Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
nas vias da vida
avie-se humana
saga coletiva
sanha e sonho
esse maquinar inato
de estar-se tanto
nas vias do mundo
envie-se coletivo
artimanha exata
de estar consigo
o brincar da matéria
é um porto infinito
no meio da manhã
ainda tardo
esquecida em mim
a noite arde
todos os sonhos
em que tarda
as horas
soltas no tempo
embaralham a vida
no pensamento
futuros que habitam os sonhos
confundem o tempo
a lua
como foice iluminada
bordava o céu
tatuando a madrugada
o sono
ainda inadimplente
disfarçava de sonho
o pensamento
o jovem
adivinhando o futuro
tramava as praças
do seu discurso
o comício
como relâmpago
firmava seu curso
e por conter-se quanto
num viver indefinido
o amor deu-se de tanto
brincando de infinito
lançou-se no tempo
abarcando o mundo
inventando horas
no vão dos segundos
deu-se a insistência
de restar como tarde
inventando a vida
assim como saudade
o bolero de Ravel
assanhava o tempo
na cadência inata
do pensamento
o som
gritando o mundo
escondia nas notas
o gosto do futuro
o jovem
solfejando os sentidos
entoava em si
o bolero da vida
pétala da vida
exercício humano
a mulher deflagra
um amor unânime
infinito que guarda
em veias e ventres
fábrica de si
paz recorrente
a mulher de tanta
faz-se sempre
usina de todos
amanhece os homens
como viventes
degraus de si
deixe-se escada
escala da vida
quanto vontade
esse desejo sanha
de assanhar a alma
estrada íntima
de-se ao passo
horizontes de si
quanto astronauta
voos possíveis
no vão da alma
construir-se medida
quanto compasso
da humana partitura
da vontade
em mim
quanto vivente
distrato o nunca
como intento
vigas postas
como sementes
aram a vontade
de estar sempre
vivo-me unânime
em cada salto
os que me vivem
os que me matam
tudo é a contradicao
da matéria em seu canto
o genocídio
estrangeiro protocolo
esgana Gaza
a vida e a lógica
podre
em sua notícia
regurgita no mundo
a sanha sionista
a história
humana guerrilheira
arruma no tempo
suas bandeiras
as que tremulam a vida
as que sujam suas teias
o poema em Gaza
da-se arma e gana
o eu lírico engasga
em todas as Palestinas
que se tem na alma
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.