Lista de Poemas
Da palavra em diverso plano
é um tanto avara
nem tudo que diz
às vezes declara
é que espelho
de um ato profuso
voa como simples
em complexo uso
e soa como presente
adivinhando futuros
e quem a traz
fugindo da boca
nem percebe a viagem
e as inversões
de quem a ouça
Palavras ao guerrilheiro Osvaldão
rasga líquido a terra
sentindo o gosto da pátria
nos meandros da guerra
Osvaldão vigente,
ainda camarada,
vive coletivo e guerrilheiro
em todas as estradas
aquelas que o povo inventa
nas lutas, com seu jeito,
e as das guerrilhas
que trazemos no peito
Contrita sujeição das estacas do mundo
um jeito submisso
de tornar-se escravo
de ritmos e ritos
a vontade
guardada em trânsito
imagina-se num desmaio
de todos os ângulos
e o homem ajoelha-se
na contrição dos rumos
como se fora resposta
às dores de tudo
e nem repara nos braços
que carrega o mundo
Posologia das horas em trâmite
cabe um passado
contumaz e renitente
tudo que se luta
nas costas do tempo
como uma saudade
resvala lá na frente
assim como um girassol coletivo
esperando o nascente
De Olinda recatada no calado do frevo
nos ventos da pandemia
estanca milhões de passos
nos ombros das avenidas
e leva, assim de roldão,
um bom pedaço da vida
é que o grito do carnaval
quando se alastra no peito
é uma represa de gente
prendendo o passo do frevo
é assim uma coragem
fantasiada de medo
Olinda engole calada
a sombra do seu enredo
Das delações da vida em trâmite privado
cada um retrata
as várias razões
em que naufraga
e pulsa nas ruas
os rios e rumos
dos sonhos que navega
nas costas do mundo
no meio dos atos
cada um tremula
as bandeiras da vida
nos mastros da luta
e a vida é uma serpente
rastejando aventuras
Universal roldão dos caminhos do mundo
o universo
em seu andar e desfastio
é uma eterna recorrência
de todos os seus ritos
corre em sobressaltos
nos descaminhos e largos
em que se derrama pelo homem
como um infinito contado
o homem em seu pulo
na razão de que se vista
deixa-se pensar absoluto
na condição de sempre relativo
é que o universo galopa sozinho
as léguas que nega a seus finitos
União dos tantos como um coletivo
a vida se abraça
e a unidade grávida
quer-se infinita e plástica
e nesse contrato
a manhã de todos
é a véspera formal
do grande ato:
todas as noites do mundo
caberão nesse espaço
ao homem resta somente
distribuir seu jeito nesse abraço
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.