flora floema

flora floema

n. 1997 BR BR

n. 1997-09-08, Florinea

Perfil
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Ainda crio verbos para você

Meu coração ainda me pede
Para descansar em sua última foto
Aguardo em bradicardia

Meus olhos em vermelho agudo
Não escondem nem acolhem
Embora formem profundos sentidos
Vistos, lidos e amanhecidos

Querendo se conjugar
Na saudade que
Fico a saudadear
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Poemas

57

Vozes que ecoam

Audre diz
Força a escrita
Geruza diz
Grita mesmo sem voz
Ecoo as poetas
Porque há em mim
O choro preso
O gozo reprimido
A coragem inibida
As palavras esquecidas

Mas há também
Impulso
Ânsia
Fôlego
Raiva
E vida

As sinto aqui
Quando cada palavra
Abre
Corta
E sutura
198

Quantas ml tem um amor?

Poema fruto
Do amor
Que desama
Sempre que
Parece amar

Bola de gude
Me fita
Sinto a sina
Da destreza
Em sua mão

Você me faz
Engolir a seco
A poesia
Não sobra nada
Além desses versos
Fra(s)cos
206

Nó desaguar

Forçada a falar
Sobrecarrego
Língua
E vértebras
Que me mantém
Em pé
Fujo
Logo me procuram
O silêncio
Não me é permitido
Lamento
Por não poder
Não ser
188

Quando eu sei que é poesia?

Sem musa
sem inspiração
não sou poeta
sou oca
vazia

decomposição
das horas
e dias
sem direção
vou
ao mesmo tempo
em todas elas
sigo o nada
piso em tudo
arrasto na sola
o que já fui
e quis ser
vivo ou
deixo a fúria
viver por mim
sonâmbula
não sei quando é a vida
se quando invento
se quando imagino
se quando sonho
se quando sinto
se poesia
161

Da palavra brotou uma clareira

Sentir a força do sentido
penetrando em mim
abrindo a chutes
caminhos largos
formando clareiras
da luz que emana
de cada palavra lida
358

Espirro para dentro

sinto dor
e não sei se é fisiológico
ou fruto da invenção
de quem já não quer mais viver
dentro desse corpo

faço leituras profundas
dos corpos alheios
sempre os atribuindo beleza
alimento e pulverizo

mas olho para mim
e a mente ruidosa
se traduz em desacordo
pede desapropriação corporal

não resisto
ouço chamar
não temo
sorrio dizendo:
"derrube, fragmente,
me cause demolição"

sou só poeira
ATCHIM
340

Micorrizas são fungos associados a raízes

estou em arrepios
o corpo tocado
por formigamentos
entre extremos

causas múltiplas
a perda de algo
o desejo por alguém
a aniquilação de si mesma

micorrizas nutrem
o novo
e sustentam
o que já estava
instalado

a gestão desse espaço agricultável
frutifica o que me parece um desafio
acidificando o pH do solo
para possibilitar a fuga do tempo
com beijos incompletos
e uma história de amor
entre simbiontes
219

O amor virou um acessório para mim

Não é amor
que anseio
é o desejo de viver
sem invenções

viver em mim
sozinha nesse corpo
sentir o raio de sol na pele
e não lamentar pelo calor
195

Botânica

Perceber brotar
Um pensamento
E não fugir
Deixar germinar

Ser a coifa
Do meu meristema
   A
      P
        I
         C
           A
Radicu(L)ar

Conceber em epiderme
Estratos de mim
Totipotentes
No aguardo de um sinal
411

Idiossincrasia

De tudo
Nada sou
Nada faço
Que não por mim

Egoísmo idiossincrático
Firo meus olhos
Me torno cega
Ao que me apequena
Como humana
E
Humanizada

"Me tirem daqui!"
Minha compaixão
Não cura
Não salva

A utilizo

E unicamente
Para me sentir
Melhor
185

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