AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
312 617 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3560

Poeminha de limites

meu âmbito

é estar em trânsito

e anunciar-me à vida
e nem tanto

e nem ser adrede
em cada pranto

por cada grão de riso
que encontre
 
meu âmbito

é estar humano

e parecer-me crível
a tudo que eu canto.
106

Poema às paredes de vidro

nem sempre a transparência

deixa de ser cortina

se não se escrevem nos meus olhos
os materiais que adivinho
 
e paredes mais não sejam
que invólucros mal inscritos
nos muros gerais

dos meus sentidos
135

poema ao meu avô

meu neto

dentro de mim

é um avô descontrolado
tantas as razões de células
que ainda guardo

e que entornam pelos olhos
quando em desagrado
 
meu avô

dentro de mim

é um neto inconcluso

tantas as faltas que reclamo
e que explodem no coração
quando as uso
 
eis a similaridade

todo avô é sempre um neto
em que não se cabe.
106

Poemeto a Manuel Marulanda

da Colômbia

medra a dança

de um exército

de homens e de tempos
Marulanda
 
guerrilheiro da vida
Manuel avança

os metros todos

de sua larga esperança
e o bolivariano povo
cuida de estar atento
ao futuro a que se lança
 
e por trás da vida

há uma latina prontidão
de todos os marulandas
em rebelião
132

Poeminha de certezas latentes

Sempre haverá um povo
nos arredores do futuro
mesmo que não haja tempo
para dizê-lo em tudo
 
sempre haverá um tempo

nos arredores do povo

mesmo que não haja um futuro
guardado em cada bolso
 
tempos
são
 apenas arquiteturas

de quem constrói as manhãs
nos descaminhos da luta.
100

Poema de circunstância

era um tempo

de agosto

13 os dias, se tanto

e assim, de repente,
em horas avulsas

a alegria deu um salto
com ares de luta
 
e eu me pus em mim

com a certeza intacta

de que a vida é um tempo

dos agostos
e das lutas que nos faltam.
109

do amanhã em largo espectro

o amanhã
é só um ontem reprimido
é um tempo que esqueceu
de ser vivido

pousa na memória
como bólide inconcluso
à espera das estradas
em que possa estar em uso

O sonho é só o cordão
que lhe atraca no futuro.
81

Da vida em ombros de verbos

o dorso da vida é largo
cabe tudo quanto vivo
e nem lhe sobra espaço
para não conter o que digo
é que palavra é um tempo
num espaço tão contido
que às vezes explode a razão
de se dizer o que disse
e o verbo toma partido
na deslembrança de tudo
como se fora um discurso
que não quisesse ter curso
e se perdesse nas ruas
das inconstâncias do uso
96

Poema de proporção

Tudo de nada

é quase um não

mantida a destemperança
da razão
 
nada de tudo

é quase um vão

de quando se inventa
a revolução
 
 
 
89

Paisagem I

E o mar deitado na praia
vivendo as coisas do sonho
espera que a lua acorde
e pule nua em seus ombros

e cavalgue a manhã
com a presteza dos passos
de quem inventa uma paz
rodeada de abraços
110

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado