Lista de Poemas

teus horizontes no meu olhar

nessa linha 

entre a lua e as estrelas

nessas luzes que alumias

nesses teus dias

nos teus olhos tão belas




nessas paragens onduladas

nesse teu ser de amar

nessas dunas ancoradas




onde tu vogas sem cessar

no vento

agitando o teu cabelo

nesse gesto sereno

de vida pleno




nessa areia

que segreda

ao ser acariciada




pelo rumor da maré

quando chega a teu pé

e assim é também amada
11

Trilho de Fantasia

Nesse trilho secreto

Tantas vezes percorrido

Pés descalços

de recém-nascido

 

Nesse olhar de criança

Que vê esse estranho mundo

Imenso abraço dado

Alento quente e profundo

 

Assim qual a luz mais se aviva

Reluzindo na flor de um cravo

 

E nesse outro mundo renascido

No peito trecho escondido

Segredo sempre bem-amado

 

Que se abre qual cortinado

Bordado com perolas de sonhos

E mãos ternas que ousem

Assim ao dizer deixar-se levar

Assim ao trazer

essa luz do luar

Nessa sombra

Tão transparente e boa

Com a que voltar a dançar

 

E nesse mundo subtil

Véu recém-inventado

 

Assim entretecer

as cores de vida

Que a nossa vida

nos tenha entregado

 

E deixar esse jardim florido

Plantado entre o frio no estio

Esperando a ser prendado

Pelo que aninha em teu peito

Presente sem fundamento

Ainda estando no passado

 

E esse fruto doirado

Que se assemelha

Ao que se tem crido

E bem desejado

 

Quando assim recolhido

Nesse lugar bem-amado

 

Entretecer melodias de sonho

Com esse teu poema enlevado

 

Que se diz em cada dia

Risonho

Ao teu ser mais amado
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Mundos de devoção

Fitas entrelaçadas

Entre nós dadas

Assim quando nos desatamos

E esses sentimentos elevamos

 

Essa fraterna união

Entre sentimento e razão

 

Essa compaixão em verdade

Fruto da paixão e da realidade

 

Esse algo de calor

Lado a lado

Bem mais humano

 

Essas emoções

Que se fazem devoção

ao ser amado

 

E nesse algo

que nos orienta

Crer e perseverar

Além da ciência certa

Até se chagar a abeirar

 

Dessas praias inexploradas

Dessas ondas tão bem amadas

Que seguem a nos segredar

 

A força desse algo imenso e profundo

Se elevando desse teu íntimo mundo

 

E o mais suave e subtil

Ao se abeirar de ti

Estrelas mil

a se deixar refletir

Nesse olhar

E a espuma e a bruma dessa maresia

Odor e candor que se elevam em novo dia
9

Dos estreitos amares

Nesse estreito

Do sentimento

 

Onde as ondas

Vogam por dentro

 

Nesse ir mar afora

Sem ter tempo

Nem lugar

 

Agora

Nesse presente

Sentido

 

Nesse algo

Esquecido

 

Que paira

No mais recôndito

Que se esconde

No nunca dito

 

Que se faz eco

na melodia

Que esconde

o teu grito

 

nesse estranho sentimento

Que se faz elevar

Nesse estar bem atento

 

Aonde poisas

Esse teu ser

ao amar

 

E nesse olhar

Deixar entrar

 

Qual esse quarto velado

 

Tudo o que se tenha dito

Assim qual inventado

 

E sem deixar levar

A luz do já sonhado

 

Pintar de cores novas

Esse antigo requadro

 

Dar asas à paixão

Nessa emoção de cenário

 

E nesse momento

O mais simples

Ora mais amargo

 

Traçar linhas

Subtis

Iluminadas

 

Pelas horas tão bem passadas

Nas que entre o espaço e o tempo

Assim sempre navegavas…

(e sabias que voltavas)
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A semente em ti ainda dormente

Nesse sonho secreto

Semente que se sente

Nesse pensamento

Ainda sendo ausente

 

Mergulhada na terra molhada

Esperando em cada alvorada

Assim se ouvir esse toque

Eco suave que evoque

 

Essa chamada por dentro

Essa chama

palpitando em segredo

 

Esse embrulho quedo e ledo

Que é em ti ainda desconhecido

Em tudo o que tens vivido

 

E a sêmea dessa casca grossa

Algo que parece qual prosa

Em lírica sendo enlevada

 

Nos véus do tempo levada

Embevecida

pela madrugada orvalhada

 

Palpitando qual estrela

que cintilava

Nessa noite aveludada

 

Na que jazia adormecida

nesse instante qual abraço

no que a vida e o espaço

parecem se deixar levar

 

nesse sonho que refaço

ao te voltar a evocar
26

Canto ao luar

Sendo profeta em terra alheia

Assim ser migrante qual lua cheia

Que entrega o reflexo mais prateado

Suavidade que se tem prezado

 

E desaparece sem se ter deixado

E volta ao silêncio bem-amado

 

Assim a se deixar levar

Para que o céu estrelado

sempre estando a seu lado

possa vida nova iluminar

 

E sendo investida

Dessa sua sina

De vogar,

de dançar com o mar

nessa sua luz leitosa

 

Se transforma em flor fermosa

Nesse recanto mais orvalhado

No alento da noite bafejado

manto de mares e maresias

reflexo desses outros dias

 

Estrelas que se acendiam

E entre as vagas sorriam

 

E dançando com os ramos

Desses arvoredos de segredo

Assim iluminava o seu canto

Sem por ventura estar a medo

 

O ser que a veja a fluir

Sem deixar definidas

Todas as cores esperando

Nessa luz e manto branco

Assim estando contidas
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Amor Recatado

Quando o corpo dói

e não se entende

O dar de si

a toda a gente

O entregar esse eterno presente

Que se aviva em cada momento

Que é qual ser vivente

nesse coração

Estendido em letras de brio

Elevado em linhas desenhado

E nesses acordes de melodia

Assim entrelaçado

 

Entre a noite e o dia

Quando é assim chamado

A se mostrar

 

E se se estiver desperto

De coração aberto

Quiçá venha a poisar

Na palma da tua mão

Nesse simples ademão

Nesse jeito singelo

E recatado

De trazer

esse amor a teu lado
15

Memórias a se aconchegar

Apenas a memória desse nosso lar

Nessa infância garrida esquecida

Nessa memória levada

Nessa melodia escondida

Nessa chama assim tão amada

Apenas se entretecendo

apenas se saber deixar

qual essa palavra ao vento

que um dia vai saber chegar

Qual onda avançando no seu meio

Esse amplo mar de amar

Que se achegando bem cedo

Anuncia alvoradas de encantar

E nessas praias vazias

Despidas

Sem se terminar

Suspira palavras escondidas

Levadas onde nem sabias

Que se podia assim chegar
24

A semente III

Nesse lume candente

Farol na rocha mais quente

Que se deixa assim acender

 

E nessa tua noite - varada

A barca que jazia ancorada

 

Pode voltar a navegar

Entre estrelas e mar

 

Horizontes mais bem lonjanos

Nestes nossos estranhos fados

Que em arte transformamos

Para todos os que beijamos

Qual toque de pétala suave

Qual o tempo sem ter idade

 

Subtil

 

Suavidade de encantos mil

 

Qual tempestade em ebulição

Luzindo no lampejo de relâmpago

O teu ser assim levantando

atravessando o teu coração

 

Trazendo luz

à tua razão

E nesse rumor

que vai crescendo

 

Que se leva por ti adentro

E se faz eco de melodia

Além da tristeza e melancolia

 

Obra-prima dessa pedra pristina

Que no amor mais sereno se acendia

 

E no peito

Incandescente

 

Qual no céu

sendo presente

 

Se levava

E se elevava

Desde o ocaso

Até à madrugada

 

Dessa tua vida

Sendo pela Vida

Em verdade chamada
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Amigo Inesperado

Evocar

Essa memória

De alguém

Que sem ouro e sem glória

Estendeu a mão

Foi irmão

Assim nos tendo ajudado

Sem ser conhecido

Nem sequer procurado

E nesse brio

Estranho fado

Sendo amigo

Sendo humano

Abraço fraterno

Não deixado

Jamais esquecido

Por se ter entranhado

Nesse destino

Entretecido

Pelo mais estranho fado

Desse caminho

Perdido

Jamais esquecido

Apenas renovado

E nesse tempo

No que por dentro

Nos tenha tocado

Uma voz serena

Uma calma e uma pena

Algo simples de toque quente

Algo suave de chama ardente

Amais firme vontade

Que se estende

E se aprende

À medida que se vê a idade

Sendo qual vida

Que se pronuncia

Qual avenida

Mais ampla e garrida

Ou mais bem decorada

De tudo o que se via

E mais bem se plantava

Enquanto se ia

Pela mais estreita estrada
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