nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Sonho em manifesta gestão
a poesia
é um arrepio da palavra
em verbos que agitam
os cabelos da alma
a poesia
é um recado adrede
alinhavado nos corações
em que se perde
a poesia
é um gesto
e tudo em que o sonho
é manifesto
vive-la é só o manuseio
do onírico protesto
é um arrepio da palavra
em verbos que agitam
os cabelos da alma
a poesia
é um recado adrede
alinhavado nos corações
em que se perde
a poesia
é um gesto
e tudo em que o sonho
é manifesto
vive-la é só o manuseio
do onírico protesto
62
Das inadimplências focais
o olho em ondas
cronometra a paisagem
como um labirinto indigente
das culpas da imagem
joga ao cérebro
como uma ciranda
os verdes do mundo
e todas suas sombras
a mente, exausta,
procura o jeito da vida
e no peito da mata
foca, sombria e dividida,
o retrato queimado
de todas suas vistas
cronometra a paisagem
como um labirinto indigente
das culpas da imagem
joga ao cérebro
como uma ciranda
os verdes do mundo
e todas suas sombras
a mente, exausta,
procura o jeito da vida
e no peito da mata
foca, sombria e dividida,
o retrato queimado
de todas suas vistas
127
Encruzilhadas em diversa visão
Nas esquinas da vida
há sempre várias rotas
umas de abrir o tempo
outras de fechar as portas
é que a vida é encruzilhada
de infinitas respostas
tudo que é de todos
é o que, em nós, importa.
há sempre várias rotas
umas de abrir o tempo
outras de fechar as portas
é que a vida é encruzilhada
de infinitas respostas
tudo que é de todos
é o que, em nós, importa.
65
Nacional tramitação de povo e liberdade
à deriva
o país aderna
como uma nau envergonhada
e introspecta
os homens
nessa viagem
naufragam em si e trôpegos
engolem a realidade
e o tempo ainda novo
constrói a moenda da verdade
adivinhando no povo
as quilhas da liberdade
nesses mares tempestivos
em que só a luta nade
o país aderna
como uma nau envergonhada
e introspecta
os homens
nessa viagem
naufragam em si e trôpegos
engolem a realidade
e o tempo ainda novo
constrói a moenda da verdade
adivinhando no povo
as quilhas da liberdade
nesses mares tempestivos
em que só a luta nade
81
Operária transição em citadina cena
no ônibus
em vasta confluência
o operário alinhava
sua paciência
as carnes
e uma ansiedade exata
lavram os suores
de quem se sabe máquina
e a cidade
murmura apressada
os sons da exploração
pelas paradas
o operário tramita a vida
como uma estranha debandada
em vasta confluência
o operário alinhava
sua paciência
as carnes
e uma ansiedade exata
lavram os suores
de quem se sabe máquina
e a cidade
murmura apressada
os sons da exploração
pelas paradas
o operário tramita a vida
como uma estranha debandada
73
Remanso do povo em clara sinergia
meu povo
pulsa o país
como uma enchente
dos rios todos da vida
em que se consente
voa por ares
que nem sabia
e pousa sempre liberto
no peito da ventania
é que o futuro ri o mundo
mesmo que agora grite
assim como quem em tudo
mantém a vida em riste
pulsa o país
como uma enchente
dos rios todos da vida
em que se consente
voa por ares
que nem sabia
e pousa sempre liberto
no peito da ventania
é que o futuro ri o mundo
mesmo que agora grite
assim como quem em tudo
mantém a vida em riste
47
Impetrações da vida em ritmo corrente
lavro a petição
em verbos urgentes
ante todos os embargos
que a vida apresente
e nesse pugnar
eis que me advirto
que o sonho é ação
impetrável e decido:
sonhar é um direito
de estar sempre comigo
ao próximo reste a luta e as ações
que construo como ofício
em verbos urgentes
ante todos os embargos
que a vida apresente
e nesse pugnar
eis que me advirto
que o sonho é ação
impetrável e decido:
sonhar é um direito
de estar sempre comigo
ao próximo reste a luta e as ações
que construo como ofício
85
Das andanças do tempo com a paz em trama
e nas madrugadas
boiando no povo
o futuro argumenta
um mundo novo
resvala nas ruas
num comício exato
de palavras e gestos
de inventos e atos
e a paz, guerreira,
sobe aos ombros da noite
e tremula um canto
como bandeira
e, por fim, acostumada
dorme com o futuro pelas calçadas
boiando no povo
o futuro argumenta
um mundo novo
resvala nas ruas
num comício exato
de palavras e gestos
de inventos e atos
e a paz, guerreira,
sobe aos ombros da noite
e tremula um canto
como bandeira
e, por fim, acostumada
dorme com o futuro pelas calçadas
60
Cordel de viver frequente
há que girar o mundo
como navega a mente
e em cosmos encontrar
um dorso competente
para balançar os futuros
de todos esses viventes
e assim como uma ciranda
das coisas que se sente
possa o tempo alinhavar
as horas em que assente
como um bemol esparramado
na pauta de toda gente
e viaje todos os rumos
em sentido consequente
frutificando a razão
com a luta nos dentes
como se fosse um sertão
saindo dessa nascente
e que os homens sejam, enfim,
uma alegria somente
como navega a mente
e em cosmos encontrar
um dorso competente
para balançar os futuros
de todos esses viventes
e assim como uma ciranda
das coisas que se sente
possa o tempo alinhavar
as horas em que assente
como um bemol esparramado
na pauta de toda gente
e viaje todos os rumos
em sentido consequente
frutificando a razão
com a luta nos dentes
como se fosse um sertão
saindo dessa nascente
e que os homens sejam, enfim,
uma alegria somente
140
Caminhada de viventes em caminhos impostos
quando o caminho da vida
lá dentro da gente
é só um beco fortuito
daquilo que se sente
perdura exato na dúvida
como encruzilhada
e destrói as ilações
na dialética que abraça
caminhos assim serão sempre
essa ilusão das estradas
que nunca levam ao tanto
mas completam a jornada
como se o destino custasse
o desconforto da alma.
lá dentro da gente
é só um beco fortuito
daquilo que se sente
perdura exato na dúvida
como encruzilhada
e destrói as ilações
na dialética que abraça
caminhos assim serão sempre
essa ilusão das estradas
que nunca levam ao tanto
mas completam a jornada
como se o destino custasse
o desconforto da alma.
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.