Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o rio
sussurra no tempo
discurso retirante
da corrente
a matéria
pulsando líquida
molha de paisagem
o vão da vida
o rio
quase distraído
esquece de si
em suas trilhas
medida de ser quanto
coisa de ser assim
vau do infinito
e por conter-se quanto
num viver indefinido
o amor deu-se de tanto
brincando de infinito
lançou-se no tempo
abarcando o mundo
inventando horas
no vão dos segundos
deu-se a insistência
de restar como tarde
inventando a vida
assim como saudade
a lua
como foice iluminada
bordava o céu
tatuando a madrugada
o sono
ainda inadimplente
disfarçava de sonho
o pensamento
o jovem
adivinhando o futuro
tramava as praças
do seu discurso
o comício
como relâmpago
firmava seu curso
o bolero de Ravel
assanhava o tempo
na cadência inata
do pensamento
o som
gritando o mundo
escondia nas notas
o gosto do futuro
o jovem
solfejando os sentidos
entoava em si
o bolero da vida
a história
montando a matéria
argumenta a vida
em suas teias
conto do universo
da-se às paginas
construindo o nexo
de cada trama
a matéria
conformada e combatente
inventa-se de tanta
em suas frentes
construi-la no mundo
é humana vertente
no meio da manhã
ainda tardo
esquecida em mim
a noite arde
todos os sonhos
em que tarda
as horas
soltas no tempo
embaralham a vida
no pensamento
futuros que habitam os sonhos
confundem o tempo
em mim
quanto vivente
distrato o nunca
como intento
vigas postas
como sementes
aram a vontade
de estar sempre
vivo-me unânime
em cada salto
os que me vivem
os que me matam
tudo é a contradicao
da matéria em seu canto
em 14
1883 de março em curso
o camarada Marx
beliscava o futuro
o que morria em si
o que plantava no mundo
satélite da razão
deu-se ao curso
de viver na morte
quanto discurso
Marx fez-se vivo
em novo trâmite
abraçado à luta
já unaânime
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.