os olhos discursam o amor na proporçaão inata da parcimônia que finge nos infinitos da alma cada olhar resume o trânsito das veias da vida em seus encontros o homem inventando a face escreve com os olhos o gosto da imagem a que posta no mundo a que dita na vontade
O infinito instiga a vê-lo nos palmos com que medimos a vida
é que o espaço é um tempo disfarçado que cabe em cada mão que saiba olhá-lo.
130
Dos trilhos em razão do maquinista
O maquinista nem cogita de viver dos trilhos da vida
antes habilita-se a tanger no trem todas suas lidas
e culpas não agita nas bandeiras do peito em que acredita
o maquinista nem pressente que leva nos trilhos os sonhos das gentes
para si adredemente sonha apenas as locomotivas do que sente.
171
Novamente o tempo
Ao tempo dê-se a impressão de parecer-se exato apesar de não e que sua textura revele a consistência de tudo que não se cobra nos desvãos da consciência
ao tempo’ dê-se o desatino de consumir-se avulso pelos caminhos quando a constância da forma traia-lhe o jeito a desoras
ao tempo dê-se a textura de manter-se intacto mesmo em andaduras porque lhe sobre a feição de transeunte constante que mede sempre nos passos o rumo que lhe tange
ao tempo dê-se regra cogente tudo que lhe some diminua o que se tem pela frente porque não seja mistério um certo quê de repente que teima em dar aos olhos um espaço diferente
ao tempo dê-se a monotonia de parecer-se uma noite que nunca chega a ser dia pois lhe falta a parcimônia um pouco mais apressada que teima em fazer do tudo um pedacinho do nada
ao tempo dê-se a sinergia de ser paisagem eclética dos espaços e das lidas pois lhe reverbera a função de parâmetro inconcluso das incertezas que as gentes carregam pelo mundo
ao tempo dê-se a dialética de franzir-se amiúde quando em futuro se sabe os passados que pude e que lhe sustenta um contrário a contracorrente do mundo
ao tempo assim à contraluz negue-se-lhe o rumo a que o olho conduz por contradizer-se retilíneo nas curvas em que se produz
ao tempo dê-se um coração milimetrado e todas as réguas possíveis de todos os compassos pois é de tê-lo medido no tamanho de cada abraço
ao tempo dê-se o outro, como em nós, oficina a construção do que somos nessa humana usina que navega todos os mares daquilo que nos oprime
ao tempo dê-se o não como afirmação absurda de tudo que se permite quando a vida abunda e derrame-se constante naquilo que nos desusa
ao tempo dê-se a outra face nesse mister tão avaro de permitir-se avulso e quase à vontade na exata proporção de tudo que não seja tarde
ao tempo dê-se o anonimato de quem remói nas palavras um silêncio inato que nem precisa ser verbo para dizer-se liberdade
ao tempo dê-se a consistência de ser um mar atravessado no varal da consciência.
189
Acróstico ao Camarada Che Guevara
Camarada, vives pelas almas Herdadas do vão dos teus atos Empilhadas em grávido desacato
Gastas as memórias Urdidas em tua luta Espaços bordados da história Varando os céus de Cuba Até que o coração do povo, Ruas, cidades e todo a terra Avance pelo mundo a casa geral de todos
162
Palavras a George Floyd
A garganta inventa na palavra uma bandeira negra desfraldada
a garganta respira o mundo com a força da paz e a certeza de tudo
e o tempo grávido de povo aponta a trilha de inventar o novo.
134
Discurso em avante afeto
A pedra no meu peito tem a largura do teu grito e voa e rasga a manhã montada em meu sorriso
a graça do meu peito é ser teu abrigo e armazenar todos os abraços uns musculares, outros implícitos
a estrela da manhã é teu indício guardadas as infinitas proporções em que te sinto
e ao fim e ao cabo és, assim, tão constantemente, que tudo é um verbo tenaz de explicar o que se sente.
167
Poema ao povo de Gregório Bezerra
o coração, camarada, é um cigano desgarrado que ainda pulsa a vida apesar dos fardos
o povo, camarada, ainda arranha o futuro com a persistência do tempo e a insistência do discurso
a revolução, camarada, ainda é jeito apressado de esparramar a verdade nesse imenso descampado.
146
Das refregas e seus limites
Ganho de mim todas as disputas ninguém ganha do outro quando se luta
é que combater é sempre uma desculpa de quem enfrenta no outro sua própria culpa
ganhar é só um jeito de medir a luta.
125
Palavras ao Camarada Maia no fragor da luta
Quantos vulcões restarão na tua boca que ainda cuspiremos a vida em tão extremo desconforto?
assim renhido na batalha tanta quem adivinhar te possa a esperança?
és um inifinitivo que ninguém alcança convulsa a realidade enrolada em suas tranças.
115
Do uso da verdade e seus modos
A verdade nunca trai o gesto de absolutizar a vida em seu interno
a verdade é tática sempre lhe cabe um futuro por inexata
a verdade, amiúde, tem estratégias é que lhe parece jovem ser velha.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.