Quando o amor não encontra abrigo
Tudo foi feito por amor.
Cada espera, cada gesto,
cada silêncio engolido,
cada tentativa de permanecer.
Onde havia cuidado,
chegou a indiferença.
Onde havia entrega,
nasceu a distância.
É estranho quando o coração oferece abrigo
e encontra tempestade.
Quando estende as mãos
e recebe o vazio.
Mas o amor verdadeiro
não se mede pelo que voltou.
Revela-se pelo que foi capaz de oferecer
sem deixar de ser amor.
Há perdas que não diminuem quem ama.
Apenas revelam
que nem todos sabem acolher
o que receberam.
E chega um tempo
em que o amor deixa de insistir
não por ter acabado,
mas porque compreendeu
que também merece repousar.
Então, em vez de continuar pedindo morada
onde nunca houve espaço,
segue seu caminho em silêncio,
levando consigo
a dignidade de quem amou
e a liberdade de voltar a pertencer a si.