nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Gritos, bandeiras e as mãos do futuro
gritos serão bandeiras
em gargantas hasteadas
para construir as esquinas
da grande madrugada
mãos serão bastantes
para todos os abraços
e os afagos urgentes
na liberdade que nasça
e os homens
viverão a estranha matemática
que faz de todos só um
no dorso unânime da prática
alinhavar o futuro
é jeito de astronauta
em gargantas hasteadas
para construir as esquinas
da grande madrugada
mãos serão bastantes
para todos os abraços
e os afagos urgentes
na liberdade que nasça
e os homens
viverão a estranha matemática
que faz de todos só um
no dorso unânime da prática
alinhavar o futuro
é jeito de astronauta
63
Antropofágica procissão em termos
antropofágico
o sistema delata
as ruas da morte
que asfalta
exato canibal
enganoso e mórbido
desenha iscas
para humanos bólides
e no meio do caminho
nas rasuras do medo
a vida regurgita o espaço
na esperança de rompê-lo
o sistema delata
as ruas da morte
que asfalta
exato canibal
enganoso e mórbido
desenha iscas
para humanos bólides
e no meio do caminho
nas rasuras do medo
a vida regurgita o espaço
na esperança de rompê-lo
125
meu tempo em resenha flagrante
pela manhã
assim de repente
o tempo esqueceu
de estar contente
e eu chorei as horas
tão perdidamente
que esqueci meus olhos
nos ombros do presente
pela tarde
assim vadia
a vida boiou nos mares
das ondas que eu dizia
à noite
o futuro nasceu
como o novo dia
assim de repente
o tempo esqueceu
de estar contente
e eu chorei as horas
tão perdidamente
que esqueci meus olhos
nos ombros do presente
pela tarde
assim vadia
a vida boiou nos mares
das ondas que eu dizia
à noite
o futuro nasceu
como o novo dia
102
Discurso dos 29 anos
a vida
aos 29 anos
diz que está dada
nos metros engolidos
na certeza da estrada
não que esteja presumida
em uma moldura intacta
mas que começa no peito
e se engravida da prática
explodindo o coração
no amor urgente da massa
a vida
aos 29 anos
carrega mil sonhos no bolso
misturados a afetos
molhado nas amarguras
mas intensamente transparentes
nos ombros da ditadura
a vida
aos 29 anos
é de um amor patente
que se derrama pelo vão dos olhos
que esmaga o coração por entre os dentes
dos 29 anos
digam-se mil
sofrendo dessa américa
no meio do brasil
e neste tempo debulhado
por entre os nós dos dedos
por sobre o chão da face
murcharam todos os medos
a vida agora é uma luta
vivida frequentemente
no meio da transformação
que habita essa gente
aos 29 anos
diz que está dada
nos metros engolidos
na certeza da estrada
não que esteja presumida
em uma moldura intacta
mas que começa no peito
e se engravida da prática
explodindo o coração
no amor urgente da massa
a vida
aos 29 anos
carrega mil sonhos no bolso
misturados a afetos
molhado nas amarguras
mas intensamente transparentes
nos ombros da ditadura
a vida
aos 29 anos
é de um amor patente
que se derrama pelo vão dos olhos
que esmaga o coração por entre os dentes
dos 29 anos
digam-se mil
sofrendo dessa américa
no meio do brasil
e neste tempo debulhado
por entre os nós dos dedos
por sobre o chão da face
murcharam todos os medos
a vida agora é uma luta
vivida frequentemente
no meio da transformação
que habita essa gente
51
Da dialética pretensão conjuntural
a síntese
resvala
nos descaminhos
das teses que propala
a antítese
nem se cala
nos ombros das sínteses
que ataca
as teses apenas indagam
em manifesto
a solidão dos homens
em seus nexos
resvala
nos descaminhos
das teses que propala
a antítese
nem se cala
nos ombros das sínteses
que ataca
as teses apenas indagam
em manifesto
a solidão dos homens
em seus nexos
105
Das origens e povo de rosa e gente
rosa
originalmente
de proteínas humanas
plural processo e drama
do progresso: substância
rosa
plural menina
contrariamente
embrião e albumina
do processo e do futuro
constantemente
rosa povo
futurável e urgente
da fruta do novo
como semente
originalmente
de proteínas humanas
plural processo e drama
do progresso: substância
rosa
plural menina
contrariamente
embrião e albumina
do processo e do futuro
constantemente
rosa povo
futurável e urgente
da fruta do novo
como semente
75
Da coronariana vazão da vida
o coração
nem sempre é pouco
que um pouco de razão
não lhe dê fôlego
o coração
caminha avaro
nas razões que pulsa
em seu resguardo
o coração
quase nunca é pouco
que não caiba em seu vão
um pouco do povo
nem sempre é pouco
que um pouco de razão
não lhe dê fôlego
o coração
caminha avaro
nas razões que pulsa
em seu resguardo
o coração
quase nunca é pouco
que não caiba em seu vão
um pouco do povo
99
Dos aviamentos e vieses
aviarás a vida
em receita avara
nas gramas do ser
dos teus pesares
aviarás a vida
em receita farta
nos risos bordados
nos desvãos da alma
aviarás o outro
em receita coletiva
em que te disponhas
a cometer a vida.
em receita avara
nas gramas do ser
dos teus pesares
aviarás a vida
em receita farta
nos risos bordados
nos desvãos da alma
aviarás o outro
em receita coletiva
em que te disponhas
a cometer a vida.
113
Comentários (10)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.