nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Versos a Amanda
o sorriso
nem é bandeira
de espalhar-se todo
nas faces de quem queira
antes é preciso
que, menina, esteja
gravado em fibra e coração
de quem a queira
e que seja Amanda
como bandeira
tantas as noites e tantos os risos
na noite brasileira
nem é bandeira
de espalhar-se todo
nas faces de quem queira
antes é preciso
que, menina, esteja
gravado em fibra e coração
de quem a queira
e que seja Amanda
como bandeira
tantas as noites e tantos os risos
na noite brasileira
109
Dos fazeres versejantes das esquinas da vida
de dedo em riste
decreto minha alegria
na aurora mais latente
das veias da poesia
e rompo o poema
com todos os abusos
guardados assim em mim
como um íntimo discurso
e, rompida a manhã,
alinhavada simetria
ressono na placidez informal
das certezas da vida
decreto minha alegria
na aurora mais latente
das veias da poesia
e rompo o poema
com todos os abusos
guardados assim em mim
como um íntimo discurso
e, rompida a manhã,
alinhavada simetria
ressono na placidez informal
das certezas da vida
73
Impaciente gestão de cometimentos
como tecer
em tanto susto
a agonia plácida
da saudade do futuro?
como ter nas mãos
esse pranto inconcluso
e montar a liberdade
como valor-de-uso?
como, enfim,
ter-me a custo
na inconstância enorme
dessa tarde estúpida?
em tanto susto
a agonia plácida
da saudade do futuro?
como ter nas mãos
esse pranto inconcluso
e montar a liberdade
como valor-de-uso?
como, enfim,
ter-me a custo
na inconstância enorme
dessa tarde estúpida?
163
Procissão em passos e forma
em roldão
a vida grassa
em carne e paciência
pela praça
verbos
nem se admitem
que se tenham à custo
nas laringes
apenas o céu
no andor das normas
resplandece um divino
que apenas desinforma
a vida grassa
em carne e paciência
pela praça
verbos
nem se admitem
que se tenham à custo
nas laringes
apenas o céu
no andor das normas
resplandece um divino
que apenas desinforma
53
insônia verbal
ao invés de ovelhas
pulam no meu sono
alguns verbos incautos
e adjetivos sem dono
e os versos que se ajeitam
nas colunas do que sonho
pulam no meu sono
alguns verbos incautos
e adjetivos sem dono
e os versos que se ajeitam
nas colunas do que sonho
73
Antitético
não quero a estrela da manhã.
Por que quere-la?
Há dias que o céu só mostra
como usa-la qual bandeira
antes quero os poetas
com versos nas algibeiras
para sonhar com as palavras
as infinitas noites sem estrelas
Por que quere-la?
Há dias que o céu só mostra
como usa-la qual bandeira
antes quero os poetas
com versos nas algibeiras
para sonhar com as palavras
as infinitas noites sem estrelas
115
Da esperança em tratos concretos
a esperança
é, antes de tudo,
um jeito assim de sonho
um gosto de futuro
a gente alinhava esse tempo
como uma tatuagem
construída dos fatos
que todos montassem
e no exato andar da vida
fosse uma grande paisagem
é, antes de tudo,
um jeito assim de sonho
um gosto de futuro
a gente alinhava esse tempo
como uma tatuagem
construída dos fatos
que todos montassem
e no exato andar da vida
fosse uma grande paisagem
60
Versejantes dilemas em sono desatado
com verso em mim
como dormir?
abotoado o peito
ressono impropérios
grávido já de sono
e faminto de verbos
palavras são albuminas
na química mansa do cérebro
como dormir?
abotoado o peito
ressono impropérios
grávido já de sono
e faminto de verbos
palavras são albuminas
na química mansa do cérebro
107
Das bailarinas danças do infinito
a bailarina
tramita no palco
com todos os favores
de astronauta
é que seu cosmos
flui de seus braços
nos infinitos que escreve
nas sapatilhas e nos saltos
é como se fosse um navio
atravessando o espaço
e jogando todos os mares
pelas esquinas do palco
a bailarina é apenas
um sonho ingovernável
tudo que lhe mede
é profundamente imaginário
tramita no palco
com todos os favores
de astronauta
é que seu cosmos
flui de seus braços
nos infinitos que escreve
nas sapatilhas e nos saltos
é como se fosse um navio
atravessando o espaço
e jogando todos os mares
pelas esquinas do palco
a bailarina é apenas
um sonho ingovernável
tudo que lhe mede
é profundamente imaginário
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.