Lista de Poemas
Quando eu sei que é poesia?
Sem musa
sem inspiração
não sou poeta
sou oca
vazia
pó
decomposição
das horas
e dias
sem direção
vou
ao mesmo tempo
em todas elas
sigo o nada
piso em tudo
arrasto na sola
o que já fui
e quis ser
vivo ou
deixo a fúria
viver por mim
sonâmbula
não sei quando é a vida
se quando invento
se quando imagino
se quando sonho
se quando sinto
se poesia
sem inspiração
não sou poeta
sou oca
vazia
pó
decomposição
das horas
e dias
sem direção
vou
ao mesmo tempo
em todas elas
sigo o nada
piso em tudo
arrasto na sola
o que já fui
e quis ser
vivo ou
deixo a fúria
viver por mim
sonâmbula
não sei quando é a vida
se quando invento
se quando imagino
se quando sonho
se quando sinto
se poesia
153
Idiossincrasia
De tudo
Nada sou
Nada faço
Que não por mim
Egoísmo idiossincrático
Firo meus olhos
Me torno cega
Ao que me apequena
Como humana
E
Humanizada
"Me tirem daqui!"
Minha compaixão
Não cura
Não salva
A utilizo
Só
E unicamente
Para me sentir
Melhor
Nada sou
Nada faço
Que não por mim
Egoísmo idiossincrático
Firo meus olhos
Me torno cega
Ao que me apequena
Como humana
E
Humanizada
"Me tirem daqui!"
Minha compaixão
Não cura
Não salva
A utilizo
Só
E unicamente
Para me sentir
Melhor
176
Por que haveria de ser mais que um dia?
Capturar essa brisa
Que passa entre os dedos
Escolher permanecer
E observar o eriçar dos pelos
Compreender
O que o céu nublado
Tem a dizer
No espaço entre as nuvens
Ouvir um sussurrar
De algo mudo
O dia é um encaixar de 24h
E mais alguns minutos
Dispostos num tempo
Em que um é dia
E outro noite
Que passa entre os dedos
Escolher permanecer
E observar o eriçar dos pelos
Compreender
O que o céu nublado
Tem a dizer
No espaço entre as nuvens
Ouvir um sussurrar
De algo mudo
O dia é um encaixar de 24h
E mais alguns minutos
Dispostos num tempo
Em que um é dia
E outro noite
126
Você foi em frente na direção oposta
Ao perceber amar sozinha
Chorei o lago salgado
Que criei
Ao redor de mim
Fiz do corpo uma ilha
Escondi a balsa de travessia
Embaixo de meus braços
Ansiei a sua vinda
Sem saber que você não tinha
A pretensão de vir
Chorei o lago salgado
Que criei
Ao redor de mim
Fiz do corpo uma ilha
Escondi a balsa de travessia
Embaixo de meus braços
Ansiei a sua vinda
Sem saber que você não tinha
A pretensão de vir
223
Precisamos falar sobre a raiva
Aquilo que é de mais difícil admissão
Duro, rígido, solidificado feito concreto
A raiva pelo rosto da mulher
Que se assemelha ao meu
Disputamos pequenos espaços
Pois não nos permitem coexistir
Como ousa roubar meus traços?
Por que me vende um espelho?
E por que odeio a imagem que ele reflete?
Porque sou eu
Porque sou você
Porque nós somos
Aquelas não-brancas
A negação de tudo que é belo
Por que elas não olham nos meus olhos?
Por que não me escolhem?
Por que tenho medo delas?
Porque duvido de tudo
Porque não sou escura o bastante
Porque não sou clara o suficiente
Porque não tenho chão para pisar
Porque não pertenço a grupo algum
Porque nenhum deles me quer
Porque a cor é toda errada
Carrego junto dela o privilégio
Da manhã
E as absurdas violências
Da noite
Mas eu vivo o dia todo, não vivo?
Não escolho um período para existir
Sou dia e noite
Noite o bastante para desagradar o dia
Dia demais para ser acolhida pela noite
No meio disso tudo
O que sinto é raiva
Da minha incompletude
De quem me criou incompleta
Daqueles que desenharam
O incompleto do meu corpo
E multiplicaram o meu rosto
Em tantas mil mulheres
Que me fazem lembrar
Da minha raiva
Expressa em cada linha angular
Que vem e vai
Do fio de cabelo a
Gengiva escura
Duro, rígido, solidificado feito concreto
A raiva pelo rosto da mulher
Que se assemelha ao meu
Disputamos pequenos espaços
Pois não nos permitem coexistir
Como ousa roubar meus traços?
Por que me vende um espelho?
E por que odeio a imagem que ele reflete?
Porque sou eu
Porque sou você
Porque nós somos
Aquelas não-brancas
A negação de tudo que é belo
Por que elas não olham nos meus olhos?
Por que não me escolhem?
Por que tenho medo delas?
Porque duvido de tudo
Porque não sou escura o bastante
Porque não sou clara o suficiente
Porque não tenho chão para pisar
Porque não pertenço a grupo algum
Porque nenhum deles me quer
Porque a cor é toda errada
Carrego junto dela o privilégio
Da manhã
E as absurdas violências
Da noite
Mas eu vivo o dia todo, não vivo?
Não escolho um período para existir
Sou dia e noite
Noite o bastante para desagradar o dia
Dia demais para ser acolhida pela noite
No meio disso tudo
O que sinto é raiva
Da minha incompletude
De quem me criou incompleta
Daqueles que desenharam
O incompleto do meu corpo
E multiplicaram o meu rosto
Em tantas mil mulheres
Que me fazem lembrar
Da minha raiva
Expressa em cada linha angular
Que vem e vai
Do fio de cabelo a
Gengiva escura
200
Insônia
Você me deixou insone
Afogada em arrependimentos
Meus pulmões queimam
Suplico pelo ar
Você me ajuda
Com suas palavras sufocantes
E me diz que eu deveria saber
Enquanto sou surpreendida pela eutanásia
Afogada em arrependimentos
Meus pulmões queimam
Suplico pelo ar
Você me ajuda
Com suas palavras sufocantes
E me diz que eu deveria saber
Enquanto sou surpreendida pela eutanásia
351
Mapa
Tinha de ser construído um mapa
Guiando o caminho de casa
Daquela casa
No meio do peito
Sem parede ou janela
Lugar onde não há pressa
Mas se ouve um "Tum-Tum"
E as linhas se combinam
Para formar o seu sorriso
Que sinaliza a passagem de casa
Seu lar, você
Guiando o caminho de casa
Daquela casa
No meio do peito
Sem parede ou janela
Lugar onde não há pressa
Mas se ouve um "Tum-Tum"
E as linhas se combinam
Para formar o seu sorriso
Que sinaliza a passagem de casa
Seu lar, você
244
Entretenimento
Tudo se deteriora
Nessa condição
De vida morna
Na TV
Vozes
Que soam como ruídos
O barulho
É escape sonoro
E afugenta
Minhas lágrimas
Nessa condição
De vida morna
Na TV
Vozes
Que soam como ruídos
O barulho
É escape sonoro
E afugenta
Minhas lágrimas
424
Micorrizas são fungos associados a raízes
estou em arrepios
o corpo tocado
por formigamentos
entre extremos
causas múltiplas
a perda de algo
o desejo por alguém
a aniquilação de si mesma
micorrizas nutrem
o novo
e sustentam
o que já estava
instalado
a gestão desse espaço agricultável
frutifica o que me parece um desafio
acidificando o pH do solo
para possibilitar a fuga do tempo
com beijos incompletos
e uma história de amor
entre simbiontes
o corpo tocado
por formigamentos
entre extremos
causas múltiplas
a perda de algo
o desejo por alguém
a aniquilação de si mesma
micorrizas nutrem
o novo
e sustentam
o que já estava
instalado
a gestão desse espaço agricultável
frutifica o que me parece um desafio
acidificando o pH do solo
para possibilitar a fuga do tempo
com beijos incompletos
e uma história de amor
entre simbiontes
208
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
NoComments