Pequeno itinerário
Eis a simetria:
a vida é maior
que qualquer dia
é que sua metragem
deve-se ao tempo
como se fora régua
de medir cada momento.
Eis a simetria:
o amor é maior
que toda ventania
é que sua paisagem
no peito dos viventes
constrói assim um amanhã
nos ontens da gente
Eis a simetria:
morrer é quase um tempo
de alegria
é que sua metragem
quando houve vida consome
todas as réguas
de quem fica.
Pequeno excerto de coletivos modos
A verdade é só um jeito
que a multidão teima em dar
dentro do peito
é que sempre vige na gente
entornadas pelas avenidas
as passeatas que teimamos
em construir pela vida.
Pequena toada de sono e madrugada
o olho não fecha
apenas lavra
os restos da vida
que ficaram
e a noite não dorme
apenas acha
no vão de cada sonho
uma urgente lágrima
Poema ao catador de papéis
catas o lixo
como te constatas
ausência de tanta
eficácia
carpes a vida
intransformada
repetição do que é tudo
em nada
buscas as letras
de verbos intransponíveis
que nem precisam de olhos
para serem lidos
fardos que sintas
em tuas costas
de consumir verbos
que nem notas
e lavras o lixo
em concordata
numa digressão
desmatemática.
Palavras a Rita Nunes
de onde não estejas
inventarás um riso enorme
e anunciarás a vida
mesmo na morte
e dos degraus do tempo
em que te convocas
haverá manhãs risonhas
batendo em nossas portas
tua fuga é apenas um gesto
dos risos em que te postas.
Pequena digressão com laivos de poema
sósia de mim
me desconheço
nos outros tantos eus
em que me teço
é que viver
é só um jeito
de trazer multidões
dentro do peito
Patriótica
o raciocínio não medra
quando a bruta fome ensina
a sofreguidão de todas as pedras
que vige tão latente e intestina
qual a definitiva pose
como se fora definitivo
o que não houve
e rói o peito da pátria
a pan-nacional sentença
de que cada pátria
é apenas um instante
da hora definitiva
da humana consciência
e há de viger o coração
no brasileiro drama imbuído
nesse pulsar da exausta consciência
que pulsa em vão todos os sentidos
ode aos meus possíveis adversários
ganhaste o jogo,
em qualquer circunstância,
não concorro
perco,
até adredemente,
pra me guardar em lutas
que a história me consente.
ode em tudo
o primado da madrugada
decreta em sua instância
melhor distribuir-se em tudo
que ter da vida apenas a esperança
a primeira noite
é jazida avara
resto de manhã
numa tarde rasa
o princípio da vida
é quase, sobretudo,
um riso amanhecido
atravessado no mundo
pequena alusão ao meu País
lavro a esperança
com a mesma magnitude
com que a chuva cria
os mares que não pude
e se não me estranho
é que me permito
ser um impatriota
com todas as nações em riste.
é muito pouco
ser brasileiro
quando vai pela alma
o mundo inteiro.
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.