Frederico de Castro

Frederico de Castro

n. 1961 GW GW

Escuto o sentir das palavras e então esculpo-as nos meus silêncios, dando-lhes vida forma e cor. Desejo-as, acalento-as, acolho-as,embelezo-as sempre com muito, muito amor…

n. 1961-06-20, Bolama

Perfil
336 588 Visualizações

Por este Outono passageiro...



Enfrentei milhentas paragens por esse mundo
Sorvi do tempo cada lembrança capitulando
Deixei o silêncio sem rédeas...cabriolando
Até que lá do alto do trapézio da minha solidão
Se dissipe o Outono passageiro...feliz cantarolando

Pousou a luz mansamente no peitoril da noite
Despindo cada olhar recíproco embebedando o
Cliché de saudades...matriz dos meus estampados sonhos
Inalando todos os perfumes que de ti instilo tão repimpados

Embebedou-se a noitinha num estilhaço de luz elegante
Emancipou-se logrando destes beijos uma vénia de desejos
Trajando meu casto silêncio tão mutilado...tão usurpado

Deixemos que o estafeta do amor entregue seu testemunho àqueles
Entes apaixonados, respirando um tenro e subtil momento de prazer
Agora e sempre mais e mais abnegado

Frederico de Castro
Ler poema completo

Poemas

16

Foi-se embora o poente



Foi-se embora o poente e ficou somente
A solidão na sua corte esbelta e suprema
Rabisco palavras que se afogam além junto à
Maresia de rimas e gestos quase blasfemos

Foi-se embora o poente e a noite assim chegará
Inspirada, apaziguante e tão descomedida
Inverosímeis serão as gargalhadas bem urdidas
Nos céus rumando ao finito vão escuridões tão iludidas

Frederico de Castro
88

Sombras dançantes



Sombras dançantes abeiram-se do cume deste silêncio
Inócuo, inofensivo e sempre absurdamente extensivo
Em degradé a escuridão pintalga-se de breus tão erosivos

Além os lamentos fazem a necropsia da solidão adesiva
Suas odoríferas palavras perfumam uma carícia decisiva
Dormitam no mausoléu das minhas preces intensas e efusivas

Sombras dançantes renascem no lajedo das emoções conclusivas
Evocam memórias incoercíveis e platonicamente excessivas
Abreviam meus versos trajados de esperanças e rimas sucessivas

Frederico de Castro
117

Ornato dos silêncios



No ornato dos silêncios brilha esta fluorescência cativa
Ali cada esdrúxula prece alimenta toda a fé apreciativa
A manhã enfeitiçada esboroa-se em mil pétalas supurativas

Na derme da luz sussurra uma eufórica paz tão aglutinativa
Palavras prenhes e perfumadas penetram numa lânguida rima paliativa
Como trepida cada caricia jorrando do cântaro da vida fluindo apelativa

Frederico de Castro
135

Liberta-me



Liberta-me e voarei para além do além do céu itinerante
Perfumarei cirros e cumulonimbus coloridos e exuberantes
Ostentarei na alma palavras fluindo desvairadas e refrescantes

Liberta-me das algemas destes silêncios prenhes e abundantes
Para que a vida inteirinha, desate suas gargalhadas sempre vibrantes
E a luz cativa aconchegue de vez requintados berros e afagos abrasantes

Liberta-me desta solidão tentadora apocalíptica e cativante para
Que as memórias consagrem e se dispersem nas saudades possantes
E nos vitrais do tempo cada verso se desnude em lágrimas mais fragrantes

Frederico de Castro
106

Apanha-me o sol



Apanha-me o sol antes que a escuridão chegue e se aconchegue
Na partitura da vida musicada e cordialmente reabilitada
A terra farta e feliz hibernará na hospitalidade da noite cristalizada

Apanha-me o poente anfitrião desta negrura tão sincronizada
Deixa o silêncio escorregar ao longo da solidão mais sedimentada
Pernoita em mim desamparada, ávida e absurdamente inanimada

Apanha-me as memórias ainda frescas, repentinas e inconformadas
Amamenta-me a saudade que sufoca repleta de palavras manipuladas
Acoita-me da noite saturada de breus e carícias poeticamente espevitadas

Frederico de Castro
100

Ausente



Ausentes, as horas encobrem sua
Imensa tristeza encabulada

Indesejados lamentos velam toda a
Felina palavra oclusa e regenerada

Até ali, o tempo desfragmenta-se numa
Saudade poética e camuflada


Ausentes, os silêncios rastejam atribulados
Degenerados, quase vergados

Martirizam todos os ecos remasterizados
Num uivo tão extrapolado

Acuram e aprimoram a osmose de um
Desejo flamejante e congratulado


Frederico de Castro
149

Empíreo poente



Com mestria e sensibilidade Deus pintou-nos o poente
Radiante, absorvente e extraordinariamente flamejante
A luz ebúrnea e empírica sucumbe mais dissimulada e latejante

Como reagirá a escuridão que chega intempestiva e hidrogenante
Quem acalentará minha solidão inerte e quase incessante
Talvez a fé e a paz repousando na reverência do tempo itinerante

Assim se esconde o empíreo poente afrodisíaco e cativante
Assim se esvai a noite paparicando cada breu mais elegante
De negro se veste uma hora milimetricamente fiel e exuberante

Frederico de Castro
133

Varanda da primavera



Na varanda do tempo pintam-se poemas divagantes
Desconcertantes são todos estes silêncios debutantes
Imarcescíveis são as horas pelejando a bordo de tantos
Tantos intensos segundos discordantes

No estaleiro da vida as cores estucam os alpendres e
Varandins das minhas esperanças mais excitantes
Toda a agreste e inusitada primavera sorve da luz
Um encorpado e interminável afago tão petulante

Nesta panóplia de cores deslumbradas a escuridão
Desnuda-se e esfrega-se no peitoril dos breus mais gentis
Ressuscita até muitos solenes sonhos e desejos subtis
Engendra em conluio com o tempo prazeres ainda mais viris

Frederico de Castro
146

Silêncios abruptos



Entusiasmante, sôfrega e admirável a luz liberta suas
Perfumadas luminescências febris ruidosas e ofegantes
Assim migram as ilusões caóticas, hipnóticas e contagiantes

Desguarnecida a solidão ainda fibrilando, esboroa-se num
Eco consistente ininterrupto e demasiadamente corrupto
Das palavras adotivas inspira-se todo o silêncio estático e abrupto

Frederico de Castro
85

Um rasgo de mar



Um rasgo de mar navega entre as
Folhas da vida transladada

Um tonelada de ilusões amaram além
Livres e apaixonadas

Cada letra soletra uma onda de preces
Intensas, ígneas e abençoadas


Um rasgo de mar perfuma as páginas
Das paixões endoidadas

Seus ventos de feição alimentam a oclusa
De esperanças enfatizadas

Ao longe sussurra a fé navegando num
Oceano de paz bem aromatizada


Frederico de Castro
242

Livros

1

Comentários (2)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ltslima

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!