Lista de Poemas

Artifícios luzentes de olhares e fatos

as luzes artificiais
não apontam
todas as paisagens
do que contam

antes adormecem
os olhos incautos
deitados ansiosos nos clarões
das artimanhas dos fatos

a escuridão, às vezes,
no seu viés mais farto
aponta todos os futuros
das luzes de seus atos
121

Estradas em invenção desatada

caminhar
é só um passo
das estradas que pulsam
em nossos braços

espalhá-las
pelos caminhos
é como consumir
todos os destinos

transeuntes
de nossas direções
o vento desarruma
os arrepios das emoções

inventar estradas
é só arrumar o nosso vão
110

das leis e armas e privado canto

minha lei
é a vida
e tudo que a diga
coletiva

minha arma
é a luta
e tudo que a grite
pelas ruas

minha fala
é o tempo
e a palavra de todos
em que me tenho

meu viver é tanto
o quanto de mim eu canto
100

Histórica vazão em rasa conversa

a história a cada dia
pousa na verdade
como uma andorinha tenaz
da liberdade

pousada
nos ombros da razão
dói os quilos de vergonha
de quem a tem em vão

e seus reclamos
na pauta da vida
resgatam os viventes
em suas investidas

cavalga-la a cada momento
é percebê-la pelas esquinas
72

Do vazio em declarada sugestão

o vazio
é só um indício
dos esconderijos
do infinito

pesa
no indivíduo
todas as montanhas
que estão consigo

palmilha-lo
é artifício
de quem é transeunte
de seus precipícios

ao homem cabe brincar
todos seus infinitos
107

Da passeata em corrente pulsação

na passeata
o coração procura
inventar as pulsações
no ritmo da luta

a marcha
como uma bandeira humana
drapeja todos os risos
como uma intensa chama

e o homem
trazendo-se à vida
acaricia o futuro
no peito da avenida.
86

Vivências em hodierna trama

era um tempo
tão sempre
que me deixei
para depois

as horas de mim
são futuros vividos
nas esquinas das ruas
e dos meus sentidos

nada do que vivo
deixa de ser preciso
a vida é só o laço
dos cabrestos do infinito.
108

País dizente das pátrias gerais da vida

o país
é só um mapa
que traçamos no peito
como marca

na verdade
é confluência
dos enredos que a vida
constrói na consciência

o verdadeiro país
é o infinito
a pátria geral dos homens
em todos os sentidos

vive-lo agora é só um momento
enquanto o futuro não vingue
94

Do povo em marcha resumida

e no roldão das ruas
cerzido às horas
o povo caminha a vida
em faltas e demoras

esmagado pelas vias
permite-se em licenças
e ri um rito atônito
de quem vive em urgências

e há dias tantos
em que acorda
e dá um laço enfeitado
nos cabelos da história
90

Desejos em arrazoada latência

simbólico
o caminho argumenta
todas as estradas
que os desejos tentam

fluem
em doses intensas
como uma cachoeira enorme
na consciência

e desembocam
em trilhas e medos
como um pensamento baldio
perdido pelos becos

ainda bem que há deles
em que dirigimos seu enredo
86

Comentários (10)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.