AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
313 803 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3604

Da ilha e seus limites

Cuba é só um jeito
de trazer a liberdade
dentro do peito
é que trazê-la assim
nesse avarandado
ressoa no tempo
como um grave salto
que a vida dá, quase sempre,
quando a história inventa
em ser do povo um espaço
que convenha

Cuba é ilha e olho
assim atravessada
na face impotente
dos canalhas

Ilha
basta-se limítrofe
de todas as liberdades
que estejam em riste





120

da wiphala em grávida fala

a wiphala assim tangida
é indígena e alma de povo
da pátria grande
e das pátrias do novo

estandarte
não se presta à lida
de enrolar-se em mastros
mas nos braços da vida

a wiphala é um discurso
adredemente colorido
que se deita pelos Andes
inventando avenidas

169

Da prática em vínculos tácitos

a prática
divide
a suficiência do fato
e a humana crise

a prática,
como que  avisa,
tudo que é verdade
é matéria prima 

e lúdica
no desdizer da vida
a prática ensina a luta
em suas oficinas
95

Das palavras do povo em sintaxe exata

uso a palavra
guardada em cachos
assim como em árvores
de uma extensa mata

o verbo me semeia
numa ilusão exata
de que homens cavalgam
os rumos das palavras

e exatamente público
engulo as gramáticas
que meu povo planta
pelas praças
80

Das velas de mim em teu encalço

Dos mares que velejo 
perdido assim em teu abraço
tolerarei as ondas que não meça
dividirei os tempos que não possa
porque de nada-los a cada passo
do que eu consiga em teu encalço
deixe-me restar infinito em tua graça
profundamente livre de mim mesmo
115

Do futuro e suas saudades

nada do que vivo
sempre morre
guardo em baús
uns futuros enormes
que chegam a fingir saudades
quando, cedo, tardo
é que lhes aturam insones
os tempos em que lhes lavro.
102

Da felicidade e sua lógica

a felicidade
é só um jeito
de prestar-se a tanto
basta que se lhe dê vontade
é um quê de esperança.

é que de fluir baldia
nos tempos da vida
presta-se coletiva
mesmo indivídua
e cai nos braços do homem
sempre dividida:
uma parte é crédito
o outro tanto é dívida

é que a felicidade
em todos os sentidos
é sempre um débito
que ao outro é devido.
92

Das constrições ritmadas

a mulher
terça o terço
como se debulhasse
seu avesso

as aves
todas marias
voam a ansiedade
em romaria

à distância, no discurso,
os pais nossos 
indispostos anunciam:
fica decretada a remissão
dos terços, das horas e dos dias.

139

do cacto em contubérnio inato

o cacto
é só um pacto
entre o espinho
e o espaço
a terra
é só o ato
de tangê-los
no deserto dos fatos
a paisagem
é só o desacato
da flor que se inventa
nos soluços que prolata
168

Do riso em mim com mares e correntezas

Meu riso
é um jeito
explícito
de ficar comigo

é que me consinto
mesmo baldio
atravessar todas as léguas
do que desafio

nada como nadar meus mares
nas jangadas do que rio.
150

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado