Lista de Poemas
Pequena balada da vergonha
um pedaço de queijo
é uma rosa amarela
enlaçada nos olhos
do menino que a revela.
nunca que soubesse
que todos os seus medos
medem mais que seus sentidos
amarrotados, assim,
nos seus cabelos.
nunca que soubesse
das possíveis traições
que as rosas tecem
nos vãos de seus perfumes
do veneno
restou a morte, o acinte
e uma infinita vergonha
nas ruas do Recife.
Das bigornas do mundo em confluência
e as cores desmaiavam em confins
e com a morte, monstro afeito
às diagonais do universo em mim,
a febre dos contrários me insuflava
jogando milhões de bombas no meu peito
Filosofia em ritmos e fatos
é uma verdade arisca
tanto mais esconde
mais explicita
o que vem do homem
nos fatos que exercita
em verdade
dá-se à vida
como uma lente
incontida
a filosofia é um fardo
atado em desmedidas
impunemente plantado
nos roçados da vida
Do peso dos passos
o homem
traz preso nos passos
o peso da sua ausência
em tudo que não foi passo
caminhante
das ruas do pensamento
deixa de inventar espaço
na dosimetria do tempo
caminhar é só uma urgência
quando o fato é complemento
Demarches da construção do mundo
escondida, habita
o concentrado êxito
da notícia
em curso
os valores usam
todas as trocas
e todos os abusos
o suor do operário
é só efeito
dos salários despejados
em seu peito
a produção é uma usina cínica
de notícias e seus enredos
informes e batalhas no campo da massa
da forma
elástica
norma
plural
estrutura
famigerado
informe
a luta
enorme
bruta
e intensa
da moenda
no canavial do povo:
p(r)ensa
Metabolismo em rasante manifesto
é um trânsito intenso
das estradas que em mim
moldam minha essência
proteínas, glicoses
enchem meus neurônios
com a razão de admitirem
a montagem dos meus sonhos
a razão de minhas células
é a condição urgente
de estar ombro a ombro
com o que me sente
viver é só metabolizar
nas estradas de gente
Das felinas razões do exato
o gato no salto
é arquiteto nato
dos metros que define
quase exato
de suas abcissas
prolate-se
qualquer lacuna do tempo
em que se desate
porque em ser felino
nem se aperceba
das exatidões que põe
sobre a natureza
da coca cola e outras efervescências
é preciso
que a morte sobreviva
no lucro inconteste
de todas as medidas
na garrafa de Coca Cola
a morte explicita
os líquidos todos
que nos habitam
há que molhar a garganta
de quem se suicida
morrer é quase um viver
quando o sistema diga
e no cartaz luminoso
subverte-se a desdita
de quem foi incapaz
de alinhar-se à vida.
a coca cola
efervescente
engole a razão
adrede(mente)
Da desinformação e outros dramas
é dada ao incauto
a ilusão de que comanda
os seus dados
fluem argumentos
pretensos fatos
a mídia cobre de favores
o desinformado
em poses graves
a informação pontua
tudo que os senhores
querem das ruas
o desinformado
já não discursa
veste a camisa de uma verdade que nem é sua
e a abraça
com a sofreguidão
de quem utiliza a vida
à contramão
tudo que não é seu
é seu refrão
então o moderno
é ser latente
estar sempre
num trânsito diferente
o homem passa a cursor
dos mouses de quem nem sente
bebe os bites transversos
de uma verdade incoerente
aquilo que é a paz
bebe a guerra de repente
engenheiro ineficaz
o incauto nem pressente
que a base da construção
é sua vida inconsequente
e a democracia é apenas
uma palavra morta
e incoerente
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.