AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
314 654 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3641

Do riso como vontade

tanger os ventos
com o riso
é como inventar
todos os indícios
de que a vontade
é um precipício
onde desembocam
todos os atos
em que sejamos coletivos

construir o futuro em suas costas
é trafegar o tempo em comícios
52

Das amortizações humanas no tempo

a palavra
posta em fios e íons
atravessa o mundo
em desvarios

morse
agora engavetado
escuta a cibernética
em dígitos desesperados

e os correios da vida
esparramados no tempo
vivem a ânsia fugitiva
das ondas do pensamento

e o homem digitaliza
todos os sentimentos
53

Introspecção

sou agora
o tão empírico
no comício geral
dos meus sentidos

sou
além da certeza
a dúvida e o achado
pela natureza

vivo o cosmos
com a filosofia no bolso
a distribuir em cada sentimento
o povo

sou
exageradamente antigo
essa certeza intacta
das mortes que consigo
63

Materialidade em discurso corrente

a matéria
que por ser eterna
conclui-se na não conclusão
de suas perdas

força de si mesma
figura plástica do sempre
marca causal das energias
que vivem variavelmente

menina eterna
gestos indefinidos
na revolução carente
em busca dos sentidos

fotons e fatos
geridos nesse ventre
de máquina mater
do desenvolvimento
134

Novamente aos torturados com indícios

o corpo moi a tortura
no vão da consciência
e o ferro que fere a razão
explicita a luta
que se engravida da prática
sem as doses de culpa
que tangem a inocência
de quem habita as ruas
o ferro grava chamas
na carne escorraçada
mas do vão da razão
como uma nesga de força
a consciência explode um grito
engravidado do povo

que essas grades virem pão
nos braços do povo
e que a liberdade
louca pelas ruas
transite todas as alegrias
e deite-se confortável
nos braços dos torturados
como uma grave bandeira.
81

Do poema em formas e substância

o poema
não é milagre
mas pode estar cedo
quando tarde
é que o verbo é conteúdo
mesmo quando a forma
nem sabe

o poema
não se deixa indiferente
é sempre um discurso
mesmo desarrumado
e reticente

a forma é só uma palavra
dos conteúdos em que assente
65

Verborrágica vazão da dor em síntese

a dor
possui os resquícios
que as palavras lançam
em seus comícios

eis que avança
como dor e verbo
e flui em ondas
em destempero
lanhadas todas as ternuras
pelo chicote do medo

a dor é só um disfarce
dos verbos sem enredo



148

Olga Benário em rápida preleção

Olga
tinha nas faces
todas as verdades
em que lutasse

íntima do futuro
discursava a luta
como um verbo farto
livre e sem culpas

e num abril
morta em sua carne
deixou-se pela história
como uma grande nave

Olga era um rompante da vida
em sua grave humanidade
150

Despedida

o adeus
murchou minha mão
e uma paz insurgente
fez-se à frente

chorei
e toda lágrima
era um lago exato
da prática

e como água
era um lago intacto
de quem sobrou da ausência
cheio de cansaço
139

Do morto em indolores torturas

a morte
escapa do porto
no espaço biológico
do morto

no navio
insurgente
o torturador mergulha
os restos de gente

e a vida segue
decadente
até que uma quilha
arrebente 
106

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado