Lista de Poemas

Poemeto em gramatical aclive

os adjetivos
substantivam
quando em mim
estou escrito

pesco a razão
nos estribilhos
e distribuo verbos
em armistício

o poema é só um tempo
de estar comigo
montando advérbios
nas letras que consigo
131

Das direções do medo e outras vias

as manhãs do medo
nascem vadias
nas entrelinhas das horas
em que não se vivia
tangendo a memória
por passadas vias

e a ânsia desborda
a simples monotonia
de quem sonha um tempo
em que não se dizia

lembrar adredemente o futuro
é consumo exato da alegria
98

Provecta ilação

idoso
dou-me ao tempo
como um passarinho
nas costas do vento
tudo que me conta
é o futuro que invento

dos anos
sei apenas da história
da cordilheira de sonhos
que vivi nessas horas.
120

Das enchentes de vida e viventes

os rios de todos
em enchentes
desaguam nos mares
como nascentes

um oceano maior
de humana consistência
como se fosse um vendaval
das brisas da consciência

é que só se é tanto humano
quando todos são tanto
que naveguem a vida nos rios
que todos navegamos
96

Dos degraus vigentes da lei

a lei
solta nas ruas
é uma ordem avessa
ao que pontua

é que faze-la
é só um tempo
de remendar o poder
e seus intentos

a lei
quando só palavra
é apenas um indício
dos futuros em que acaba
60

Da virtualidade e seus prospectos

virtual
a vida prolata
todos os desejos
como uma máquina

o olho
é só instrumento
de alinhavar pixels
no pensamento

e a vida
boia em eletrons
como se fora um barco
de fluidos projetos

e o homem segue como mouse
de todos seus infernos
65

Da mulher em grávida menção humana

a condição mulher
diga-se grávida
das coisas do humano
em tudo que declara
as que venham do corpo
as que tenham da alma

é que usina do mundo
em fêmea estrutura
é um parto até de si
nessa humana urdidura

a mulher alinhava a vida
como uma jornada lúdica
em que constrói os homens
na vastidão de suas ruas
111

Paisagem II

Por trás das nuvens
o sol olhava escondido
as luzes que havia posto
nos ombros do infinito
103

Para Isis

a menina, no seu riso,
tange quase o mundo
como se fora um brinquedo
das larguras de tudo

das léguas de seu jeito
espalhadas no tempo
ressoa a humanidade
nas faces e nos ventos

Isis é sempre uma bandeira
de inventar-nos  contentes
85

Ensimesmada alusão aos cálculos de mim

diviso
todas as divisões
em que não me divido
ter-me uno é a partição
do que preciso

as divisas do tempo
são únicas
as de que me invisto
por todas multiplicações
do que faço e digo

e essa fruição
é a fração exata
de estar comigo
136

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.