Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
vertente da saudade
vagarosa urgência
a vontade adormece
o passado na gente
raia os sóis
quanto universo
em todos os mundos
que carrega
minúscula órbita
infinitos intentos
condução recorrente
das urdiduras do tempo
a saudade é quase um futuro
que o passado consente
a palafita, em tese,
nos ombros do rio
esconde do mangue
as falhas da vida
a correnteza
como colar do tempo
pendura nos homens
o sofrimento
o mangue
envergonhado
crava nos olhos
sua paisagem
um certo quê de natureza
enganando a tarde
assim construído
em braços de viventes
pulse inteiro o futuro
nas costas do presente
gosto, assim, da vida
guerreada e recorrente
assim consentido
no vão das ruas
escorra nas palavras
como veias da luta
construção humana da matéria
em cada punho do futuro
o mar
bordando a praia
tecia nos olhos
como paisagem
os desejos escondidos
do homem e da tarde
humano
cumpria a vontade
de remar na vida
quanto o mar
tanto a liberdade
o tempo
dava-se ao custo
de parir-se noite
como futuro
isca do povo
a história insiste
deixar-se nas ruas
passeatas e gritos
jogando o mundo
em seus comícios
o cheiro da vida
borrando as calçadas
dao-se a levantes
pelas madrugadas
é como se o tempo
fosse bordado
no croche da luta
no eito das empreitadas
o homem assenta o mundo
inventando suas estradas
nada como tanto
poderá sentir
cada contorno
das culpas criadas
nas ruas do povo
nada como tudo
podera medir-se
na crista da história
no vão das crises
tudo como tanto
dar-se-á medido
no intenso clamor
do punho coletivo
minha pauta
de estar comigo
depende de todos
que consigo
essa humana prontidão
da matéria em sua lida
na conjuntura
dar-se a militância
pressupõe a fuga
de sua instância
quando em si
o homem só é todos
quando pulsa a vida
nas ruas do povo
meu carnaval
assim calado
desfila pela vida
os blocos da alma
o frevo
intimamente guardado
tece nas ruas do peito
o bordado dos passos
assim deflagrado
em suas avenidas
assume a alegria
arma construída
recorrente compasso
assim dado à vida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.