nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Ode aos professores
no meio da sala
o homem discursa
os verbos da paz
as palavras da luta
nos ouvidos,
em calados gritos,
a fala intenta
todos os sentidos
o professor, grávido do mundo,
ensina a si o seu ofício
o homem discursa
os verbos da paz
as palavras da luta
nos ouvidos,
em calados gritos,
a fala intenta
todos os sentidos
o professor, grávido do mundo,
ensina a si o seu ofício
97
Das ranhuras da pele em saga vigente
insubmissa e gasta
a pele retratava
as léguas da vida
em que se gastava
seus desenhos
humanamente alinhavados
retratam as costuras
que futuram seu passado
a pele é só uma moldura
que habita nosso quadro
a pele retratava
as léguas da vida
em que se gastava
seus desenhos
humanamente alinhavados
retratam as costuras
que futuram seu passado
a pele é só uma moldura
que habita nosso quadro
74
Das tangências do triste em comento
minha crise
é estar sorrindo
e em riste
mesmo quando triste
nada do que não é futuro
me permite
ter o tempo à mão
quando a tristeza insiste
é que rir é um projeto
dos caminhos intensos
de quem espanta a dor
com trejeitos de vento
sorrir deixa rastros
nas estradas do tempo.
é estar sorrindo
e em riste
mesmo quando triste
nada do que não é futuro
me permite
ter o tempo à mão
quando a tristeza insiste
é que rir é um projeto
dos caminhos intensos
de quem espanta a dor
com trejeitos de vento
sorrir deixa rastros
nas estradas do tempo.
50
Poema
poetas não serão presidentes
falta-lhes a mania
de construir presentes
poetas não serão presidentes
porque suas manhãs
são noites transigentes
poetas não serão presidentes
é que presidir verbos
é coisa de quem sente.
falta-lhes a mania
de construir presentes
poetas não serão presidentes
porque suas manhãs
são noites transigentes
poetas não serão presidentes
é que presidir verbos
é coisa de quem sente.
74
Pequena autocrítica
minhas culpas
trago-as todas
em desculpas
quando melhor não fora tê-las
como justas
minhas culpas
levo-as todas
em desuso
quando melhor não fora vive-las
como sustos
trago-as todas
em desculpas
quando melhor não fora tê-las
como justas
minhas culpas
levo-as todas
em desuso
quando melhor não fora vive-las
como sustos
89
Pedras em constante intermédio
as pedras
usam o tempo
como um invólucro
inerte e displicente
é que lhes custam uma memória,
quando descuidadas,
dos tamanhos da vida
das histórias que guardam
e testemunhas, constrangidas
nem declaram
as vicissitudes do homem
que as espalham
usam o tempo
como um invólucro
inerte e displicente
é que lhes custam uma memória,
quando descuidadas,
dos tamanhos da vida
das histórias que guardam
e testemunhas, constrangidas
nem declaram
as vicissitudes do homem
que as espalham
40
Poema a Vovó Titinha em saudade posta
minha avó
dizia sem voz,
inscrita no retrato,
todos os verbos
e todos os caminhos
em que estivemos separados
doía em mim
minha presença
à falta de tê-la
como presente
nos descaminhos saudosos
da consciência
minha vó era um mar enorme
e eu nem pude sofrer sua ausência
dizia sem voz,
inscrita no retrato,
todos os verbos
e todos os caminhos
em que estivemos separados
doía em mim
minha presença
à falta de tê-la
como presente
nos descaminhos saudosos
da consciência
minha vó era um mar enorme
e eu nem pude sofrer sua ausência
127
Ode à renitência
por que fugir
quando ainda a hora
é pouca para ser tarde
se ainda hoje mesmo cabe
todo centímetro do coração?
há um tempo
de rever as empreitadas
e consumir como tudo
o que é quase nada
quando ainda a hora
é pouca para ser tarde
se ainda hoje mesmo cabe
todo centímetro do coração?
há um tempo
de rever as empreitadas
e consumir como tudo
o que é quase nada
92
Tempos em declarada força da vontade
rasuro as manhãs tristes
com o riso declarado
de quem espana o tempo
como um sobressalto
tudo dorme calado
quando a vontade insiste
em ter-se enclausurada,
posta em cabides
e assim que se estampa
como chicote da angústia
constrói usinas de tanto
abraça o jeito da luta
e o homem consome em ondas
todos os tempos que disputa
com o riso declarado
de quem espana o tempo
como um sobressalto
tudo dorme calado
quando a vontade insiste
em ter-se enclausurada,
posta em cabides
e assim que se estampa
como chicote da angústia
constrói usinas de tanto
abraça o jeito da luta
e o homem consome em ondas
todos os tempos que disputa
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.