Lista de Poemas
Eu não me sei amar
Olheiras são o bolor das décadas.
No espelho, quis comê-las,
Na cara, quis escondê-las.
Desperta.
Vi-a no espelho, apontei para ela,
Arregalei os olhos, sustive a respiração.
Queria amá-la e não sabia porquê,
Queria fazê-la feliz e não sabia como.
Com o dedo indicador, toquei o reflexo:
“Diz-me, por favor, de que é que tu gostas?”
A mão atravessou o espelho
E dei pelo meu dedo a tocar-me as costas.
No espelho, quis comê-las,
Na cara, quis escondê-las.
Desperta.
Vi-a no espelho, apontei para ela,
Arregalei os olhos, sustive a respiração.
Queria amá-la e não sabia porquê,
Queria fazê-la feliz e não sabia como.
Com o dedo indicador, toquei o reflexo:
“Diz-me, por favor, de que é que tu gostas?”
A mão atravessou o espelho
E dei pelo meu dedo a tocar-me as costas.
17
Sobre soprar demais
No lugar do coração,
Um balão;
No lugar do cérebro,
Uma agulha.
Das muitas formas de ficar sem ar,
Escolhi soprar.
Um balão;
No lugar do cérebro,
Uma agulha.
Das muitas formas de ficar sem ar,
Escolhi soprar.
48
Ebulição
Enchi a panela de água,
Meti-a ao lume e
Deixei-a estar.
Borbulhava por entre o vapor,
Fervia.
E nada cozinhava,
Nem um legume cozia.
Estava
A panela vazia.
Assim sou quando penso:
Eterna ebulição por razão nenhuma,
Sentença de fome sem alimento.
Sou panela d’água ao lume,
Fervendo em pensamento.
Meti-a ao lume e
Deixei-a estar.
Borbulhava por entre o vapor,
Fervia.
E nada cozinhava,
Nem um legume cozia.
Estava
A panela vazia.
Assim sou quando penso:
Eterna ebulição por razão nenhuma,
Sentença de fome sem alimento.
Sou panela d’água ao lume,
Fervendo em pensamento.
12
Único poema que sei declamar
Eu não gosto de me enganar
A ler poemas
Mas eu engamo-me sempre
E repito para mim
“Não me vou mengamar”
“Não me mou venganar”
“Não ve nou meganar”
E enganho-me sempre
A ler poemas
Mas eu engamo-me sempre
E repito para mim
“Não me vou mengamar”
“Não me mou venganar”
“Não ve nou meganar”
E enganho-me sempre
15
Gr(av)ita
Se a vida tem ciclos,
Tem círculos, retângulos e outros polígonos,
Tem Terra, Sol e Lua,
Um gravita, dois aquece, três regula,
Tem gente, tem luz e misticismo
Um grita, dois estremece, três articula,
Tem átomos, tem moléculas, tem cores,
Tem lixo, tem bicho, tem flores:
É vital - a viver mal
Vitral - sem catedral
Hospital - sem capital
Evolução - sem digital
Angelical - sem genital
Portal - sem postal
Cinderela temperamental, careca, sem dentes
E sem sapato de cristal
Fatal
Horizontal
Vertical
Cruz de Cristo
Governamental, patriarcal
Só que sem poder estatal
Virgem Maria,
Ou Banho-Maria
É crime monoparental
—
Final
Tem círculos, retângulos e outros polígonos,
Tem Terra, Sol e Lua,
Um gravita, dois aquece, três regula,
Tem gente, tem luz e misticismo
Um grita, dois estremece, três articula,
Tem átomos, tem moléculas, tem cores,
Tem lixo, tem bicho, tem flores:
É vital - a viver mal
Vitral - sem catedral
Hospital - sem capital
Evolução - sem digital
Angelical - sem genital
Portal - sem postal
Cinderela temperamental, careca, sem dentes
E sem sapato de cristal
Fatal
Horizontal
Vertical
Cruz de Cristo
Governamental, patriarcal
Só que sem poder estatal
Virgem Maria,
Ou Banho-Maria
É crime monoparental
—
Final
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Belas poesias, amei!