nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Do ser e outros
moenda de mim
invento o novo
nos saltos que construo
no jeito do outro
moenda de mim
giro inconcluso
em todos os nadas
que existem em tudo
parecer-se humano
e só invenção do uso.
invento o novo
nos saltos que construo
no jeito do outro
moenda de mim
giro inconcluso
em todos os nadas
que existem em tudo
parecer-se humano
e só invenção do uso.
156
A toque de soneto em quase verso
nem do só viver morra o presente
naquilo que sobrou pelo passado
e que se tenha futuros renitentes
nas construções do tempo desejado
que a vida inteira se contemple
como um devir presente no espaço
em que todos avançam adredemente
a construção coletiva do abraço
flua desembestada, assim como corrente
dos rios todos e tantos desses mares
que navegam o jeito de todos os viventes
deite-se na instância tardia e quase urgente
em que se tenha futura em seus olhares
abraçada aos fatos de todo seu presente
naquilo que sobrou pelo passado
e que se tenha futuros renitentes
nas construções do tempo desejado
que a vida inteira se contemple
como um devir presente no espaço
em que todos avançam adredemente
a construção coletiva do abraço
flua desembestada, assim como corrente
dos rios todos e tantos desses mares
que navegam o jeito de todos os viventes
deite-se na instância tardia e quase urgente
em que se tenha futura em seus olhares
abraçada aos fatos de todo seu presente
63
Tributo ao Camarada Pablo Neruda
no Chile
as pedras voam
rompida a gravidade
entre os segredos das ruas
e o peito da cidade
Neruda,
gerente do poema,
arquiteta palavras,
ainda morto,
na exata relva
que lhe cobre a alma
e as pedras
encenam seus poemas
grávidas de amor
em seus gestos de arma
as pedras voam
rompida a gravidade
entre os segredos das ruas
e o peito da cidade
Neruda,
gerente do poema,
arquiteta palavras,
ainda morto,
na exata relva
que lhe cobre a alma
e as pedras
encenam seus poemas
grávidas de amor
em seus gestos de arma
119
Sonata II de introspecção
nem a minha saudade
por se ter tão vasta
preencha o quanto de tua ausência
em que se diga ávida
ou que se fora pouca
ou que se faça marca
meu coração
é uma bandeira exata
de tremular em ti
na tua falta
nem a minha vontade
tenha-se controlada
em distribuir tua voz
no vão dessa cidade
meu coração
é um motor inato
de sempre ter sido tão em ti
voraz e automático
não dessas energias
que se filtram aos pedaços
mas que em cada novo gesto
descubram assim tão de repente
que a vida sempre boia nos teus olhos
comigo apenas navegante do teu jeito
nem os infinitos
que se contam comumente
ousem desembaraçar em ti
aquilo que em mim
é de te ter tão vasta
e condição de me ter como vivente
por se ter tão vasta
preencha o quanto de tua ausência
em que se diga ávida
ou que se fora pouca
ou que se faça marca
meu coração
é uma bandeira exata
de tremular em ti
na tua falta
nem a minha vontade
tenha-se controlada
em distribuir tua voz
no vão dessa cidade
meu coração
é um motor inato
de sempre ter sido tão em ti
voraz e automático
não dessas energias
que se filtram aos pedaços
mas que em cada novo gesto
descubram assim tão de repente
que a vida sempre boia nos teus olhos
comigo apenas navegante do teu jeito
nem os infinitos
que se contam comumente
ousem desembaraçar em ti
aquilo que em mim
é de te ter tão vasta
e condição de me ter como vivente
100
Minudências da vida em relance
o triz
é só um descuido
do que por um triz
não se quis futuro
é como se o passado
perdesse o compasso
e esquecesse no futuro
só um pedaço
a gente, por um triz,
deixa um triz no espaço
é só um descuido
do que por um triz
não se quis futuro
é como se o passado
perdesse o compasso
e esquecesse no futuro
só um pedaço
a gente, por um triz,
deixa um triz no espaço
138
Das flexões da alma em lúdico rompante
os exercícios da alma
são flexões diferentes
o músculo é o juízo
como ofício de gente
é assim um exercício
que explode de repente
e nas esquinas do mundo
apascenta os viventes
nesse consumir-se largo
de futuros, passados e presentes
nos saltos que o tempo dá
nas sinapses urgentes
são flexões diferentes
o músculo é o juízo
como ofício de gente
é assim um exercício
que explode de repente
e nas esquinas do mundo
apascenta os viventes
nesse consumir-se largo
de futuros, passados e presentes
nos saltos que o tempo dá
nas sinapses urgentes
104
Ode informática ao negro Manassés
dos eletrons
nem sabias
que teus dias
não eram dias
mas noites que em ti
traziam auroras
sem serventia
teu átomo
se tão exato
perdeu-se na concepção
que tinhas dos teus passos
e foste cursor
do drama em que estavas
lavrando apenas a insurgência
na raiz de tua alma
nem sabias
que teus dias
não eram dias
mas noites que em ti
traziam auroras
sem serventia
teu átomo
se tão exato
perdeu-se na concepção
que tinhas dos teus passos
e foste cursor
do drama em que estavas
lavrando apenas a insurgência
na raiz de tua alma
99
do poema em trânsito fugaz
o poema costuma
voar dos lábios
e pular nas almas
nos ombros das palavras
roi entranhas
e desarma
quando, engatilhada, a vida
lhe desfralda
e é bruma e brame
encapela-se nas tardes
quando sangue
mas, antes de mais nada,
o poema tece em chamas
nas rendas do peito
os bordados da alma
voar dos lábios
e pular nas almas
nos ombros das palavras
roi entranhas
e desarma
quando, engatilhada, a vida
lhe desfralda
e é bruma e brame
encapela-se nas tardes
quando sangue
mas, antes de mais nada,
o poema tece em chamas
nas rendas do peito
os bordados da alma
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.