AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

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Das rotinas da vida em memória

nos trilhos
como uma notícia
o trem era o jornal
das novidades da vida

a cidade
navegando a rotina
ansiava pelos gritos
da locomotiva

e os homens
embrulhavam a alegria
quando na madrugada
seus trilhos partiam

o trem era só um tempo
de fingir que o novo havia
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Caminhada em brasileiros dramas

No meio da noite
como um líquido incontido
borbulha a aurora brasileira.

E no mais fundo das ruas
e nas declarações entre dentes
a liberdade veste-se de palavras
e na ação faz-se repente.

Cúmplices da história
caminham esses viventes
no alvoroço grávido da luta
concubinos da esperança.

E não importa que a fome é tanta
pois um breve riso ainda avança
na certeza geral de todos os seus sentidos.

E a boca que não come
sacia o discurso
enchendo a barriga de vida
alimentando o futuro.

No peito da noite
como um líquido incontido
borbulha a aurora brasileira.

Eram tantos
na singularidade de tão poucos
pois enfeixavam nas mãos
como uma certeza bruta
a solidez da história
a certeza da esperança.

E caíram na luta
como nos rios os meninos 
nos dias de felicidade:
e alinhavando a história
pelas ruas da cidade
eram todos combatentes
de uma intensa verdade.

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Canto à Zona da Mata

as canas são fuzis
de verdes cabeleiras
são imensos gritos rurais
são cordilheiras
onde o homem habita
a fome e as incertezas
e se são meninas
na sua doce aparência
servem de chicote
à pela camponesa 

o canavial
em toda e cada cana
é a soma do suor
do sangue e da chama
que esse povo nutre
com as léguas de seus braços
e que se hoje é privado
amanhã será mais largo

e antes de canavial
essa vegetação é povo
trançado à força da vida
do verde que se faz o novo
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Protocolo da rebelião

compra-se um futuro
em bom estado
e por moeda dá-se o punho
revolucionário

compra-se uma vida
em boa marcha
e por moeda dá-se a luta
em urgente prática

compra-se uma paz
por toda a praça
e por moeda dá-se a força
dessa massa
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Dos amores itinerantes do tempo

e quando em vez
e já não tarde
resvala meu discurso
pelas estradas da carne
que teu corpo ousa colocar
de encontro ao meu abraço
e que abraço lutando
e nunca me desfaço
do jeito manso de fera
que labuta pelos campos
e que nos lençóis é estrada
com o amor sobre os ombros
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dos brasis da vida

A terra
de país apenasmente
trai um gesto de pátria
que a geografia lhe consente

e hoje a vida estanca
na nacional monotonia
que faz a manhã ser negra
embora cheia de dia

mas do ventre do país
construído assim a muque
começa um país mais vasto
até enquanto se lute
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Para quando a manhã surgir

de quando as manhãs
não trouxerem sustos
possam raia-las meus olhos
e arquitetá-las em tanto
que sobre luz nas retinas
para desenhar novos horizontes

de quando as manhãs
não tiverem uso
diverso dos da noite
em que se beba todo seu discurso

de quando as manhãs
não se souberem crônicas
e que tussam o dia
com a simplicidade da esperança

de quando as manhãs
não se fizerem palco
de um punhado de lágrimas
itinerantes de teatros

de quando as manhãs
não se disserem horas
mas um colchão de aventuras
onde durma a história

e se assim raiarem
nem que seja e quando
possa despencar outra noite
na cabeça ávida dos insones
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Aos meninos da pátria

Sossega menino!
Do dentro deste teu país
crescerá uma infância vasta
embrulhada na  paz
e resolverás a tua prática.
Não importa que agora
a vida seja um nó no teu juízo
no centro dessa podridão
no seu vão mais infindo
haverá dela tamanha
nos ombros de suas curvas 
que sonhos dir-se-ão inúteis
porque, vivos, estarão nas ruas. 

Não importa que hoje ainda não sejas
trançado no meio dessa sanha
cuspida nas esquinas desse canto
cerzido a amargura líquida do teu pranto

Não importa, menino!
Os homens já constroem o teu sono
escondidos nas noites mais de luto
forjando as novas pecas do teu sonho.

E da imensidão dos camaradas
tecendo fortemente a alegria
borbulha um afeto imenso
nos vincos violentos do dia 
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Espelho diverso em destravado drama

tardo em mim
quando não cedo
às distâncias difíceis
das vias do medo

e tenho-me distante
quando tão perto
ouso discursar de mim
as distâncias que esqueço

e tenho-me tanto
quando tão pouco
deixo de mim o jeito
para ser o outro
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Visões

dentro deste espelho
no mais vão desta ruga
a vida da-me um nó
desde a ponta dos cabelos
não que em minha face
habitasse alguma morte
antes que fosse uma dúvida
com ares de derrota

mas subindo na garganta
com a conjuntura de um grito
ousou parir-se um gemido
que antes de impertinente
mais parecesse infindo
e borrou minha cara
de arquitetura ainda gente
e num salto suicidou-se
e a luta fez-se repente
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Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado