Lista de Poemas

Pássara manhã em canto desatado

ao dar-se à manhã
no sibilar da garganta
o passarinho edita o tempo
nos jornais da vizinhança

aos ouvidos do povo
como bemóis compassados
o canto enche a cidade
de todos os compassos

e o pássaro nem percebe
que dentro dessa cantiga
inventa um jeito displicente
de abraçar-se com a vida
108

Das notícias em debandada

as notícias
caminham lúdicas
em busca de neurônios
e de culpas

arrastam fatos
como arapucas
e desdizem direções
nas suas curvas

e os verbos
em revoada
laçam o homem
pelas calçadas

a notícia é quase um ato
de criar razões e fatos
47

Da permanência das ruas e dos sentidos

de tua face
pende a vida e o riso
e o jeito imenso
dos sentidos

engoles o mundo
quase à vista
em prazos do amor
em que tramitas

e assim transeunte
dos sentidos e das ruas
deixas tuas pegadas
nos verbos que discursas

deixar-se inteiro no tempo
é o exato apelo da luta
59

De rumos em simetria coletiva

tuas pernas
são estradas internas
que alinhavam destinos
pelas costas da terra

caminham
sob a governança
das certezas avulsas
e das esperanças

bota-las em marcha
é intuir como rumo
aquilo que o peito inventa
como caminho de tudo
e juntá-las ao caminho do povo
é descobrir-se no mundo
134

Pandêmica jornada

e o ar da noite
nas costas do tempo
infla a solidão
no pensamento
a pandemia
impede a vida
consumida no povo
e nas avenidas
o futuro só espia
pelas frestas da luta
a proximidade intensa
da imensa alegria.
106

Do futuro como presente

nas manhãs do futuro
estarei presente
nos ombros de todos
apesar de ausente
é que pedaços da gente
perambulam no tempo
como íons intrometidos
em memórias viventes

e o futuro começa hoje
na luta de quem o sente
é assim como uma cachoeira
caudalosa e recorrente
104

Pandemia em ritmo e amostras

a morte expurga
os detalhes e indícios
de prorrogar a vida
em claro genocídio

bestas tangidas
como humanas cópias
atravessam as ruas
como falsas lógicas

e os homens
tangem a história
na exatidão dos tempos
abraçados à demora
75

Da chinesa menção da luta

a luta
é um ba-guá recorrente
pinta todas as cores
do futuro que se sente
e ainda inventa bandeiras
com as certezas das gentes
e quando solta nas ruas
joga o mundo lá na frente
109

Da fome em trânsito de lucros e vergonha

amarrotados,
em colo materno,
o menino e a fome
enchem a rua de berros

o cenário
estampa nos autos
uma vergonha grávida
de horror e sobressaltos

e a fome transita,
envergonhada e incólume,
nas cordilheiras dos lucros
das ruas em que corre
91

Favelas em decúbito rasante

favelas
pulsam os rompantes
de quem humano
vasculha a fome

favelas
fatiam o custo
e a vergonha gasta
dos parasitas do lucro

favelas
guardam um futuro
alinhavado no tempo
contra os absurdos
86

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.