Eu queria liberdade plena para o país, Sacrifiquei minha própria vida nisso. Eu libertei a pátria dos portugueses, Mas hoje sinto uma nação enclausurada.
A cela é a miséria que aflige muitos brasileiros E que alguns no cárcere dos privilégios evitam ajudar. Do parlamento local emana um imenso asco, lá onde A democracia é enjaulada por uma escória poderosa.
Vendo a vida dos negros, sem-terra e índios, às vezes Pergunto: do que adiantou libertar a colônia da Coroa? Se tudo que há é o drible da igualdade nesses dias? A opinião pública aqui é hoje bovina massa acrítica?
O que se vê são astutos corruptores paladinos da ética, Podres poderes, privatização de tudo que é público, Uma mídia que é o duro capitão do mato em nome dos poderosos. E o povo são neo-quilombolas com seus direitos dilacerados!
Meu nome é Dennis de Oliveira Santos. Nasci no ano de 1985, numa pacata cidade do interior goiano chamada Ceres. Sou oriundo de uma família humilde e um dos dois filhos que muito ama seus pais. De lá pra cá fiz muitas andanças pelo mundo através de viagens e mudanças de lares ao morar em várias localidades.
Na adolescência tive um intenso contato com obras clássicas da filosofia e literatura de forma autodidata. Escritores e pensadores foram importantes na formação de minha cosmovisão, além dos valiosos ensinamentos e valores cultivados pelos pais e avós. Desde essa época aos dias atuais o meu olhar sobre o mundo é moldado principalmente por perspectivas filosóficas, como o existencialismo e o materialismo. Já na fase adulta segui os estudos universitários me graduando nas áreas de Sociologia e Pedagogia. Hoje sou educador e pesquisador. Minha atuação abrange os campos de pesquisa, ensino e projetos sociais. Além de publicar artigos científicos na área da sociologia.
Do existencialismo ficou na mente a ideia da busca da liberdade, a responsabilidade pessoal e a busca incessante por significado na existência humana. E extraído do materialismo filosófico, a perspectiva de que a compreensão da realidade se dá na matéria e nas leis naturais, buscando explicar fenômenos e experiências humanas através de bases físicas e tangíveis. Politicamente, me situo à esquerda, com inclinações marxistas, buscando constantemente a justiça social e a crítica do sistema capitalista. Tento contribuir para a realização desses ideais através do ensino, pesquisa e engajamento em movimentos sociais.
Sou um sujeito de poucas amizades, com prazeres simples, que valoriza muito a companhia da família, um amador na arte da enologia, ávido por viagens, e, nos raros momentos de inspiração, arrisco a escrita literária. Sou, em prática, um realista com uma pitada de pessimismo, um materialista que vê o mundo através das lentes do concreto (sem misticismo). E por ser um amante da literatura, escrevo poesias e crônicas com foco nas questões sociais e filosóficas.
Na minha escrita, mergulho em temáticas para expor as injustiças geradas pela desigualdade social que permeia nosso mundo. Muitos dos meus textos são ressoantes manifestações de insatisfação, narrativas que se levantam contra os fundamentos do poder e desafiam os contornos cruéis do sistema capitalista. Além disso, busco constantemente refletir sobre a existência humana. Ao escrever, tento compreender e expressar o peculiar sentimento de "estar no mundo", abordando inquietações sobre o sentido da vida, dilemas éticos, o impacto da morte e o confronto do ser com sua realidade.
Não deixe que o tedioso cotidiano Impeça de enxergar que os dias comuns Podem ser momentos extraordinários. Fortaleça tua singularidade no vasto mundo, Desprezando a mesquinhez de uma vida passiva. Investe no hoje, no agora, pois não há Juizo final que redime o amanhã. Não permita que outros imponham silêncio, Sentenças que te cerceiem o ser. Reconhece o que é, ergue tuas próprias vigas de vida, Pois pensamos pouco no que temos E sempre no que nos falta. Reconheça tudo o que possui, Não persista lamentando por perdas passadas. Batalhe por aquilo que conquistou E que pode conquistar.
210
Vai Passando na Avenida Governos Burgueses
O governo Temer privatizou e passou. O governo Bolsonaro matou e passou. O governo Lula, apesar de benesses, Mas dando beijos na face do capital financeiro, Concilia com a burguesia e está passando... Só não passa a inflamada voz popular Que deseja uma real transformação social.
195
Viver Antes que o Inevitável nos Abrace Por Inteiro
Estranha a ideia de experimentar A vida pensando no pós-morte. Que sentido há nisso? Promessas vãs? Melhor viver com o sentindo que as mãos criaram, Fazendo o que se gosta, Dando significado às atitudes e relações tecidas.
Na corrida contra o inevitável, A morte, sempre nos alcança, inabalável. Então, por que não aproveitar a aventura possível, Antes de mudar para a última morada, o caixão? Mesmo com as poças dos problemas Aumentando a cada dia, seguir adiante.
Dar partida no motor, cair na estrada Em busca daquilo que apareça no caminho. Abraçar a imperfeição do mundo E disparar todas as armas em busca de prazeres. Sete palmos abaixo, a terra nos espera, Viver sem pesos, gozar o dúbio tempo, Antes que o inevitável nos abrace por inteiro.
180
Soa o Gongo
Dente despedaçado, nariz partido, Pernas trôpegas, sangue na face, Olhos baixos, movimentando com dificuldade No assalto anterior, quase um morto-vivo. A mente vislumbra uma estrada deserta, Sem alguém ao lado e apenas tolos avistados. Línguas da plateia como lâminas cortantes A desferirem críticas, cuspirem indizíveis ofensas. A lei da selva impera: fuzila ou é touro abatido. Camadas da pele machucadas, rosto roxeado, O sabor do futuro temperado de temor, O oponente composto de fúria e riso do outro lado. Soa o gongo: erga-se, prossiga na batalha!
174
A Minha Morada
A minha morada se faz em uma simples mesa Onde posso escolher os alimentos. A minha morada se faz em um teto composto de tranquilidade, Rodeado da família e longe das multidões. A minha morada se faz na brasa do amor, O firmamento alicerçado em genuínas emoções. A minha morada se faz na possibilidade De ser combustível que incendeia O ânimo de algumas pessoas. A minha morada se faz na ideia De ser um lobo sem alcateia, Que desde a juventude, a rebeldia Afastou da padronização imposta por qualquer ordem. A minha morada se faz no escárnio contra Poderosos, na revolta contra O corpo firme da injustiça e desigualdade. A minha morada se faz em alimentar Afetos nas relações dignas de tal ato. A minha morada é frágil, Possui algumas janelas quebradas E as vezes é incomodada por monstros. Mas é em meu próprio e rudimentar lar Que realizo o viver pleno.
146
Blues das Pedras no Caminho
Como Robert Johnson ao encontrar Demônios de carne e osso nas encruzilhadas, Como Stevie Vaughan a solar Na guitarra conflitantes sentimentos, Como Drummond em ímpar poesia, Eu reconheço as pedras em meu caminho.
As moedas dormem longe da conta bancária. Um apito pelo túnel dos problemas soa constante. Hienas tentam grunirem em meu quintal. As tardes definem dias quentes no exaustivo trabalho. Mentiras deferidas enojam o crânio.
Eu tenho incômodos em meu coração, Há pedras que parecem imensos rochedos E ainda estou descobrindo as chaves Que abrem as portas dos inconvenientes. Carrego nas costas difíceis pedregulhos, Como as cordas musicais de Freddie King A sussurrar tristezas em melodias.
Mas me sento no jardim da persistência... Uma família, um amor por uma mulher, umas ideias, Espalhar brilho, teimosia nas tábuas Das grosserias, agir tentando a tudo dar fim.
Acender uma chama que eleva, Comprar a passagem e deixar as malas feitas. Nas sombras perturbadoras, a ousadia para tudo alterar, Sentir alteridades que sondam Novo pulso e murmurar de pura felicidade: Dá-me vinho, dá-me beijos, pois o sangue Em todo o chorume vivido foi purificado.
175
É Necessário
É necessário me perder em uma longa estrada. É necessário um barco de desejos No mar de incertezas. É necessário construir afetos, Alegria, contentamento, paz, Lembranças em conversas com os pais.
É necessário banhar em aconchegante praia, Sentir o calor do sol, Respirar o ar fresco fora das grandes capitais. É necessário construir alegrias, Trocar muitos beijos, Aquecer os corpos em desejos, Passear na geografia feminina Ao amar a mulher desejada longamente.
É necessário afogar em um vinho barato, Fugir do caos urbano, escrever poemas No silêncio da noite em profunda reflexão. É necessário alguns amigos para bons diálogos,
É necessário após duras batalhas, Cicatrizes na pele, renascer como a fênix. Do fogo das provações moldar o espírito. É necessário lamentar as perdas como Um velho cantor de blues.
É necessário ter conhecimento da foice fatal, Me amar no que sou e odiar quem preciso. Ser um homem simples, nada de extraordinário. E ter ciência de que não preciso de muito, Apenas de minha dúbia liberdade, Meus intensos desejos e um toque humano. É necessário assim, queimar, seguir em frente.
268
Um Dia Perfeito
Um dia perfeito, uma tarde majestosa Que tirou a mente de infernos. Fomos para casa, para nosso novo ninho, Eliminamos as baratas e instalamos a cama.
Ah, um dia perfeito, Uma nova aliança entre nós. Beijei-te com paixão o corpo, Encontrei abrigo em teus braços, Molhei-me na chuva de teu ser E depois, gota a gota, sequei Do calor à dois no carinho Entre tuas pernas.
Um dia perfeito que esqueci Os demônios que rondam. E ao beber de ti aos poucos, Ao saborear teu néctar, Sem pressa de saciar a sede, Os males são afastados, O ânimo renovado, A vida renascida Em nossa ardência.
Um dia perfeito. Sempre leve-me para nosso lar. Quando eu estiver cansado, triste, Apenas deite-me no chão e ofereça ardência, Mostre o mundo a brilhar. Pois o suficiente somos, eu e tu, juntos!
196
Um Velho Caubói
Eu sou um velho caubói, Um homem atingido por fogo amigo, Acostumado com os tiroteios nas cidades, Aceitando que o passado é inalterado, Mas laçando o hoje no pulsar das minhas veias. Cicatrizando feridas, confundindo os abutres, Dia após dia seguindo um longo caminho E não aderindo a cegueira alheia Por um punhado de dólares. Entre canalhas e trapaceiros, Cavalgo por uma estrada sem fim, Vou vivendo como se fosse a única oportunidade De existir, amar e degustar longos goles. E toda vez que os dados do futuro incerto São lançados nos áridos caminhos, O que era sólido desmancha no ar, Assumo o que sou para não ser escravo, Aceito o amor oferecido por uma bela mulher, Viajo passo a passo, dos curtos aos turvos Caminhos para pavimentar a felicidade... E se tiver de atirar, atiro, não falo, Saco a colt contra qualquer oponente.
206
Instantes de Ataraxia
Em qualquer circunstância ou dificuldade, Ser fiel a ti mesmo, ser ator no palco dos dias, Gerar-se, transformar sempre Que necessário, inventar novos movimentos Quando os olhos estão cansados. Da vida não almejar grandes posses materiais, Mas ter poucas necessidades, Prazeres na comida saborosa, Simples vinhos que animem o paladar, Orgasmos com a mulher amada, desejada. Conexões sinceras com poucos, Integridade nas atitudes, Evitar o medo da morte, Respirar e se nutrir de oxigênio Para poder continuar... Manter a mente em paz E tranquilos sentimentos no coração.