do canto dos pássaros e do borbulhar das nascentes de águas límpidas. Não ouvirei o vento a soprar-me ilusões e assim não sofrerei o desejo de viver.

Quero o escuro breu na noite porque sei que não suportarei olhar em seus olhos 
e saber que eles não olham nos meus.

 

A poesia de JRUnder

212

Seu riso

 

Seu riso espontâneo e livre...

É assim como um anestésico para aliviar as dores de minha alma. A tensão se desfaz e o medo desaparece.

A vida se deixa ver como fosse um botão de rosa oferecendo-se ao futuro...

A paz de sabê-la em paz!

Meu coração se acalma, minha atenção se fragmenta em milhares de detalhes que me traduzem esse   "seu momento".

Como é bom vê-la sorrir.

Quanto bem me faz, o seu instante de felicidade e a eternidade em que o desfruto...

72

O giz do arbítrio

 

 

E não pude me socorrer e mais um dia se passou.

Os pássaros cantaram pela manhã, noticiando a chegada de um novo dia.

As águas do lago refletiram o dourado do sol que ainda tímido sublimava o frio da noite.

O riacho murmurou a placidez das horas em mesmice infinita.

Flores se abriram, sorrindo para a perenidade do momento, enquanto outras se fecharam anunciando um entendimento da vida que jamais pude alcançar.

E no céu azul as nuvens pintaram de branco as figuras imaginárias e únicas, presente da criação para mostrar que o infinito mora apenas no olhar.

Tão simples e até singelo o passar deste dia.

Amanhã não serei mais o mesmo.

Estarei modificado pelos fatos de hoje, pelas lições inacabáveis escritas pelo tempo, 
na negra tela rabiscada pelo giz do arbítrio.

143

Candelabros

 

Que se tenha por utopia estar amando

Enquanto os braços do sofá limitam os corpos.

Dá-se ao salão o direito ao espanto

Da escuridão mórbida à frágil luz do encanto.

 

Espreguiça-se no chão o vil tapete, 

No silêncio onde crepitam carvões

E imitam o que arde dentro ao peito, 

Na loucura onde crepitam corações.

 

Tinge a lua de luar toda a varanda, 

Baila a cortina enquanto canta a brisa

E apaga a luz do candelabro.

 

Na penumbra se esbarram sussurros, 

De um grito ao gentil murmúrio, 

Qual prisioneiros em um porão macabro.

57

Anjos de barro

 

Abram suas asas!

Voem, por sobre a humanidade na terra.

É urgente que todos possam vê-los,

É urgente que todos possam crê-los.

É preciso que se pare esta guerra.

 

Urge a verdade, urge o remédio,

Para um mal que carece da cura.

É pura a maldade que fere a inocência,

E nela arroga, a culpa da amargura.

 

Abram as asas e nelas acolham

As ovelhas humanas, desgarradas

Da sociedade infame, vítimas

Da natureza que se faz errada.

 

Anjos de barro, soldados da vida,

Ouçam o clamor desta gente sofrida.

Carentes de fé, esperança e amor

Distantes da vida e de seu criador.

 

244

ÚNICA

Única

E a vi, cabelos entregues ao vento, mistificando seu rosto.

No esvoaçar de suas vestes, a sensualidade dos elixires e das cores.

E a chamei “princesa” e fiz reverências ao momento.

E a vi sob o sol, corpo dourado de verão, a desfilar sobre a areia.

E a chamei “deusa” e tornei-me seu servo fiel.

Quando a vi no jardim e o luar cobria de prata o seu sorriso,

Derramando sobre as flores da mesma luz com que a enaltecia,

Conheci finalmente da paixão, o mais profundo sentido.

E a amei.

135

Adoração

 

Na noite que nos envolve, apenas o luar e as estrelas iluminam seu corpo.

Prosto-me aos pés do altar em que adormeces e ofereço-me em adoração. Suas pálpebras guardam o doce e a luz do seu olhar e o compasso do seu coração inunda minha vida de paz.

Aromas de amor perfumam os seus sonhos...

O imortal estremece. 

O infinito se apequena.

 

81

Nunca

Nunca saberei dos teus lábios
E não ouvirei as batidas do seu coração.
Nunca sentirás meus dedos em seus cabelos
E não secarei as lágrimas em sua face.

Mas estaremos perto um do outro...
E nos cruzaremos nas calçadas
Nos tocaremos no aperto de algum elevador
E quem sabe dividiremos o gosto pela mesma música.

E seremos estranhos no mesmo mundo, 
Sob a luz do mesmo luar. 
Assistiremos o nascer do sol refletindo sua luz sobre o mesmo mar
E respiraremos do mesmo ar.

Passaremos um pelo outro sem nos reconhecermos, 
Mas nossas almas serão gêmeas.
Mesmo feitos um para o outro, 
Viveremos sós.

185

Fui feliz.

 

Lhe dei meu olhar triste e meu direito ao sorriso,

Meu último pensamento ao adormecer e o primeiro ao despertar.

Entreguei em suas mãos, meus objetivos, meus anseios e meus sonhos,

Meu olhar perdido para infinito, lá onde nasce o mar e o horizonte...

Minha contemplação. Meu tempo, em cada segundo.

Alimentei minhas esperanças enquanto esperava por você e desenhava meu futuro quando ouvia a sua voz.

Descobri a minha felicidade escondida em cada canto de sua alegria e deixei-me afogar em cada lágrima sua.

Agora, frente ao espelho, não reconheço meu rosto. A vida passou e por ela passei, anestesiado assim, pelos seus cuidados e pelo seu carinho.

Fui feliz.

214

Que saudade!

 

 

Um dia ela foi embora e fiquei só, na verdade.

Por anos vivi assim: Eu e a minha saudade.

E a saudade era doída, muito me incomodava.

Não tinha como esconder o quanto me machucava...

 

Cansado enfim dessa vida, procurei nova paixão...

Precisava de um conforto. Dar paz ao meu coração!

Por procurar encontrei, uma nova companheira

E pensei em ser feliz. Agora, para a vida inteira.

 

Mas que nada... Só piorou! Melhor o mal que o remédio!

Mudou tanto a minha vida, que sinto falta do tédio.

Se antes me achava infeliz, vejam só que sina a minha...

Hoje, sinto saudades, da saudade que eu tinha!

 

 

 

A poesia de JRUnder

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Comentários (21)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.