Lista de Poemas
Anemocoria
O vento convida a árvore para dançar
Ela se move cambaleante
Séssil e aprisionada pela calçada
Ainda se pensa errante
Envolvida pelos movimentos
Vê suas sementes caírem ao chão
E flutuarem distante em ritmo lento
Para outros solos que as acolherão
Tudo ensaiado previamente
Cada passo estudado pelo acordo do tempo
Não há ressentimentos em suas partilhas
O vento cumpre seu papel
De fazer da árvore dispersora de vida
Ela se move cambaleante
Séssil e aprisionada pela calçada
Ainda se pensa errante
Envolvida pelos movimentos
Vê suas sementes caírem ao chão
E flutuarem distante em ritmo lento
Para outros solos que as acolherão
Tudo ensaiado previamente
Cada passo estudado pelo acordo do tempo
Não há ressentimentos em suas partilhas
O vento cumpre seu papel
De fazer da árvore dispersora de vida
315
O choro pode voltar
A choro borrou
As palavras desenhadas
Por esta caneta
Tornou tudo particulado
Receio que o desabor
De saber pouco do amor
Evapore as moléculas no papel
E voltem ao seu remetente
As palavras desenhadas
Por esta caneta
Tornou tudo particulado
Receio que o desabor
De saber pouco do amor
Evapore as moléculas no papel
E voltem ao seu remetente
197
Ao pôr do sol a vida é tão sofrida
escrevo quando parece
que tudo
o enorme nada
vai ruir, desmoronar
e me fragmentar em pedacinhos
granulados de mim
passeando pela praça
entre meia dúzia
de árvores da família Fabaceae
reflito
ao pôr do sol
a vida é tão sofrida
tão saturada
mas também tão sexy
num sábado que tudo abala
até quando você insiste
em ser inabalável
quando te atingem
com tapas, tomates e tiros
você diz
"está tudo bem aqui"
você se distrai
assiste, lê, ouve
emudece o barulho
que transcende
a própria fisiologia
o som não se propaga
no vácuo desse espaço
o ambiente amarelo
vestígio do dia quente
faz querer viver
e me lembra que não tenho vida
só existo enquanto escrevo
palavras vazias
e sem sentido
dançam, se conectam
e criam narrativas
fictícias e reais
se enlaçam entre os meu dedos
formando uma sopa de letrinhas
onde se lê "eu-lírico"
engulo tudo
que tudo
o enorme nada
vai ruir, desmoronar
e me fragmentar em pedacinhos
granulados de mim
passeando pela praça
entre meia dúzia
de árvores da família Fabaceae
reflito
ao pôr do sol
a vida é tão sofrida
tão saturada
mas também tão sexy
num sábado que tudo abala
até quando você insiste
em ser inabalável
quando te atingem
com tapas, tomates e tiros
você diz
"está tudo bem aqui"
você se distrai
assiste, lê, ouve
emudece o barulho
que transcende
a própria fisiologia
o som não se propaga
no vácuo desse espaço
o ambiente amarelo
vestígio do dia quente
faz querer viver
e me lembra que não tenho vida
só existo enquanto escrevo
palavras vazias
e sem sentido
dançam, se conectam
e criam narrativas
fictícias e reais
se enlaçam entre os meu dedos
formando uma sopa de letrinhas
onde se lê "eu-lírico"
engulo tudo
320
A escrita desenha a minha solidão
A escrita desenha a minha solidão
Em formas assimétricas
Não há encaixe
Só tentativas de preenchimentos
Busco a fuga no adormecer
Desejo o despertar da manhã
Para no abrir de pálpebras
Me pensar sem dor
Em formas assimétricas
Não há encaixe
Só tentativas de preenchimentos
Busco a fuga no adormecer
Desejo o despertar da manhã
Para no abrir de pálpebras
Me pensar sem dor
360
Posso ler as linhas da sua mão
Marco as minhas digitais
Nas folhas de papel
Que irão tocar você
Para que assim
O [nosso] toque
Se faça
No vão das linhas
Dos meu dedos
Que vão de encontro
Aos seus
Nas folhas de papel
Que irão tocar você
Para que assim
O [nosso] toque
Se faça
No vão das linhas
Dos meu dedos
Que vão de encontro
Aos seus
192
Úmido Desejo
Dos teus olhos alagados
Obtém-se a sede
Da tua voz
O canto feliz do pássaro engaiolado
Da tua boca
O meu desejo efervescente
De te sentir mulher
Molhada, nua
Suada, quente
Obtém-se a sede
Da tua voz
O canto feliz do pássaro engaiolado
Da tua boca
O meu desejo efervescente
De te sentir mulher
Molhada, nua
Suada, quente
215
Virginiana que não acredita em astrologia
Há uma ânsia por amor
E essa se revela
Na contradição do grito
Que sai da boca da mulher
Entre o lamber do desejo
E gemidos capturados
Pelo labirinto coclear
Membranas atravessadas
Pelo chá de camomila
Acalma, desorienta, germina o ardor
Quando, na verdade
Se deve ler: o amor
Me alimento do desamor
E da descrença em amar
Transito na estrada
Do auto-ódio
E repulsa por mim
Caminho para a frustração
Tábua Prego Tábua
Prego Prego
Tábua Tábua
Prego Prego
Tábua Tábua
A ponte entre mim
E o amor, se constrói
Entre questionamentos
Inseguranças
& dilacerações
Sobra pouco espaço
Para pisar com segurança
O amor é para quem não analisa
E eu sempre fui virginiana demais
E essa se revela
Na contradição do grito
Que sai da boca da mulher
Entre o lamber do desejo
E gemidos capturados
Pelo labirinto coclear
Membranas atravessadas
Pelo chá de camomila
Acalma, desorienta, germina o ardor
Quando, na verdade
Se deve ler: o amor
Me alimento do desamor
E da descrença em amar
Transito na estrada
Do auto-ódio
E repulsa por mim
Caminho para a frustração
Tábua Prego Tábua
Prego Prego
Tábua Tábua
Prego Prego
Tábua Tábua
A ponte entre mim
E o amor, se constrói
Entre questionamentos
Inseguranças
& dilacerações
Sobra pouco espaço
Para pisar com segurança
O amor é para quem não analisa
E eu sempre fui virginiana demais
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