Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a passeata
sanha das ruas
desfilava unânime
sonhos e lutas
cada passo
em coronária lida
pulsava a multidão
no colo da avenida
a revolução
disfarçava o novo
com jeito de dança
nos passos do povo
o frevo
assim descambado
pelas ladeiras da alma
esquece o tempo
na vista do homem
inventando madrugadas
raiando dias nas noites
inventando nas passadas
os infinitos que as pernas
derramam pelas calçadas
é como se o mundo vivesse
os sonhos que montasse
Olinda inteira discursa
os bemóis de sua fala
a vida
desgarrada
invade de si
a madrugada
o homem
pulsa a vontade
no afã inato
de cursar a liberdade
como povo
no vão das lutas
ensaia no peito
a sabença das ruas
os amanhãs
serão tamanhos
exata proporção
de cada humano
construídos em tanto
inventados em quanto
na exata medida
da vida em seus lances
invenções da matéria
dão-se ao seu custo
lutadas no tempo
como inato futuro
minha pauta
de estar comigo
depende de todos
que consigo
essa humana prontidão
da matéria em sua lida
na conjuntura
dar-se a militância
pressupõe a fuga
de sua instância
quando em si
o homem só é todos
quando pulsa a vida
nas ruas do povo
vertente da saudade
vagarosa urgência
a vontade adormece
o passado na gente
raia os sóis
quanto universo
em todos os mundos
que carrega
minúscula órbita
infinitos intentos
condução recorrente
das urdiduras do tempo
a saudade é quase um futuro
que o passado consente
assim construído
em braços de viventes
pulse inteiro o futuro
nas costas do presente
gosto, assim, da vida
guerreada e recorrente
assim consentido
no vão das ruas
escorra nas palavras
como veias da luta
construção humana da matéria
em cada punho do futuro
na saudade
misturados
milito meu riso
com lágrimas
tudo que me ri
deságua
e como um rio de mim
nas correntezas da alma
o gosto da vida
dá-se num recado
esse jeito do riso
molhado do passado
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.