nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Dissertação à bandeira do meu partido
nesses ares de pomba
nenhuma mansidão é tanta
que possa calar o grito
que drapejas nas gargantas
não um grito que apenas boie
na balsa intensa dos ouvidos
mas um clamor que em si confunda
a instância mais pública do infinito
nesses ares de lençol
estendido pelas avenidas
com o vasto sonho das dúvidas
e as certezas mais empedernidas
e nos ombros do comício
assim flutuas a jangada da vida
nos mares que o povo inventa
em todas suas contraditas
nenhuma mansidão é tanta
que possa calar o grito
que drapejas nas gargantas
não um grito que apenas boie
na balsa intensa dos ouvidos
mas um clamor que em si confunda
a instância mais pública do infinito
nesses ares de lençol
estendido pelas avenidas
com o vasto sonho das dúvidas
e as certezas mais empedernidas
e nos ombros do comício
assim flutuas a jangada da vida
nos mares que o povo inventa
em todas suas contraditas
86
Da arte em hipotenusas e malabares
a arte enfim
não é só um contrato
de afagar o cérebro e arrepiar as emoções
em lúdicos sobressaltos
é uma mentira exata
tangendo uma verdade
que a gente traz por dentro
e nem sabe
é uma verdade plena
de quem constata
sua feição de pluma
e de máquina
a arte cabe inteira
em todas as matemáticas
não é só um contrato
de afagar o cérebro e arrepiar as emoções
em lúdicos sobressaltos
é uma mentira exata
tangendo uma verdade
que a gente traz por dentro
e nem sabe
é uma verdade plena
de quem constata
sua feição de pluma
e de máquina
a arte cabe inteira
em todas as matemáticas
104
Da verdade em factual vigência
a verdade,
seja dito,
monta no fato
escondida:
é que há uns tempos
de parecer relativa
a verdade
acredita
que o fato é só um barco
onde se explicita
nesses mares avaros
em que habita
ao homem
restam os indícios
de vive-la como fato
nas esquinas do possível
seja dito,
monta no fato
escondida:
é que há uns tempos
de parecer relativa
a verdade
acredita
que o fato é só um barco
onde se explicita
nesses mares avaros
em que habita
ao homem
restam os indícios
de vive-la como fato
nas esquinas do possível
74
Do amor em vaga militante
o amor
é um poema avaro
deixa-se estar a dois
e perdulário
comete-se nos infinitos
em que se declara
o amor
é um poema caro
custa todas léguas
que decorram
dos enredos das palavras
é que o amor assim militante
é uma usina inteira da alma
é um poema avaro
deixa-se estar a dois
e perdulário
comete-se nos infinitos
em que se declara
o amor
é um poema caro
custa todas léguas
que decorram
dos enredos das palavras
é que o amor assim militante
é uma usina inteira da alma
58
Das pedras em continência
assim empertigada
nos ombros da natureza
a pedra apenas comenta
uma incauta certeza
os ventos que equilibra
em estática paisagem
tem a insistência das pedras
e a fluidez das miragens
é como se o espaço montasse
o tempo em que viaja
nos ombros da natureza
a pedra apenas comenta
uma incauta certeza
os ventos que equilibra
em estática paisagem
tem a insistência das pedras
e a fluidez das miragens
é como se o espaço montasse
o tempo em que viaja
74
Elegia com saudade e ânimo
era primeiro
o que não se tinha
mas que havia e tanto
um gosto avulso na cidade
um tempo atravessado na garganta
era um fastio grave
e uma greve enorme
de tudo aquilo que se sabe
logo depois
num raciocínio mais afoito
o que se tinha, tem-se e tanto
na caverna mais rasa do esforço
salta nas mãos
um objetivo magro
de rasgar os sonhos com os dedos
e remoer a vida num trago
e de repente
a uma nesga do que se tinha
grava-se o coração urgente
num grito concreto
de ânimo, carne e repente
o que não se tinha
mas que havia e tanto
um gosto avulso na cidade
um tempo atravessado na garganta
era um fastio grave
e uma greve enorme
de tudo aquilo que se sabe
logo depois
num raciocínio mais afoito
o que se tinha, tem-se e tanto
na caverna mais rasa do esforço
salta nas mãos
um objetivo magro
de rasgar os sonhos com os dedos
e remoer a vida num trago
e de repente
a uma nesga do que se tinha
grava-se o coração urgente
num grito concreto
de ânimo, carne e repente
115
Da insuficiência lírica em discurso
meu eu lírico
é louco e indeciso
nunca administra unânime
os verbos de comícios
é que faltam palanques
para ter-se contrito
nas orações em que o poeta
debulha seus escritos
nesse rosário intransigente
de tantos adjetivos
é que o verso às vezes intenta
muito mais do que é preciso
é louco e indeciso
nunca administra unânime
os verbos de comícios
é que faltam palanques
para ter-se contrito
nas orações em que o poeta
debulha seus escritos
nesse rosário intransigente
de tantos adjetivos
é que o verso às vezes intenta
muito mais do que é preciso
139
Da midiática vazão do sistema
na manchete
o sistema diagrama
os centímetros ineptos
de neurônios e enganos
a frase inóspita
posta necessária
cabe no homem
como resposta vária
e a informação
como um fuzil troante
dilacera a razão
do pretenso pensante
informação é só um disfarce
semeando letras e sangue
o sistema diagrama
os centímetros ineptos
de neurônios e enganos
a frase inóspita
posta necessária
cabe no homem
como resposta vária
e a informação
como um fuzil troante
dilacera a razão
do pretenso pensante
informação é só um disfarce
semeando letras e sangue
112
Da crise em rápida viagem
a crise
é só um levante
que a vida constrói
como uma ponte
no seu desarrumado
há uma ordem constante
em que as respostas explodem
nas dúvidas dos ontens
e as vidraças quebradas
são janelas bastantes
por onde o futuro voará
como uma garça no horizonte
a crise é só um esgar
em que a felicidade se esconde
é só um levante
que a vida constrói
como uma ponte
no seu desarrumado
há uma ordem constante
em que as respostas explodem
nas dúvidas dos ontens
e as vidraças quebradas
são janelas bastantes
por onde o futuro voará
como uma garça no horizonte
a crise é só um esgar
em que a felicidade se esconde
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.