Lista de Poemas
Afrobege
Em você encontrei
Um rosto que também é meu
E nele a cor do pecado
Que nos amaldiçoou
Nossas paletas conectam-se
Enxergo em você
A beleza em mim
Genuína e escura
Com você compreendi
Nenhum branco entenderá
O peso dessa dor
De não pertencer a canto nenhum
Sermos nós seres
Frutos de um experimento
Genocídio falhado
Pois nos empretecemos
Da cor errada
Fomos corrigidas
Mas nossas bocas foram esculpidas
Por mulheres imbuídas de dor
Nossas vulvas sombreadas
Ainda são enojadas
A você entrego meu corpo melânico
Nos entrelaçamos em curvas ancestrais
Em caminhos abertos
Seremos escuridão
Embebida de força
Nossas cores se convidam
A nos acolhermos
Em dores e abraços
Esses versos saem de mim
A procura de você
Para dizer
Te envolvo, minha afrobege
Um rosto que também é meu
E nele a cor do pecado
Que nos amaldiçoou
Nossas paletas conectam-se
Enxergo em você
A beleza em mim
Genuína e escura
Com você compreendi
Nenhum branco entenderá
O peso dessa dor
De não pertencer a canto nenhum
Sermos nós seres
Frutos de um experimento
Genocídio falhado
Pois nos empretecemos
Da cor errada
Fomos corrigidas
Mas nossas bocas foram esculpidas
Por mulheres imbuídas de dor
Nossas vulvas sombreadas
Ainda são enojadas
A você entrego meu corpo melânico
Nos entrelaçamos em curvas ancestrais
Em caminhos abertos
Seremos escuridão
Embebida de força
Nossas cores se convidam
A nos acolhermos
Em dores e abraços
Esses versos saem de mim
A procura de você
Para dizer
Te envolvo, minha afrobege
370
Coordenadas do desejo
Estes pontos pintam
Pintas que são pistas
Para chegar ao destino
Que se faz desnudo
A primeira pista pinta
Uma estrada em zigue-zague
Apresenta giros e curvas
Ordena passagem
A segunda pista pinta
Um quadro úmido
Que se emoldura com a língua
Dura
A terceira pista pinta
Linhas convexas
Que conectam-se
Boca a boca
A quarta pista pinta
O que se vê na penumbra
Enquanto tateia o caminho
Subvertido em saliva
A quinta pista pinta
Uma paisagem quente
Que desemboca no Éden
Das sensações e sabores
Não pinta a sexta pista
O destino abre-se
Enquanto sussurra
"Vem"
Pincelo em primeira pessoa
O meu desaguar
Em seu aguar
Para virarmos mar
Pintas que são pistas
Para chegar ao destino
Que se faz desnudo
A primeira pista pinta
Uma estrada em zigue-zague
Apresenta giros e curvas
Ordena passagem
A segunda pista pinta
Um quadro úmido
Que se emoldura com a língua
Dura
A terceira pista pinta
Linhas convexas
Que conectam-se
Boca a boca
A quarta pista pinta
O que se vê na penumbra
Enquanto tateia o caminho
Subvertido em saliva
A quinta pista pinta
Uma paisagem quente
Que desemboca no Éden
Das sensações e sabores
Não pinta a sexta pista
O destino abre-se
Enquanto sussurra
"Vem"
Pincelo em primeira pessoa
O meu desaguar
Em seu aguar
Para virarmos mar
384
Sujeito que é escrito
Com a caneta na mão
Sou um ser atravessado
Por uma urgência
Em ser papel
Alma celulósica
As palavras que correm na folha
Não sou eu que as conduzo
Elas tomam minha mão
E pintam em linhas
Pensamentos abstratos
As deixo soltas
De um modo que nunca fui
Ritualizo minha imagem nelas
Me imagino livre
Desconexa
Sou um ser atravessado
Por uma urgência
Em ser papel
Alma celulósica
As palavras que correm na folha
Não sou eu que as conduzo
Elas tomam minha mão
E pintam em linhas
Pensamentos abstratos
As deixo soltas
De um modo que nunca fui
Ritualizo minha imagem nelas
Me imagino livre
Desconexa
172
Todo fim de poema
Grito a raiva
Exponho a fúria
Firmo os dedos
Que me curam
Após sovar o fim do poema
Sedimento contemplação
Fermento euforia
Acidifico essa
Indizível
Sensação
Exponho a fúria
Firmo os dedos
Que me curam
Após sovar o fim do poema
Sedimento contemplação
Fermento euforia
Acidifico essa
Indizível
Sensação
135
Você fodeu a minha cabeça
Você envolta pela toalha
recém saída do banho
estimulava meu olfato
com o cheiro de sabonete
na sua pele macia
provocava arrepios
na minha
eu vinda do sol
você vinda da lua
não conseguíamos coexistir
sua dependência
apagou minha luz
acabamos ambas
na escuridão
seus olhos de harpia
me avistaram a anos-luz
em diferentes dimensões
com o bico pontiagudo
perfurou os meus olhos
cega
não vi você
arrancando de dentro de mim
meu ser comigo mesma
minha liberdade em vísceras
minha autoestima coagulada
pedaço por pedaço
você foi me consumindo
enquanto eu dizia
me coma
você me fodeu
e eu sequer gozei
recém saída do banho
estimulava meu olfato
com o cheiro de sabonete
na sua pele macia
provocava arrepios
na minha
eu vinda do sol
você vinda da lua
não conseguíamos coexistir
sua dependência
apagou minha luz
acabamos ambas
na escuridão
seus olhos de harpia
me avistaram a anos-luz
em diferentes dimensões
com o bico pontiagudo
perfurou os meus olhos
cega
não vi você
arrancando de dentro de mim
meu ser comigo mesma
minha liberdade em vísceras
minha autoestima coagulada
pedaço por pedaço
você foi me consumindo
enquanto eu dizia
me coma
você me fodeu
e eu sequer gozei
125
Vivo dentro de um sonho
o sono entorpecente
vem para nos entreter
visões de um mundo
nos olhos de quem sonha
onde a aflição acaba
com o despertar
sonho
e sonhando
sei que estou sonhando
saio do sonho
transformado em pesadelo
com um beliscão
das realidades que me são entregues
uma permite que o sol queime a pele
e posso ao menos acompanhar
o movimento de rotação da Terra
junto aos ácaros do meu travesseiro
conto no relógio o tempo
que levarei para um novo despertar
dentro de uma existência programada
para sonhar
vem para nos entreter
visões de um mundo
nos olhos de quem sonha
onde a aflição acaba
com o despertar
sonho
e sonhando
sei que estou sonhando
saio do sonho
transformado em pesadelo
com um beliscão
das realidades que me são entregues
uma permite que o sol queime a pele
e posso ao menos acompanhar
o movimento de rotação da Terra
junto aos ácaros do meu travesseiro
conto no relógio o tempo
que levarei para um novo despertar
dentro de uma existência programada
para sonhar
111
Botânica
Perceber brotar
Um pensamento
E não fugir
Deixar germinar
Ser a coifa
Do meu meristema
A
P
I
C
A
Radicu(L)ar
Conceber em epiderme
Estratos de mim
Totipotentes
No aguardo de um sinal
Um pensamento
E não fugir
Deixar germinar
Ser a coifa
Do meu meristema
A
P
I
C
A
Radicu(L)ar
Conceber em epiderme
Estratos de mim
Totipotentes
No aguardo de um sinal
400
Nó desaguar
Forçada a falar
Sobrecarrego
Língua
E vértebras
Que me mantém
Em pé
Fujo
Logo me procuram
O silêncio
Não me é permitido
Lamento
Por não poder
Não ser
Sobrecarrego
Língua
E vértebras
Que me mantém
Em pé
Fujo
Logo me procuram
O silêncio
Não me é permitido
Lamento
Por não poder
Não ser
177
Cadê os campos e animais daqui?
Eu gostaria que minha poesia
fosse bucólica
sincretizar pombos
andorinhas e urubus
unir o movimento das folhas
da árvore que me sombreia
ao movimento das asas das aves
é cadarço
amarrar e fazer um laço
tento
não consigo
dou nó
dos pés tortos originam o tropeço
escrevo sem ver o mundo lá fora
escrevo olhando para dentro
onde só tem
órgãos, sangue e
abstração
fosse bucólica
sincretizar pombos
andorinhas e urubus
unir o movimento das folhas
da árvore que me sombreia
ao movimento das asas das aves
é cadarço
amarrar e fazer um laço
tento
não consigo
dou nó
dos pés tortos originam o tropeço
escrevo sem ver o mundo lá fora
escrevo olhando para dentro
onde só tem
órgãos, sangue e
abstração
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