flora floema

flora floema

n. 1997 BR BR

n. 1997-09-08, Florinea

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Ainda crio verbos para você

Meu coração ainda me pede
Para descansar em sua última foto
Aguardo em bradicardia

Meus olhos em vermelho agudo
Não escondem nem acolhem
Embora formem profundos sentidos
Vistos, lidos e amanhecidos

Querendo se conjugar
Na saudade que
Fico a saudadear
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Poemas

57

Úmido Desejo

Dos teus olhos alagados
Obtém-se a sede
Da tua voz
O canto feliz do pássaro engaiolado
Da tua boca
O meu desejo efervescente
De te sentir mulher
Molhada, nua
Suada, quente
228

A escrita desenha a minha solidão

A escrita desenha a minha solidão
Em formas assimétricas
Não há encaixe
Só tentativas de preenchimentos

Busco a fuga no adormecer
Desejo o despertar da manhã
Para no abrir de pálpebras
Me pensar sem dor
378

Micorrizas são fungos associados a raízes

estou em arrepios
o corpo tocado
por formigamentos
entre extremos

causas múltiplas
a perda de algo
o desejo por alguém
a aniquilação de si mesma

micorrizas nutrem
o novo
e sustentam
o que já estava
instalado

a gestão desse espaço agricultável
frutifica o que me parece um desafio
acidificando o pH do solo
para possibilitar a fuga do tempo
com beijos incompletos
e uma história de amor
entre simbiontes
223

Posso ler as linhas da sua mão

Marco as minhas digitais
Nas folhas de papel
Que irão tocar você
Para que assim
O [nosso] toque
Se faça
No vão das linhas
Dos meu dedos
Que vão de encontro
Aos seus
206

Você foi em frente na direção oposta

Ao perceber amar sozinha
Chorei o lago salgado
Que criei
Ao redor de mim
Fiz do corpo uma ilha

Escondi a balsa de travessia
Embaixo de meus braços
Ansiei a sua vinda
Sem saber que você não tinha
A pretensão de vir
236

O choro pode voltar

A choro borrou
As palavras desenhadas
Por esta caneta
Tornou tudo particulado

Receio que o desabor
De saber pouco do amor
Evapore as moléculas no papel
E voltem ao seu remetente
209

A última vez que amei

Asfixiar todas as inseguranças
Nas moléculas de celulose
Com caneta preta de ponta fina

Fazer tributo às árvores
Com as palavras
Da língua mãe
Desenhadas no papel

Que irão destrinchar
Dúvidas
Dívidas
Dores

Das conversas
Que não ocorreram
O silêncio

Dos toques
A pulsação

Das vozes
O último "eu te amo"
Sem adeus
382

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