AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3604

poema do amor provecto

a Lane Pordeus
 
meu amor
é avesso ao tempo
tudo que lhe mede
é invento
da razão de tê-la
cerzida, assim,
às alegrias todas
do que penso
 
meu amor
é um grande comício
de todos os tempos que ouso
nos ombros dos sentidos.
117

Das confluências do eu

O entorno da vida
é também a vida
mesmo que a razão a contradiga
coisa que enseje
um tempo à deriva
como barcos e verões
em contradita
o entorno da vida
é também um trato
nada do que não seja eu
é meu compasso
minha régua é um tempo
em que sempre me abraço

123

Do poema em clara prospecção

Excerto de mim
o verbo intenta
esgrimir a vida
e suas consequências
 
palavra
nem se contenta
em só cutucar a alma
de quem pensa
 
o poema é um exercício
dos atos e das avenças.
163

Pequena alusão aos tempos do espaço e a perene desavença humana

O infinito
não é só espaço
há um tempo embutido
em seu descampado
depois de si
traz outros infinitos
que desabotoam a razão
e todos os sentidos
 
é como parecer um mutirão
de todos os destinos
por decretar-se avulso
apesar de ser contínuo.
115

Das encruzilhadas dos sentidos

Dou-me a um infinito:
nas curvas do que sinto,
todos meus ancestrais
habitam meu grito.
 
Por que não faze-los hóspedes
das larguras do meu  riso? 
137

Das medidas e dos enredos

a medida de mim
é sempre o povo
tudo que me faz humano
é o jeito do outro
e uma ligeira compreensão
do que é novo.
80

De caminhos e outros tais

Nos andares de minha patria
descabem quase de si
uns tantos milhões de passos
que não passam por ali
caminham por sobre muros
na alma assim declarados
e nem disfarçam o futuro
do que ficou no passado
 
nos muros de minha terra
há um grito disfarçado
que trava o peito do homem
como se for a um arado
que rasgasse a alma do tempo
como um imenso pecado.
164

Da palavra e seus paladares

A palavra,
avara,
discursa em si
o futuro do que cala
verbo que se queira chama
de atiçar a calma.
 
É como um bordado de letras
na boca de quem fala;
é assim uma cachoeira
dos rios que se tem na alma.
166

Dos mercados e sua gesta

O tempo
posto fora
afugenta o curso
da memória
 
a ânsia do ter
assim imposto como fardo
monta no ser
um desejo inventado
 
O shopping center
adredemente
é um curral de lucro ensaiado
173

Novamente o tempo

Ao tempo
dê-se a impressão
de parecer-se exato
apesar de não
e que sua textura
revele a consistência
de tudo que não se cobra
nos desvãos da consciência
 
ao tempo’
dê-se o desatino
de consumir-se avulso
pelos caminhos
quando a constância da forma
traia-lhe o jeito
a desoras
 
ao tempo
dê-se a textura
de manter-se intacto
mesmo em andaduras
porque lhe sobre a feição
de transeunte constante
que mede sempre nos passos
o rumo que lhe tange
 
ao tempo
dê-se regra cogente
tudo que lhe some diminua
o que se tem pela frente
porque não seja mistério
um certo quê de repente
que teima em dar aos olhos
um espaço diferente
 
ao tempo
dê-se a monotonia
de parecer-se uma noite
que nunca chega a ser dia
pois lhe falta a parcimônia
um pouco mais apressada
que teima em fazer do tudo
um pedacinho do nada
 
ao tempo
dê-se a sinergia
de ser paisagem eclética
dos espaços e das lidas
pois lhe reverbera a função
de parâmetro inconcluso
das incertezas que as gentes
carregam pelo mundo
 
ao tempo
dê-se a dialética
de franzir-se amiúde
quando em futuro se sabe
os passados que pude
e que lhe sustenta um contrário
a contracorrente do mundo
 
ao tempo
assim à contraluz
negue-se-lhe o rumo
a que o olho conduz
por contradizer-se retilíneo
nas curvas em que se produz
 
ao tempo
dê-se um coração milimetrado
e todas as réguas possíveis
de todos os compassos
pois é de tê-lo medido
no tamanho de cada abraço
 
ao tempo
dê-se o outro,
como em nós, oficina
a construção do que somos
nessa humana usina
que navega todos os mares
daquilo que nos oprime
 
ao tempo
dê-se o não
como afirmação absurda
de tudo que se permite
quando a vida abunda
e derrame-se constante
naquilo que nos desusa
 
ao tempo
dê-se a outra face
nesse mister tão avaro
de permitir-se avulso
e quase à vontade
na exata proporção
de tudo que não seja tarde
 
ao tempo
dê-se o anonimato
de quem remói nas palavras
um silêncio inato
que nem precisa ser verbo
para dizer-se liberdade
 
ao tempo
dê-se a consistência
de ser um mar atravessado
no varal da consciência.
189

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado