Lista de Poemas
Dos muros e seus descaminhos
planta-se no tempo
como escaninho
de conquistas
que se dão às avessas
da notícia
o muro é pouco
pra conter a ação
do que lhe trai
como usurpação
o muro salta
e, súbito, some
por conter em sua sina
a coletiva sina dos homens
dos raciocínios e suas portas
a forma e em volta
todos os outros olhos
que o notam
segue: afirma-se
num olho
a conclusão: síntese
de outras portas
e cai do cérebro
envolto em palavras
e certo bate como bomba
no asfalto: sobra
raciocinar é só um jeito
de garimpar em portas
da inconstância das fugas em mares próprios
quando ainda a hora
é pouca para ser tarde
e muita para tanto cedo
se ainda nem cabe no peito
o artifício do mêdo?
fugir é admitir os rios
que os mares da gente fingem
como se fossem artérias gastas
em praças impossíveis
fugir é só um atalho
que o medo da gente exige
quando a vontade no peito
naufraga os barcos possíveis
Auto da Vila Regina
nem dizias
que um dia foras suor
de amarga serventia
e palmilhas os olhares
dos viventes que te cabem
com a desfaçatez e a culpa
de quem já não há de
e te acocoras na montanha
com a intimidade das alturas
como um monte mor reunido
que nem mesmo se atura
da intrínseca paixão dispersa
eu ouço o Dnieper vagindo
a sua líquida e sincera
profissão de peregrino
eu vejo os ares da Ucrânia
acobertando o horizonte
com a ânsia irresoluta
das grandes saudades
e, no meio do mundo,
repleto do teu cheiro
eu me completo impunemente
na maciez inata do teu verbo
do ofício da distância
estes pés
que tem por ofício a distância
e que se largam no mundo
enquadrando a natureza
tem a compreensão exata
dos passos engolidos a muque
pelos pés de qualquer raça
a cada gesto
como comprimento da vida
tentam lavrar o corpo
no rumo da vontade
mas se por vezes vacilam
e não completam o movimento
engolem um passo em si mesmos
e explodem a consciência
no seu mister viajante
encontram mágoas e pontes
e um sol que, lá no fundo,
espera que avancem
Das letras em manchetes avaras
na tua página
salvo o futuro
em que caibas
jornal e gesto
já nem anuncias
a grandeza humana
que há no chão de cada dia
morta, tua letra
é ainda persistência
de que habitas ainda, e tanto
o escancarado vão da consciência
Das demarches do rito vivente
é uma crise lógica
distribuída nas ruas
pelo vão das portas
inexata
nem lhe chega ao exercício
a mesma compleição
de um grande comício
torta
vige a prumo
em ruas que não dita
em todos os seus rumos
a vida
é uma crise lógica
que se finge vasta
em limitada posse
incauta
não se presta ao rito
de desmanchar-se isenta
pelo infinito
urgente
nem se admite
como coisa temporária
e sempre em riste
a vida
é uma crise lógica
e, quase sempre,
só desagua em ombros
de quem sente
talvez a vida seja só uma serpente
que vige em moratória
e enrosca-se na gente
como pose da história
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.