AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3641

De rumos em simetria coletiva

tuas pernas
são estradas internas
que alinhavam destinos
pelas costas da terra

caminham
sob a governança
das certezas avulsas
e das esperanças

bota-las em marcha
é intuir como rumo
aquilo que o peito inventa
como caminho de tudo
e juntá-las ao caminho do povo
é descobrir-se no mundo
142

Mulher em declarado encanto

quando mulher
repleta do mundo
queira a manhã sabe-la
em dizer-se tudo

e nasça a vida
na gravidez do tempo
em que esteja posta
em cada movimento

e assim, cheia de luz
no espalhar de suas tranças
possa apaziguar a vida
no colo da esperança

ser mulher
é ser bandeira
de drapejar em todos
os caminhos que se queira
89

Da pandemia e da morte com ressalvas

vazio
o mundo trancafia
a possibilidade humana
pelas esquinas do dia

a morte anuncia
o panfleto recorrente
de que jaz entristecida
nas pupilas dos viventes

e o alvoroço do futuro
intrometido nos desejos
desenha sonhos de vida
pelas frestas do medo.
123

Pandêmica jornada

e o ar da noite
nas costas do tempo
infla a solidão
no pensamento
a pandemia
impede a vida
consumida no povo
e nas avenidas
o futuro só espia
pelas frestas da luta
a proximidade intensa
da imensa alegria.
124

Do futuro como presente

nas manhãs do futuro
estarei presente
nos ombros de todos
apesar de ausente
é que pedaços da gente
perambulam no tempo
como íons intrometidos
em memórias viventes

e o futuro começa hoje
na luta de quem o sente
é assim como uma cachoeira
caudalosa e recorrente
112

Favelas em decúbito rasante

favelas
pulsam os rompantes
de quem humano
vasculha a fome

favelas
fatiam o custo
e a vergonha gasta
dos parasitas do lucro

favelas
guardam um futuro
alinhavado no tempo
contra os absurdos
94

Artifícios luzentes de olhares e fatos

as luzes artificiais
não apontam
todas as paisagens
do que contam

antes adormecem
os olhos incautos
deitados ansiosos nos clarões
das artimanhas dos fatos

a escuridão, às vezes,
no seu viés mais farto
aponta todos os futuros
das luzes de seus atos
128

Da chinesa menção da luta

a luta
é um ba-guá recorrente
pinta todas as cores
do futuro que se sente
e ainda inventa bandeiras
com as certezas das gentes
e quando solta nas ruas
joga o mundo lá na frente
115

Pandemia em ritmo e amostras

a morte expurga
os detalhes e indícios
de prorrogar a vida
em claro genocídio

bestas tangidas
como humanas cópias
atravessam as ruas
como falsas lógicas

e os homens
tangem a história
na exatidão dos tempos
abraçados à demora
85

Histórica vazão em rasa conversa

a história a cada dia
pousa na verdade
como uma andorinha tenaz
da liberdade

pousada
nos ombros da razão
dói os quilos de vergonha
de quem a tem em vão

e seus reclamos
na pauta da vida
resgatam os viventes
em suas investidas

cavalga-la a cada momento
é percebê-la pelas esquinas
80

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado