Lista de Poemas
passeatas de pernas e passos em confluência
minha perna
não intenta
estrada maior
que a que convenha
é que o passo
sempre arquiteta
o espaço que a gente
pelo chão decreta
não assim
a conveniência
de decretar passos mais largos
para a consciência
Dos climas de mim em trânsito
chovo tão adredemente
que chego a naufragar
em todas as enchentes
é que os navios do peito
estranham mares recorrentes
antes deixam-se levar
pelos rios da gente.
Carta X
traz um ontem no peito
e um amanhã adormecido
no meio dos cabelos
mesmo os hojes amargos
de ontens incontidos
trazem manhãs de mel
e futuros escondidos
Carta XXVIII
é-se sempre unânime
pois de fartar-se tanto
ele em vão reclame
um sítio onde não exiba
a solidez do sangue
e se flui conciso
nas paredes do infinito
engolindo as horas
na extensão dos gritos
não se queira nele
diagramar o sentimento
ou tê-lo impunemente
em rédeas impossíveis
antes preste-se à navegação
em veículos passageiros
que cortam rápidos os corações
de quem consiga vivê-los.
Das mediações ensimesmadas
entre o que faço e o que digo
o resto é só um jeito
de estar comigo
Indagação em torno de viventes
quem ousará viver
mais que as léguas
que se tenha da vida?
à deriva,
quem usará morrer
sem consumir com todos
essas léguas reunidas?
viver é uma estrada
que só cabe em desmedidas
Averbações da vida em flagrante contubérnio
nos cosmos que habito
janela que nem se fecha
com a presença do infinito
e tenho-me em medidas
que nem conheço
e deixo-me nos ilimites
em que nem tropeço
averbo-me de livre
quando nem a madrugada
é ainda a razão
de tardias palavras
e compreendo-me à meias
rendeiro de almas
e as proclamo coletivas
como um saldo farto
Das excelências em paradisíaca feição
entre no paraíso
sem antes provar
que haja combatido
nem mais uma excelência
entre no paraíso
sem antes provar
que exerça os sentidos
nem mais uma excelência
preste-se ao exercício
de fabricar contratempos
aos desejos do infinito
nem mais uma excelência
deixe de ser seu grito
das contingências do poema em quadrantes
o poema é torto
em sua essência
pois as palavras são pedras
de estranho alinhamento
não tem a mesma solicitude
dos barros mais gerais
que se aninham na vontade
de gestos oficiais
palavras antes se arrumam
em circunstâncias mais latas
e navegam uma a uma
as profundezas da alma
antes de torto,
o poema é vasto
sempre existe a condição
de torná-lo plástico
as parcelas do tempo em simetria
ainda caibo
nos caibros
em que meu sonho
pendura meus enfados
e deixo-me estar pelo dia
com tudo aquilo
em que me desato
pela tarde
faço-me a um tempo
em que me desuso
e deixo-me ser o espaço
entre o povo e o muro
à noite
permito
que a vida vá além
de um tempo restrito
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.