Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
costure-se o fato
nos ombros da história
todos os cerzidos
dos homens e das horas
do que fora a linha
na coletiva agulha
aviem-se os pontos
do viés da luta
e de-se a conjuntura
do bordado tempestivo
dos que cosem o tempo
com a trança dos sentidos
em mim
quanto vivente
distrato o nunca
como intento
vigas postas
como sementes
aram a vontade
de estar sempre
vivo-me unânime
em cada salto
os que me vivem
os que me matam
tudo é a contradicao
da matéria em seu canto
coadjuvante do infinito
o sonho inventa
todas as razões
em que se mede e tente
rasgo humano
bólide da insistência
construção de futuros
em suas avenças
o sonho amadurece
quântica consciência
razão de ser tanto
por conveniência
essa mania intensa
de chegar-se à vida
como invento
o bolero de Ravel
assanhava o tempo
na cadência inata
do pensamento
o som
gritando o mundo
escondia nas notas
o gosto do futuro
o jovem
solfejando os sentidos
entoava em si
o bolero da vida
o rio
sussurra no tempo
discurso retirante
da corrente
a matéria
pulsando líquida
molha de paisagem
o vão da vida
o rio
quase distraído
esquece de si
em suas trilhas
medida de ser quanto
coisa de ser assim
vau do infinito
e por conter-se quanto
num viver indefinido
o amor deu-se de tanto
brincando de infinito
lançou-se no tempo
abarcando o mundo
inventando horas
no vão dos segundos
deu-se a insistência
de restar como tarde
inventando a vida
assim como saudade
do engenho de tanto
cumpra-se a matéria
companhia do tempo
nas avenças do cerebro
contenha-se desmedida
nas estradas que invente
resquícios dos coletivos
cometidos como viventes
e tenha-se resoluta
no amor em que já fala
plantado como eterno
nas dependências da alma
em 14
1883 de março em curso
o camarada Marx
beliscava o futuro
o que morria em si
o que plantava no mundo
satélite da razão
deu-se ao curso
de viver na morte
quanto discurso
Marx fez-se vivo
em novo trâmite
abraçado à luta
já unaânime
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.