nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Das mortes e vidas em trajeto
volto à terra meus neurônios
em estática pose
de quem cumpriu a história
e não mais se coube
passo de animal
a mineral e outros
estudado em cartilhas,
genérico e quase todo
mas saio da vida
um tanto endividado
por ter arrecadado emoções
em infinitas quantidades
morro como homem
para viver no que me caiba
em estática pose
de quem cumpriu a história
e não mais se coube
passo de animal
a mineral e outros
estudado em cartilhas,
genérico e quase todo
mas saio da vida
um tanto endividado
por ter arrecadado emoções
em infinitas quantidades
morro como homem
para viver no que me caiba
84
Da racional feição do caminho
a vida
é exato invento
quando em porteira aberta
do pensamento
é que o pensar
é um viver diferente
que se esparrama no verbo
tão flagrantemente
como uma usina tenaz
de tudo que se sente
tanger a razão no peito
é navegação recorrente
é exato invento
quando em porteira aberta
do pensamento
é que o pensar
é um viver diferente
que se esparrama no verbo
tão flagrantemente
como uma usina tenaz
de tudo que se sente
tanger a razão no peito
é navegação recorrente
98
Caminhos, veias e vertentes
ruas
são veias do povo
um rio de sangue
em alvoroço
que molha a história
e pressente
os futuros que caminham
nessas vertentes
ruas
são destinos urbanos
num agrário panorama
que traça a terra dos homens
nos passos e nos dramas
que a vida carrega pelo ombros
até que seja chama.
são veias do povo
um rio de sangue
em alvoroço
que molha a história
e pressente
os futuros que caminham
nessas vertentes
ruas
são destinos urbanos
num agrário panorama
que traça a terra dos homens
nos passos e nos dramas
que a vida carrega pelo ombros
até que seja chama.
78
Da pandemia em oníricas visagens
e as razões baldias
soletradas entre os dentes
dizem o grito que havia
no vão desses viventes
como se fora um clarão
num céu inconsequente
é assim como um riso
que chorasse de repente
e jogasse pelo mundo
uma tristeza contente
é como se uma pedra
furasse o sonho da gente
nessas dialéticas futuras
que enxovalham o presente
soletradas entre os dentes
dizem o grito que havia
no vão desses viventes
como se fora um clarão
num céu inconsequente
é assim como um riso
que chorasse de repente
e jogasse pelo mundo
uma tristeza contente
é como se uma pedra
furasse o sonho da gente
nessas dialéticas futuras
que enxovalham o presente
67
Grávida manhã em lauto percurso
se faltarem as manhãs
nas alegrias da tarde
escalaremos as horas
em militar estado
e as traremos continentes
nos braços da madrugada
manhãs são fragmentos
postos à mercê do espaço
para que o homem discurse
os anoiteceres e as tardes
é assim um parto do tempo
em todos seus avatares
nas alegrias da tarde
escalaremos as horas
em militar estado
e as traremos continentes
nos braços da madrugada
manhãs são fragmentos
postos à mercê do espaço
para que o homem discurse
os anoiteceres e as tardes
é assim um parto do tempo
em todos seus avatares
119
Das guerras em mim e armistícios
das guerras que cometo,
assim pacífico,
melhor contê-las desarmadas
em largos armistícios
é que as armas da razão
atiram artifícios
calados verbos rasantes
nas costas dos gritos
das guerras que cometo
apenas identifico
essa necessidade da paz
em que me habito
assim pacífico,
melhor contê-las desarmadas
em largos armistícios
é que as armas da razão
atiram artifícios
calados verbos rasantes
nas costas dos gritos
das guerras que cometo
apenas identifico
essa necessidade da paz
em que me habito
95
Das medições cósmicas em singela vazão
o universo
é só um distrato
da ordem finita
de todos os esquadros
tem-se em réguas
por desacato
àquilo que por léguas
dá-se como palmos
e o homem avaro e imediato
mede apenas seus sobressaltos
é só um distrato
da ordem finita
de todos os esquadros
tem-se em réguas
por desacato
àquilo que por léguas
dá-se como palmos
e o homem avaro e imediato
mede apenas seus sobressaltos
80
O tempo em suas contrações e usos
há dias
em que não vou ao futuro
deixo-me passado
nos presentes que procuro
e esse tempo
como um abuso
torce as horas que crio
dos futuros que uso
é assim como um mergulhar
nos mares do meu discurso
em que não vou ao futuro
deixo-me passado
nos presentes que procuro
e esse tempo
como um abuso
torce as horas que crio
dos futuros que uso
é assim como um mergulhar
nos mares do meu discurso
94
Atômicas razões dos caminhares
o íon
balança o àtomo
nas redes incautas
dos fatos
a matéria
diversa e grávida
dilacera seus àtomos
nos muros da prática
e os homens
nessa atômica pauta
carregam os encômios
de suas passeatas
é que palavras são elétrons
que se jogam nas marchas
balança o àtomo
nas redes incautas
dos fatos
a matéria
diversa e grávida
dilacera seus àtomos
nos muros da prática
e os homens
nessa atômica pauta
carregam os encômios
de suas passeatas
é que palavras são elétrons
que se jogam nas marchas
71
Virtuais intentos da crise no composto verso
em crise
o poema assiste
as ranhuras da vida
e as do poeta, inclusive
o eu lírico
adormece a fala
nas esquinas verbais
em que se declara
a vida, o poeta e o eu, todos líricos,
inventam a madrugada
como um tempo urgente
de montarem nas palavras
e escoicearem pelo mundo
os verbos todos da alma.
o poema assiste
as ranhuras da vida
e as do poeta, inclusive
o eu lírico
adormece a fala
nas esquinas verbais
em que se declara
a vida, o poeta e o eu, todos líricos,
inventam a madrugada
como um tempo urgente
de montarem nas palavras
e escoicearem pelo mundo
os verbos todos da alma.
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.