nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
dos balanços vitais
hás de andar assim
incontinente
como se a vida não coubesse
no que sentes
e sempre te permites
ainda insolvente
cobrar o que da vida
gastas impunemente
incontinente
como se a vida não coubesse
no que sentes
e sempre te permites
ainda insolvente
cobrar o que da vida
gastas impunemente
84
de mares e coqueiros simplesmente
nesta exata compostura
em que te postas no horizonte
árvore, nem te permitas
deixar minhas retinas
nos teus ombros
é que deixá-las
ao sabor dos teus ventos
tangem meu sonho pelo mar
como nesgas do pensamento
coqueiro nunca te importas
com as sinapses e o tempo
em que te postas no horizonte
árvore, nem te permitas
deixar minhas retinas
nos teus ombros
é que deixá-las
ao sabor dos teus ventos
tangem meu sonho pelo mar
como nesgas do pensamento
coqueiro nunca te importas
com as sinapses e o tempo
76
Digressão sobre a culatra
talvez nem a bala
como pássaro conciso
compreenda tua lógica
paciente e contida
assim avessa
à precisão e ao tato
tens mais de impulsão
do que é exato
pois se revelas o mister
em que te tens inata
permites aos autores
o constrangimento das balas
a vida nem adivinha
o quanto tem de culatra
como pássaro conciso
compreenda tua lógica
paciente e contida
assim avessa
à precisão e ao tato
tens mais de impulsão
do que é exato
pois se revelas o mister
em que te tens inata
permites aos autores
o constrangimento das balas
a vida nem adivinha
o quanto tem de culatra
48
Da insônia em transversa pose
o sono raso
escorrega do olho
e escuta a cidade
como desconforto
o sonho
nem se apercebe
que a realidade
é uma pálpebra inerte
e o tempo
monta a madrugada
como um quebra cabeça
dos cochilos de quem tarda
escorrega do olho
e escuta a cidade
como desconforto
o sonho
nem se apercebe
que a realidade
é uma pálpebra inerte
e o tempo
monta a madrugada
como um quebra cabeça
dos cochilos de quem tarda
54
do versejar e suas lâminas
versos
os escrevo
como quem maneja a alma
na caneta
e de tudo é tanto
que não se perceba
o músculo apenas retórico
que seja
versos
os prolato
como uma grávida sentença
de qualquer tarde
guardada a proporção
do que nunca há de
versos
os constato
na franja íntima da noite
em que me ardo
os escrevo
como quem maneja a alma
na caneta
e de tudo é tanto
que não se perceba
o músculo apenas retórico
que seja
versos
os prolato
como uma grávida sentença
de qualquer tarde
guardada a proporção
do que nunca há de
versos
os constato
na franja íntima da noite
em que me ardo
93
dos quantos josés nas avenidas
quem agora José
por não se-lo há muito
resta no vão da vida
de sentimento em punho?
quem agora José
por não se-lo tanto
tinge os ombros da alma
em desencanto?
quem agora José
por sempre te-lo sido
é maior que qualquer dor
de todo e qualquer sentido?
por não se-lo há muito
resta no vão da vida
de sentimento em punho?
quem agora José
por não se-lo tanto
tinge os ombros da alma
em desencanto?
quem agora José
por sempre te-lo sido
é maior que qualquer dor
de todo e qualquer sentido?
86
Ode ao meu cachimbo, chamado Misaque
era o fogo
serventia aguda
da coisa menos formal
prestante à luta
era o tomilho
matéria exata
de guardar restos dos sonhos
que desato
era a fumaça
magra continência
do que eu poderia queimar
nessas ausências
Misaque era só uma arma
de inventar paciências
serventia aguda
da coisa menos formal
prestante à luta
era o tomilho
matéria exata
de guardar restos dos sonhos
que desato
era a fumaça
magra continência
do que eu poderia queimar
nessas ausências
Misaque era só uma arma
de inventar paciências
67
das comoções em racional desplante
minhas emoções
comovo-as
com as pitadas de razão
com que as movo
minhas razões
pressinto-as
assim que me têm à mão
as adrenalinas
comovo-as
com as pitadas de razão
com que as movo
minhas razões
pressinto-as
assim que me têm à mão
as adrenalinas
69
Ode à catarata
meio cego
o poeta exalta
o que da luz escapa
em sua alma
é-lhe estranho
o que divisa
o palmo que vê
e multiplica
meio cego
o poeta estanca
nas esquinas do olho
as esperanças
e não lhe agride a norma
de estar entre neblinas
o que o vento discursa
em tempos e adrenalinas
como resta no peito
uma vida embranquecida
mas que estertora de luz
nas lembranças que avisa
o poeta exalta
o que da luz escapa
em sua alma
é-lhe estranho
o que divisa
o palmo que vê
e multiplica
meio cego
o poeta estanca
nas esquinas do olho
as esperanças
e não lhe agride a norma
de estar entre neblinas
o que o vento discursa
em tempos e adrenalinas
como resta no peito
uma vida embranquecida
mas que estertora de luz
nas lembranças que avisa
104
dos ofícios de mim em crescente
meu indício
é um contrário
e a certeza que vige
nas certezas em que me guardo
meu ofício
é ser um trânsito
em tudo aquilo
em que me caibo
guardo
os dias sem guarda
e a luz mais íntima
das madrugadas
creio no engenho das estrelas
e na compreensão inata
de que tê-las é não tê-las
guardo as alegrias definitivas
como as canetas que trago
pelos bolsos da camisa
e as incluo no meu dia
com todos os verbos
a que me apresto à alegria
meu ofício
é ser meu sangue
pulsando todos os rubros
e todos os instantes
é um contrário
e a certeza que vige
nas certezas em que me guardo
meu ofício
é ser um trânsito
em tudo aquilo
em que me caibo
guardo
os dias sem guarda
e a luz mais íntima
das madrugadas
creio no engenho das estrelas
e na compreensão inata
de que tê-las é não tê-las
guardo as alegrias definitivas
como as canetas que trago
pelos bolsos da camisa
e as incluo no meu dia
com todos os verbos
a que me apresto à alegria
meu ofício
é ser meu sangue
pulsando todos os rubros
e todos os instantes
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.