nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Das conveniências do sono em ritmo alheio
jogo às manhãs
os restos da noite
como quem garimpa o tempo
na luta do povo
e nas costas da madrugada
perdura o conforto
da certeza do futuro
e a ilusão intensa do novo
como é bom acordar
no sonho dos outros !
os restos da noite
como quem garimpa o tempo
na luta do povo
e nas costas da madrugada
perdura o conforto
da certeza do futuro
e a ilusão intensa do novo
como é bom acordar
no sonho dos outros !
83
indígena apreciação da vida
indígena
assim primitivo
deixo-me estar futuro
em todos meus indícios
a vida
que transito sem datas
é a intrínseca razão
da humana prática
e consumo
como uma planta que invento
as patentes das matas
e as mercadorias do tempo
é que a vida é assim simples
como um cocar ao vento
assim primitivo
deixo-me estar futuro
em todos meus indícios
a vida
que transito sem datas
é a intrínseca razão
da humana prática
e consumo
como uma planta que invento
as patentes das matas
e as mercadorias do tempo
é que a vida é assim simples
como um cocar ao vento
128
Da constância do verso em diferente âmbito
no papel
o verso deitava
com a ilusão intacta
de que a caneta
era o caminho
por onde passeava
e o poeta dirigia
o fraseado da alma
no teclado
o verso salta
com a ilusão intensa
de que é astronauta
e voa um cosmos informático
com um algoritmo nos braços
ainda bem que a poesia
permanece em seu encalço
o verso deitava
com a ilusão intacta
de que a caneta
era o caminho
por onde passeava
e o poeta dirigia
o fraseado da alma
no teclado
o verso salta
com a ilusão intensa
de que é astronauta
e voa um cosmos informático
com um algoritmo nos braços
ainda bem que a poesia
permanece em seu encalço
63
Inventário em bemóis e disfarçadas claves
o violão
inventa nas cordas
um transeunte contumaz
que arquiteta notas
os bemóis são gorjeios
que revogam as claves
e suspiram acordes
nos ombros da tarde
o violão é inventor de calmas
e nem sabe
inventa nas cordas
um transeunte contumaz
que arquiteta notas
os bemóis são gorjeios
que revogam as claves
e suspiram acordes
nos ombros da tarde
o violão é inventor de calmas
e nem sabe
62
Resenha dos 69 em idade e volição
aos 69
tanjo o tempo e a liberdade
com a simples compreensão
de que sou tarde
mas trago ainda nas mãos
a chave exata da vontade
o resto é remar a vida
nos barcos em que me caiba
tanjo o tempo e a liberdade
com a simples compreensão
de que sou tarde
mas trago ainda nas mãos
a chave exata da vontade
o resto é remar a vida
nos barcos em que me caiba
81
Do perdão em rasa cena
e na mente
as pegadas da culpa
inventam os atalhos
em desculpas
tudo que é vontade
da-se às escusas
da liberdade grávida
das escutas
o favor do perdão
é só uma bandeira difusa
que tremula a palavra
como um gesto de luta
as pegadas da culpa
inventam os atalhos
em desculpas
tudo que é vontade
da-se às escusas
da liberdade grávida
das escutas
o favor do perdão
é só uma bandeira difusa
que tremula a palavra
como um gesto de luta
111
Pião de mim em brinquedo
infante
meu pião sabia
todos os verbos
do que me dizia
é que girando
rodava meu mundo
e pintava na terra
os destinos de tudo
hoje, meu pião cogita
declarar-se guerrilheiro
rodando no vão dos sonhos
em que me semeio
meu pião sabia
todos os verbos
do que me dizia
é que girando
rodava meu mundo
e pintava na terra
os destinos de tudo
hoje, meu pião cogita
declarar-se guerrilheiro
rodando no vão dos sonhos
em que me semeio
94
Da contrição e seus teatrais invólucros
os céus de que me visto
têm todas as dúvidas
dos infernos que tangem
minhas culpas
e por tê-los inventados
nas rugas dos enredos
hei de tê-las enormes
nas lacunas do que devo
é que o céu é só um jeito
dos infernos que criamos
no avesso do mêdo
têm todas as dúvidas
dos infernos que tangem
minhas culpas
e por tê-los inventados
nas rugas dos enredos
hei de tê-las enormes
nas lacunas do que devo
é que o céu é só um jeito
dos infernos que criamos
no avesso do mêdo
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.